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domingo, agosto 02, 2009

experiência de crónica iv




Texto escrito para a edição da última quinta-feira do jornal Destak como crónica semanal, que terminou com o final de Julho (ao todo foram quatro crónicas).

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De scooter por Lisboa
A lei a mudar

As despedidas existem para assinalar o fim de algo. Mas o fim significa que houve um princípio e um meio onde, espera-se, se partilhou experiências úteis. Nesta última crónica deste pequeno périplo dedicado às scooters na cidade, nada melhor do que ir às bases. O que é preciso para conduzir um ciclomotor ou uma scooter? Há uns anos, para ciclomotores até 50cc uma simples licença camarária dava para os mais novos e, para os mais velhos, bastava a carta de automóvel (B). Depois tudo se complicou (em tempo e dinheiro): tornou-se necessário tirar o código da estrada e aulas e uma parte prática _– quem já tinha carta automóvel (B) teria só de fazer a parte prática.

Este ano e graças a uma proposta do deputado do PCP_Manuel Tiago (ele próprio um motard), foi aprovada na Assembleia da República a chamada Lei das 125. O que permite? Possibilita aos detentores de carta de categoria B, maiores de 25 anos, a condução de motociclos até 125cc com potência limitada a 11 kw – os mais novos têm apenas de fazer um teste. Apesar da lei ainda não estar em exercício (o que é pena), esta realidade sem burocracias facilita a condução das scooters mais aliciantes em cidades grandes – as que já podem andar em vias rápidas e auto-estradas (125cc).

O que nos espera o futuro? O ideal é que proliferassem as scooters eléctricas. É pena que em tempos de grande mediatismo dos carros eléctricos, não se veja nenhuma iniciativa camarária (e estamos em época de eleições!) a pensar nas mais pequenas e práticas scooters eléctricas (silenciosas, não poluentes). São cada vez mais bem sucedidas no norte da Europa e uma miragem em Lisboa (existem cidades a Norte de Portugal que as promovem). Como conselho final faço minhas as palavras do dono da minha 1.ª scooter (comprada em 2.ª mão): «ser motard não é ser ‘acelera’ nem descuidado. É apreciar e respeitar a experiência». Vemo-nos no trânsito.







PS: O início deste texto chegou, por momentos, a ser este:
"As despedidas são como as moscas, poucos gostam delas (sim, há quem goste) mas são necessárias e inevitáveis na maior parte dos casos."
Foi alterado porque nenhuma rapariga da redacção onde o texto foi redigido achou a mínima piada à utilização das moscas numa crónica. Só eu para fazer comparações parvas como esta...

domingo, julho 26, 2009

experiência de crónica iii

Texto escrito para a edição da última quinta-feira do jornal Destak como crónica, que será semanal até final do mês.

De scooter por Lisboa
Missão: estacionar

No centro de uma cidade como Lisboa, a scooter é como o Saviola dos avançados em Portugal: é pequeno, mas assim passa melhor por entre os centrais e não tem problemas em estacionar (marcar golos). O local onde se vêem mais scooters em Lisboa é nas transversais da Av. da Liberdade. Quem ali trabalha, depois de muito pagar (parquímetros) e muito desesperar (por arranjar lugar), chegou à conclusão que TODOS esses problemas acabavam com uma scooter.

Os visionamentos de filmes para a imprensa, a que costumo assistir por motivos profissionais, acontecem de manhã em locais tão centrais quanto dispersos. Barata Salgueiro (perto do Marquês) e Estrela são os exemplos mais infernais para estacionar de carro (a opção dos transportes públicos acontece quando há mais tempo). Desde o momento em que subo para a Vespa, em Benfica, passando pela facilidade com que se passa pelo trânsito matinal lisboeta como se nada fosse. Culminando nos meros segundos entre chegar ao local do visionamento e se entra pela porta do edifício a dentro.

A scooter, pouco ou nada falada pelos políticos, media e afins quando se fala de mobilidade é como Pero da Covilhã na história portuguesa. Todos falam que foi Vasco da Gama que descobriu o caminho marítimo para a Índia, mas nada disso teria sido possível sem os mapas, dicas e orientações conseguidos por este aventureiro que viajou a pé para África e Índia. Contas médias feitas, de Benfica à sala de cinema da Cinemateca (Marquês): automóvel, 33 minutos; transportes públicos, 43 minutos; scooter, 13 minutos.

