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sábado, fevereiro 21, 2015

a margem errada... do douro

Por algum motivo estranho sempre que fui ao Douro percorri sempre a zona pela margem Sul do rio. Aconteceu isso quando passei por lá com os meus pais nos anos 90, repetiu-se o mesmo há uns dois anos quando fui ao Douro - fiquei no Pinhão - em trabalho e voltou a acontecer a semana passada, em lazer... Só que neste regresso recente tomei a liberdade (com influências conjugais) de passar para o lado Norte para passear desse lado ao longo do Douro.

Foi nesse sábado 14 de fevereiro que percebi porque até ali tinha andado sempre pela margem Sul. A lado Norte é um deserto de trânsito, em contraste claro com as estradas do lado Sul. Boas notícias, certo? Errado. As estradas estão vazias porque estão em bem pior estado, são mais estreitas e entram serra adentro e serra para fora de uma forma bem mais violenta e dura do que no lado Sul. Em vez de estradas novas e curvas moderadas ali junto ao rio, de forma relativamente plana, no lado Norte subimos, descemos, e curvamos de dúzia de metros em dúzia de metros. A paisagem tem zonas bem bonitas e... altas, mas são poucas e não valem todo o esforço.

Vale pela experiência e com um bom carro nas mãos, equilibrado, um motor capaz, uma direcção directa e que transmite bem as sensações da estrada até nos podemos divertir pelas curvas. Pena algumas estradas de dois sentidos só terem espaço para um carro e incluirem curvas cegas... ou seja... convém não abusar na velocidade (pena!) porque na possibilidade remota de encontrarmos um outro carro (em mais de 30 quilómetros 'lentos' de serra só encontrei três e eram de locais) em zona proibitiva, o mais provável e descermos à força entre 50 a 300 metros para um banho no Douro.

Na margem Norte do Douro chegamos a perder a vista ao próprio Douro, tal é o desvio que certas serras nos obrigam a fazer para o interior. Passado um pouco já estamos novamente ao pé do rio, mais acima na serra ou mais abaixo, junto ao rio. Chega a haver nesta estrada principal parte de terra, tal é a qualidade do piso. Passamos por umas quantas aldeolas onde reina a calma e mal se vê gente na rua. Todos olham para os forasteiros que por ali passam. Devem pensar: 'o que é que estes totós vêem fazer para esta margem do rio?' O facto do carro ser de cor azul marinho claro (ou Blue Magnetic) e ter um aspecto peculiar e pouco visto naquelas partes também deve contribuir para tantos olhares.

Para ser justo do lado Norte também há quintas de vinho do Porto e algumas delas, pelo menos uma, tem um restaurante de luxo, com aqueles  preços proibitivos. Chegados ao Peso da Régua, suspiramos de alívio... demorou, curva a curva, subida a descida, entrada pela cordilheira adentro e para fora, mas chegámos a bom porto. Na Régua já há boas hipóteses para o muito desejado e apetecido almoço (sem ser com preços de 50 euros por pessoa). A barriga já dá horas. O caminho de volta? Esse é inevitavelmente feito pela margem Sul, onde demoramos uma dúzia de minutos para percorrer a distância de rio que demorámos uma hora do outro lado. Lição aprendida, experiência acumulada e barriga cheia, como se quer. O Mini ajudou.

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

pela casa cimeira

É humanamente notável ver como as pessoas genuínas se abrem com desconhecidos. O casal que gere a Casa da Cimeira - em Valença do Douro - tem aquele conhecido lado falador, aberto, genuíno e social das pessoas do Norte (tradicionalmente). Mais: têm gosto em receber as pessoas vindas de longe (portugueses ou estrangeiros), têm gosto em dar sempre um pouco mais do seu vinho, dos seus enchidos - tudo feito por ali, claro -, dos seus manjares.

Gostam de contar histórias, especialmente a sua história. Gostam de conhecer um pouco de quem os visita. Isto no meio da labuta sem parar do dia a dia. É gente humilde, trabalhadora e com tempo para ter consciência plena de quem são e do que é a sua vida.

