Ver uma bela peça de teatro com actores conhecidos do cinema deixa um sabor especial de momento único. Na verdade uma peça é irrepetível. Podemos ver um filme na sala de cinema e levá-lo pouco depois para casa em DVD.
Mas uma peça de teatro não se leva para casa para rever. Apenas se leva a recordação dela e da experiência, que facilmente é bem mais forte e único do que um filme. Sim, existem peças televisionadas, mas não só são muito raras (especialmente as boas) como não é a mesma coisa. Nesse sentido, é um verdadeiro presente que um actor nos está a dar ali, directamente e sem intermediários (tirando o importante papel do encenador, mas que já é passivo quando a peça fica em exibição).
Quando se tratam de actores que poderiam basear a sua carreira apenas e só no cinema, fica a sensação que, de facto, é uma paixão e uma forma de estar na profissão da interpretação de personagens. Repetir as mesmas cenas muitos dias seguidos aparenta ser difícil e aborrecido, mas depressa a ideia do aborrecido passa ao lado. Os imponderáveis e as pequenas mudanças são o aliciante, a reacção directa e sincera do público é outro e a possibilidade de limar, melhorar e saborear pequenos pormenores da interpretação deve ser bem maior.
Londres é capaz de ser a capital mundial do teatro. E sente-se essa vibração no ar, em West End ou noutros teatros épicos afastados dessa zona como o Old Vic. Cada zona tem o seu próprio teatro, curiosamente.
A paixão pela interpretação é grande no país de Shakespeare. Ainda hoje vi uma reportagem no programa da manhã da BBC, sobre um grupo de alunos adolescentes que fizeram um verdadeiro filme, com a duração de uma longa-metragem, e repleto de valor ao ponto de terem uma antestreia na escola e até irem vender DVD's (a componente de negócio cultural não falta).
Mostrar mensagens com a etiqueta teatro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta teatro. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, julho 03, 2009
quinta-feira, julho 02, 2009
a night at the old vic...
Não é todos os dias que temos oportunidade de conhecer um dos actores predilectos da adolescência: Ethan Hawke. Falhou a entrevista pretendida e com que cheguei a sonhar durante algum tempo, mas foi concretizado o desejo de o conhecer (guardado para a posteriori nesta foto).
Londres, Waterloo. 18h45.
Depois de andar uns minutos à procura da rua certa, de passar por pubs apinhados de gente dentro e fora do estabelecimento e de perguntar a vários ingleses por indicações, ei-lo. The Old Vic. Um dos teatros mais antigos e importantes de Londres, coordenado pelo actor norte-americano Kevin Spacey.
O teatro é relativamente imponente e tem o seu próprio quarteirão (sem prédios colados). Bilhete e programa na mão e com uns minutos para gastar, passei pelo Stage Door (a porta lateral dos bastidores), bati à porta, entrei e disse ao que ia: queria tentar falar com o actor Ethan Hawke para tentar uma entrevista (não conseguida pelos meios regulares).
Com grande compreensão, simpatia e honestidade explicaram-me que ele devia estar a chegar e que podia esperar por e perguntar-lhe.
No período de espera aparece um jovem húngaro (o único por ali) que mete conversa comigo (não, não me parecia gay) a perguntar: "estás à espera do Ethan Hawke?"
Estava, claro. Pelos vistos já tinha visto a peça no sábado (The Winter's Tale) e tirado foto com ele, mas tinha ficado tremida e como trabalhava mesmo ali e o Ethan Hawke revelou-se simpático tinha passado para novo foto, à luz do dia.
O jovem contabilista húngaro, a viver há quatro anos em Londres, revelou-se um grande apreciador de peças de teatro e aconselhou-me não perder as interpretações teatrais incríveis de Kevin Spacey (que só volta a actuar no final do ano) e de Jude Law.
As dicas sobre a cidade deste húngaro londrino: nunca vir trabalhar para Londres a ganhar menos de 25 mil libras por ano (a vida é muito cara e a cidade é cheia de vida e coisas boas, mas correspondem no preço). Após quatro anos como "londrino", disse estar cansado da vida frenética e cara da cidade e pensa mesmo em sair ("na Hungria dava para ver 5 peças de teatro nos melhores lugares por um bilhete num bom lugar aqui (45 libras)".
O tempo passava e Ethan não chegava (ele só entrava na segunda parte da peça The Winter's Tale). Perto das 19h20 sai dali e fui para a sala, que se revelou mais pequena e velha do que pensava, mas ainda assim imponente, clássica e agradável.
"No photos", recorda-me uma assistente. Só tirei uma da sala... foi pena (não vi nenhum sinal para não tirar fotografias).
A peça, encenada pelo inimitável Sam Mendes (Beleza Americana), começa pouco depois da hora combinada.
O início deixa-me algo apreensivo. O inglês é arcaico (é uma peça de William Shakespeare), as palavras iradas e ditas de forma muito rápida. É difícil acompanhar. Assim que começo a perceber a história e o que move as personagens, tudo se torna aliciante e envolvente, mas foi difícil entrar naquele mundo de reis gentlemans desesperados nas belas terras de Sicilia e Bohemia.
A mistura entre actores ingleses e norte-americanos (todos altamente reputados em teatro e muitos também em cinema) revelou-se engraçada - os estilos são, de facto, diferentes. A 1ª parte da peça, mas dramalhão e pesada, é mais inglesa, a 2ª parte é claramente mais norte-americana.
Pode parece óbvio, mas o actores mais conhecidos (do cinema) são de facto os que se revelaram mais talentosos. Fiquei maravilhado com três actuações: Ethan Hawke, Sinead Cusack (uma inglesa ao nível de Helen Mirren ou mesmo Judy Dench) e Rebecca Hall. Mas o talento abundava, e de que maneira, com os risos a estarem muito nas mãos de Ethan Hawke, que se revelou um espanto para a comédia shakesperiana (incrível), o experiente Richard Easton (já fazia filmes como Othello em 1953) e o jovem trapalhão Tobias Segel.
Ainda assim houve três enganos nos diálogos que suscitaram sorrisos no palco e risos na plateia (faz parte, é teatro!).
Ethan Hawke era um ladrão matreiro, esperto, profeta da desgraça e da graça, gozão e cantador de baladas (de viola em punho). Para além de não esperar que tivesse tanta piada, foi incrível a forma como fazia as cenas e fazia reparos directamente para o público, conseguiu dominar essa técnica com uma harmonia e graça contagiante, com estilo e personalidade muito própria.
Não espera tanto dele, confesso... ainda para mais de um tipo que ainda há umas horas atrás (14h30) tinha protagonizado outra peça de teatro, que faz parte deste projecto: The Cherry Orchard, de Chehkov - com o mesmo elenco.
Outra parte incrível foi a forma como cantou. Tem uma voz cativante, harmoniosa, ligeiramente roca (ao estilo rock)... notável. Diálogos e cantorias, tudo ao vivo e sem microfones (à antiga), a fazerem-se valer da boa acústica e da projecção das suas vozes. Tive sorte em ficar na terceira fila da frente... pertíssimo do palco... é uma sensação incrível. Uma experiência que recomendo.
No total a peça teve pouco mais de 2h30 (mais 15 min. de intervalo) e convenceu-me por completo. Confesso que 45 libras (há preços desde as 10 libras em lugares mauzinhos) é um preço justo para tanta emoção, drama, dança, cantoria e comédia junta.
Peça vista, fôlego recuperado. Passo outra vez pela pequena Stage Door (muita gente passa ali a pensar tratar-se do pub que fica mais à frente na rua e tem o mesmo nome, The Stage Door). Mas agora estão, à porta, umas 10 pessoas.
Começam logo a sair alguns actores e percebo que quem está ali à espera são amigos dos actores. A talentosa, promissora e lindíssima Rebecca Hall (Match Point, Vicky Cristina Barcelona, lembram-se dela?) sai, lança sorrisos e está mesmo ao meu lado a combinar qual o bar para onde vai com as amigas que a esperavam.
Ali os actores não são estrelas, são profissionais que saem do trabalho e vão ter com os amigos. Simples. Um dos actores americanos partilha com uns amigos compatriotas a experiência da peça e pergunta sobre o que eles andam a fazer. Outro actor, inglês, aproveita para voltar a apresentar o irmão aos outros actores.
Entretanto lá sai Ethan Hawke (sem ninguém conhecido à espera dele), curiosamente quando já todos os outros actores e respectivos amigos tinham saído dali.
Cumprimento-o e explico ao que venho: "não consegui entrevista pelo teatro, será que podias responder a umas perguntas..." Entretanto duas raparigas pedem-lhe uma foto. Ele, visivelmente cansado (peças todos os dias, hoje, duas vezes num dia), pede-me para esperar um pouco e aceita, "vamos lá num instante, é só sorrir não é?".
Depois lá me pergunta novamente: "então o que querias mesmo?" Lá lhe explico que era fazer umas perguntas de teatro, cinema... ele explica-me que está muito cansado mentalmente e com alguma pressa. "Sorry, interview maybe tomorrow, if you can... today i'm too tired"- pena eu não poder.
Sem entrevista, faço-lhe o pedido final, uma fotografia ao lado de um dos "lads" do Clube dos Poetas Mortos e do filme Exploradores. E ele diz, "Claro!"
Tiro a máquina da mala e ele chama as raparigas com quem tinha tirado uma foto antes, que já estavam a sair, e pede a uma delas para ser fotógrafa de serviço.
Fotografia tirada, ele ainda me diz que caso tenha alguma curiosidade pessoal para satisfazer sobre a carreira dele para o acompanhar um instante enquanto saimos do quarteirão e...
lá vou eu numa rua londrina ao lado do Ethan Hawke, esse mesmo que passeou pelas ruas de Viena e de Paris ao lado da bela Julie Delpy. Pergunto-lhe se há planos para fazer mais um filme da saga Before Sunrise/Sunset com Julie Delpy e o realizador Richard Linklater:
"Sem dúvida, queremos fazer o terceiro. Agora, é como os outros filmes, não sabemos quando nem onde... mas no futuro vamos voltar a juntarmo-nos, isso é certo".
Outra dúvida instantânea foi sobre as performances como cantor na peça. Foi mesmo impecável e cativante... lembrei-o da canção gravada no filme Reality Bites, em que a voz parecia demasiado rouca. E ele explica "nesse filme gravei isso com a voz completamente estoirada... foi giro mas pouco profissional, quase não tinha voz quando gravei". Já sobre a eventualidade de se aventurar na música com um álbum... "nunca pensei muito nisso, não é algo que procure. Ainda assim não excluo totalmente".
