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sexta-feira, outubro 24, 2014

reportagem spielberg :: cavalo de guerra

Reportagem em janeiro de 2012 para o jornal Destak.


REPORTAGEM
O génio de Spielberg na primeira pessoa
Estivemos em Londres para falar com Steven Spielberg sobre o seu novo filme ‘Cavalo de Guerra’, uma «história de amor» entre um rapaz e o seu cavalo, em plena 1.ª Grande Guerra, onde morreram milhões de pessoas e cavalos. Ouvimos o mestre do cinema sonhador Steven Spielberg sobre tudo: carreira, vida, cinema e... cavalos.

João Tomé

É um dos homens que, através dos seus filmes, mais pessoas influenciou e “tocou” desde que o cinema é a 7ª Arte. Determinado, sonhador, criativo e de uma humildade e dedicação surpreendente, foi assim que vimos e ouvimos o único Steven Spielberg, no início de Janeiro, em Londres, numa conferência de imprensa a falar sobre o seu novo “rebento”: Cavalo de Guerra.

Habituado a nos fazer sonhar, o realizador e produtor norte-americano por trás de pérolas do cinema como ET, Tubarão, Indiana Jones, A Lista de Schindler, também tem a sua quota parte em filmes de guerra.

Mas esta é uma «história de amor» que se passa numa guerra, a 1ª Grande Guerra, por isso «é universal e para todas as idades, dos 8 aos 80».

Spielberg fala com paixão dos seus filmes, das suas histórias. Foi a produtora de sempre, Kathleen Kennedy (com quem também falámos) que ficou cativada com a peça de teatro sobre o jovem que vai para a guerra para recuperar o seu cavalo, Joey. Depois de contar a Spielberg, ele sobe logo que a queria realizar, mesmo antes de ver a peça e ler o livro de Michael Porpugo, com quem também falámos.

Isto porque a filha, Destry, 15 anos, «é cavaleira de competição» e mal soube da história disse: «Tens de fazer o Cavalo de Guerra! Tens de o fazer para mim!». Após ver a peça, Spielberg admite que «fez-me chorar e gostei mesmo muito».

O cavalo que une pessoas
«O Joey tem uma forma de unir as pessoas, especialmente pessoas dos dois lados da guerra», explicou Spielberg, que na pesquisa ficou surpreendido com um facto que desconhecia: «morreram quase tantos cavalos quanto pessoas [15 milhões]».

«Foi o fim do cavalo como instrumento de guerra, o início da era da máquina – o tanque, o avião –, tudo convergiu na Primeira Grande Guerra, que todos diziam que ia ser a ‘guerra para acabar com todas as guerras’», explicou entusiasmado este «amante de história», que se diz mais «europeu do ponto de vista histórico» e admite mesmo: «era a única disciplina em que era bom aluno».

O realizador de 65 anos, lembrou a sua proximidade com a guerra. «O meu pai, que faz 95 este mês, combateu na II Grande Guerra. Cresci a ouvir histórias de guerra e os meus primeiros filmes de 8mm eram na maioria filmes de guerra!» Até porque «não há melhor maneira de testar uma pessoa, do que atirá-la no meio de uma guerra».

Não filmar é morrer
Spielberg, para quem «querer realizar algo é uma sensação inegável», «bem diferente de produzir». E admite realizar para além dos 100 anos, como Manoel de Oliveira? «Não quero parar. Sempre disse que só páro quando o meu amigo Clint Eastwood quiser desistir. Como isso não vai acontecer...».

Tempo ainda para explicar que nem todos os realizadores de Hollywood se regem por números e dinheiro, até porque é um «processo colaborativo» e «nós só queremos ir e contar as nossas histórias. É uma tortura que adoramos e pela qual os nossos antepassados passaram, na era dourada de Hollywood. O objectivo é o mesmo».

Spielberg é Spielberg e isso significa que, desde Tubarão, faz o que quer. Por isso aumentou o orçamento de Cavalo de Guerra só para poder filmar em Devon, localidade onde se passa o filme e poder ter, sem efeitos especiais, «o céu incrível de Devon», numa homenagem a realizadores como John Ford e Howard Hawks.

