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terça-feira, abril 08, 2014

o teu próprio cosmos

"Se te queres conhecer, observa a conduta dos outros; se queres conhecer os outros, olha para o teu próprio coração." 

-- Friedrich Schiller (um tipo alemão) 



 Bom 8 de Abril.

domingo, fevereiro 05, 2012

suck out all the marrow of life

Aqui fica um resumo dos principais arrependimentos das pessoas no leito de morte, tais como foram testemunhados por Bronnie Ware, uma enfermeira australiana.

Quem me dera ter tido a coragem de viver de acordo com as minhas convicções e não de acordo com as expectativas dos outros. «Este é o arrependimento mais comum. Quando as pessoas se apercebem de que a sua vida esta a chegar ao fim e olham para trás, percebem quantos sonhos ficaram por realizar. (…) A saúde traz consigo uma liberdade de que poucos se apercebem que têm, até a perderem».

Quem me dera não ter trabalhado tanto. «Este era um arrependimento comum em todos meus pacientes masculinos. Arrependiam-se de terem perdido a infância dos filhos e de não terem desfrutado da companhia das pessoas queridas. (…) Todas as pessoas que tratei se arrependiam de terem passado muita da sua existência nos ‘meandros’ do trabalho».

Quem me dera ter tido coragem de expressar os meus sentimentos. «Muitas pessoas suprimiram os seus sentimentos, para se manterem em paz com as outras pessoas. Como resultado disso, acostumaram-se a uma existência medíocre e nunca se transformaram nas pessoas que podiam ter sido. Muitos desenvolveram doenças cujas causas foram a amargura e ressentimento que carregavam como resultado dessa forma de viver».

Quem me dera ter mantido contacto com os meus amigos. «Muitas vezes as pessoas só se apercebem dos benefícios de ter velhos amigos quando estão perto da morte e já é impossível voltar a encontrá-los. (…) Muitos ficam profundamente amargurados por não terem dedicado às amizades o tempo e esforço que mereciam. Todos sentiam a falta dos amigos quando estavam às portas da morte».

Quem me dera ter-me permitido ser feliz. «Muitos só perceberam no fim que a felicidade era uma escolha. Mantiveram-se presos a velhos padrões e hábitos antigos. (…) O medo da mudança fê-los passarem a vida a fingirem aos outros e a si mesmos serem felizes, quando, bem lá no fundo, tinham dificuldade em rir como deve ser».
via Sol

segunda-feira, outubro 18, 2010

só há um sócrates, é este

Há muitos modos de viver a vida e de pensar nela. Sócrates, o verdadeiro, o antigo, o grego, tinha uma forma de ver a vida muito especial, mas que para mim fazia perfeito sentido. Pese embora as interpretações das palavras possam ser variadas, os princípios que regem as palavras deste homem filósofo que nunca escreveu nada que possamos ler, são aquilo que poderia e devia reger o pensamento humano geral e as sociedades.

Este excelente artigo do Guardian converte na perfeição e com uma facilidade espantosa, o pensamento Socrático para a actualidade. E não é que o senhor, qual autor da Bíblia, ao falar da sua sociedade, de então, parece que fala do vazio existencial que parece existir cada vez na sociedade ocidental?!

Socrates – a man for our times

"(...)
Socrates's problems were our own. He lived in a city-state that was for the first time working out what role true democracy should play in human society. His hometown – successful, cash-rich – was in danger of being swamped by its own vigorous quest for beautiful objects, new experiences, foreign coins.

The philosopher also lived through (and fought in) debilitating wars, declared under the banner of demos-kratia – people power, democracy. The Peloponnesian conflict of the fifth century against Sparta and her allies was criticised by many contemporaries as being "without just cause". Although some in the region willingly took up this new idea of democratic politics, others were forced by Athens to love it at the point of a sword. Socrates questioned such blind obedience to an ideology.
"What is the point," he asked, "of walls and warships and glittering statues if the men who build them are not happy?"  
What is the reason for living life, other than to love it?

For Socrates, the pursuit of knowledge was as essential as the air we breathe. Rather than a brainiac grey-beard, we should think of him as his contemporaries knew him: a bustling, energetic, wine-swilling, man-loving, vigorous, pug-nosed, sword-bearing war-veteran: a citizen of the world, a man of the streets.