Terminado o mini-quarteirão do Old Vic, ele foi into the wilderness (disse que estava desesperado por chegar à cama), voltou a pedir desculpa por não dar a entrevista, cumprimentou-me e eu foi para o metro (tube) de Waterloo com uma história para contar e uma fotografia para recordar.
Amanhã, estar com a Sandra Bullock e Ryan Reynolds não se vai comparar em nada à experiência inesquecível de uma noite no Old Vic.

Vai sair em breve um filme curioso com Ethan Hawke, chamado Daybreakers, sobre um mundo povoado por vampiros onde o ser humano está em vias de extinção. Pelo trailer fiquei curioso.
Londres, Waterloo. 18h45.
Depois de andar uns minutos à procura da rua certa, de passar por pubs apinhados de gente dentro e fora do estabelecimento e de perguntar a vários ingleses por indicações, ei-lo. The Old Vic. Um dos teatros mais antigos e importantes de Londres, coordenado pelo actor norte-americano Kevin Spacey.
O teatro é relativamente imponente e tem o seu próprio quarteirão (sem prédios colados). Bilhete e programa na mão e com uns minutos para gastar, passei pelo Stage Door (a porta lateral dos bastidores), bati à porta, entrei e disse ao que ia: queria tentar falar com o actor Ethan Hawke para tentar uma entrevista (não conseguida pelos meios regulares).
Com grande compreensão, simpatia e honestidade explicaram-me que ele devia estar a chegar e que podia esperar por e perguntar-lhe.
No período de espera aparece um jovem húngaro (o único por ali) que mete conversa comigo (não, não me parecia gay) a perguntar: "estás à espera do Ethan Hawke?"
Estava, claro. Pelos vistos já tinha visto a peça no sábado (The Winter's Tale) e tirado foto com ele, mas tinha ficado tremida e como trabalhava mesmo ali e o Ethan Hawke revelou-se simpático tinha passado para novo foto, à luz do dia.
O jovem contabilista húngaro, a viver há quatro anos em Londres, revelou-se um grande apreciador de peças de teatro e aconselhou-me não perder as interpretações teatrais incríveis de Kevin Spacey (que só volta a actuar no final do ano) e de Jude Law.
As dicas sobre a cidade deste húngaro londrino: nunca vir trabalhar para Londres a ganhar menos de 25 mil libras por ano (a vida é muito cara e a cidade é cheia de vida e coisas boas, mas correspondem no preço). Após quatro anos como "londrino", disse estar cansado da vida frenética e cara da cidade e pensa mesmo em sair ("na Hungria dava para ver 5 peças de teatro nos melhores lugares por um bilhete num bom lugar aqui (45 libras)".
O tempo passava e Ethan não chegava (ele só entrava na segunda parte da peça The Winter's Tale). Perto das 19h20 sai dali e fui para a sala, que se revelou mais pequena e velha do que pensava, mas ainda assim imponente, clássica e agradável.
"No photos", recorda-me uma assistente. Só tirei uma da sala... foi pena (não vi nenhum sinal para não tirar fotografias).
A peça, encenada pelo inimitável Sam Mendes (Beleza Americana), começa pouco depois da hora combinada.
O início deixa-me algo apreensivo. O inglês é arcaico (é uma peça de William Shakespeare), as palavras iradas e ditas de forma muito rápida. É difícil acompanhar. Assim que começo a perceber a história e o que move as personagens, tudo se torna aliciante e envolvente, mas foi difícil entrar naquele mundo de reis gentlemans desesperados nas belas terras de Sicilia e Bohemia.
A mistura entre actores ingleses e norte-americanos (todos altamente reputados em teatro e muitos também em cinema) revelou-se engraçada - os estilos são, de facto, diferentes. A 1ª parte da peça, mas dramalhão e pesada, é mais inglesa, a 2ª parte é claramente mais norte-americana.
Pode parece óbvio, mas o actores mais conhecidos (do cinema) são de facto os que se revelaram mais talentosos. Fiquei maravilhado com três actuações: Ethan Hawke, Sinead Cusack (uma inglesa ao nível de Helen Mirren ou mesmo Judy Dench) e Rebecca Hall. Mas o talento abundava, e de que maneira, com os risos a estarem muito nas mãos de Ethan Hawke, que se revelou um espanto para a comédia shakesperiana (incrível), o experiente Richard Easton (já fazia filmes como Othello em 1953) e o jovem trapalhão Tobias Segel.
Ainda assim houve três enganos nos diálogos que suscitaram sorrisos no palco e risos na plateia (faz parte, é teatro!).
Ethan Hawke era um ladrão matreiro, esperto, profeta da desgraça e da graça, gozão e cantador de baladas (de viola em punho). Para além de não esperar que tivesse tanta piada, foi incrível a forma como fazia as cenas e fazia reparos directamente para o público, conseguiu dominar essa técnica com uma harmonia e graça contagiante, com estilo e personalidade muito própria.
Não espera tanto dele, confesso... ainda para mais de um tipo que ainda há umas horas atrás (14h30) tinha protagonizado outra peça de teatro, que faz parte deste projecto: The Cherry Orchard, de Chehkov - com o mesmo elenco.
Outra parte incrível foi a forma como cantou. Tem uma voz cativante, harmoniosa, ligeiramente roca (ao estilo rock)... notável. Diálogos e cantorias, tudo ao vivo e sem microfones (à antiga), a fazerem-se valer da boa acústica e da projecção das suas vozes. Tive sorte em ficar na terceira fila da frente... pertíssimo do palco... é uma sensação incrível. Uma experiência que recomendo.
No total a peça teve pouco mais de 2h30 (mais 15 min. de intervalo) e convenceu-me por completo. Confesso que 45 libras (há preços desde as 10 libras em lugares mauzinhos) é um preço justo para tanta emoção, drama, dança, cantoria e comédia junta.
Peça vista, fôlego recuperado. Passo outra vez pela pequena Stage Door (muita gente passa ali a pensar tratar-se do pub que fica mais à frente na rua e tem o mesmo nome, The Stage Door). Mas agora estão, à porta, umas 10 pessoas.
Começam logo a sair alguns actores e percebo que quem está ali à espera são amigos dos actores. A talentosa, promissora e lindíssima Rebecca Hall (Match Point, Vicky Cristina Barcelona, lembram-se dela?) sai, lança sorrisos e está mesmo ao meu lado a combinar qual o bar para onde vai com as amigas que a esperavam.
Ali os actores não são estrelas, são profissionais que saem do trabalho e vão ter com os amigos. Simples. Um dos actores americanos partilha com uns amigos compatriotas a experiência da peça e pergunta sobre o que eles andam a fazer. Outro actor, inglês, aproveita para voltar a apresentar o irmão aos outros actores.
Entretanto lá sai Ethan Hawke (sem ninguém conhecido à espera dele), curiosamente quando já todos os outros actores e respectivos amigos tinham saído dali.
Cumprimento-o e explico ao que venho: "não consegui entrevista pelo teatro, será que podias responder a umas perguntas..." Entretanto duas raparigas pedem-lhe uma foto. Ele, visivelmente cansado (peças todos os dias, hoje, duas vezes num dia), pede-me para esperar um pouco e aceita, "vamos lá num instante, é só sorrir não é?".
Depois lá me pergunta novamente: "então o que querias mesmo?" Lá lhe explico que era fazer umas perguntas de teatro, cinema... ele explica-me que está muito cansado mentalmente e com alguma pressa. "Sorry, interview maybe tomorrow, if you can... today i'm too tired"- pena eu não poder.
Sem entrevista, faço-lhe o pedido final, uma fotografia ao lado de um dos "lads" do Clube dos Poetas Mortos e do filme Exploradores. E ele diz, "Claro!"
Tiro a máquina da mala e ele chama as raparigas com quem tinha tirado uma foto antes, que já estavam a sair, e pede a uma delas para ser fotógrafa de serviço.
Fotografia tirada, ele ainda me diz que caso tenha alguma curiosidade pessoal para satisfazer sobre a carreira dele para o acompanhar um instante enquanto saimos do quarteirão e...
lá vou eu numa rua londrina ao lado do Ethan Hawke, esse mesmo que passeou pelas ruas de Viena e de Paris ao lado da bela Julie Delpy. Pergunto-lhe se há planos para fazer mais um filme da saga Before Sunrise/Sunset com Julie Delpy e o realizador Richard Linklater:
"Sem dúvida, queremos fazer o terceiro. Agora, é como os outros filmes, não sabemos quando nem onde... mas no futuro vamos voltar a juntarmo-nos, isso é certo".
Outra dúvida instantânea foi sobre as performances como cantor na peça. Foi mesmo impecável e cativante... lembrei-o da canção gravada no filme Reality Bites, em que a voz parecia demasiado rouca. E ele explica "nesse filme gravei isso com a voz completamente estoirada... foi giro mas pouco profissional, quase não tinha voz quando gravei". Já sobre a eventualidade de se aventurar na música com um álbum... "nunca pensei muito nisso, não é algo que procure. Ainda assim não excluo totalmente".
Terminado o mini-quarteirão do Old Vic, ele foi into the wilderness (disse que estava desesperado por chegar à cama), voltou a pedir desculpa por não dar a entrevista, cumprimentou-me e eu foi para o metro (tube) de Waterloo com uma história para contar e uma fotografia para recordar.
Amanhã, estar com a Sandra Bullock e Ryan Reynolds não se vai comparar em nada à experiência inesquecível de uma noite no Old Vic.

Vai sair em breve um filme curioso com Ethan Hawke, chamado Daybreakers, sobre um mundo povoado por vampiros onde o ser humano está em vias de extinção. Pelo trailer fiquei curioso.
Labels:
cinema,
divagações,
experiências,
figuras,
londres,
pessoas que cativam,
teatro,
viagens
sábado, fevereiro 14, 2009
soho londrino
Em Londres as peças de teatro têm horários muito cedo, antes mesmo da hora de jantar. Sofri esses horários na pele. Andava à procura de uma peça para ver num sábado na altura em que elas já tinham começado (19h). Resultado, não vi nenhuma peça.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
o que fazer? ir ao são luiz ver evil machines
[A sugestão para a próxima semana é...]