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CENAS DIFÍCEIS COM CAVALOS
O mais difícil de filme foi mesmo uma altura em que o cavalo Joey fica literalmente preso no meio da batalha entre britânicos e alemães, em arame farpado, num dos momentos mais belos do filme de Spielberg. «Tivemos alguns segundos de cada vez para gravar porque o cavalo queria sempre levantar-se», diz Spielberg que garante: o arame nunca magoou o cava-lo.

Não faltaram cavalos na rodagem e só para fazer todos os movimentos de Joey foram mais de 10, cada um com o seu tratador «de Espanha, Austrália, América e Reino Unido». Mas só dois deram mesma a “cara” e mesmo «improvisação»: Abraham e Finder (que já tinha estado em Seabiscuit).

TUBARÃO, O PONTO CHAVE
«O ponte chave na minha carreira foi Tubarão». Diz Spielberg, que admite que antes era «realizador por encomenda, depois podia fazer o que quisesse, que havia quem passa-se o cheque. Por isso pude fazer um filme que antes foi recusado e ridicularizado: Encontros Imediatos do 3.º Grau».

GERIR TEMPO DISPONÍVEL
«Os pontos baixos da minha carreira são relacionados com a gestão do tempo. Sentir que não tenho tempo suficiente para família e amigos. Tenho sete crianças, tenho de equilibrar tudo». O que não o afecta são as críticas e a bilheteira. Spielberg homenageou ainda o ‘seu’ compositor desde há 40 anos, John Williams, o colaborador mais importante.

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Michael Morpurgo inspirou-se em veteranos
O escritor Michael Morpurgo inspirou o seu livro de 1982 nas histórias que três ex-combatentes da I Grande Guerra, de Devon, lhe contaram sobre a importância dos cavalos na guerra. Em 1914, 10% das tropas britânicas montavam a cavalo, em 1917 eram só 2%.

Nomeação de ‘Cavalo de Guerra’ para os Óscares
Estar na lista para Melhor Filme é algo que Spielberg não esperava por este filme familiar. Desde 2006 (’Munique’) que um filme seu não era nomeado e o último Óscar (tem três) foi em 1999 (’O Resgate do Soldado Ryan’).

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Entrevistas ao elenco: "Ninguém diz não a Spielberg"

Falámos com o principal guionista de Cavalo de Guerra, Richard Curtis, e com parte do elenco, no nosso périplo em Londres e resumimos aqui em poucas linhas os muitos minutos de conversa.

ENTREVISTA A RICHARD CURTIS
Richard Curtis foi convidado para ser guionista de Cavalo de Guerra, graças ao filme ‘Amor Acontece’

Curtis só podia dizer «sim»Richard Curtis é um dos argumentistas e realizadores mais talentosos do Reino Unido. Escreveu e produziu pérolas como: ‘Quatro Casamentos e um Funeral’, ‘Bean’, ‘Notting Hill’, ‘O Diário de Bridget Jones’ e realizou ‘Amor Acontece’ e ‘O Barco do Rock’. Falámos com ele na passadeira vermelha, na antestreia do filme.
Como é que Steven Spielberg o convenceu a juntar-se a este filme?
Bem, vamos “levar” de volta essa pergunta para si. Se o Steven Spielberg fosse ter consigo e dissesse 'Gostarias de escrever um filme para mim?'... A resposta foi fácil. Mas quando ele me perguntou, ainda pedi duas semanas para ver se conseguia fazer bem o trabalho, porque o que eu não queria mesmo era fazer um filme com o Steven e estragá-lo.
Qual foi a sua contribuição para o guião?
O grande trabalho que o Steven quis que eu fizesse, por ser uma grande história e os cavalos ocupam grande parte dela, é ter a certeza que todos os seres humanos tinham vidas credíveis e completas, em vez de apenas fazerem o que tinham de fazer ao pé dos cavalos. Ele pediu-me isto por causa do filme 'Amor Acontece' onde tive de contar histórias muito depressa sobre grupos de pessoas, o meu trabalho foi acrescentar detalhes a todos os personagens.

