Mostrar mensagens com a etiqueta opinião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta opinião. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

façamos de conta

Mário Crespo escreveu no JN um texto crítico e curioso sobre o país em que vivemos...




terça-feira, janeiro 13, 2009

puto xarila, macaco sem...

O que é que não faz parte de Cristiano Ronaldo?

A educação e inteligência. A prova: Ontem, quando o bajulador e exagerado Pelé anunciou o seu nome como FIFA World Player of the Year, Ronaldo levantou-se, mesmo ao lado dos quatro nomeados na categoria e foi para o palco. E que tal cumprimentar os adversários mesmo ao teu lado, não? Depois veio o discurso, contido, desinspirado e o oposto do preparado. Não digo que o preparasses, puto, mas ao menos tinhas ou sido mais exuberante (sem chegar aos níveis de um golo no relvado) ou dito umas palavras mais convincentes.

Não admira que o teu nome seja preterido a nível publicitário em Inglaterra (és considerado o mau da fita para os ingleses, mesmo que jogues bem). E olha que até o Mourinho, que às vezes é mais ríspido em abono da sua equipa, era um nome muito apetecível para a publicidade inglesa.
Nunca ninguém gostou de putos convencidos. Tenta evitar parecer um deles. Não custa muito pá.

Adeus.


PS: incrível como foi possível fazer um Prós e Contras sobre o sucesso de Cristiano Ronaldo... faz-me muita confusão, I must say.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

cuidado, atenção... europa a ferro & fogo




Ouvindo na televisão Manuel Alegre falar sobre o que deveria ser a política e aquilo que ela não é, fico com a sensação de que um homem quase com 70 anos consegue ter mais noção de modernidade política de que outro senhor já na casa dos 50 e que é primeiro-ministro (José Sócrates). É que propaganda política é coisa antiga, já se faz há muito tempo. Modernidade e integridade política deveria de ser um pouco mais do que números (muitas vezes manipulados), olhos fechados e tiques altamente autoritários.

Veja-se o que se está a passar na Grécia. Milhares de estudantes nas ruas, sem uma causa política definida, simplesmente demonstram de forma violenta o seu descontentamento com o desemprego algo nas camadas jovens, o trabalho precário (é-lhes dificultada a vida) e com a injustiça financeira - de governos que dão, de um dia para o outro, milhões e milhões à banca e são forretas para quem mais precisa de ajuda...
Já houve manifestações de solidariedade de jovens para com os colegas gregos em países como a Dinamarca, Alemanha, Suécia, Itália, França, Espanha...
É um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento. E há gente, como o senhor Sócrates, que tem a sorte de mandar num país de brandos costumes...

Curioso como estas gerações de pessoas com trabalhos precários já tem vários nomes por toda a Europa. Se em Espanha são os mileuristas, na Alemanha são os praktikum (geração dos estagiários, que rodam de trabalho mal pago em trabalho mal pago indefinidamente). Em França são os CPE (Contrat Premiére Embauche) e na Grécia são os conhecidos desconhecidos. Mas é em Itália que jaz a minha expressão favorita: os Mammone, que descreve de forma jocosa os "jovens" com mais de 30 anos que continuam em casa dos pais por impossibilidade económica.

sábado, novembro 08, 2008

genoveva esqueça a manicura...




Nuno Pacheco é capaz de ser a pessoa mais simpática, preocupada, dedicada e afável de todo o jornal Público - e é chefe. Além disso, ainda escreve crónicas como poucos, como se pode ver de seguida (com autorização do próprio) e na íntegra, sobre uma empresa portuguesa chamada Governo e um tal director de marketing chamado José Sócrates.



O Memorando - por Nuno Pacheco, in Público (P2), 3 Novembro 2008


Genoveva, hoje esqueça a manicura e adie o almoço. Temos um importante memorando para fazer. Ora abra o computador. Sim, esse, deixe lá a malinha verde que agora não há tempo para brincadeiras. Comecemos pelos tópicos. Como se fosse o aperitivo, bem vê. “A viagem do Primeiro às Américas foi um êxito. E o momento de promoção ainda mais. A malinha yankee de acabamento lusitano foi acolhida pelos indígenas, perdão, pelos governantes irmãos, como uma dádiva dos céus.
Há muito tempo, talvez mesmo desde a chegada das caravelas, que não viam coisa assim tão robusta. Nem Chávez o conseguiu partir, vejam lá, quando o atirou ao chão (anote, ao lado: não foi para lhe testar a resistência, foi porque não funcionava. Já lhe deram outro. Oxalá funcione). Genial, aquela do Tintim: ‘para ser usado dos 7 aos 77 anos’. Veia de vendedor, é o que é. Português, ibero-americano, última geração, resistente ao choque… as coisas de que ele se lembrou em seis minutos! E sem que o interrompessem ou lhe dissessem ‘porque não te calas’. Um verdadeiro prodígio.