Máquinas revoltadas protagonizam musical de "Monty Phyton" Terry Jones no São Luiz
Aspiradores revoltados, parquímetros infernais, uma máquina de lavar roupa com ganas de emancipação e carros selvagens são alguns dos electrodomésticos que querem tomar o mundo e destruir a raça humana - são as "Evil Machines". Esta fantasia musical criada pelo britânico Terry Jones, um dos autores e intérpretes da lendária série "Monty Python`s Flying Circus" (1969), e pelo compositor Luís Tinoco terá estreia mundial a 12 de Janeiro no Teatro São Luiz, em Lisboa.
A história que deu origem ao espectáculo, que estará em cena na sala principal daquele teatro municipal, foi escrita por Anna Söderström e Terry Jones, também autor do libreto e encenador.
"Até é um bocado embaraçoso contar como é que me surgiu a ideia... Um dia estava no carro, no meio do trânsito, parado num semáforo e as palavras `máquinas malvadas` passaram-me pela cabeça e pensei: `ora aqui está um bom nome para um livro ou um bom título`", disse Terry Jones em entrevista à Lusa.
"Então, escrevi um livro de contos e quando o Luís Tinoco sugeriu uma nova parceria (a primeira foi em 2006) com a sua música, eu pensei `bem, talvez eu consiga transformar aquilo num libreto` e foi assim que surgiu", resumiu.
Máquinas revoltadas protagonizam musical de "Monty Phyton" Terry Jones no São Luiz
Aspiradores revoltados, parquímetros infernais, uma máquina de lavar roupa com ganas de emancipação e carros selvagens são alguns dos electrodomésticos que querem tomar o mundo e destruir a raça humana - são as "Evil Machines". Esta fantasia musical criada pelo britânico Terry Jones, um dos autores e intérpretes da lendária série "Monty Python`s Flying Circus" (1969), e pelo compositor Luís Tinoco terá estreia mundial a 12 de Janeiro no Teatro São Luiz, em Lisboa.
A história que deu origem ao espectáculo, que estará em cena na sala principal daquele teatro municipal, foi escrita por Anna Söderström e Terry Jones, também autor do libreto e encenador.
"Até é um bocado embaraçoso contar como é que me surgiu a ideia... Um dia estava no carro, no meio do trânsito, parado num semáforo e as palavras `máquinas malvadas` passaram-me pela cabeça e pensei: `ora aqui está um bom nome para um livro ou um bom título`", disse Terry Jones em entrevista à Lusa.
"Então, escrevi um livro de contos e quando o Luís Tinoco sugeriu uma nova parceria (a primeira foi em 2006) com a sua música, eu pensei `bem, talvez eu consiga transformar aquilo num libreto` e foi assim que surgiu", resumiu.
Labels:
teatro,
terry jones
sábado, dezembro 08, 2007
the fast road
Terry Jones respira talento interpretativo e narrativo. Jones não se considera um actor, é certo, até porque raramente interpretou textos de outros, mas a verdade é que tanto na voz (versátil) como nas caretas e nos movimentos do corpo, todo ele é um prazer de ver actuar. Nem que seja em algo tão simples, quanto narrar Contos Fantásticos - histórias infantis escritas por ele, mas de alguma forma extremamente interessantes e aliciantes mesmo para todos os adultos que gostam de se sentir inspirados. São histórias simples e fantásticas, repletas de metáforas para situações da vida comum, escritas com um ritmo e timing impressionante. Memorável, mesmo.
Fui ver ontem à noite Contos Fantásticos, no São Luiz, e apesar de ser menos de uma hora de narração muito bem musicada, enche por completo as medidas. A Orquestra Metropolitana de Lisboa, com um divertido convidado especial, o concertino Du Xuan, fazem um belo trabalho (concebido por Luís Tinoco) musical, dando ainda mais emoção e thriller mesmo aos três contos que Terry Jones vai contando: A Estrada Rápida, Três Pingos de Chuva e Tomás e o Dinossauro.
Jones é, provavelmente o Python com a carreira mais versátil e diversificada, de obras académicas sobre Chaucer e a Idade Média, à escrita de contos infantis, de peças de teatro, de filmes. É ainda actor dos seus textos, realizador, encenador, narrador, contador de histórias, you name it! Jorra talento.

PS: No final, quando todos batiam palmas, um homem levantou-se da sua cadeira (não para aplaudir, mas porque lhe apeteceu) e um velhote que estava atrás dele pediu-lhe para se baixar, que não conseguia ver o palco. O homem sentou-se danado e começou a insultar o velhote, dizendo que a peça já tinha terminado e não tinha nada de sentar-se. Entretanto as luzes do teatro acenderam-se e o cretino continuou a insultar veemente o velhote que estava com a mulher. Há pessoas muito cretinas! Se não sabem respeitar os outros, mais vale não sairem de casa.
PS2: À saída do teatro (onde estava o director das PF, Nuno Artur Silva, reparei que estavam edições do Destak Fim de Semana na mesa com material informativo. Ainda bem. Bem apropriado, já que a capa é RAP e Terry Jones. Ontem, ao final da tarde, passei de carro pela Praça de Espanha, estavam a distribuir o jornal Fim de Semana. O distribuidor, esperto, mostrava a capa com RAP e Terry Jones aos automobilistas. Ao verem a capa todos pediam o jornal. Mais curioso foi ver muitos a não ficarem satisfeitos com um exemplar, e pedirem aos distribuidores mais do que um. Dá-me uma certa satisfação pessoal ter visto isto.
Fui ver ontem à noite Contos Fantásticos, no São Luiz, e apesar de ser menos de uma hora de narração muito bem musicada, enche por completo as medidas. A Orquestra Metropolitana de Lisboa, com um divertido convidado especial, o concertino Du Xuan, fazem um belo trabalho (concebido por Luís Tinoco) musical, dando ainda mais emoção e thriller mesmo aos três contos que Terry Jones vai contando: A Estrada Rápida, Três Pingos de Chuva e Tomás e o Dinossauro.
Jones é, provavelmente o Python com a carreira mais versátil e diversificada, de obras académicas sobre Chaucer e a Idade Média, à escrita de contos infantis, de peças de teatro, de filmes. É ainda actor dos seus textos, realizador, encenador, narrador, contador de histórias, you name it! Jorra talento.

PS: No final, quando todos batiam palmas, um homem levantou-se da sua cadeira (não para aplaudir, mas porque lhe apeteceu) e um velhote que estava atrás dele pediu-lhe para se baixar, que não conseguia ver o palco. O homem sentou-se danado e começou a insultar o velhote, dizendo que a peça já tinha terminado e não tinha nada de sentar-se. Entretanto as luzes do teatro acenderam-se e o cretino continuou a insultar veemente o velhote que estava com a mulher. Há pessoas muito cretinas! Se não sabem respeitar os outros, mais vale não sairem de casa.
PS2: À saída do teatro (onde estava o director das PF, Nuno Artur Silva, reparei que estavam edições do Destak Fim de Semana na mesa com material informativo. Ainda bem. Bem apropriado, já que a capa é RAP e Terry Jones. Ontem, ao final da tarde, passei de carro pela Praça de Espanha, estavam a distribuir o jornal Fim de Semana. O distribuidor, esperto, mostrava a capa com RAP e Terry Jones aos automobilistas. Ao verem a capa todos pediam o jornal. Mais curioso foi ver muitos a não ficarem satisfeitos com um exemplar, e pedirem aos distribuidores mais do que um. Dá-me uma certa satisfação pessoal ter visto isto.
Labels:
monty python,
reportagens,
teatro,
terry jones
sexta-feira, dezembro 07, 2007
and now... for something completely different
E Agora Algo Completamente Diferente
Ideia, organização e textos João Tomé
Fotos João Cortesão
Um foi membro fundador dos Monty Python (o grupo de guionistas/humoristas mais famoso do planeta), e em que desempenhava invariavelmente o papel de velhota. Além disso escreveu argumentos, realizou filmes e documentários, publicou livros infantis, sendo responsável por comentários políticos e históricos.
O outro é membro fundador dos Gato Fedorento (grupo de guionistas/humoristas nacionais mais famoso do país) e imitador de eleição de todas as personalidades da nossa praça, a que soma a literatura, crónicas na revista Visão, participação em livros, discos, blogues, stand up.
O “um” é Terry Jones, 65 anos. O “outro” é Ricardo Araújo Pereira, 34 anos. E se o “outro” tivesse a oportunidade de entrevistar o “um”? Foi esse o desafio feito por mim (para o jornal cultural do Destak, Fim de Semana) a Ricardo Araújo Pereira. O conhecido «guionista que interpreta os seus próprios textos cómicos», como o próprio se define, aceitou o repto!
O encontro deu-se no Teatro São Luiz, terça-feira, minutos depois de Mr Jones (como eu e o RAP tratámos o ex-Python) ter terminado os ensaios da peça que irá estrear por cá a 12 de Janeiro - Nuno Markl (que faz o prefácio da fabulosa autobiografia do Python e traduziu a peça Os Melhores Sketches dos Monty Python) também esteve para aparecer, mas acabou por não poder.
Feitas as apresentações, foi um Ricardo (RAP) nervoso que explicou como os Gato Fedorento começaram, como guionistas, e acabaram por ter um sucesso «repentino», «doido mesmo».
Para “quebrar o gelo”, Ricardo fez algumas perguntas antes de começar a entrevista. Mr. Jones foi-lhe contando que ficará em Portugal até à estreia da peça, passando inclusive o Natal e a passagem do ano por cá, «uma forma de fugir ao frio de Londres». Depois, as perguntas de Ricardo começaram a disparar, e Mr. Jones, sempre disponível, divertido e intenso, não desapontou. O espaço que se segue, é da inteira responsabilidade dos intervenientes (e ainda bem que assim é). E Agora Algo Completamente Diferente...
--




RICARDO ARAÚJO PEREIRA
entrevista TERRY JONES
(para quem tiver coragem, seguem-se 14 mil caracteres de uma conversa - eram inicialmente 17 mil. Está ainda num estado semi-bruto, mas é a versão mais completa disponível)
Acredito que lhe vou fazer perguntas que já lhe foram feitas um milhão de vezes… desculpe…
Isso até torna tudo mais fácil (risos).
Como começou o seu interesse na comédia?
Sempre tive interesse. A maior parte dos miúdos gostam... Adoram ser tontos e fazer coisas divertidas. Lembro-me da minha piada mais antiga. Acho que foi antes de saber falar. Estávamos em Gales, tínhamos acabado de comer e a minha avó perguntou se alguém queria sobremesa. E eu, esperto, em vez de passar o meu prato, passei o toalhete da mesa e a minha avó colocou a sobremesa sobre o toalhete. E eu pensei: ‘a piada resultou’ (risos), por isso, luzes e música para mim. Em vez disso, todos se viraram para mim e disseram: ‘porque fizeste isso rapaz tonto?’ Foi aí que percebi que a comédia também era complicada, algo perigoso. Acho que os miúdos gostam de comédia, mas acaba por ser extraído de nós à “pancada”, apenas temos sorte que tenha sobrevivido em nós.