Ele intervém muito?
O que acontece é que ele é brilhante como parceiro de trabalho, porque é tão fértil e frutuoso. Eu diria que devia de acontecer isto às personagens, e ele dizia, essa é uma boa ideia, e que tal estas sete outras ideias. E eu simplesmente escolhia a melhor e fingia que era minha (risos).

Reescreveu muito durante a filmagem?
Não, eu não fiz muito disso. Estava a fazer outros trabalhos. De vez em quando ia lá para me tirarem a minha fotografia, graças a ele.

Havia pressão para tornar o filme divertido?
Não, o meu trabalho era tentar fazer o filme minimamente divertido sempre que podia. O Steven quis que desse esse contributo.

Quais são os seus novos projectos?
Estou a realizar um filme este ano sobre viagens no tempo. É sobre pessoas que usam as viagens no tempo como se fosse um meio de transporte normal.

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Jovem passou da ‘miséria’ para estrela de filme de Spielberg
Uma nova descoberta: Jeremy Irvine«Não podemos fingir com os cavalos, eles percebem tudo portanto temos de ser autênticos», explica o jovem inglês Jeremy Irvine, 21 anos, uma descoberta que Steven Spielberg antevê poder vir a ter um futuro tão risonho como o de Christian Bale (que dirigiu ainda adolescente para o filme Império do Sol e na altura também nunca tinha feito um filme, como o próprio Jeremy). Jeremy explicou-nos que, se não tivesse sido Spielberg e Cavalo de Guerra, teria desistido de ser actor:_«Estive dois anos sem fazer nada, ninguém me queria e eu nem ganhar experiência conseguia». Depois chegou Spielberg. «Vimos centenas de jovens actores para serem Albert, mas ele tinha aquela qualidade que se destaca dos outros.
Ninguém tinha aquela sensibilidade e a capacidade de comunicar, mesmo em silêncio», admite Spielberg, que gosta de trabalhar com pessoas sem experiência e autênticas – «o meu trabalho é fazer com que elas sejam elas próprias». 
A viver algo com que nunca sonhou, Jeremy admite que Spielberg foi ajuda preciosa e que nunca o esquecerá.
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Dupla britânica levou cavalo Joey para os campos de batalha
Hiddleston e Cumberbatch pela batalhaTom Hiddleston (entrou em ‘Thor’ e ‘Meia-Noite em Paris’) faz de capitão Nicholls, que compra o cavalo Joey para o levar para a guerra. Já Benedict Cumberbatch (entrou em ‘Expiação’ e no recente ‘A Toupeira’) é o major e amigo de Nicholls. Ambos protagonizam a 1ª cena de batalha do filme. Hiddleston admite ter ficado surpreendido pela forma sensível e emocional com Spielberg o dirigiu na batalha, no meio de 120 cavalos e tanta adrenalina. Cumberbatch diz mesmo «ele é um artista na rodagem, sempre a surpreender».
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Emily Watson faz de mãe e esposa de dois homens teimosos
Watson vence medo de cavalosÉ uma das actrizes britânicas mais versáteis. Emily Watson (de ‘Ondas de Paixão’, ‘Dragão Vermelho’, ‘Gosford Park’, entre muitos outros) é Rose, a corajosa mãe de Albert que tem de lidar com a teimosia do marido e o amor do filho pelo cavalo Joey. A actriz, que tinha medo de cavalos, ficou emocionada «pela forma como os cavalos trazem ao de cima a humanidade das pessoas no meio da guerra». E revela: «Spielberg apanhou um valente susto ao cair numa das trincheiras cheias de água».

entrevistas homem de ferro 3

Abril de 2013. Entrevistas do filme Homem de Ferro 3 para o jornal Destak e Record Online.


Reportagem
«Menos espetáculo» mais Downey Jr. em Homem de Ferro 3
25 | 04 | 2013   19.55H
Estivemos em Londres à conversa com o elenco do surpreendente Homem de Ferro 3 e participámos na conferência de imprensa liderada pelo inimitável Robert Downey Jr. O ator não confirmou se continua como Tony Stark no futuro e aborda o desafio que foi interpretar uma história diferente das outras, com um Homem de Ferro mais humano do que nunca e que sente o peso da ansiedade.