São bem humorados, divertidos e não se levam demasiado a sério. Gente fácil, de quem nos aproximamos com facilidade e que dá gosto ouvir, história a história, sorriso a sorriso, lembrança em lembrança, sonhos em sonhos.

Durante 9 meses não têm um dia de folga e fazem jantar para uma casa cheia de hóspedes todos os dias. Contam esta inevitabilidade com consciência que é bom terem trabalho e o lamento de que ficam esgotados e era bom não terem de fazer jantarada 'farta' todos os dias. Que corrupio!

Que energia contagiante têm estes dois durientes. Como se a boa conversa, a simpatia, a generosidade e a atenção ao detalhe - tratam-nos como se fôssemos da família, oferecendo tudo o que têm sem restrições com um prazer incrível em bem receber - não bastassem, a comida e, por Deus, a bebida é divinal. Um apelo aos sentidos humanos mais apurados.

Na Casa da Dona Maria da Luz não há cerimónias
. O vinho escorre sem parar. Veio das vinhas e da adega da própria casa até à mesa. É divinal. Como só os bons vinhos do Porto o são. E se a garrafa está perto de terminar, há logo outra a chegar, aqui não se admite copo de vinho vazio (à descrição). A última refeição foi um bacalhau com broa e batata a murro tostadinha divinal. De saborear garfada a garfada, com os sabores bem vivos e enfatizados com o soberbo azeite do Douro, feito por ali, a acompanhar.

Os convites para ir para a sala comum, perto da lareira, e beber um porto aperitivo acontecem assim que chegamos. A grande mesa de família é onde comem todos os hóspedes, seja qual for a nacionalidade, crença religiosa ou preferência gastronómica. Todos são bem vindos, desde que venham por bem.

Não é uma questão de dinheiro ou de venda ou comércio, aqui somos da casa, sentimo-nos em casa e a comida e bebida é como se nascessem das paredes e viessem sempre confeccionados de um modo divinal. Nunca nos sentimos clientes, mas convidados de um local que tem muito de paraíso e a dona Maria da Luz e o seu Artur são anjos a facilitarem-nos a vida.

A ajudar a este ramalhete está a beleza natural da zona, as vistas dos quartos para o rio Douro e para as escadas de vinha e as boas condições (até tem piscina) desta casa burguesa do século XIX com mistura entre palacete e casa rural, inclusive com um quarto de xisto peculiar.

Até a história da casa de arquitectura burguesa rural tem um encanto especial. Foi construída em 1814 pelos Pacheco, uma família militar galega, que tinha as vinhas da Quinta da Corte e do Panascal e vivia na casa de Valença do Douro, bem perto das quintas. A Dona Maria da Luz e o senhor Artur eram os caseiros da Casa Cimeira, desde os anos 80 (se não estou em erro).

Depois de muitos anos a tomar conta da Casa Cimeira, perante as ordens "rígidas, ao estilo militar" do último dos Pacheco, começaram a construir a sua própria casa. Quis o destino que depois de vários anos a tentar terminar o seu lar, tiveram uma surpresa: o último dos Pacheco morreu e, por não ter família directa, deixou-lhes a Casa da Cimeira e alguns terrenos. "O senhor podia ter dito alguma coisa... mas nunca nos disse nada", diz a Dona Maria da Luz.

Do dinheiro das vinhas foi possível investir e tornar a Casa Cimeira simpática para hóspedes, com piscina, um total de seis quartos e boas condições - que jeito dá o ar condicionado no frio da zona do Douro nesta altura do ano. A vista incrível já existia e mantiveram-se os quadros da família Pacheco, bem como os livros centenários, a decoração e toda a história da Casa, a mesma que a Dona Maria da Luz gosta de contar.


Obrigado por tudo, especialmente pela generosidade rara e por serem genuínos. Queremos voltar em breve.