Li muito sobre os Monty Python, como grupo, e como se juntaram. Todos escreveram para outros programas antes dos Python. E estiveram em Oxford juntos…
O Mike [Michael] Palin e eu fomos para Oxford, o John Cleese, Eric Idle e Graham Chapman estavam em Cambridge. O Terry Gilliam estava numa universidade chamada Occidental, nos Estados Unidos.
Há uma rivalidade entre Oxford e Cambridge?
Sim! E é curioso porque chegámos à conclusão, que sempre que não estávamos de acordo sobre algo que tinha piada ou não, a divisão era sempre entre os que tinham andado em Cambridge e os de Oxford. Terry Gilliam alinhava sempre pelos de Oxford, então havia um empate, 3-3. Outra coisa estranha que me lembro é que, quando nos juntávamos e estávamos ali sentados, à espera que o último dos Python chegasse, acabávamos por esperar mesmo quando já estavam os seis… (risos) estávamos sempre à espera de um dos Python.
Alguns de vocês já se conheciam antes dos Python. Conhecia o Michael Palin. Na altura estudava Literatura Inglesa. Tem um livro sobre o Chaucer [considerado o pai da literatura inglesa], não é?
Tenho dois dele. Porque fiz um há quatro anos outro chamado Who Murdered Chaucer. É mais sobre a situação política no século XV, sobre o facto de não sabermos o que aconteceu ao Chaucer. Simplesmente desapareceu, não há nenhum registo da sua morte, nada. Sempre pensei que era um bocado estranho, um homem tão famoso e não se saber quando morreu. Poderia haver uma relação com o facto de Richard II, que era suposto ser o patrono de Chaucer, ter sido assassinado por Henry IV. E o Chaucer desaparece dois meses depois... Explorei essa relação.

Ok, irei comprá-lo então (risos).
A tradução portuguesa irá demorar a sair.
Mas eu compro-o no Amazon, o meu inglês não é muito bom, mas leio bem… O que me intriga é como é que seis pessoas que não se conhecem, juntam-se e criam algo com uma identidade tão forte?
O engraçado é que sempre achámos que íamos fazer algo de diferente e que o programa não tinha nenhuma identidade. Tentámos surpreender sempre as pessoas, para nunca saberem sobre o que é que o programa ia ser. Python ou Pythonic faz agora parte do dicionário inglês. Isso demonstra o quanto falhámos no que tentámos fazer (risos). Quisémos fazer sempre tudo totalmente novo. Tentámos desesperadamente por não ter nenhuma forma, bem, alguma forma mas nenhuma identidade discernível, mas obviamente falhámos (risos).
Completamente! Então não havia nenhum conceito pré-estabelecido. Não havia uma espécie de carta de princípios…
Nem por isso… a história é que a BBC ofereceu ao John Cleese uma série de televisão. E acho que ele queria trabalhar com o Mike Palin. E o Mike, eu e o Eric Idle tínhamos feito um programa de crianças, chamado Do Not Adjust Your Set...
Está agora em DVD…
Pois é, é incrível, tinham-nos dito que tinham sido destruídos… Mas, continuando, fomos à BBC e aqueles homens de fato, sentados à volta da mesa perguntavam ‘Sobre o que é que será o programa’. E nós dissemos: ‘não sabemos propriamente’. E eles: ‘a quem é que será dirigido?’. Nós dissemos: ‘não sabemos’. E eles dizem: ‘terá música?’. E nós… ‘não sabemos’ (risos). ‘E como se chamará?’, dizem eles, e nós… ‘não sabemos’. Ao que eles responderam com o seu ar sério: ‘então só vos podemos dar 13 episódios’. (risos). Hoje isto era impossível mas na BBC, em 68/69, acontecia.

Aconteceu uns trazerem um sketch e os outros dizerem que não servia, por não ser Python?
Não, porque não tínhamos um conceito sobre o que era Python. Todos achámos que íamos escrever o material mais divertido. Antes de nos juntarmos, nós já achámos que o material do John Cleese e o Graham Chapman, que tínhamos visto noutros programas, era o mais cómico da altura. E suponho que eles achassem o mesmo sobre mim e o Mike. Estávamos bastante confiantes que íamos escrever coisas com piada, mas não tinhamos um conceito do programa.
Achei que devíamos ter uma espécie de conceito foi ao ver o Spike Milligan, que fazia um programa chamado Q4. Lembro de o ver e pensar ‘Merda, ele conseguiu! Quebrou as fronteiras da comédia’. Até áquele ponto fazíamos sketches de três minutos com princípio, meio e fim. Ou então de 30 segundos. E o Spike começou a fazer estes sketches que começavam de uma forma e depois, de repente, tornavam-se noutra coisa... sem qualquer forma. Ele mostrou-nos que nós escrevíamos cliches. Lembrei-me, na altura, que o Terry Gilliam tinha feito uma animação para o programa infantil Do Not Adjust Your Set muito diferente do habitual, que pretendia mudar consciências. Achei que se casássemos o que o Milligan tinha feito e os sketches do Gilliam teríamos a estrutura para um programa completo. Liguei ao Terry e ao Mike Palin e eles gostaram logo da ideia. Quando nos encontrámos todos, os outros não estavam de acordo e na primeira temporada houve uma espécie de luta, para tentar pôr aquilo funcionar. Só na segunda temporada todos perceberam que era um bom caminho.
Ao ler o livro Monty Python Speaks, percebemos que Mr Jones era o mais preocupado com o aspecto e a forma do programa Flying Circus…
Sim… era o que me preocupava mais com a forma do que fazíamos naquela altura.
Recordo-me de dizer que gostava do Buster Keaton, porque era comédia, mas era…
Lindo! Exactamente. E ele fazia algo especial com a estrutura. O Charlie Chaplin também o faz, mas eu não gosto do Chaplin…
Não?!
Quer dizer, gosto dele… mas não gosto dele como pessoa. Ele queria tudo. Que as pessoas se rissem dele, que o admirassem, que o achassem maravilhoso. Acho que não era tão generoso quanto o Buster Keaton. O Keaton dá gargalhadas aos outros. Nos filmes do Chaplin só o Chaplin é que pode dar gargalhadas.
Nunca tinha reparado nisso. Mr Jones tem muitos talentos e interesses. De entre todas essas coisas que fez, acaba por se considerar um actor?
Não, nem por isso. Acho que a escrita é o que vem primeiro, foi o que sempre quis fazer. Embora, tenha um ensaio que escrevi quando tinha sete anos, a minha avó guardou-o. Lá eu dizia ‘eu espero [escreveu mal “espero”, utilizando uma palavra que significa saltar: hopping] vir ser actor’. Então ainda estou a hopping… (risos) Nunca me vi como um actor. Nunca fiz nenhuma interpretação na verdade, fiz papéis de coisas que escrevi.

Recorda-se (claro que se recorda), qual foi o impacto da série tanto na altura como mais tarde?
Não notámos nenhum impacto na altura. Fizemos quatro programas e perguntávamo-nos se alguém via aquelas coisas. Foi só por volta do quinto ou sexto programa que os produtores disseram que tinham chegado muitas cartas de miúdos, de escolas (isto de um programa que passava por volta das 22h30). Esse foi o primeiro feedback. E, no final da primeira temporada, houve umas primeiras críticas de imprensa. Na altura era muito questionável que a BBC quisesse mais uma temporada. Acabaram por querer, mas não havia certezas. Quando fizemos a segunda temporada, as pessoas costumavam dizer que era divertido, mas não era tão bom quanto a primeira temporada. Na terceira série, as pessoas diziam que não era tão bom quanto a segunda. E, quando fizemos o The Holy Graal foi um desastre inacreditável. Fizemos uma primeira mostra para investidores e empresários, nos primeiros cinco minutos houve risos, mas depois… nada. Silêncio absoluto, até ao fim. E nós pensámos que não podia ser assim tão mau. Um dos produtores disse que já sabia que ia ser um desastre.
Entrámos em pânico. Nós tínhamos feito um filme antes para a televisão, chamado E Agora Algo Completamente Diferente. E ninguém se tinha rido nas apresentações de uma cena de luta num bar que tinha gerado gargalhadas em estúdio. Percebemos que era a música que estava a estragar o timing, então tirámos e resultou. Fiz a mesma coisa em The Holy Graal e resultou! Tirei a música quando começavam as falas e os risos voltaram.
Isso é incrível!
Ideia, organização e textos João Tomé
Fotos João Cortesão
Um foi membro fundador dos Monty Python (o grupo de guionistas/humoristas mais famoso do planeta), e em que desempenhava invariavelmente o papel de velhota. Além disso escreveu argumentos, realizou filmes e documentários, publicou livros infantis, sendo responsável por comentários políticos e históricos.
O outro é membro fundador dos Gato Fedorento (grupo de guionistas/humoristas nacionais mais famoso do país) e imitador de eleição de todas as personalidades da nossa praça, a que soma a literatura, crónicas na revista Visão, participação em livros, discos, blogues, stand up.
O “um” é Terry Jones, 65 anos. O “outro” é Ricardo Araújo Pereira, 34 anos. E se o “outro” tivesse a oportunidade de entrevistar o “um”? Foi esse o desafio feito por mim (para o jornal cultural do Destak, Fim de Semana) a Ricardo Araújo Pereira. O conhecido «guionista que interpreta os seus próprios textos cómicos», como o próprio se define, aceitou o repto!
O encontro deu-se no Teatro São Luiz, terça-feira, minutos depois de Mr Jones (como eu e o RAP tratámos o ex-Python) ter terminado os ensaios da peça que irá estrear por cá a 12 de Janeiro - Nuno Markl (que faz o prefácio da fabulosa autobiografia do Python e traduziu a peça Os Melhores Sketches dos Monty Python) também esteve para aparecer, mas acabou por não poder.
Feitas as apresentações, foi um Ricardo (RAP) nervoso que explicou como os Gato Fedorento começaram, como guionistas, e acabaram por ter um sucesso «repentino», «doido mesmo».