Ficam, assim, determinadas desde já novas promoções para os próximos conclaves. Na transnacional dos 47, numa ilha do Pacífico, serão reservados cinco minutos para uma demonstração da eficácia das rolhas portuguesas. O Primeiro abrirá um tinto de colheita alentejana e passará a rolha de nariz em nariz, posto o que funcionários diligentes distribuirão o conteúdo em copos de fabrico nacional. Uma pequena anedota sobre rolhas e cristal (há-de aparecer alguma), brinde a condizer e negócio feito.

Na cimeira pluricontinental dos 38, em Vladivostok, há-de ser a vez dos pastéis de S. Bento (os de Belém que arranjem outro vendedor), com açúcar e canela, como deve ser. Também aqui usará de seis minutos (podem ser tirados ao já gasto discurso da crise e seus nefandos efeitos) para lhes gabar o inimitável creme, a casca estaladiça, o sabor incomparável. Devem ser dados dois a cada cliente, perdão, a cada participante, acompanhados de um guardanapo de genuíno linho lusitano que terá bordado a vermelho e verde Portugall for All. Mais uma anedota, para desanuviar o ambiente, sobre um pacóvio que se engasgava com pastéis em lugar de saber comê-los com decência e rectidão, e negócio fechado.

Já a cimeira dos 141 e meio, na Líbia, deverá servir para lançar a morcela e o chouriço de sangue. Pratinhos com acepipes serão distribuídos de surpresa na enorme tenda onde se realiza a reunião, com paliteiros de fabrico nacional (não esquecer a marca, para eventuais encomendas). No final haverá também trouxas de ovos, com um discurso sobre doçaria conventual e seus prazeres. E haverá uma anedota, subtilmente tirada às obras mais picarescas de Bocage.

A nível interno, encomendar uma versão positiva do livro de Arthur Miller, A Morte de um Caixeiro Viajante. Mas não será a morte, será a glória do caixeiro viajante. Um épico onde o protagonista verá, com gosto, as regras económicas sobreporem-se aos falsos valores da vida. E nada de se chamar Willy. Podem chamar-lhe… Magalhães?”



sábado, outubro 25, 2008

obras públicas makes sócrates go round

José Sócrates insiste que as obras públicas "makes the world go round and round and round": são necessárias, urgentes e vão mesmo ser feitas, incluindo o ridiculamente caro TGV.
Tudo para que o Estado dê um sinal claro à economia de que as coisas estão bem, de tal forma que até nos endividamos até ao tutano para fazer obras públicas que já não têm a importância que tiveram outrora (nos tempos de Cavaco Silva, em que havia dinheiro a rodos da CEE e muito por fazer nesse domínio). Pessoalmente, acho um erro crasso e que diminui todos os portugueses, tudo para dar "um sinal claro à economia".
Isto de sinais claros (e que deixam de ser claros passados uns dias) está a economia cheia. Essa mesma economia que um dia sobe à grande e no outro desce como nunca desceu. É uma economia esquizofrénica e nada melhor que um governo esquizofrénico, que brinca com o nosso dinheiro, para nos guiar para fora dos nossos problemas.

Daqui por 10/15 anos, quando a crise (esperemos) seja uma miragem, o país ainda vai estar a pagar umas obras públicas exageradas, feitas em cima do joelho (até porque as eleições são já no próximo ano), cheias de derrapagens orçamentais e que já estarão obsuletas, ou perto disso.
O mais curioso é que nessa altura, aí sim, talvez faça mais sentido investir (pelas condições económicas mais favoráveis, pelo maior indíce de necessidade de modernizar as infra-estruturas) e, aí, não haverá o dinheiro necessário, porque ainda estamos a pagar os desejos de ter "obra feita" do senhor Sócrates.