According to his biographers Plato and Xenophon, Socrates did not just search for the meaning of life, but the meaning of our own lives. He asked fundamental questions of human existence. What makes us happy? What makes us good? What is virtue? What is love? What is fear? How should we best live our lives? Socrates saw the problems of the modern world coming; and he would certainly have something to say about how we live today.

He was anxious about the emerging power of the written word over face-to-face contact. The Athenian agora was his teaching room. Here he would jump on unsuspecting passersby, as Xenophon records. "One day Socrates met a young man on the streets of Athens. 'Where can bread be found?' asked the philosopher. The young man responded politely. 'And where can wine be found?' asked Socrates. With the same pleasant manner, the young man told Socrates where to get wine. 'And where can the good and the noble be found?' then asked Socrates. The young man was puzzled and unable to answer. 'Follow me to the streets and learn,' said the philosopher."

Whereas immediate, personal contact helped foster a kind of honesty, Socrates argued that strings of words could be manipulated, particularly when disseminated to a mass market. "You might think words spoke as if they had intelligence, but if you question them they always say only one thing . . . every word . . . when ill-treated or unjustly reviled always needs its father to protect it," he said.

When psychologists today talk of the danger for the next generation of too much keyboard and texting time, Socrates would have flashed one of his infuriating "I told you so" smiles. Our modern passion for fact-collection and box-ticking rather than a deep comprehension of the world around us would have horrified him too. What was the point, he said, of cataloguing the world without loving it? He went further: "Love is the one thing I understand."

The televised election debates earlier this year would also have given pause. Socrates was withering when it came to a polished rhetorical performance. For him a powerful, substanceless argument was a disgusting thing: rhetoric without truth was one of the greatest threats to the "good" society.
(...)"



Óbvio e incrível como a história se repete.

terça-feira, outubro 12, 2010

quem somos nós e o que fazemos aqui?

Há alturas do dia (é mais pela noite) em que me questiono: Onde é que nós virámos na curva errada?

Nunca percebi bem o saudosismo exagerado. Mas começo a perceber melhor porque ele surge com facilidade.

Já ouviram falar do Windows 2.0, 2.1, 3.0, 3.1, 95, 98, Me, NT, XP, Vista e 7? Do iPhone 1, 3, 4?
Já ouviram falar da 6.ª geração do Golf ou do restyling do Citroën C4 Picasso?
Já ouviram falar dos políticos profissionais 2.0 cheios de argumentos e marketing a nos venderem o seu produto, eles próprios?
Já ouviram falar nas novíssimas botas de couro mostarda cano baixo e abertura na frente do Marc Jacobs?

Perseguimos bens, empregos e uma vida que nos é vendida e promovida, mas que é irreal e muitas vezes vazia. E o preço dessa vida, muitas vezes, significa que nos vendemos e nos perdemos (a nossa essência).

Algures pelo caminho, numa das várias curvas do destino, chega a parecer que nos perdemos num excesso de capitalismo (ganância absoluta e premiada: «o dinheiro nunca dorme») e de cultura das vendas, da novidade constante e da respiração ao ritmo do marketing. Não que não tenham havido benefícios, vantagens e melhorias. Houve. Mas, nestes dias de crise financeira profunda e de falhanço óbvio das instituições que nos governam, dá vontade de questionar tudo. Incluindo as curvas que os nossos antepassados, ou os seus governantes, curvaram por nós, escolheram por nós.


Daí que citar esse grande poeta dos tempos modernos (nascido, eternizado e desaparecido nos anos 1990), Tyler Durden, nos dias que correm faça todo o sentido:

"You're not your job. You're not how much money you have in the bank. You're not the car you drive. You're not the contents of your wallet. You're not your fucking khakis. You're the all-singing, all-dancing crap of the world."


"God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off."

quarta-feira, novembro 26, 2008

ele diz que é um ingénio especial *



"Eu sou um ingénuo especial: achei que o mundo era complexo e afinal é bastante simples. Há instintos, interesses, desejos e lógicas de classe. Não há mais nada."
in Estado Civil


* fica melhor ingénio do que ingénuo... não me perguntem porquê (enganei-me à primeira e recuso-me emendar à segunda).

sábado, março 10, 2007

o fascínio

Tive um professor de faculdade, que tratávamos carinhosamente Gigi (Hermenegildo), muito simpático e que tinha um fascínio e admiração impressionantes pela filósofa (teórica política) alemã Hannah Arendt. Saiu recentemente mais um livro dela.