Para “quebrar o gelo”, Ricardo fez algumas perguntas antes de começar a entrevista. Mr. Jones foi-lhe contando que ficará em Portugal até à estreia da peça, passando inclusive o Natal e a passagem do ano por cá, «uma forma de fugir ao frio de Londres». Depois, as perguntas de Ricardo começaram a disparar, e Mr. Jones, sempre disponível, divertido e intenso, não desapontou. O espaço que se segue, é da inteira responsabilidade dos intervenientes (e ainda bem que assim é). E Agora Algo Completamente Diferente...
--
RICARDO ARAÚJO PEREIRA
entrevista TERRY JONES
(para quem tiver coragem, seguem-se 14 mil caracteres de uma conversa - eram inicialmente 17 mil. Está ainda num estado semi-bruto, mas é a versão mais completa disponível)
Acredito que lhe vou fazer perguntas que já lhe foram feitas um milhão de vezes… desculpe…
Isso até torna tudo mais fácil (risos).
Como começou o seu interesse na comédia?
Sempre tive interesse. A maior parte dos miúdos gostam... Adoram ser tontos e fazer coisas divertidas. Lembro-me da minha piada mais antiga. Acho que foi antes de saber falar. Estávamos em Gales, tínhamos acabado de comer e a minha avó perguntou se alguém queria sobremesa. E eu, esperto, em vez de passar o meu prato, passei o toalhete da mesa e a minha avó colocou a sobremesa sobre o toalhete. E eu pensei: ‘a piada resultou’ (risos), por isso, luzes e música para mim. Em vez disso, todos se viraram para mim e disseram: ‘porque fizeste isso rapaz tonto?’ Foi aí que percebi que a comédia também era complicada, algo perigoso. Acho que os miúdos gostam de comédia, mas acaba por ser extraído de nós à “pancada”, apenas temos sorte que tenha sobrevivido em nós.
Li muito sobre os Monty Python, como grupo, e como se juntaram. Todos escreveram para outros programas antes dos Python. E estiveram em Oxford juntos…
O Mike [Michael] Palin e eu fomos para Oxford, o John Cleese, Eric Idle e Graham Chapman estavam em Cambridge. O Terry Gilliam estava numa universidade chamada Occidental, nos Estados Unidos.
Há uma rivalidade entre Oxford e Cambridge?
Sim! E é curioso porque chegámos à conclusão, que sempre que não estávamos de acordo sobre algo que tinha piada ou não, a divisão era sempre entre os que tinham andado em Cambridge e os de Oxford. Terry Gilliam alinhava sempre pelos de Oxford, então havia um empate, 3-3. Outra coisa estranha que me lembro é que, quando nos juntávamos e estávamos ali sentados, à espera que o último dos Python chegasse, acabávamos por esperar mesmo quando já estavam os seis… (risos) estávamos sempre à espera de um dos Python.
Alguns de vocês já se conheciam antes dos Python. Conhecia o Michael Palin. Na altura estudava Literatura Inglesa. Tem um livro sobre o Chaucer [considerado o pai da literatura inglesa], não é?
Tenho dois dele. Porque fiz um há quatro anos outro chamado Who Murdered Chaucer. É mais sobre a situação política no século XV, sobre o facto de não sabermos o que aconteceu ao Chaucer. Simplesmente desapareceu, não há nenhum registo da sua morte, nada. Sempre pensei que era um bocado estranho, um homem tão famoso e não se saber quando morreu. Poderia haver uma relação com o facto de Richard II, que era suposto ser o patrono de Chaucer, ter sido assassinado por Henry IV. E o Chaucer desaparece dois meses depois... Explorei essa relação.
Ok, irei comprá-lo então (risos).
A tradução portuguesa irá demorar a sair.
Mas eu compro-o no Amazon, o meu inglês não é muito bom, mas leio bem… O que me intriga é como é que seis pessoas que não se conhecem, juntam-se e criam algo com uma identidade tão forte?
O engraçado é que sempre achámos que íamos fazer algo de diferente e que o programa não tinha nenhuma identidade. Tentámos surpreender sempre as pessoas, para nunca saberem sobre o que é que o programa ia ser. Python ou Pythonic faz agora parte do dicionário inglês. Isso demonstra o quanto falhámos no que tentámos fazer (risos). Quisémos fazer sempre tudo totalmente novo. Tentámos desesperadamente por não ter nenhuma forma, bem, alguma forma mas nenhuma identidade discernível, mas obviamente falhámos (risos).
Completamente! Então não havia nenhum conceito pré-estabelecido. Não havia uma espécie de carta de princípios…
Nem por isso… a história é que a BBC ofereceu ao John Cleese uma série de televisão. E acho que ele queria trabalhar com o Mike Palin. E o Mike, eu e o Eric Idle tínhamos feito um programa de crianças, chamado Do Not Adjust Your Set...
Está agora em DVD…
Pois é, é incrível, tinham-nos dito que tinham sido destruídos… Mas, continuando, fomos à BBC e aqueles homens de fato, sentados à volta da mesa perguntavam ‘Sobre o que é que será o programa’. E nós dissemos: ‘não sabemos propriamente’. E eles: ‘a quem é que será dirigido?’. Nós dissemos: ‘não sabemos’. E eles dizem: ‘terá música?’. E nós… ‘não sabemos’ (risos). ‘E como se chamará?’, dizem eles, e nós… ‘não sabemos’. Ao que eles responderam com o seu ar sério: ‘então só vos podemos dar 13 episódios’. (risos). Hoje isto era impossível mas na BBC, em 68/69, acontecia.
Aconteceu uns trazerem um sketch e os outros dizerem que não servia, por não ser Python?
Não, porque não tínhamos um conceito sobre o que era Python. Todos achámos que íamos escrever o material mais divertido. Antes de nos juntarmos, nós já achámos que o material do John Cleese e o Graham Chapman, que tínhamos visto noutros programas, era o mais cómico da altura. E suponho que eles achassem o mesmo sobre mim e o Mike. Estávamos bastante confiantes que íamos escrever coisas com piada, mas não tinhamos um conceito do programa.
Achei que devíamos ter uma espécie de conceito foi ao ver o Spike Milligan, que fazia um programa chamado Q4. Lembro de o ver e pensar ‘Merda, ele conseguiu! Quebrou as fronteiras da comédia’. Até áquele ponto fazíamos sketches de três minutos com princípio, meio e fim. Ou então de 30 segundos. E o Spike começou a fazer estes sketches que começavam de uma forma e depois, de repente, tornavam-se noutra coisa... sem qualquer forma. Ele mostrou-nos que nós escrevíamos cliches. Lembrei-me, na altura, que o Terry Gilliam tinha feito uma animação para o programa infantil Do Not Adjust Your Set muito diferente do habitual, que pretendia mudar consciências. Achei que se casássemos o que o Milligan tinha feito e os sketches do Gilliam teríamos a estrutura para um programa completo. Liguei ao Terry e ao Mike Palin e eles gostaram logo da ideia. Quando nos encontrámos todos, os outros não estavam de acordo e na primeira temporada houve uma espécie de luta, para tentar pôr aquilo funcionar. Só na segunda temporada todos perceberam que era um bom caminho.
Ao ler o livro Monty Python Speaks, percebemos que Mr Jones era o mais preocupado com o aspecto e a forma do programa Flying Circus…
Sim… era o que me preocupava mais com a forma do que fazíamos naquela altura.
Recordo-me de dizer que gostava do Buster Keaton, porque era comédia, mas era…
Lindo! Exactamente. E ele fazia algo especial com a estrutura. O Charlie Chaplin também o faz, mas eu não gosto do Chaplin…
Não?!
Quer dizer, gosto dele… mas não gosto dele como pessoa. Ele queria tudo. Que as pessoas se rissem dele, que o admirassem, que o achassem maravilhoso. Acho que não era tão generoso quanto o Buster Keaton. O Keaton dá gargalhadas aos outros. Nos filmes do Chaplin só o Chaplin é que pode dar gargalhadas.
Nunca tinha reparado nisso. Mr Jones tem muitos talentos e interesses. De entre todas essas coisas que fez, acaba por se considerar um actor?
Não, nem por isso. Acho que a escrita é o que vem primeiro, foi o que sempre quis fazer. Embora, tenha um ensaio que escrevi quando tinha sete anos, a minha avó guardou-o. Lá eu dizia ‘eu espero [escreveu mal “espero”, utilizando uma palavra que significa saltar: hopping] vir ser actor’. Então ainda estou a hopping… (risos) Nunca me vi como um actor. Nunca fiz nenhuma interpretação na verdade, fiz papéis de coisas que escrevi.
Recorda-se (claro que se recorda), qual foi o impacto da série tanto na altura como mais tarde?
Não notámos nenhum impacto na altura. Fizemos quatro programas e perguntávamo-nos se alguém via aquelas coisas. Foi só por volta do quinto ou sexto programa que os produtores disseram que tinham chegado muitas cartas de miúdos, de escolas (isto de um programa que passava por volta das 22h30). Esse foi o primeiro feedback. E, no final da primeira temporada, houve umas primeiras críticas de imprensa. Na altura era muito questionável que a BBC quisesse mais uma temporada. Acabaram por querer, mas não havia certezas. Quando fizemos a segunda temporada, as pessoas costumavam dizer que era divertido, mas não era tão bom quanto a primeira temporada. Na terceira série, as pessoas diziam que não era tão bom quanto a segunda. E, quando fizemos o The Holy Graal foi um desastre inacreditável. Fizemos uma primeira mostra para investidores e empresários, nos primeiros cinco minutos houve risos, mas depois… nada. Silêncio absoluto, até ao fim. E nós pensámos que não podia ser assim tão mau. Um dos produtores disse que já sabia que ia ser um desastre.
Entrámos em pânico. Nós tínhamos feito um filme antes para a televisão, chamado E Agora Algo Completamente Diferente. E ninguém se tinha rido nas apresentações de uma cena de luta num bar que tinha gerado gargalhadas em estúdio. Percebemos que era a música que estava a estragar o timing, então tirámos e resultou. Fiz a mesma coisa em The Holy Graal e resultou! Tirei a música quando começavam as falas e os risos voltaram.
Isso é incrível!
Quando é que começou a ser uma superstar?
Só muito recentemente! É muito estranho, na verdade. É como uma bolha, que cresceu. Parece muito maior nos últimos 10/15 anos do que na altura em que o estávamos a fazer.
A sério?! Falou do Spike Milligan. Não falou dele como influência... mas tinham influências?