ACT: A Manuela já reagiu. É das melhores coisas que ela disse nos últimos meses:
PSD é contra todos os projectos que obriguem ao recurso ao crédito
Manuela Ferreira Leite afirmou hoje que o PSD é contra qualquer obra pública que obrigue ao recurso ao crédito, por causa do endividamento externo "altamente preocupante" do país.
Rui Rio critica insistência do Governo em obras públicas em tempo de crise
UGT e CGTP pedem a Sócrates "rigor" nas contas do investimento público e menos "betão armado"

quarta-feira, setembro 17, 2008

a explicação da crise económica nos estados unidos



"O sistema financeiro mentiu: aos clientes, investidores, auditores, "ratings", bancos centrais, aos governos – porque mentiu a si mesmo. Os banqueiros tiveram crédito de mais e credibilidade de menos. Podem voltar a ter todo o dinheiro do mundo, mas os seus cheques só voltarão a ter cobertura quando voltarmos a acreditar neles. E eles a acreditarem uns nos outros."
por Pedro Santos Guerreiro, in Jornal de Negócios


domingo, setembro 14, 2008

momento da intimidade julgada por apresentadores televisivos



Estou parvo por ver alguns minutos do programa Momento da Verdade. Apresentadores de televisão que fazem de psicólogos acusadores e juízes-déspotas sobre os momentos mais pessoais das vidas de pessoas comuns. O programa da SIC é apresentado Teresa Guilherme (a tentar fazer um papel semelhante ao que fazia no Big Brother) e Rita Ferro Rodrigues (esta última revela uma crueza grande). Depois tem um concurso com perguntas (verdade ou mentira) que valem dinheiro... perguntas sobre a vida pessoal. Basicamente faz lembrar um circo de mau gosto, onde se dá aos animais com aspecto estranho pedaços de açucar para mostrarem os seus supostos defeitos.


Vamos lá lavar a roupa suja na televisão nacional. Dispenso. Adeus.



sábado, maio 31, 2008

pescadores de portugal, pesquem em terra! *

Os pescadores perceberam que fazer greve causa uma comichão demasiado ligeira ao país e ao governo. É coisa mais perto de picada de mosca do que propriamente picada de abelhão. A pesca portuguesa, embora tenhamos um potencial marítimo incrível, sofre do mesmo problema que a agricultura portuguesa: é pobre, insignificante e muito minoritária quando se trata de servir o país. Nós, por cá (como diz uma rubrica informativa da SIC), preferimos recorrer ao estrangeiro. É assim que os governos têm agido com essas áreas consideradas terceárias, até porque a agricultura e pescas eram áreas primárias do Estado Novo, e como isso parece ser tabu, desde então que se deixou cair toda essa indústria. É um problema antigo de estrutura e de base...

Voltando à pescaria e à greve dos pescadores, como viram que se ia mas era comprar a Espanha o peixinho começou a haver peixeirada da grossa. Tudo começou, claro, em Matosinhos, onde peixeiradas são prato do dia, sempre pronto a ser servido a qualquer hora e em qualquer estabelecimento. Os pescadores andaram a atirar o peixinho espanhol pelo chão.
No Algarve os pescadores em greve, com muito tempo entre mãos e um ganha pão em risco para salvar, mostrarem-se hábeis em seguir uma nova profissão: fiscalizadores da ASAE (esses mesmo, que são tão criticados por pescadores e outros). Na saída das docas, onde muitos iam buscar peixinho para restaurantes e coisas do género, os pescadores fizeram uma espera. Cada carro que passava era obrigado a parar, para os pescadores, ou deverei dizer os fiscalizadores, puderem inspeccionar a bagageira do carro em busca de peixe.
Os pescadores mantiveram-se na sua actividade principal: procurar peixe. Mas em vez de ser no mar, agora procuram o peixe em terra. É que a gasolina está cada vez mais cara, especialmente em Portugal, por isso há que fazer adaptações à profissão. Parece-me legítimo e bem pensado.

O que é mais cómico neste país e neste governo é que os pescadores podem fazer greve, mas só se estão a prejudicar (se só fizerem greve e não andarem aí a fazer peixeiradas a sério). É que com eles a fazer greve, todos começam a perceber que sai mais barato ir buscar peixe a Espanha. É que os hipermercados, os restaurantes, os mercados e a cozinha do primeiro-ministro já perceberam que compensa ir ali a Espanha comprar peixinho ligeiramente mais barato (já que o IVA lá é bem mais baixo que em Portugal). É que ainda podem abastecer o depósito ao preço da uva mijona (muito mais barato do que por cá) e só isso já paga a viagem e ainda dá uns belos trocos de ganhos. Tudo isto é possível graças ao governo e à conjuntura actual (especialmente à portuguesa visto que Espanha também faz parte do planeta Terra, segundo ouvi dizer). Ora aí está um belo cenário que se arranjou aqui neste canto da Penísula Ibérica e que pode dar uma notícia deste género num futuro próximo: portugueses passam a comprar maior parte dos produtos em Espanha. E os hipermercados que se ponham a pau! Porque não tarda e as compras grandes passam a ser feitas também em Espanha, em fins-de-semana familiares a que se junta um passeio patrocinado pelo combustível barato espanhol. Bonito, hein!