"Não há problemas, só soluções", diz o senhor Artur. Ele e a Maria da Luz são facilitadores.

terça-feira, junho 17, 2014

humanos observam david

(escrito sentado num banco da Academia de Arte de Florença, a descansar os cansados pés).


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David, a minha pila. 
Ora aí estão milhares de turistinis a olhar para as formas de um rapaz novo com alguns músculos, os clássicos, sem exageros, e a pilota de fora a dar a dar (mentira, que a picolina não mexe por nada deste mundo, e do outro).
Diz a lenda que David matou o gigante Golias numa tarde de sol. Ora, o David é gigante visto daqui (escrevo isto sentado a uns bons metros dos ‘turistinis’, a ver o espectáculo com distância). 
O David tem umas mãozarras patudas – dizem que é pela perspectiva do público, que observa a estátua de David cá de baixo –, tem a fisga que mal se vê e faz pose amaricada, como quem está desinteressado em tudo mas tenta parecer estiloso e cagão. É claramente italiano ou romano para Michaelangelo, mas não era 'para' a lenda. O David da lenda dificilmente seria tão torneado e musculado ou com linhas de cara tão direitas. 

Mas este é o homem perfeito. Jovem. Com saúde. Musculado qb. Com estilo. Convencido e idolatrado. Mariquices dos antepassados italianos (não é uma referência à preferência sexual por pessoas do mesmo sexo). 


Certo é que passam por aqui miúdas holandesas, americanas, inglesas. Embonecadas, observam com atenção e prolongadamente o David, tal como os homens e as idosas, mas nada acontece. Nada. A pila do jovem rapaz será eternamente assim. Picolina e sem tusa. 

terça-feira, fevereiro 18, 2014

istambul à superfície.

Istambul - significa ir para a cidade. Nome oficial da cidade hoje em dia. Começou a ser usado por algumas etnias turcas no século XV mas só se tornou o nome oficial da cidade nos anos 1920.
Constantinopla - nome que vem do imperador romano Constantino (o 'pai' do catolicismo, já que foi ele que criou a Igreja Católica, instituiu o cristianismo - com um misto de tradições pagãs antigas - e compilou os livros que quis para formar a bíblia, como a conhecemos hoje). Foi o nome mais usado a nível mundial para a cidade até aos anos 1920. A cidade foi mais de 1000 anos essencialmente cristã. A chegada dos otomanos no século XV mudou esse domínio.
Bizâncio - nome original da cidade fundada por colonos gregos em honra ao seu rei, Bizas até ao século IV, quando os romanos passaram a dominar a zona. Curiosamente o chamado 'Papa' dos gregos ortodoxos está em Istambul. Os turcos não gostam muito desse facto.

Em 50 anos a cidade passou de um milhão de habitantes para 15 milhões! Isso vê-se na construção algo caótica que alargou a cidade - também se vê construção recente a um estilo bem europeu.


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Istambul. 
Que cidade. Entramos num mundo de cheiros, neblina, confusão, mesquitas gigantescas e complexas a nível arquitectónico, sempre com os incríveis minaretes. Muita gente. Capital do islão ocidental. 
A parte histórica e turística é muito limpa, com jardins. Saindo da parte mais antiga vemos ruas mais estreitas, mais lixo, mais gente, curiosamente.
Na parte turística tudo está em inglês, ou quase,
Há uma diversidade étnica incrível, mesmo dentro dos habitantes locais. Árabes, curdos, turcos judeus, arménios, peregrinos árabes...
Na parte asiática raramente se vê lenços nas cabeças das mulheres. É peculiar olhar para a zona asiática como a parte que parece mais europeia. Há menos coisas em inglês. O mesmo estilo de mesquitas, mas há mais espaços verdes e raramente se vê turistas. Parece uma parte da cidade mais moderna do que a parte histórica e europeia e mais bem organizada a nível urbanístico. Até nisso dá mais ares de ser parte da Europa.
A vista a partir de Uskudar (a zona asiática em que estive perto do bairro arménio onde nasceu e cresceu Calouste Gulbenkian e onde eu gravei uma peça do TV Turbo a referir esse mesmo facto em Novembro de 2010) é incrível. Vemos bem perto a ilha/torre Maiden, a parte histórica na outra margem mais para a esquerda, o início do rio Bósforo e os bairros tradicionais mesmo em frente, do outro lado do rio. É impressionante, especialmente quando não se vislumbram nuvens no céu. Ainda assim há sempre uma certa neblina presente - talvez seja pela confusão ou pela poluição. Mas está sempre presente e parece ser fácil a cidade ficar cinzenta quando o tempo está nublado (a neblina ainda esconde mais a luz).
Ao fundo, ainda no mar de Mármara, junto à entrada do rio Bósforo que liga o Mármara com o gigante Mar Negro (partilhado com a Ucrânia, Rússia - incluindo Sochi - e companhia) avistam-se as dezenas de cargueiros e petroleiros que procuram ligar Mediterrâneo, Europa, Ásia. As águas da zona não dão ares de limpeza. Sujidade, poluição e uma população de gaivotas cheia de truques incríveis.