Ele não era propriamente uma influência, mas tinha estado presente. Seguiamos-o especialmente quando ele estava a fazer o programa The Goon Show, na rádio. Todos ouvíamos quando éramos miúdos. Eu pensava que era óptimo que os Python fossem tão bons quando o The Goon Show, com tanto livre arbítrio e tanta imaginação. De alguma forma achava triste estarmos na televisão. Tentámos fazer, em parte, The Goon Show em versão televisiva, suponho. Esse programa tinha personagens recorrentes que apareciam sempre. O que nós não fazíamos nos Python.
Sempre me perguntei se alguém como Edward Lear [autor inglês especialista em nonsense] foi uma influência...
Sim, suponho que talvez tenha sido na parte de nonsense. Mas nunca gostei muito do Edward Lear, sempre quis gostar... (risos) mas não conseguia passar do ‘não está mal’.
Como escolhia os temas dos filmes? Tem História, religião e o Significado da Vida...
The Holy Graal veio à baila por causa que o Mike tinha escrito um texto sobre o Rei Artur e algo sobre cocos e achámos todos que estava muito cómico. Não sabíamos como íamos fazer aquilo, mas achámos que era um início divertido. Depois dissemos, ‘vamos fazer os contos do Rei Artur’. Mas o primeiro guião estava dividido entre tempos modernos e medievais. Nessa altura andava, à noite, na Biblioteca inglesa, a pesquisar para o meu livro sobre o Chaucer, por isso estava embrenhado na Idade Média. Achei que devíamos fazer tudo na Idade Média. O primeiro guião tinha um fim em que eles encontram o Santo Graal nos Harrods, por ser uma loja que tem tudo (risos). E, para minha surpresa, todos concordaram. Depois, na Vida de Brian eu não estava lá. Acho que ainda estava a editar The Holy Graal, enquanto os outros andavam a promovê-lo. Eles estavam em Amesterdão e o Eric [Idle], disse ‘porque não fazer algo do tipo: ‘A luxúria de Jesus Cristo pela glória’. Todos acharam boa ideia. Quando ouvi que eles queriam fazê-lo e a ideia era um filme bíblico, fiquei um pouco desapontado. Pensei que o guarda-roupa ia ser tão secante.
The Meaning of Life quase que não se concretizou. Tínhamos ido para os Barbados para fazer A Vida de Brian, durante duas semanas.
Deve ter sido estupendo...
Bem, por um lado foi mas naqueles tempos não tínhamos telemóveis, então toda a gente parava quando queria usar o telefone. O John [Cleese] dizia várias vezes, ‘tenho de me ir embora, tenho uma reunião com o meu contabilista’ (risos). Então decidimos ir à Jamaica para The Meaning the Life. Tinhamos um rascunho do guião e era um pouco como um dos filmes de Buñuel em que se estava sempre a acordar de um sonho, algo circular. Todos lemos no avião, a ir para casa e achámos que não resultava. E voltámos à estaca zero. Lembro-me de acordar com um aperto no estômago que tinha desde os exames da escola. E pensei: ‘merda, isto não vai acontecer, é desastroso’. Essa manhã percorri o guião todo, com marcações feitas por uma rapariga que trabalhava connosco e percebi que tínhamos 17 minutos de material que achávamos fantástico. Não precisávamos de muito mais. Nesse pequeno-almoço o Mike Palin disse que tinha uma sugestão e eu também tinha. O Mike disse: ‘vamos reduzir as nossas perdas, voltar a casa e transformá-lo numa série de televisão’. Eu disse: ‘porque é que nos estamos a preocupar? Pelas marcações temos 17 minutos de bom material só precisamos de mais 20 minutos. Ainda sinto que é uma história de vida...’ De repente todos pegaram na ideia e o Eric [Idle] disse que poderia ser O Sentido da Vida. Apenas as sete idades do Homem. Uff. Tudo resolvido ao pequeno-almoço.
O processo de escrita nos filmes foi diferente do programa de sketches, não?
Bem, nem por isso. Ainda fazíamos cena a cena. Até na Vida de Brian. Apenas tentámos escrever cenas divertidas.
Com as mesmas equipas? Você e o Michael Palin...
Sim, mas no Sentido da Vida acho que o John estava tão farto de trabalhar com o Graham [Chapman], por isso, houve trocas. Nada de chocante, na verdade.
Esteve envolvido em Spamalot?
Nem por isso. Foi mesmo o Eric Idle. Vi-o umas duas vezes. Acho que tem coisas muito cómicas, mas não acho que seja Python.
Ah não?! Isso é interessante.
É muito mais Eric do que Python. É muito amplo no tema, enquanto Python nunca era tão amplo. Por isso acho que tem um appeal mais global que os Python. A verdade é que os Monty Python nunca tiveram uma audiência enorme. Teve sempre um público muito fiel, mas era algo minoritária. Acho que o máximo que tivemos foi 6 milhões… e isso foi no tempo em que só havia três canais e havia, às vezes, 20 milhões a verem programas de comédia. Sempre foi mais de minorias e felizmente nos Estados Unidos, uma minoria é algo enorme (risos)! Foi aí que tivemos sorte. A maior parte das pessoas não gosta de Python (risos).
Bem, não é bem essa a minha percepção...
Mas se olharmos para a demografia de quem gosta dos Python é sempre uma minoria, mas de alguma forma Spamalot alargou mais o espectro.
Os seus sucessores, chamemos-lhe isso, como Not The Nine O'Clock News [obrigado Nande] tinham um sketch com Jesus Cristo. Era como uma inversão do vosso debate em A Vida de Brian. Ainda há uma série chamada Big Train...
Nunca vejo televisão
Só muito recentemente! É muito estranho, na verdade. É como uma bolha, que cresceu. Parece muito maior nos últimos 10/15 anos do que na altura em que o estávamos a fazer.
A sério?! Falou do Spike Milligan. Não falou dele como influência... mas tinham influências?
Ele não era propriamente uma influência, mas tinha estado presente. Seguiamos-o especialmente quando ele estava a fazer o programa The Goon Show, na rádio. Todos ouvíamos quando éramos miúdos. Eu pensava que era óptimo que os Python fossem tão bons quando o The Goon Show, com tanto livre arbítrio e tanta imaginação. De alguma forma achava triste estarmos na televisão. Tentámos fazer, em parte, The Goon Show em versão televisiva, suponho. Esse programa tinha personagens recorrentes que apareciam sempre. O que nós não fazíamos nos Python.
Sempre me perguntei se alguém como Edward Lear [autor inglês especialista em nonsense] foi uma influência...
Sim, suponho que talvez tenha sido na parte de nonsense. Mas nunca gostei muito do Edward Lear, sempre quis gostar... (risos) mas não conseguia passar do ‘não está mal’.
Como escolhia os temas dos filmes? Tem História, religião e o Significado da Vida...
The Holy Graal veio à baila por causa que o Mike tinha escrito um texto sobre o Rei Artur e algo sobre cocos e achámos todos que estava muito cómico. Não sabíamos como íamos fazer aquilo, mas achámos que era um início divertido. Depois dissemos, ‘vamos fazer os contos do Rei Artur’. Mas o primeiro guião estava dividido entre tempos modernos e medievais. Nessa altura andava, à noite, na Biblioteca inglesa, a pesquisar para o meu livro sobre o Chaucer, por isso estava embrenhado na Idade Média. Achei que devíamos fazer tudo na Idade Média. O primeiro guião tinha um fim em que eles encontram o Santo Graal nos Harrods, por ser uma loja que tem tudo (risos). E, para minha surpresa, todos concordaram. Depois, na Vida de Brian eu não estava lá. Acho que ainda estava a editar The Holy Graal, enquanto os outros andavam a promovê-lo. Eles estavam em Amesterdão e o Eric [Idle], disse ‘porque não fazer algo do tipo: ‘A luxúria de Jesus Cristo pela glória’. Todos acharam boa ideia. Quando ouvi que eles queriam fazê-lo e a ideia era um filme bíblico, fiquei um pouco desapontado. Pensei que o guarda-roupa ia ser tão secante.
The Meaning of Life quase que não se concretizou. Tínhamos ido para os Barbados para fazer A Vida de Brian, durante duas semanas.
Deve ter sido estupendo...
Bem, por um lado foi mas naqueles tempos não tínhamos telemóveis, então toda a gente parava quando queria usar o telefone. O John [Cleese] dizia várias vezes, ‘tenho de me ir embora, tenho uma reunião com o meu contabilista’ (risos). Então decidimos ir à Jamaica para The Meaning the Life. Tinhamos um rascunho do guião e era um pouco como um dos filmes de Buñuel em que se estava sempre a acordar de um sonho, algo circular. Todos lemos no avião, a ir para casa e achámos que não resultava. E voltámos à estaca zero. Lembro-me de acordar com um aperto no estômago que tinha desde os exames da escola. E pensei: ‘merda, isto não vai acontecer, é desastroso’. Essa manhã percorri o guião todo, com marcações feitas por uma rapariga que trabalhava connosco e percebi que tínhamos 17 minutos de material que achávamos fantástico. Não precisávamos de muito mais. Nesse pequeno-almoço o Mike Palin disse que tinha uma sugestão e eu também tinha. O Mike disse: ‘vamos reduzir as nossas perdas, voltar a casa e transformá-lo numa série de televisão’. Eu disse: ‘porque é que nos estamos a preocupar? Pelas marcações temos 17 minutos de bom material só precisamos de mais 20 minutos. Ainda sinto que é uma história de vida...’ De repente todos pegaram na ideia e o Eric [Idle] disse que poderia ser O Sentido da Vida. Apenas as sete idades do Homem. Uff. Tudo resolvido ao pequeno-almoço.
O processo de escrita nos filmes foi diferente do programa de sketches, não?
Bem, nem por isso. Ainda fazíamos cena a cena. Até na Vida de Brian. Apenas tentámos escrever cenas divertidas.
Com as mesmas equipas? Você e o Michael Palin...
Sim, mas no Sentido da Vida acho que o John estava tão farto de trabalhar com o Graham [Chapman], por isso, houve trocas. Nada de chocante, na verdade.
Esteve envolvido em Spamalot?
Nem por isso. Foi mesmo o Eric Idle. Vi-o umas duas vezes. Acho que tem coisas muito cómicas, mas não acho que seja Python.
Ah não?! Isso é interessante.
É muito mais Eric do que Python. É muito amplo no tema, enquanto Python nunca era tão amplo. Por isso acho que tem um appeal mais global que os Python. A verdade é que os Monty Python nunca tiveram uma audiência enorme. Teve sempre um público muito fiel, mas era algo minoritária. Acho que o máximo que tivemos foi 6 milhões… e isso foi no tempo em que só havia três canais e havia, às vezes, 20 milhões a verem programas de comédia. Sempre foi mais de minorias e felizmente nos Estados Unidos, uma minoria é algo enorme (risos)! Foi aí que tivemos sorte. A maior parte das pessoas não gosta de Python (risos).