NOTICIA DE ÚLTIMA HORA: A Câmara de Tavira poupa 250 euros por dia por ir abastecer os seus autocarros a Espanha! Já que o Estado ganha, por litro, uns 50%, é legítimo dizer que a Câmara acaba por "roubar" ao Estado para poupar nas suas próprias contas. O que tenho a dizer sobre isto? Acho bem!!!





* Talvez possam começar a pescar ali para os lados de São Bento. É só uma sugestão. Ouvi dizer que o primeiro-ministro tinha arcas e arcas com peixinho espanhol pronto a ser despachado para os seus restaurantes lisboetas preferidos.

sexta-feira, maio 16, 2008

o menezes irritante

Há Menezes que não são irritantes, bem pelo contrário: o Francisco, por exemplo. Mas, depois, há outros Menezes que irritam por demais, é o caso claro do Luís Filipe. Este senhor disse ontem a seguinte frase milenar e que comprova a sua politiquice (ao nível dos outros 69% dos políticos): A senhora Leira, aquela que também se chama Manuela, "foi a pior ministra das finanças dos últimos 30 anos em Portugal!"


Ainda há registar a política seguinte do menino cobarde, com medo de levar porrada (que seria merecida) da implacável senhora Leite com um belo taco de beisebol (presença inevitável neste blog): Luís Filipe Menezes, afirmou esta sexta-feira que receberá em Gaia todos os candidatos à liderança do partida, à excepção de Manuela Ferreira Leite.


PS: (não é o partido); este blog apoia, em princípio e de forma não oficial (seja lá o que isso for para um blog), Pedro Passos Coelho. Apenas e só porque o autor deste mesmíssimo blog, que por acaso sou eu, gostava de ouvir PPC falar quando ele era líder da JSD. O senhor Coelho, agora já com 44 anos deu uma entrevista hoje à noite à Judite de Sousa. Não vi.
As perguntas que lançavam a entrevista ao senhor Coelho, de primeiro nome Pedro (conheço um tipo muito porreiro chamado Pedro Coelho que foi um dos melhores 'chefes' que já tive) eram estas:

É o mais jovem de todos os candidatos à liderança do PSD. É o único que não tem experiência governativa. Irá Pedro Passos Coelho surpreender na corrida à Presidência do PSD?




--

PS2: a não perder no site oficial do programa da RTP1, Grande Entrevista, uma lista dos gostos de Judite de Sousa onde inclui o estilista preferido da apresentadora (oops, afinal é jornalista, quem diria pelo site), o prato de predilecção e a bebida também e o clube também (é o FC Porto). Factos fundamentais para quem vê a Grande Entrevista.

quarta-feira, abril 09, 2008

o ponto de partida

birthday

Este post foi agendado pelo novo serviço do Blogger, pelo que não estou aqui, frente ao computador a partir do momento em que este texto aparece aqui pelo blog (18h25). Estou longe, muito longe, de ecrãs e da vida cibernética. Estarei impregnado em vida, na minha vida. De preferência que não seja enquanto procuro as hortaliças num hipermercado qualquer do nosso país, mas sim numa qualquer ilha paradísiaca e remota como, por exemplo, as Berlengas.

Nestes momentos gosto de me recostar para trás na cadeira da vida e pensar. Pensar no que vou fazer a seguir e porque não cheguei onde queria até ali, àquele momento que não significa nada para mim, mas ao mesmo tempo significa tudo. Esse momento significa que o mundo não pára por nós e os anos também. O fim do meu ano é hoje. O princípio de um novo ano é às 18h25 desta quarta-feira que, por acaso ou nem por isso, é o dia 9 de Abril.

Estou a escrever estas palavras recostado na cama. A lutar com os olhos para se manterem abertos (custa!). Daqui a pouco é uma da manhã do meu dia. A nível legal os 27 já ninguém mos tira, nem que venha agora aqui um carjacker qualquer com uma bela e lustrosa catana e me atire desta para (provalmente ou nem por isso) melhor. Já do ponto de vista teórico só chego aos 27 (que idade tão feia) às 18h25. A essa hora tudo me pode ter acontecido... tudo menos estar aqui, a olhar para isto.

emot,
Pensa (mentos) melhor para mais um ano de vida.
É caso para dizer, hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.






PS: Parabéns e obrigado mãezinha por me teres colocado no planeta Terra. Quem sabe se ainda não faço alguma coisa de jeito com os minutos e horas que me restam por aqui.

domingo, janeiro 13, 2008

espaço que se segue é da inteira respon...