Mais para norte na cidade, passando o corno de ouro e seguindo caminho para Besiktas e a praça Taksim vemos ruas pintadas de grafitti, uns mais inspirados do que outros. Muitas lojas com preços baixos, ao contrário do ridiculamente caro (local ideal para enganar turistas), Grand Bazaar. Subindo passa-se pela bonita e imponente torre com vista para a cidade, Galata.
Subindo mais um pouco vemos uma rua enorme com comércio que acaba na famosa praça Taksim. Uma praça digna da cidade por ser gigante na dimensão, mas sem os habituais edifícios gigantescos ou históricos que costumamos ver em praças europeias. Tem um longo muro de um lado, um edifício estatal com uma gigantesca bandeira turca do outro, uns prédios banais e no meio uma mini rotunda (para a dimensão da praça) com estátuas otomanas (parece), entre militares a envergar bandeiras e civis.
Actualmente não se vê carros na praça, só uns táxis num dos lados. Junto à zona de muralhas um autocarro anti motim, protegido até ao tutano, pronto para intervir. Polícia também não falta. Pelo caminho vi duas mini manifestações e um contigente policial armado até aos dentes bem superior ao número de manifestantes. Com bandeiras amarelas, e uma faixa com mensagens de ordem, reparei ainda num cartaz com a cara de um governante turco pintado de diabo e pelo meio da pequena manif, estranhamente, uma bandeira do Irão.

Ataturk está em todas as notas, na maioria dos edifícios e a sua foto está por todo o lado e não só em locais estatais ou públicos.
É herói turco mas há minorias que não gostam do seu liberalismo, da sua tentativa de criar uma identidade turca que resume dentro do possível a variedade turca e lança laços de aproximação ao ocidente.
Incrível ver as centenas de pescadores, a todas as horas do dia e noite, na ponte que liga a cidade velha e os bairros tradicionais, a ponte Galata (por onde passa o Tram - uns eléctricos modernos que atravessam a parte história e turística), com uma vista incrível para algumas das maiores mesquitas da cidade, mas também com vista para o lado asiático e para ponte (à noite com luzes coloridas) do Bósforo ao fundo, que liga Europa e Ásia.
Esta ponte, a Galata, tem duas passagens, uma por cima, onde estão os pescadores e passam os carros e outra por baixo com uma variedade de restaurantes incrível repletos de luzes coloridas que se vêem à distância à noite.

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Variedade.

Os turcos são variados nas etnias, nos hábitos, na cultura. 
Fiquei surpreendido por ver, mesmo nas zonas turísticas, tão pouca simpatia em quem servia.
Fui bem atendido, por turcos muito simpáticos, mas achei a maioria a atender sisuda, com pouca vontade de ali estar e com muita vontade em mostrar o desagrado. Gostam também de falar alto, ralhar uns com os outros e despachar o serviço o mais depressa possível. Reparei também na condução no centro histórico, com direito a inversões de marcha onde dá jeito e marcha atrás em ruas de sentido único (mesmo dos shuttles dos hotéis) só para evitar dar uma volta ao quarteirão. Turquices.
É ainda fácil sermos abalroados na agitação desta cidade gigantesca. Se levarmos um encontrão dificilmente vamos ter pedido de desculpas.