Bem, não é bem essa a minha percepção...
Mas se olharmos para a demografia de quem gosta dos Python é sempre uma minoria, mas de alguma forma Spamalot alargou mais o espectro.
Os seus sucessores, chamemos-lhe isso, como Not The Nine O'Clock News [obrigado Nande] tinham um sketch com Jesus Cristo. Era como uma inversão do vosso debate em A Vida de Brian. Ainda há uma série chamada Big Train...
Nunca vejo televisão
Um bom hábito
Mas acho que já vi um dos Big Train e achei muito cómico.
Eles seguiram claramente a vossa herança e trabalharam a partir daí. Mesmo nos EUA há uma animação chamada South Park. E os criadores dizem que os pais nunca os deixavam ir para a cama sem que vissem os Monty Python. Era obrigatório. Tem consciência dessa herança?
Nem por isso. Quando vejo estes programas parece-me ter pouco a ver com Python, não percebo propriamente o que as pessoas querem dizer com isso. Talvez seja porque ao ver Python percebem que tudo é possível na comédia. Já conheci o Trey Parker e o Matt Stone. Eles fizeram uma cena muito divertida com a mãe do Terry Gilliam. Amarraram no programa a mãe dele para o obrigaram a trabalhar com eles (risos). »«


--
Porque é que Terry Jones está em Portugal?
O ex-Python, que tem viajado, dos Estados Unidos à Europa nos últimos tempos, acedeu ao convite do Teatro São Luiz em estrear mundialmente a sua peça Evil Machines (uma espécie de ópera) em Lisboa. «Uma mistura de lava-loiças, carros, bicicletas motorizadas e cantorias no palco, que vai surpreender, fazer perder a cabeça e não deixar pedra sobre pedra», explicou Mr. Jones, que está há mais de uma semana a ensaiar diariamente com o elenco da peça, que estreia a 12 de Janeiro.
Antes disso, podemos ver os talentos do versátil escritor (Terry Jones) já este fim-de-semana, no São Luiz, na reposição do espectáculo musical Contos Fantásticos, onde irá narrar (com legendas em português) os textos escritos por si – de hoje a domingo é Mr Jones, dia 14 e 15 será o actor João Reis. O espectáculo de teatro e música, executada pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, com direcção de Cesário Costa e o concertino Xuan Du como convidado especial, regressa agora à sala principal do São Luiz. Uma oportunidade única para ver, ao vivo, um dos Python.
Mas acho que já vi um dos Big Train e achei muito cómico.
Eles seguiram claramente a vossa herança e trabalharam a partir daí. Mesmo nos EUA há uma animação chamada South Park. E os criadores dizem que os pais nunca os deixavam ir para a cama sem que vissem os Monty Python. Era obrigatório. Tem consciência dessa herança?
Nem por isso. Quando vejo estes programas parece-me ter pouco a ver com Python, não percebo propriamente o que as pessoas querem dizer com isso. Talvez seja porque ao ver Python percebem que tudo é possível na comédia. Já conheci o Trey Parker e o Matt Stone. Eles fizeram uma cena muito divertida com a mãe do Terry Gilliam. Amarraram no programa a mãe dele para o obrigaram a trabalhar com eles (risos). »«
--
Porque é que Terry Jones está em Portugal?
O ex-Python, que tem viajado, dos Estados Unidos à Europa nos últimos tempos, acedeu ao convite do Teatro São Luiz em estrear mundialmente a sua peça Evil Machines (uma espécie de ópera) em Lisboa. «Uma mistura de lava-loiças, carros, bicicletas motorizadas e cantorias no palco, que vai surpreender, fazer perder a cabeça e não deixar pedra sobre pedra», explicou Mr. Jones, que está há mais de uma semana a ensaiar diariamente com o elenco da peça, que estreia a 12 de Janeiro.
Antes disso, podemos ver os talentos do versátil escritor (Terry Jones) já este fim-de-semana, no São Luiz, na reposição do espectáculo musical Contos Fantásticos, onde irá narrar (com legendas em português) os textos escritos por si – de hoje a domingo é Mr Jones, dia 14 e 15 será o actor João Reis. O espectáculo de teatro e música, executada pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, com direcção de Cesário Costa e o concertino Xuan Du como convidado especial, regressa agora à sala principal do São Luiz. Uma oportunidade única para ver, ao vivo, um dos Python.
Labels:
entrevista,
entrevistamy,
humor,
monty python,
teatro,
terry jones,
terryjoneserap
frente-a-frente
No final da entrevista de RAP a Terry Jones, RAP pediu um autógrafo no seu livro A Vida de Brian e numa edição especial de DVD do mesmo filme.
Desafiei-os depois a responderem a estas questões. Não consegui terminar, mas fica aqui o resultado:
Tête-à-têteOs Python para si são…
Terry Jones (TJ) Uma senha de refeição
Ricardo Araújo Pereira (RAP) São a nossa referência principal e também a de quase todos aqueles que vieram a seguir a eles.
Personagem preferida dos Monty Python
TJ A que mais gostei de fazer foi Sviastoslav Richter, o pianista, que tocava o Concerto de Varsóvia, enquanto tentava fugir de 6 algemas e de um colete-de-forças.
RAP As minhas preferidas são aquelas que identifico quando vejo as pessoas em conversas do dia-a-dia. Por exemplo, quando o ministro iraquiano disse que não havia americanos em Bagdad, todos pensaram na personagem dos Python, Black Night. Depois há tantas coisas que me fazem pensar nas cenas da Inquisição Espanhola.
Filme preferido dos Python
TJ Sempre gostei da atmosfera do The Holy Graal. Achei que A Vida de Brian é provavelmente o melhor filme a nível de construção, mas The Meaning of Life tem os melhores momentos de todos. Quando penso em Python penso neste.
RAP A resposta do Mr Jones é a resposta oficial. É muito difícil escolher um, mas talvez A Vida de Brian seja o meu preferido.
O momento mais genial
TJ Eu adoro a canção Galaxy Song, do Eric Idle. Mas também gosto Every Sperm is Sacred.
RAP Não posso escolher um, são tantos....
Para si, algo completamente diferente é…
TJ Açorda
RAP (risos) Estou tentado em concordar... açorda!
O humor é fundamental à vida porque…
TJ Tudo o resto é tão terrível
RAP Ajuda a tornar os problemas menos pesados, tornando-os mais humanos.
TJ Isso faz-me lembrar quando estávamos no Festival de Cannes com o The Meaning of Life, o jornal francês Liberàtion, tinha um suplemento com 100 reaolizadores a explicar porque filmavam. A resposta do Woody Allen foi: “os problemas horríveis que chateiam desde que decido fazer um filme, oucpam tanto a minha mente que que não tenho tempo para pensar nos horrores da existência” (risos).
A última vez que o grupo (Python e Fedorento) esteve reunido foi há…
TJ Estivemos todos na abertura do Spamalot em Nova Iorque há uns dois ou três anos. Antes disso foi 1998, em Aspen.
RAP Ontem à noite...
As palavras são importantes porque?
TJ Sem elas não poderia responder a esta pergunta
RAP Eu sou um péssimo mímico, por isso faço minhas as palavras dele
Livro perfeito para combater momentos de tédio
TJ Bem, Rupert the Bear. Só li durante os primeiros 12 anos da minha vida. Era um livro de banda desenhada muito agradável.
RAP Difícil... Road to Mars, de Eric Idle, por exemplo.
O momento mais importante da História mundial
TJ Acho que a história é muito divertida. Nada muda. Temos César a ir invadir a Gaúlia para proteger os gauleses, mas quando acaba a operação já matou um milhão deles e escravizou outro tanto. Os americanos foram salvar os iraquianos, e acabam por matar um milhão deles.
RAP Como Mr Jones disse, todos os momentos da história são potencialmente divertidos.
O filme que o fez rir até às lágrimas
TJ Alguns dos meus filmes de comédia preferidos são do Buster Keaton, mas não me fizeram rir até às lágrimas. O Feitiço do Tempo [com Bill Murray] fez-me rir imenso.
Frases para fugir a uma conversa maçadora
TJ ‘Tenho muita pena, mas o meu cão tem de ir cagar’ ou ‘tenho mesmo de me ir embora, senão ainda vomito o microfone’
RAP Eu costumo dizer, ‘o cão do Terry Jones precisa de ir cagar’.
Pensamento ou máxima brilhante e outra parva
TJ Democracia, responde aos dois. É uma ideia muito boa e inspirada, mas não resulta quando é usada com autoritarismo, como George Bush ou Tony Blair a usam. Fizeram o que queriam em nome da democracia.
RAP A inspiradora teria de escolher entre: “He’s not the messiah, he’s a very naughty boy [Ele não é o Messias, é um rapaz muito maroto]”, ou “We are no longer the Nights who say Nii [Já não somos os cavaleiros que dizem Nii] (risos). Até as frases estúpidas acabam por inspirar… até as frases burras do Bush inspiram... para a comédia.
Labels:
entrevista,
entrevistamy,
humor,
teatro,
terry jones,
terryjoneserap
terça-feira, julho 11, 2006
rapidinha de shakespeare
[Uma peça fenomenal e que se mantém actual!]
Companhia do Chiado faz rir o público há 10 anos com obras de Shakespeare
Quase uma década depois da estreia, a peça "As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos" continua a fazer rir o público e a homenagear o dramaturgo inglês.
Aquela peça da Companhia Teatral do Chiado, que estreou a 24 de Novembro de 1996, já foi vista, até hoje, por 149.967 espectadores num total de 984 representações.
A Companhia Teatral do Chiado, fundada em 1990 por Mário Viegas e Juvenal Garcês, efectuou 113 digressões em Portugal, Cabo Verde e em França. Interpretada por João Carracedo, Manuel Mendes e Simão Rubim, dirigidos por Juvenal Garcês - que dirige a companhia desde a morte de Mário Viegas, em 1 996 -, a peça tem tido quase sempre lotação esgotada por todos os locais por onde tem passado.
in Lusa
Companhia do Chiado faz rir o público há 10 anos com obras de Shakespeare
Quase uma década depois da estreia, a peça "As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos" continua a fazer rir o público e a homenagear o dramaturgo inglês.