Crónica no Público de Paulo Moura que não resisti em evidenciar:


Cocó às cores
Do outro mundo
Não sabia bem o que escrever e resolvi pedir ajuda ao meu sobrinho Tiago, que tem 8 anos: "Não queres fazer uma crónica?" Ele disse que sim. Foi rápido. Cinco minutos depois, entregou-me isto:
"O Cocó. O cocó é uma coisa que sai do rabo das pessoas.
O cocó cheira muito mal por isso as pessoas têm a mania que o cocó também sabe muito mal. O cocó até pode saber bem, mas as pessoas têm a mania que sabe mal; o que é que se pode fazer?
Mas há uma coisa que eu não percebo: porque é que o cocó sai do rabo das pessoas? Eu faço cocó todos os dias. Se calhar as pessoas não gostam do cocó porque ele não é às cores."
Miguel Tiago.
E pronto. Eu não faria melhor. Interpretem como quiserem, que podem faltar à peça caracteres para encher a coluna ou algum rigor de pontuação, mas não lhe falta profundidade. Está lá tudo: divulgação científica, especulação filosófica, irreverência social. Lendo bem, é uma espécie de chave para a compreensão de todos os assuntos que nos preocupam.
A crise do BCP, a remodelação governamental, a escolha de Alcochete em detrimento da Ota, ganham outro sentido à luz desta pequena litania. O mesmo em relação ao referendo sobre o Tratado de Lisboa, a crise do Paquistão ou do Quénia, as primárias americanas, as ameaças terroristas contra o Dakar, os amores de Sar-kozy ou libertação dos gases de estufa. Ou até mesmo a transferência dos Gato Fedorento para a SIC.
Experimentem os aforismos do Tiago em todas as situações da vida pública e privada. É melhor do que o horóscopo da Maya. Melhor do que o Vasco Pulido Valente. É ao mesmo tempo uma filosofia de vida e uma ideologia política. Também uma cartilha para artistas, jornalistas, publicitários. Um lema para o Novo Ano, um axioma para activistas, uma oração para livres-pensadores. (...)

sexta-feira, dezembro 14, 2007

sócrates araújo pereira

Chama-se Isabel Stilwell e conheço-a, ao ponto dela ser a minha chefe. Não é por isso que fiquei deslumbrado pela bela analogia que ela faz no editorial de ontem e que não resisto a colocar de seguida:


Sócrates Araújo Pereira enfrenta motim no PE
Ponho as mãos no fogo que não foi José Sócrates a enfrentar, ontem, o motim de eurodeputados em Estrasburgo, que o interrompeu sucessivas vezes, quando discursava na cerimónia de proclamação e assinatura da Carta dos Direitos Fundamentais. Cá para mim era, de certezinha absoluta, Ricardo Araújo Pereira, contratado para fazer a cena, até porque, como toda a gente sabe, hoje o primeiro-ministro já vai ter um dia agitado a fazer, novamente, de alegre anfitreão dos «colegas» que vêm a Lisboa, assinar o tratado e andar de eléctrico à borla.
Se não acredita vá ver o «filme» ao Youtube ou ao site da SIC. Tem os tiques todos do Gato Fedorento, o ritmo das palavras embaladas pelos gestos teatrais que tão bem ficam nesta quadra natalícia. Sócrates/Ricardo, rodeado por uns senhores, com idade para terem juízo, vestidos de T-shirts pretas, empunhando cartazes a dizer «referendum», e a fazerem uma chinfrineira dos diabos. Entre gargalhadas, praticamente provocaram um ataque de cardíaco ao pobre do presidente do PE, um senhor que se dá pelo nome de Hans-Gehrt Poettering, e que, bem vistas as coisas, tinha muitas semelhanças com o Diogo Quintela!

crónica completa aqui

sábado, outubro 27, 2007

a sinceridade do cronista


"Se cansa [ter tanta opinião]! Este vício de ter de ter opinião todas as semanas é uma coisa tramada. Às vezes apetece-me parar, mas tenho muita pressão dos sítios onde trabalho. Qualquer pessoa que tem uma opinião semanal deveria parar de três em três meses. Só traz vantagens, dá para observar melhor."