O cheiro. A cidade emana muitos cheiros. No Bazar das Especiarias então é incrível ver as cores nas montras e sentir tantos cheiros variados - parece a Índia. Nas ruas pode cheirar apenas mal, a nada em particular, a especiarias mas na maior parte das vezes cheira a milho ou castanhas assadas (especialidade que se vende em bancas portáteis rua sim, rua sim). Mas há mais cheiros...

Achei que, grosso modo, os turcos (destaco os homens, não senti isso nas mulheres) cheiram mal - os que não cheiram, coitados, têm de levar com os muitos que cheiram. Desodorizante não deve ser requisito nacional. Nos transportes públicos é fácil sentir o cheiro a cavalo da sovaqueira. Chega a parecer já estar incorporado no ar, mesmo quando há poucas pessoas no Tram ou metro.
Outro hábito que vi - só uma vez, diga-se - e me chocou foi algo um pouco medieval ou mesmo da pré história: comer tudo com as mãos. Pessoalmente adoro comer pizza com as patas mas não aprecio apegar-me com essas mesmas patas a uma asinha de frango, ou a qualquer outra parte do frango, e ir fazer outras tarefas sem limpar a gordura. Vi muitos rapazes e homens crescidos, mesmo com smartphones topo de gama e bem vestidos, com os dedos escuros de sujidade.

No aeroporto de Ataturk, claro, um senhor engravatado, bem vestido, nos seus 60 e com um cajado de madeira trabalhada, senta-se ao meu lado. Traz um tabuleiro com arroz e feijão. Pousa o cajado em cima da mesa, claro, o tabuleiro e usa os dedos gordos, largos e com aparente sujidade entranhada para fazer juntar arroz e feijão em 'meínhos' e, tudo juntinho entre os dedos, mete a mistela na bocarra.
Com seis ou sete 'meínhos' despacha um prato de arroz e feijão em poucos minutos. Terminada a tarefa alimentar esfrega as mãos e os respectivos dedos cheios de gordura uns nos outros, como quem usa o método para limpeza (a casa de banho estava a 10 metros). Faz uns barulhos com a boca, de como quem limpa os dentes desta forma e, alcança do bolso do blazer um pequeno lenço de papel. Fico eu a pensar, " ok, ao menos limpa aos mãos ao lenço".
Fui enganado, já que com cuidado para não limpar as mãos ao pano - nós não queremos esse ultraje - assoa-se e tira umas quantas cagaitas (pelo menos é o termo utilizado no Algarve e toda a gente sabe que por lá são todos mouros, segundo o Pinto da Costa) do nariz. Volta a arrumar no bolso o pedaço de papel, já repleto de cagaitas e outro tipo de muco nasal, e pega no... telemóvel. Olhando para as mãos dá para ver as unhas grandes, reluzentes da gordura. As pontas do dedos são escuras, encardidas, ásperas, menos reluzentes do que as unhas, já muito deve ter passado por elas. Felizmente o telemóvel não é táctil, ainda. É um Nokia e as teclas, vá-se lá saber porque já não têm visíveis números ou letras, tais devem ser as camadas de langonha.
E os meus hábitos alimentares nunca mais foram os mesmos desde este dia, 16 de fevereiro de 2014. Na área de comida do aeroporto de Ataturk, junto ao restaurante Turkish for All.
O fim, pegajoso. 


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A ser escrito: a minha entrevista a um grupo de estudantes locais (eram uns sete) que precisaram de um tradutor e ficaram doidos quando falei nos portugueses dos clubes turcos; a mesquita azul e os hábitos religiosos; o passeio pela Ásia que mais parecia a Europa com direito e comício político local; entre outros.

as turcas.