Quando Robert Downey Jr. entra, a sala fica ‘elétrica’. Ouvem-se palmas e o norte-americano extrovertido responde com acenos de estrela (está no seu habitat natural).

Entre piadas, provocações (levou uma pequena chapada de Gwyneth Paltrow) e a certeza que Homem de Ferro 3, bem mais próximo do 1º filme da saga, «tem tudo para triunfar», foi uma conferência de imprensa divertida onde Downey Jr. era a estrela apesar da presença de Don Cheadle, Paltrow, Sir Ben Kingsley e Rebecca Hall (ambos estreiam-se na saga, tal como Shane Black, o realizador de Kiss Kiss Bang Bang e guionista de Arma Mortífera).

O ator norte-americano que deu a cara em 2008 por Homem de Ferro – iniciando uma sequência de sucesso de filmes de super-heróis para a Marvel – recebeu 50 milhões de dólares (um recorde) com o último capítulo da saga, Vingadores (2012) e, agora, cumprido o contrato com a Marvel deixou no ar se continua ou não ligado à saga que terá, já está confirmado, em 2014, Vingadores 2.

«Depois de Vingadores, nós sabíamos que não era possível ir tanto pelo lado do espetáculo neste filme» até porque este é o 4º filme com o Homem de Ferro, apesar de ser apenas o 3º com Tony Stark a solo e «queríamos mais profundidade» e «mais semelhanças com o primeiro filme».

Depois de perguntas «parvas» que Downey Jr. ignorou, o ator convidou uma jornalista só com elogios para um jantar a dois e admitiu que «só em Homem de Ferro 17 é que vou estar em melhor forma do que Don Cheadle».

De uma assentada, Downey resumiu assim a experiência no novo filme da saga:

«só sei que estamos a fazer algo bem. As reações têm sido incríveis e repetir tudo isto com o Don [Cheadle] e a Gwyneth [Paltrow] é um prazer, mas ter agora Sir Ben [Kingsley] a levar-nos para outra dimensão com um dos maus mais incríveis da história dos super-heróis e a super talentosa Rebecca Hall a dar classe à tasca, fez desta uma experiência deliciosa».

Sobre o realizador e guionista Shane Black, amigo de Downey e que apostou nele no seu regresso ao cinema em Kiss Kiss Bang Bang (de 2005) disse ainda: «criou um guião que é a razão de estarmos todos sentados aqui e da maioria de vocês [jornalistas] não dizerem que o filme não presta.»

Paltrow e a chapada a Downey Jr.
Sir Ben Kingsley (um mau da fita muito peculiar chamado Mandarim, neste filme cheio de surpresas) explicou que a receção que teve na «família Homem de Ferro foi excelente e generosa» e «adorou o guião e a sua personagem» - colocaremos no site nos próximos dias a entrevista que fizemos ao ator britânico.

Já Gwyneth Paltrow admitiu que só ouviu falar da mítica personagem da Marvel Homem de Ferro quando foi convidada para participar no filme, «mas fazer parte desta saga tem sido incrível». A atriz ficou feliz por «ver Pepper Potts evoluir tanto nestes seis anos» e admite que ficou «surpreendida por ter gostado tanto de ver este último filme», que a sua família «também adorou» - Downey Jr. brincou, chamando a atriz considerada esta semana a mais bonita do mundo para a revista People de «snob». A reação de Gwyneth? Uma chapada.

Genética humana no centro do filme
A alteração genética humana é um tema importante no filme, tal como a crise de ansiedade e depressão de Tony Stark, amedrontado com tanta ação sobrenatural que se viu o ano passado em Vingadores.

Homem de Ferro 3 vale por si só, mesmo para quem não viu os outros filmes, até porque mais do que nunca Tony Stark terá de mostrar o seu valor sem a sua armadura (ao estilo McGyver) e aprender tudo de novo, ficando a certa altura perdido numa pequena cidade americana onde conhece um rapaz que o vai ajudar.