Miguel Sousa Tavares, em entrevista ao DN

terça-feira, setembro 11, 2007

o alípio esclarece

[Em Portugal existe segredo de justiça. Os McCann disseram que tinham muito a dizer sobre o caso mas a lei portuguesa não os deixava expressarem-se. Vários são os meios de comunicação que vão citando fontes dali e dacoli da PJ com novidades sobre o caso, qual o rumo da investigação, qual a opinião da PJ, quais as novas provas. A nível oficial, até agora, não havia uma única tomada de posição oficial ou sequer comunicado (um único sinal de vida) da PJ sobre o caso, nem mesmo para indicar que tinham conhecimento da saída dos McCann de Portugal. Num caso tão mediático, a PJ acaba por se prejudicar de várias formas com uma falta de comunicação oficial tão grande... dizer as coisas por fuga de informação não só revela falta de profissionalismo, como incompetência... até porque nem tudo o que sai, é inteiramente verdade, segundo revelou hoje ao Público Alípio Ribeiro, director nacional da PJ. A força mediática deste caso e a forma como a polícia portuguesa é vista afecta o país, como tal deveria de haver uma comunicação mais directa e profissional...]


PJ desmente coincidência total com ADN de Madeleine
O director nacional da PJ, Alípio Ribeiro, desmentiu, em declarações ao PÚBLICO, a notícia veiculada pela estação televisiva Sky News de que os resultados das análises aos vestígios recolhidos no âmbito do “caso Maddie” correspondiam em cem por cento ao ADN de Madeleine.
“Foram recebidos resultados de alguns exames a elementos recolhidos, mas ainda faltam os resultados de outras análises”, afirmou. “Não é verdade que se diga expressamente em alguns dos exames já concluídos, e com relatórios chegados a Portugal, que tenha sido apurada uma coincidência de cem por cento, ou total, respeitante ao ADN da menina”, referiu Alípio Ribeiro, acrescentando que “estes resultados têm de ser analisados com rigor e com particular cuidado” e manifestando a esperança de que permitam “uma leitura mais próxima da realidade”.
Segundo a tese defendida pela PJ no relatório que é apresentado, amanhã, ao procurador que dirige a investigação, Madeleine morreu acidentalmente na sala do apartamento do Ocean Club, no dia 3 de Maio.
O destino dado ao corpo permanece um mistério. Kate e Gerry são assim apresentados como suspeitos de um crime de ocultação de cadáver, mas não de homicídio. Se a hipótese fosse essa, teriam de ser apresentados a um juiz e, provavelmente, ser-lhes-ia aplicada uma medida de coacção mais gravosa.




CUSTA A CRER NO ENVOLVIMENTO DOS PAIS... CUSTA... MAS AS PROVAS....
No site oficial da procura de Madeleine, custa a crer que aquelas palavras e imagens sejam de uma família que fez desaparecer a sua filha depois de algum acidente em que ela morreu. Faz-me uma grande confusão que tenha sido esse o caso. Para bem da polícia portuguesa, espero que tenha sido isso o sucedido porque é esse o único caminho que, aparentemente, estão a seguir, mas para bem da miúda e dos próprios pais espero que ela ainda apareça - embora isso pareça já não ser possível pela quantidade de (aparentes) provas de demonstram que ela já morreu.
Gerry escreveu esta segunda-feira um longo post que parece sentido (mas isso não prova nada) em que volta enfatizar que não tiveram nada a ver com o desaparecimento da miúda e a contar como viram os últimos dias e a dolorosa suspeita sobre eles:

(...)
"We always hoped that we would not have to return without Madeleine and could never have imagined the possibility that we would do so as suspects in our own daughters disappearance. The pain and turmoil we have experienced in this last week is totally beyond description. Kate and I are totally 100% confident in each others innocence and our family and friends have rallied round unflinchingly to support us. We would like to thank everyone else for the support we have received since we came home.

We have had very mixed emotions since coming back to our own home. It is very comforting to have such familiar surroundings and our own belongings and the twins have settled straight back in as if they have never been away. We have had numerous visitors with friends and those in official capacities. We have appointed solicitors to advise us and assist our Portuguese lawyer in preparing our defence against any possible charges. The sooner this is done the sooner we can concentrate fully on trying to find Madeleine, which is the most important thing through this unending nightmare."
www.findmadeleine.com/

PS: destaque para a música de entrada no site... apropriada, sem dúvida...