Apesar de pouco presentes no nosso imaginário, as scooters aparecem em vários filmes famosos. Era o meio de transporte preferido de Zach Braff no belo Garden State (2004), a forma de Nicole Kidman fugir a quem a perseguia em A Intérprete (2005), ou o meio de transporte com que acaba, na perfeição, diga-se, O Fabuloso Destino de Amélie (2001). Um dos exemplos de scooters nos clássicos é a aventura repleta de cabelos ao vento de Audrey Hepburn em Férias em Roma (1953). Por mais carros que façam, «teremos sempre» a scooter.


terça-feira, julho 21, 2009

experiência de crónica ii

Texto escrito para a edição da última quinta-feira do jornal Destak como crónica, que será semanal até final do mês.



De scooter por Lisboa

Proteger a “chapa” humana
Os inconvenientes. Mosquitos na cara. Papéis e lixo pelo ar incómodos. Camiões e autocarros que lançam um “perfume” negro e poluído – «cheira mal, cheira a Lisboa»? Andar pela cidade de scooter é quase como andar a pé, só que tudo é mais rápido, inclusive a forma como as pequenas coisas podem perturbar. Por isso há que saber como proteger a “chapa” humana de todos estes possíveis inconvenientes, se tivermos as dicas certas é possível prevenirmo-nos.

Dicas. Numa cidade como Lisboa, que tem vias rápidas como a 2.ª circular que dão jeito até para as scooters (só os motociclos a partir dos 125cc têm acesso às vias rápidas e auto-estradas), é conveniente: usar um capacete com pala para tapar a cara (evita mosquitos, camiões poluentes e papéis incómodos); ter um impermeável à mão (para chuva e para evitar maus cheiros na roupa – há uns indicados para scooters e que se arrumam facilmente) e luvas (permite proteger do frio do inverno e dos maus cheiros no verão).

Com estas protecções a funcionarem como uma espécie chapa, vidro ou pára-choques (no caso dos carros) é possível desfrutar como em mais nenhum meio de transporte a beleza, a luminosidade e os pormenores de Lisboa e sempre de forma mais rápida. A posição elevada na scooter, a vista total e a forma como nos aproximamos do semáforo ajuda a esta conjugação. Como dica final convém lembrar que se devem fazer as curvas com a ajuda do peso do corpo (inclinado para onde se curva) e avisar os “penduras” para o mesmo movimento.

O tipo de scooter. Para uma utilização urbana com alguma auto-estrada, a Piaggio MP3 250cc que testámos inicialmente é segura e serve. Já a Vespa tradicional, em que andámos esta semana, revela-se um desafio assustador na auto-estrada, insegura e susceptível aos ventos – só serve para utilização urbana. A escolha de moto, que depende da utilização que se quer ter, é outro ponto importante a determinar, antes de se avançar para a estrada com duas (ou três) rodas.


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Próxima crónica: Estacionamento e scooters eléctricas.


segunda-feira, julho 13, 2009

experiência de crónica i

Texto escrito para a edição da última quinta-feira do jornal Destak como crónica, que será semanal até final do mês.



De scooter por Lisboa
A experiência de liberdade

O vento na cara, no corpo, nas mãos. Andar de moto transmite uma sensação de liberdade impressionante. Liberdade de pensamentos, movimentos e até estacionamento. Esta é a primeira impressão que podemos partilhar na primeira crónica desta aventura de um mês, que pretende relatar vantagens e desvantagens de conduzir uma scooter em Lisboa.

Munido de uma Piaggio MP3, a scooter das três rodas que traz claramente maior índice e sensação de segurança, os primeiros dias de passeio por Lisboa foram o recordar da experiência de scooter da adolescência, nas Caldas da Rainha. E, como se diz, é como andar de bicicleta. Quem aprendeu não esquece.

Este pequeno símbolo da liberdade de movimentos é menos exigente e mais rápido do que uma bicicleta (o meio mais económico do mundo). E consegue ser mais simples, prático, rápido, barato (em combustível e preço de compra) e amigo do ambiente do que qualquer carro – nem o minúsculo indiano Tata Nano lhe chega aos calcanhares.

Gastar oito minutos para sair de Benfica, chegar ao Marquês de Pombal e estacionar à porta da Cinemateca Portuguesa pode parecer cenário improvável, mas de mota essa liberdade é provável. Os semáforos passam a ser mais verdes do que vermelhos. Porquê? Passar por entre a fila de carros até ao semáforo ajuda. A bondade dos condutores também: a maior parte sempre que vê uma mota abre a brecha necessária para o “brinquedo” das cidades poder passar.

Chama-se scooter e é transporte privilegiado nas cidades italianas, espanholas, francesas e britânicas e até já os americanos, com a crise dos combustíveis, começaram a aderiram à moda que chamam “europeia”. E porque é que se vendem tão poucas em Portugal?