Para Downey Jr. o objetivo do filme que reserva surpresas pouco usuais neste tipo de sagas é que as pessoas «saiam do filme a questionar-se e falar sobre o que viram», «desde as cenas de ação até aos traumas em Tony Stark».

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CONSELHO: Espere pelos créditos finais do filme, há uma pequena grande surpresa mesmo no fim.


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ENTREVISTA A SCARLETT JOHANSSON NO RECORD ONLINE

Scarlett Johansson explica-nos a importância de ser sexy

Bem vestida, de saltos altos, simpática e com a já famosa voz rouca, entrevistámos uma bem disposta Scarlett Johansson em Londres a propósito do filme Os Vingadores. Depois de participar em Homem de Ferro 2, Scarlett volta a ser a espiã russa mortífera Viúva Negra no filme da Marvel que junta alguns dos super-heróis mais poderosos: Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Hulk (Mark Ruffalo), Thor (Chris Hemsworth) e o Capitão América (Chris Evans). O filme estreia em Portugal e no resto do mundo a 25 de Abril.

João Tomé

Era fã da Marvel quando era pequena?
Não era muito fã de banda desenhada, mas acabou por não ser mau porque assim não ia com ideias pré-concebidas sobre a minha personagem, Viúva Negra.

Participar em tantas cenas de acção foi um grande desafio?
Foi difícil porque eram muitas. Eu tive alguma sorte porque já tinha feito o Homem de Ferro 2 e o estilo da Viúva Negra é o mesmo, por isso já tinha aprendido alguns movimentos de luta. Quando fiz o Homem de Ferro 2 nunca tinha tido nenhum tipo de treino de luta, só treinos com armas, por isso foi um mundo novo para mim perceber como lutar com alguém de uma forma rápida, limpa e credível. Agora aprendi mais depressa por ter experiência e foi bom porque tinha muitos combates para fazer.

Mas gostou de se tornar mais física para Os Vingadores?
Sim, até consigo gostar. Só temos de nos mentalizar que durante cinco meses da nossa vida vamos estar constantemente com dores e com nódoas negras, primeiros dos treinos e depois das filmagens. Só temos de aceitar isso e quando aceitamos fica mais fácil, como muitas coisas na vida.

Sentiu-se num cenário surrealista quando olhava à volta nas filmagens?
A maior parte de nós teve sorte, porque toda a gente tinha os seus fatos cheios de estilo e andávamos por ali a sentirmo-nos bem connosco próprios, com elevada auto-estima, mas coitado do Mark Ruffalo [Hulk]. Tinha de andar numa espécie de pijama quando fazia de Hulk, com cara estranha e em cima de uma plataforma. Ele faz mesmo o Hulk, através do motion capture, que regista os movimentos dele, mas por isso sofreu bem mais. Ninguém podia olhar para ele porque desatávamos a rir em cena. Por isso ficávamos sempre de costas para ele. Coitado!

MÚSICA NOS TEMPOS LIVRES

Se a sua carreira musical crescesse e tivesse de escolher, preferia ser actriz ou cantora?
Adoro música, gosto de cantar, sozinha ou outras pessoas, mas preferia continuar como actriz que é onde tenho o coração. Quando muito podia cantar num filme.

Nunca imaginou ser uma actriz de acção?
Nem por isso, mas também nunca pensei que o Mark Ruffalo pudesse ser o Hulk, aquele gigante e raivoso mutante, mas agora é o Hulk e resulta mais do que alguma vez poderia ter imaginado.

Tinha algum herói de acção quando era mais nova?
Nem por isso. Eu era mais do estilo dos Tartarugas Ninja, nunca fui muito de gostar de super-heróis, gostava mais de mutantes verdes. As Tartarugas Ninja eram populares quando era miúda e o Michaelangelo adorava pizza, era hilariante.