domingo, setembro 09, 2007

mccann de volta ao reino unido


12h31. Na última meia-hora a Sky News e a CNN passam imagens em directo de um avião da Easyjet num aeroporto britânico, onde a família McCann regressou a casa. "Portugal", "suspeitos" e "Madeleine" são palavras frequentes. Bem como expressões como "polícia portuguesa" e "acusada de ir no caminho errado pelo casal".
No meio de tudo isto, neste caso tão mediático por todo o mundo, o nome de Portugal anda ali, a bem ou a mal a ficar, de certa forma, manchado, ao que parece. Num local em que o turismo e a reputação é o mais importante, dá a sensação que as autoridades portuguesas deveriam ter canalizado mais esforços nacionais (e não apenas locais, da modesta polícia de Portimão) na tentativa de só colocar a suspeita nos pais se houvessem provas fortes nesse sentido. Bem como ter um departamento de comunicação profissional e que, de tempos em tempos, deveria vir tentar explicar, sem comprometer o segredo de justiça, que a polícia não procura bodes espiatórios, mas a verdade. Poderiam, claramente, tomar notas com o comportamento da polícia britânica, que nos casos mais mediáticos tenta esclarecer o mais possível e não parecer sempre o mau da fita.
Também não se percebe as fugas de informação para os media de factos importantes da investigação, isso então é muito mau.
A RTP está neste momento a indicar os diversos locais onde os cães cheiraram o odor a cadáver, todos relacionados com os McCann, que são indícios fortes para pensar que houve crime e até agravar a medida de coacção ao casal. Mais uma vez, dados fornecidos, aparentemente pela PJ, que supostamente deveria cumprir o segredo de justiça. Não se percebe! Ou há ou não há. E se é assim, a polícia não deveria ser cobarde e informar das tais provas ela própria, oficialmente. Pela televisão portuguesa e pelo Moita Flores (que critica o sistema judicial português), tudo indica que os McCann serão mesmo acusados formalmente. A televisão inglesa não diz isso.


À saida dos McCann do avião da Easyjet (low-cost) Gerry fez uma declaração emocionada (mais do que o habitual) a pedir privacidade, que continuem a procurar a sua filha, que a lei portuguesa os proibe de comentar
que sairam com o consentimento da polícia portuguesa e voltou a repetir de forma categórica:

"Nós não tivémos nada a ver com o desaparecimento da nossa adorável filha Madeleine".


Após uma declaração destas, torna-se mais difícil ainda imaginar o envolvimento dos pais. O que, caso se confirme, a polícia portuguesa fica mal vista, tal como o país. Isto bom para o turismo e para Portugal em geral não é. Talvez nem toda a publicidade (a má) seja boa, afinal de contas.

Ridiculo é as televisões portuguesas, neste momento, insistirem em enfatizar que os McCann não fizeram o check-in como os outros e foram pela sala VIP, por razões de segurança... que parvoíce!!

As provas que alguns jornais portugueses têm alegadamente divulgado, sobre o odor de morte no carro (alugado 25 dias depois da miúda desaparecer), entre outras coisas, são más por dois motivos: caso sejam verdade, a polícia deixou escapar informação e permitiu um tribunal judicial, caso não sejam verdade ou sejam meio-verdade, não podem negar devido ao segredo de justiça, mais trapalhada e parvoíce... O segredo de justiça só perturba tudo isto.

Curioso é ver como os media ingleses falam no caso de forma diferente dos portugueses. Os portugueses são mais criticos com o casal, mais rispídos, os ingleses são menos e procuram ainda uma criança e não um cadáver.


How long did it take for the McCann twins to wake up that night

quinta-feira, julho 12, 2007

opiniões divergentes

A Visão desta semana tem um pequeno quadro com estrelinhas, dadas por António José Teixeira (homem claramente de esquerda), José Carlos de Vasconcelos (jornalista da Visão) e Rui Tavares (historiador), aos 12 candidatos à câmara de Lisboa que participaram no debate desta semana.
Não me vou referir à votação em concreto, nem opinar sobre isso (nem vi o debate), mas sim destacar que houve votação tão distintas entre os três, relativamente ao mesmo candidato. É curioso ver como as opiniões, mesmo de pessoas inteligentes, pode ser tão distinta.

sexta-feira, junho 01, 2007

o camionista

Os camionistas não têm a melhor das reputações no que diz respeito ao sexo e ao modo como o procuram... A crónica de Fernanda Câncio de hoje do DN (que não costumo ler), dá conta de um caso de 1995 que foi arquivado sem condenação em 1997. Trata-se de uma rapariga de 14 anos que foi repetidamente abordada e assediada por um vizinho camionista casado. Chegou a beijá-la por três vezes e ela terá-lhe dito sempre que aquilo estava errado. Um dia o camionista vai à escola da rapariga, pede para ela o acompanhar ao seu camião porque precisa de falar com ela. Arranca com o veículo com ela lá dentro, depois despe a miúda e começa a fazer sexo com ela (que não tenta gritar ou afastar-se mas diz-lhe insistentemente para parar). Houve queixa de estupro - considerado "a cópula com menor entre 14 e 16 anos, abusando da sua inexperiência" -, mas o caso foi considerado, pelo juiz, "sem cabimento".
QUINZE MINUTOS, E SEM GRITAR? SÓ PODE TER GOSTADO

VIVA A JUSTIÇA PORTUGUESA - o juíz deveria ter sido camionista no início da carreira

terça-feira, maio 08, 2007

onde está madeleine? longe de portugal



A Sky News tem dado um destaque impressionante a este caso. O The Sun já colocou recompensas na primeira página, para quem der informações sobre o paradeiro de Madeleine.