"Arendt nasceu em Hannover (Alemanha) numa família judaica. Estudou na Universidade de Koniberg, Malburg, Freiburg e Heidelberg. Foi influenciada por Husserl, Heidegger e Karl Yaspers. Em consequência das perseguições nazis, em 1941, parte para os EUA, onde virá escrever grande parte das suas obras. Lecciona nas principais universidades deste país (Columbia, Califórnia, Cornell, Princeton, Wesleyan, etc).
A sua filosofia assenta numa crítica à sociedade de massas e à sua tendência para atomizar os indivíduos. Preconiza um regresso à uma concepção política separada da esfera económica, tendo como modelo de inspiração a antiga cidade grega."
--- Arendt

Hannah Arendt - Wikipedia
Hannah Arendt - Wikipédia- pt

quarta-feira, outubro 18, 2006

a ideia

[Um blog que "grava" o dia-a-dia da Grã Bretanha... será possível? A Biblioteca Britânica diz que sim.]

Blog aims to record everyday life
Thousands of people across Britain have contributed to a project aiming to create an online archive of a day in the life of the country. The National Trust is encouraging people to record a diary of their day on a website, as part of what is being called "Britain's biggest blog".
The trust says it will create a "fascinating social history archive" of everyday life for future generations.
By 1800 BST (1700 GMT) more than 8,000 people had contributed to the site.
People who want to contribute to the project have until 31 October to upload their account of the 17 October 2006. Their blogs will be stored at the British Library and at other locations.


FRASE: It may be that historians in the future will be amazed that on 17 October 2006 we were still eating meat or driving privately owned cars
David Cannadine
, of the Institute for Historical Research

terça-feira, julho 25, 2006

ideias do minuto


A man by himself is in bad company.


Charlatanism of some degree is indispensable to effective leadership.
por Eric Hoffer (1902-1983) filósofo norte-americano


segunda-feira, fevereiro 13, 2006

pensador

[Engraçado, sem ter graça nenhuma, como não conhecia este homem, por ser da geração que sou. Mas agora que vou lendo e vendo coisas sobre ele, parece uma figura fascinante e que merece ser conhecida.]

Agostinho da Silva: Centenário do nascimento celebra-se hoje
As comemorações do centenário do nascimento de Agostinho da Silva, pensador que continua controverso e enigmático, arrancam hoje no Centro Cultural de Belém com o patrocínio da Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima.
As celebrações incluem colóquios, exposições, publicação de livros a edição de um selo comemorativo, a abertura da cátedra «Agostinho da Silva» na Universidade de Brasília e o baptismo de um avião da TAP com o seu nome.
As iniciativas resultam de uma parceria dos governos de Portugal e do Brasil (onde o escritor esteve exilado) e a Associação Agostinho da Silva e incluem a projecção do documentário «Agostinho da Silva:um Pensamento Vivo» e a inauguração da mostra «Agostinho da Silva:Pensamento e Acção» em cidades portuguesas e estrangeiras.
A efeméride revela que o pensador e pedagogo continua uma figura controversa e enigmática, mesmo para os que com ele privaram.
Reconhecendo que a sua personalidade sempre o intrigou, o ensaísta Eduardo Lourenço afirmou que «não era parecido com ninguém, excepto com ele próprio» e lamentou que a sua obra ainda esteja «pouco estudada».
O filósofo e pedagogo Agostinho da Silva nasceu no Porto a 13 de Fevereiro de 1906, esteve preso no Aljube devido a polémicas com o Estado Novo e a Igreja e optou por se exilar no Brasil, onde co-fundou as universidades federais de Paraíba e Santa Catarina e a Universidade de Brasília.
Quando morreu, em Lisboa, a 3 de Abril de 1994, Agostinho da Silva deixou uma obra vastíssima e que inclui textos pedagógicos, ensaios filosóficos, novelas, artigos, poemas, estudos sobre História e cultura e as suas reflexões sobre a religião.

in Lusa


AGOSTINHO DA SILVA
Neto traça percurso de filósofo com documentário
O neto de Agostinho da Silva realizou um documentário sobre o filósofo português que é projectado esta segunda-feira no Fórum Lisboa no dia em que passam cem anos sobre o seu nascimento. As comemorações deste aniversário envolvem diversas outras acções.
DOSSIER AGOSTINHO DA SILVA

www.instituto-camoes.pt/cvc/filosofia/1910h.html