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sexta-feira, fevereiro 03, 2012

contra os canhões, marchar, marchar...

É ir aqui, e assinar a petição contra o projecto de lei 118 que quer tornar a tecnologia mais cara  e assume o pressuposto que todos somos uma espécie de copiadores indignos é um acto de cidadania importante.

Já a petição contra a ACTA, a manobra por parte de alguns políticos da União Europeia para conseguirem travar a liberdade de expressão e de partilha na Internet, pode ser assinada aqui.
Espalhar a palavra é preciso. A gerência agradece.

terça-feira, agosto 25, 2009

a guerra do novo século


Esta t-shirt foi feita pelos criadores do site The Pirate Bay para ser enviada aos autores da queixa crime ao ISP do ISP do site que levou à sua suspensão algumas horas na segunda-feira.


A causa do site The Pirate Bay pode não ser 100% legal ou justa (pelo menos está numa zona cinzenta), mas é bonita! Um site com muitos milhões de utilizadores e milhares de dinamizadores de todo o planeta, que luta em Estocolmo contra os muitos milhões de dólares das distribuidoras/editoras. É uma espécie de cavalo de batalha da juventude do século XXI. Tanta ódio das grandes distribuidoras fez com que o site de torrents que tem "alimentado" com músicas, séries televisivas e filmes milhões de jovens e adultos do planeta estivesse parado algumas horas na segunda-feira. Isto porque os "tubarões" sedentos de lucros processaram o ISP do ISP do Pirate Bay.
Acho que deveria ser achada, a nível global, uma solução intermédia. Sem radicalismos de fechar e achincalhar estes sites ou quem faz downloads a partir deles, ou de simplesmente deixar empobrecer os artistas. Mas a questão aqui é que os artistas dificilmente empobrecem com sites de P2P (partilha de ficheiros). Quem não enriquece tanto são, acima de tudo, os "tubarões" corporativos que vivem à custa do talento... pelo menos é isso que parece ser mais óbvio no meio de tudo isto.
A verdade é que o mundo artístico (ou industrial) nestas áreas de há 50/60/70 anos atrás não gerava nem metade do dinheiro que gera nos tempos que correm: e há muitos mais artistas!
Como dizia um músico (acho que era o David Fonseca) há uns tempos, os músicos terão sempre os concertos como meio de ganharem bom dinheiro. Os álbuns deveriam ter sido sempre o extra. E acreditem, quem gosta de uma banda continuará a comprar os seus álbuns, especialmente de existir meio de diferenciação (boas capas, booklets completos e aliciantes). Há que saber jogar com o mercado. O público pagante (os preços dos DVDs e CDs continuam exagerados) é mais exigente... e ainda bem.



"The MAFIAA has spent millions of dollars and endless amounts of time to get this ban in order. Our guess is that they also bribed a bit to get it since it violates so many laws not only in Sweden but also in the EU, not to mention violations against human rights. And what do they have to show for it? 3 hours of partial downtime." Can you dig it?






"Riding out the storm

We have, ourselves, full confidence that if all do their duty, if nothing is neglected, and if the best arrangements are made, as they are being made, we shall prove ourselves once more able to defend our Internets, to ride out the storm of war, and to outlive the menace of tyranny, if necessary for years, if necessary alone.

Even though large parts of Internets and many old and famous trackers have fallen or may fall into the grip of the Ifpi and all the odious apparatus of MPAA rule, we shall not flag or fail. We shall go on to the end, we shall fight in France, we shall fight on the ef-nets and darknets, we shall fight with growing confidence and growing strength in the air, we shall defend our Internets, whatever the cost may be, we shall fight on the beaches, we shall fight on the baywords.org, we shall fight on the /. and on the digg, we shall fight in the courts; we shall never surrender, and if, which I do not for a moment believe, the Internets or a large part of it were subjugated and starving, then our Empire beyond the seas, armed and guarded by the Anon Fleet, would carry on the struggle, until, in Cerf's good time, the New World, with all its power and might, steps forth to the rescue and the liberation of the old.

Signed;

The Pirate Bay Crew - Always when needed."





domingo, janeiro 04, 2009

i want to ride my bicicle

Andar de bicicleta por Lisboa, para o investigador Paulo Santos é:


"Na nossa relação com a cidade, conhecermos uma cidade completamente diferente, porque conseguimos vivê-la, conhecer rua a rua, avenida a avenida, encontramos pessoas, os relacionamentos sociais são completamente diferentes quando andamos de bicicleta ou fechados na nossa lata de uma tonelada".
in Público


terça-feira, julho 10, 2007

compromisso

[Como o seguinte artigo está reservado a assinantes do Público, coloco-o aqui na integra. Porquê? Porque é um retrato inteligente sobre um movimento com muito valor em Portugal, e que tem um papel importante na sociedade. Este blog apoia o movimento Compromisso Portugal.]