A polícia portuguesa e os seus procedimentos estão a ser avaliados pelos britânicos. Têm reprovado com nota péssima. Até nós, portugueses, olhando para a forma como eles, britânicos, nos vêem (através das notícias), percebemos que somos muito fraquinhos no que toca a procurar crianças vitímas de rapto.
Nas primeiras horas devem ser utilizados todos os esforços de imediato, segundo dizem os ingleses. Por cá, o que se viu foi os meios irem crescendo de dia para dia, nem sequer foi de hora para hora. Na quinta eram cinco, sexta, 10, sábado 15 e domingo 20, à procura da pequena Maddeleine, que até já tem jogadores de futebol a pedirem para a devolverem (uma clara estratégia da polícia inglesa na tentativa de tocar no coração de algum fã de futebol que levou a rapariga).
Hoje, foi deprimente ver a conferência de imprensa dada pelo Judiciária. Doeu, enquanto português ver tudo tão mal organizado e amador. Justificava contratarem, apenas para o efeito, algum especialista que colocasse uns holofotes, usasse um fundo próprio da polícia e afastasse os jornalista da pessoa que estava a prestar os esclarecimentos (que foram nenhuns, graças ao segredo de justiça, uma regres que, nestes casos, não entra na cabeça dos ingleses... porque será?? Talvez porque é ridícula).

Agora, os jornais têm um dilema, usar Madeleine, ou Maddie, como já adoptaram os jornais ingleses.

quinta-feira, maio 03, 2007

o discurso do ano



Carmona, o político


Carmona Rodrigues é um herói político, como não via há muitos anos. Reformulo, como nunca vi em vida. É um Homem, de H grande, que mostrou esta noite coragem e, contra toda a classe política repugnante, mantém-se no seu cargo, como independente que é. Fez um discurso tão (aparentemente) sincero, quanto brilhante. Espero bem que os vereadores do PSD não sejam cobardes e não saiam. Se for esse o caso, demonstram que não servem para políticos.


Este é: o momento político do ano, de longe!!


"Não serei eu o primeiro a abandonar o barco, nem permitirei que me atiram pela borda fora".


"não senti o apoio de vários sectores do PSD (...) passividade com que assistiram aos insultos"


"Dei a cara por Lisboa. Quiseram manchar a minha cara. Sinto-me ferido na minha honra. Antes de ser acusado, já sofro as consequências de coisas que não cometi” (...) “Não me pesa a responsabilidade de uma desgovernação".


"admito alguns erros” (...) “principal erro foi não dar importância a assuntos acessórios que fizeram destaque na comunicação social" (...) "não é por isto que se renuncia". "Orgulho-me de ter cumprido enquanto consegui o meu programa eleitoral"


"Não estou agarrado ao poder, estou a honrar um compromisso"


"A verdade virá mais tarde ou mais cedo ao de cima. Confio na justiça portuguesa. Se há corrupção então que se investigue"



ACT (04-05-2007): Pelos vistos, seis vereadores do PSD vão sair, obrigando, caso Carmona não opte pelos vereadores suplentes (o que parece pouco provável), a eleições intercalares. É pena, e demonstra a pequenez política actual em Portugal. Fica, no entanto, a enorme atitude de Carmona que, por si só, já vale de muito!
Actualmente existe um concurso político em vigor que se chama: Quem Quer Ser Presidente de Lisboa? Como, havendo agora eleições, tudo é possível, candidatos pequenos em espiríto não devem faltar.

sexta-feira, abril 27, 2007

carmona sem 'lisbona'

Quer-me parecer que andam a lixar o Carmona Rodrigues, propositadamente, como não poderia deixar de ser. Tudo me leva a crer que é algo já comum na sociedade portuguesa nos últimos anos e existe gente prejudicada para a vida, devido a manipulações à justiça. Sim, parece ser manipulável.

Bragaparques: Carmona Rodrigues constituído arguido
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, foi notificado para ser ouvido pelo Ministério Público na qualidade de arguido, no âmbito do processo Bragaparques, disse hoje à agência Lusa fonte judicial.