As turcas. Muita beleza feminina em Istambul. Na parte europeia vê-se muitas mulheres com lenços na cabeça e, em poucos casos, com burkas pretas. Algumas têm lenços na cabeça mas malas Louis Vuitton e sapatos Louboutin, de salto alto. Há mulheres turcas muito feias, mas provavelmente a maior parte é bonita e algumas de uma beleza embasbacante. A maioria pinta os olhos, com um contorno preto junto às pestanas e o efeito nelas é incrível. Resulta porque costumam ter olhos grandes e de um negro intenso.
Aquelas que não usam lenço mostram normalmente cabelos muito bonitos e tratados. Uns ondulados, outros negros, fortes e lisos. Percebe-se porque os homens querem esconder as mulheres, elas são bem bonitas e têm cabelos fortes e belos.

Eles são rudes na cara, a maior parte pouco bonitos com traços fortes: uns têm grandes narizes em arco, a fazer lembrar o meu amigo Filipe, outros diferentes mas igualmente pouco atractivos. Há também os que parecem de origem grega, com cabelos fortes encaracolados, os com origem judaica com cabelos alourados ou ruivos, os curdos, os eslavos, os com ar de russo. Variedade.

Na parte asiática elas quase que não põem lenços na cabeça. Curioso.
E junto às margens do Bósforo ou do Mármara vêem-se muitos casais a passear juntos e sozinhos um com o outro, a maioria delas tem o lenço na cabeça, mesmo sendo jovens. Namoram bastante, parece. Dá ideia que são casados há pouco tempo e só agora estão a namorar. Não houve tempo antes. Estão-se a conhecer embora já sejam uma família. Há sorrisos cúmplices e fotografias em conjunto e separado, com vista para o Bósforo. As máquinas podem ser topo de gama, tipo Canon, tal como os telemóveis ou tablets. Samsung e Apple são populares aqui como na maior parte da Europa ou EUA.  

Um dos momentos mais felizes a que assisti não teve a ver com casais. Junto ao mar de Mármara, com vista para uns quantos petroleiros e cargueiros a circular pelo mar, reparei numa jovem adolescente, a envergar o típico lenço a tapar o cabelo e a conduzir a sua bicicleta. Ia com uma amiga que ia um pouco mais à frente. Mas o que me deixou boquiaberto foi vê-la e fechar os olhos e abrir os braços (ao estilo asas) à medida que pedalava pelo passeio fora.
Que momento de liberdade maravilhoso! Peguei na máquina e ainda tentei imortalizar o 'evento' mas a máquina só apanhou parte - as mãos estilo asas ficam 'apenas' na minha memória e na vossa imaginação.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

realidades naturais

É curioso como, em idade adulta, temos menos consciência de que somos tão insignificantes, na grande ordem do Universo. Vivemos no minúsculo planeta Terra, num pequeno sistema solar, um cantinho de uma galáxia que é só mais uma em milhares.
Foi preciso ir a dois museus de história natural norte-americanos (de Harvard e o Museu de História Natural de Nova Iorque) para voltar a "sentir" isso de forma tão presente. E é mesmo sentir, porque é uma sensação que se tem, da pequenez dos nossos problemas, do que somos e do que significa a nossa vida.

Mesmo assim, não vejo esta "sensação" como algo triste ou que tire importância à vida e à forma como a vivemos. É pura e simplesmente um facto, uma realidade que nos circunda (tal como o universo). Na verdade é esse universo, essa coincidência que é a forma como o planeta Terra está constituído que nos permite ter aquela coisa a que chamamos vida. E, segundo o que sabemos, o ser humano é algo muito muito especial neste universo. Até agora ainda não encontrámos satélites artificiais, nem sinais de vida inteligente nesse amplo universo.

domingo, agosto 07, 2011

manias espanholas

Muitos repórteres televisivos espanhóis pedem aos estrangeiros para dizerem as suas opiniões em castelhano, treinando-os até à exaustão para evitar, assim, que tenham de dobrar à posteriori na redacção os vox pop feitos...

domingo, julho 03, 2011

os grandes campeões da red belly



Belly flop diving - El Russian. Barrigas vermelhas neste concurso de mergulhos de chapa.