Lições do Compromisso Portugal
09.07.2007, Francisco Sarsfield Cabral - Opinião, in Público
Nada irrita mais o cinzentismo nacional do que alguém que dá nas vistas

"É da sociedade civil, da actuação individual ou conjunta de certos cidadãos e movimentos, que tem agora de surgir a força para ser quebrado o ciclo vicioso em que nos encontramos", escreveu António Carrapatoso no livro Revolucionários, publicado pelo Compromisso Portugal. Principal rosto deste movimento, Carrapatoso logo acrescentou que "não será fácil".
Basta, aliás, olhar para a curta história deste movimento para se perceber como a sociedade civil portuguesa aprecia pouco que a valorizem. O Compromisso foi alvo de todas as críticas. Instauraram-se processos de intenção às suas personalidades, acusadas de ânsia de protagonismo. Nada irrita mais o cinzentismo nacional do que alguém que dá nas vistas. E, tratando-se sobretudo de gestores e empresários, logo o português esperto concluiu haver ali interesses económicos ocultos.
Mais grave, a gente do Compromisso foi acusada de arder em ambição política. Uma acusação que, compreensivelmente, caiu bem em parte da nossa classe política - naqueles que nunca fizeram mais nada na vida e se sentiram ameaçados por quem possui uma carreira profissional de sucesso. E alguns políticos digeriram mal verem surgir um grupo de empresários dando a impressão de quererem mandar no país.
O movimento declarou-se informal e sem uma doutrina própria - quem nele participa pode subscrever ou não as ideias expressas pelo Compromisso Portugal. Mas é evidente estarmos perante liberais. Ora posições liberais é algo que a sociedade portuguesa nunca tolerou. Por isso as iniciativas do movimento foram desvalorizadas com um insulto hoje em voga: neoliberais.
Ainda por cima, o Compromisso não se limitou a criticar, a dizer o que julgava estar mal. Atreveu-se a fazer propostas concretas. Algo pouco usual entre nós, por isso incómodo para a prática corrente do comentário político e económico.
O movimento nasceu em Fevereiro de 2004 com uma convenção no Beato, em Lisboa. Depois, realizou uma segunda convenção e promoveu vários estudos, como a avaliação dos programas do PS e do PSD para as eleições de 2005 e do programa do Governo socialista que delas emergiu. Há dias o Compromisso Portugal apresentou uma análise crítica sobre o "estado da governação", com numerosas sugestões para a segunda metade do mandato do Governo Sócrates.
Ou seja, a hostilidade do meio ambiente não parece ter desanimado o movimento, que permanece vivo e em pouco mais de três anos produziu material de inegável interesse sobre a vida nacional. Não foi apenas um fogacho, como há tantos por aí. Por isso o Compromisso Portugal merece o nosso respeito, concorde-se ou não com muitas das suas ideias. Eu discordo de algumas, mas gosto de ter participado na sessão inaugural da primeira convenção.
É que iniciativas como esta são raras entre nós. Típico da nossa sociedade civil, quando se aventura a propor qualquer coisa, é ficar na sombra. Como agora aconteceu com a maioria dos financiadores do estudo sobre a hipótese de um aeroporto em Alcochete. A sociedade civil portuguesa gosta de ser fraca e dependente do Estado.
Por sua vez, o Governo não sabe lidar com a sociedade civil. Oscila entre o autismo, não explicando nem justificando cabalmente as medidas que toma (veja-se a saúde), e o populismo, de que é exemplo paradigmático o fim dos dois meses de férias judiciais, anunciado pelo primeiro-ministro logo na posse.
Não sendo capaz de mobilizar pela positiva a opinião pública em torno das reformas que lança, o Governo limita-se a sugerir demagogicamente bodes expiatórios para tentar conquistar algum apoio - os juízes, os professores, os funcionários públicos, etc. Como se lê no documento do Compromisso Portugal sobre o "estado da governação", o Governo não tem aproveitado a sociedade civil.
De facto, "o Governo não pareceu suficientemente interessado em encontrar formas e meios de explicar convenientemente os benefícios que se poderão alcançar a médio e longo prazo de medidas que, no imediato, terão um efeito gravoso". O problema também está em que uma saudável relação do Governo com a sociedade civil exigiria evitar "um clima que leve os cidadãos a temerem qualquer tipo de retaliação, directa ou indirecta, por expressarem livremente as suas opiniões". Infelizmente, é esse clima que o poder político parece querer alimentar.
Jornalista