Aquela peça da Companhia Teatral do Chiado, que estreou a 24 de Novembro de 1996, já foi vista, até hoje, por 149.967 espectadores num total de 984 representações.
A Companhia Teatral do Chiado, fundada em 1990 por Mário Viegas e Juvenal Garcês, efectuou 113 digressões em Portugal, Cabo Verde e em França. Interpretada por João Carracedo, Manuel Mendes e Simão Rubim, dirigidos por Juvenal Garcês - que dirige a companhia desde a morte de Mário Viegas, em 1 996 -, a peça tem tido quase sempre lotação esgotada por todos os locais por onde tem passado.
in Lusa
domingo, abril 02, 2006
viegas
[Um homem, actor e declamador de poemas fantástico!]
Mário Viegas morreu há dez anos
Faz este sábado dez anos que morreu o actor português Mário Viegas, figura chave do teatro português do século XX.
Mário Viegas foi co-fundador do Grupo 4 e do Novo Grupo, distinguiu-se na divulgação de poesia e das principais dramaturgias contemporâneas, dinamizou a Companhia Teatral do Chiado, no Teatro de São Luiz, em Lisboa.
Recebeu dois Prémios da Casa da Imprensa, quatro da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, o Prémio Garrett, o Prémio de Honra do Festival de Teatro de Sitges, Espanha, o Prémio de Melhor Actor no Festival Europeu de Cinema da Corunha. Em 1993, a Câmara Municipal de Santarém atribuiu-lhe a Medalha de Mérito da cidade e, em 1994, foi ordenado Comendador da Ordem do Infante D.Henrique.
Nos «Cadernos de Lanzarote», diário do escritor José Saramago, Nobel da Literatura, lê-se na entrada relativa ao dia 1 de Abril de 1996: «Mário Viegas morreu. Era um cómico que levava dentro de si uma tragédia. Não me refiro à implacável doença que o matou, mas a um sentimento dramático da existência que só os distraídos e superficiais não eram capazes de perceber. Fazia rir, mas não ria. Pouca gente em Portugal tem valido tanto.» Quando morreu, Mário Viegas tinha apenas 47 anos de idade.
in DD
Companhia Teatral do Chiado - Historial
Companhia Teatral do Chiado
Teatro-Estúdio Mário Viegas. Fundada em 1990 por Mário Viegas e Juvenal Garcês.
domingo, fevereiro 19, 2006
teatro português
A noite passada fui ao teatro. Era sexta-feira. Já não ia ao teatro há alguns meses, a última vez tinha sido esporádica e no Teatro Aberto (Praça de Espanha, Lisboa), uma peça sobre dois homens, um negro outro branco, com o branco a ser obcecado por raça.
Esta sexta o regresso ao teatro foi no Tivoli. Existe algo de extremamente encantador nos teatros tradicionais, com câmaras, tectos altos, uma certa hierarquia entre plateia e galerias. Os adornos são outro dos encantos. Soberbos e voluptuosos. Sempre que entro num destes teatros, como no Dona Maria, por exemplo, não consigo parar de olhar em volta, ver aqueles encantos, os bancos, o palco encantador. Tudo é apetecível.
Nessa noite de sexta-feira, fui ver a peça Efeito Laranja, encenada e protagonizada pelo melhor actor português, para mim, Nicolau Breyner. Foi fantástico ver o senhor Breyner em palco. A peça não era extraordinária, mas tinha a sua pertinência no domínio da impotência masculina. O elenco era constituido, na totalidade, por actores portugueses bem conhecidos pelo televisão. A maior desilusão foi mesmo Patrícia Tavares, que não resistiu a várias risadas e enganos durante a actuação, também um pouco mal pareceu Rita Salema. Melhor esteve Marcantonio Del Carlo, um actor que gosto bastante, e a bela Helena Laureano.
O Efeito Laranja
O Teatro Tivoli, em Lisboa, estreia uma peça de João Quadros, encenada por Nicolau Breyner, sobre Mário Cabral, um engenheiro de meia-idade com uma vida estável que, de repente, deixa de querer estar em casa. O problema é que Mário tem disfunção eréctil e quer guardar o segredo a sete chaves.
Só que a família e os amigos começam a desconfiar de Mário. A mulher pensa que ele a trai, a filha odeia os homens e os amigos falam-lhe de sexo, o que o leva a remexer constantemente no seu problema. Um belo dia, Mário ganha um concurso para construir uma ponte no Japão. Os clientes oferecem-lhe 15 dias de férias... com a mulher. Desesperado, o engenheiro consulta uma psicóloga. A solução para o seu problema é fácil e, afinal, ele não é o único...
Elenco: Nicolau Breyner, Rita Salema, Marcantonio Del Carlo, Patrícia Tavares, Carlos Areia, Helena Laureano
Esta sexta o regresso ao teatro foi no Tivoli. Existe algo de extremamente encantador nos teatros tradicionais, com câmaras, tectos altos, uma certa hierarquia entre plateia e galerias. Os adornos são outro dos encantos. Soberbos e voluptuosos. Sempre que entro num destes teatros, como no Dona Maria, por exemplo, não consigo parar de olhar em volta, ver aqueles encantos, os bancos, o palco encantador. Tudo é apetecível.
Nessa noite de sexta-feira, fui ver a peça Efeito Laranja, encenada e protagonizada pelo melhor actor português, para mim, Nicolau Breyner. Foi fantástico ver o senhor Breyner em palco. A peça não era extraordinária, mas tinha a sua pertinência no domínio da impotência masculina. O elenco era constituido, na totalidade, por actores portugueses bem conhecidos pelo televisão. A maior desilusão foi mesmo Patrícia Tavares, que não resistiu a várias risadas e enganos durante a actuação, também um pouco mal pareceu Rita Salema. Melhor esteve Marcantonio Del Carlo, um actor que gosto bastante, e a bela Helena Laureano.
O Efeito Laranja
O Teatro Tivoli, em Lisboa, estreia uma peça de João Quadros, encenada por Nicolau Breyner, sobre Mário Cabral, um engenheiro de meia-idade com uma vida estável que, de repente, deixa de querer estar em casa. O problema é que Mário tem disfunção eréctil e quer guardar o segredo a sete chaves.
Só que a família e os amigos começam a desconfiar de Mário. A mulher pensa que ele a trai, a filha odeia os homens e os amigos falam-lhe de sexo, o que o leva a remexer constantemente no seu problema. Um belo dia, Mário ganha um concurso para construir uma ponte no Japão. Os clientes oferecem-lhe 15 dias de férias... com a mulher. Desesperado, o engenheiro consulta uma psicóloga. A solução para o seu problema é fácil e, afinal, ele não é o único...
Elenco: Nicolau Breyner, Rita Salema, Marcantonio Del Carlo, Patrícia Tavares, Carlos Areia, Helena Laureano
Labels:
experiências,
teatro
segunda-feira, dezembro 12, 2005
saigon inglês
'Miss Saigon' e a metáfora das cicatrizes do Vietname
Musical ainda esgota o Palace Theatre de Manchester. Chega a Lisboa em Janeiro
"Queres que eu seja só mais uma história de uma mulher vietnamita na tua vida?", interroga-se Kim (Ima Castro) com a voz amargurada pela incerteza, depois da sua primeira noite de amor com o soldado norte-americano Chris (Ramin Karimloo). Kim, ou melhor, Miss Saigon, não é apenas mais uma aventura, mas uma metáfora para as cicatrizes ainda visíveis da Guerra do Vietname - o centro nevrálgico deste espectáculo - e a heroína que dá nome ao musical, já visto por 31 milhões de pessoas em 18 países, que se estreia em Lisboa a 17 de Janeiro.
Antes de chegar ao Coliseu dos Recreios, onde estará duas semanas (há hipótese de prolongamento), Miss Saigon continua a esgotar os 1998 lugares do Palace Theatre de Manchester, espaço nobre que reavivou a sua arquitectura clássica e os acabamentos em dourado numa recente remodelação. O cenário perfeito para uma intensa história de amor, consumada apenas em breves encontros de bordel mas aprofundada pelas diferenças étnicas e o nascimento inesperado de Tam (interpretado por um pequeno actor amador - ver caixa).
Pelo meio, há ainda a reconstituição quase cinematográfica de Saigão entre 1975 e 1978, oscilando entre os conflitos bélicos e a vida boémia. E as canções, emotivas e possantes, bem características das produções do empresário Cameron Mackintosh - responsável por êxitos como Os Miseráveis, As Bruxas de Eastwick ou Mary Poppins.
mais in DN
Um filho escolhido em Lisboa
Labels:
teatro
sábado, outubro 29, 2005
portuguese theatre

Antes Eles Que Nós
Três comediantes morrem num acidente de táxi ao tentarem cortar caminho pelo túnel do Marquês de Pombal. Encontram-se mais tarde no Purgatório que, curiosamente, é muito parecido com Portugal (só que com mais possibilidades). De 21 de Outubro a 10 de Dezembro no Teatro São Luiz, em Lisboa.
Enquanto esperam para saber quem vai para o Inferno e quem vai para o Céu, os três vão reflectindo sobre diversas questões existenciais: o sentido da morte, os pecados, as varinas da Nazaré, o António Variações, o interesse de comprar bilhetes para este espectáculo, etc. Com Maria Rueff, Bruno Nogueira e Manuel Marques e o carimbo das Produções Fictícias.
in Guia do Lazer
TELEFONE 213257650
LOCAL Lisboa, Teatro Municipal de S. Luiz - R. Antº Maria Cardoso, 38-58
HORARIOS De 21-10-2005 a 10-12-2005
Sexta e sábado às 23h30
PREÇO 15€.
OBSERVAÇÕES Espectáculo de café-teatro. No Jardim de Inverno.
ACTOR/ES Bruno Nogueira, Manuel Marques, Maria Rueff
AUTOR/ES João Quadros (a partir de uma ideia de Nuno Artur Silva)
ENCENADOR/ES António Pires
---------------------
Descoberta do dia
Blog do Bruno Nogueira:
segunda-feira, julho 25, 2005
quinta-feira, maio 05, 2005
ahrte teatral
Londres, 5 de Maio. Lorin Maazel's '1984', based on George Orwell's dystopian novel, opened at the Royal Opera House, Covent Garden, on 03 May 2005. The libretto is by poet J. D. McClatchy and Thomas Meehan. The cast includes baritone Simon Keenlyside (pictured) as Winston, soprano Nancy Gustafson as Julia, and tenor Richard Margison as O'Brien. Maazel conducts. EPA
Subscrever:
Mensagens (Atom)