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Belly flop diving contest - portuguese champion.

sábado, junho 18, 2011

dobrodošao










Bem-vindos a Dubrovnik, na Croácia.

sábado, agosto 28, 2010

bemvindo a Viana!

Chego ao Tejo, desço dois degraus, tiro as sapatilhas (sim, essas mesmas, está bem dito sim senhor), removo as meias e mergulho os pés nas águas muito cristalinas, limpas e bem frescas do Tejo. Seria possível em Lisboa? Nem pensar.

Tudo isto é em Viana do Castelo e o rio é o belo e puro Lima. Mesmo junto à bela, bem tratada, limpa e agradável Baixa da cidade, com o incrível alto de Santa Luzia a olhar sobre nós, é possível não só passear junto ao rio como ler um livro, descansar ou apenas reflectir nos degraus que dão acesso ao rio.





Sim, lá ao fundo é fumo dos incêndios que circundavam a cidade.

sexta-feira, agosto 13, 2010

por portugal....

Get ready to rumble.

A semana passada foi dividida entre o melhor da Caparica e o melhor do Algarve. Agora, desde terça-feira que é pelo Norte (repleta de muitos, muitos, muitos franceses, portugueses q.b. e ainda uns quantos espanhóis). Depois de um périplo incrivelmente rico pelo Gerês, Viana do Castelo e Braga (Bom Jesus), com direito a aventura no centro histórico de Barcelos e sustos com os incêndios que assolam a zona (onde é que anda o exército!?!?), amanhã é dia de partir do Porto para Lisboa e, logo de seguida, para o litoral alentejano. Férias sem parar por um país fabuloso e repleto de variedade cultural apetecível (literalmente, os Jesuítas de Viana do Castelo são soberbos), tem outro encanto.
A noite é agora passada com vista da montanha de Penha sobre Guimarães. E hoje é noite de estrelas cadentes e... grilos, aqui na zona.

quarta-feira, julho 07, 2010

next stop, london





Nota mental para cumprir:
ir a Londres duas a três vezes por ano.




sexta-feira, maio 21, 2010

here comes the sun


where were i?

sexta-feira, abril 30, 2010





Pela deserta e fresquinha praia de Travemünde, no mar báltico, perto de Hamburgo.

by seremot

domingo, abril 25, 2010

uffa

que dia. começou em lisboa, passou por carnaxide, depois viagem para Tomar, onde o tempo passou devagar entre muitas repetições, procura do lugar perfeito (que não era o perfeito) e um almoço no centro da cidade. depois de mais repetições e dezenas de voltas pelas ruas da cidade, seguiu-se uma pequena viagem para a barragem de castelo de bode (com mais repetições de planos e cenas afins), a estalagem da barragem (onde uma música brasileira no outro lado da margem ia perturbando o trabalho e já só apetecia dar um tiro em alguém) e, ao final da tarde, o regresso a carnaxide.
depois, vinda a casa em lisboa, com vista para o estádio da luz a ficar cada vez mais "reservado" e, finalmente, partida para a casa-natal, nas caldas da rainha, onde se chegou já era noite, mesmo a tempo do jogo do benfas. uffa.

segunda-feira, abril 19, 2010

bienvenidos


Por Madrid. Hoje vi muitos quadros, o que está na foto não é um quadro, mas bem poderia ser.

quinta-feira, março 11, 2010

caminhos

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

na praia de santa monica







Por Santa Monica Pier (Los Angeles, em Novembro passado), junto à praia, uma rapariga saltava e rodopiava vezes sem conta (longos minutos) para uma máquina fotográfica para promover a Victorio's Pizza... o repórter (je) não podia deixar escapar o momento.

domingo, fevereiro 07, 2010

hollywood forever


Cemitério Hollywood Forever.
Novembro de 2009.

by seremot

sábado, janeiro 30, 2010

paths





Viajar é como voltar à infância. O espírito de descoberta invade-nos por completo.