O seu fato é muito justo. Preferia ter tido algo mais solto?
Quando treinamos assim tanto para lutar e para ter força, o resultado é que cabemos bem num fato de cabedal justo, isso é bom porque não temos de pensar muito em dietas. Se tivesse de usar um fato justo dentro de 10 dias, ficaria preocupada. Mas depois de meses de treino sentimo-nos mais confiantes. E o fato também não era muito revelador (risos).

SER SEXY
Foi cansativo tentar lutar e parecer sexy ao mesmo tempo sem perder o controlo?
Eu perco muitas vezes o controlo. Há muitos momentos em que não pareço calma quando luto, felizmente mexia-me depressa. Quando vemos um grupo de duplos gigantes de 2 metros a correr na nossa direção com bastões, só nos apetece gritar. Tive de me tentar enganar a mim mesma. Mas sobre ser sexy concretamente, nunca penso nisso. É tão foleiro num filme de acção, uma mulher andar a fazer poses sexys enquanto luta (risos), mexer no cabelo.

Já se imaginou a interpretar uma mulher pouco atrativa, como uma professora do Harry Potter?
Sim, claro, porque não. Não procuro ativamente papéis sexys, não é um requisito que a minha personagem seja bonita e oca. Nunca penso nas minhas personagens como sendo sexys, a não ser que esteja escrito que estou a tentar atrair alguém.

Há géneros que ainda não fez que gostava de fazer?
Eu quero fazer um western (risos), porque não.

Viaja muito. Quando está por casa o que gosta de fazer para se entreter?

Gosto de ficar por Nova Iorque, onde vivo, e aproveitar tudo o que a cidade tem para oferecer. Gosto de ir ao Central Park, ir ao teatro, a bons restaurantes, ouvir música ao vivo e encontrar-me com os amigos. Adoro ficar em Nova Iorque no meu tempo livre.

entrevista peter jackson

Fevereiro de 2010. Breve entrevista a Peter Jackson sobre o filme Visto do Céu e à jovem actriz Saoirse Ronan para a SIC Notícias (programa 35mm) e publicada no Destak.


Entrevista a Peter Jackson
«O livro tal como o filme dá uma visão de conforto sobre a morte»
Cinco minutos de entrevista em Madrid, esticados até aos seis, graças à simpatia de Peter Jackson (os responsáveis espanhóis estavam determinados em acabar cedo) deram para fazer algumas perguntas sobre o filme e o pós-Senhor dos Anéis a um dos realizadores mais importantes dos últimos anos. 

João Tomé

Foi muito diferente criar um mundo épico como o «Senhor dos Anéis» e mostrar um mundo simples, de metáfora emocional, em «Visto do Céu»?
A principal diferença vem na fase de escrita do argumento, porque eu sou sempre co-escritor dos argumentos que fazemos [Peter escreve sempre com a mulher Fran Walsh]. Para mim é uma parte muito importante do processo, porque significa que estou a par das razões porque tudo aquilo que está no filme lá está, de todas as decisões que foram feitas no argumento. E é interessante, porque, como realizador, o nosso trabalho é literalmente pegar no guião e imaginá-lo com vida. Já quando estamos no local de filmagem, estamos a dirigir os ângulos da câmara e o design. Por isso, sei que pode parecer estranho, mas não há grande diferença quando estou a realizar, quer seja buracos de Hobbits, na Terra Média, ou no Pennsylvania [em Visto do Céu], continuo apenas a pensar na forma de contar a história com a câmara, a lente e os actores. A grande diferença está na escrita do guião, porque aí estamos com a cabeça totalmente imersa num tema muito diferente, no caso deste filme. Em vez da luta para destruir o Anel e o monte Doom, agora lidamos com o pós-vida de uma jovem de 14 anos que foi assassinada e que quer resolver o seu crime a partir deste estranho estado psicológico de sonho em que se encontra. Por isso, sim, é completamente diferente, e manifesta-se especialmente na fase do argumento.

O que o cativou mais no livro que inspira o filme, já que esta é uma história de uma morte, mas que mostra o valor da vida…
É isso mesmo, é uma visão positiva. É o valor da vida, é o valor do amor. Eu pelo menos vejo-o mais como uma história de amor. O livro, tal como o filme, dá uma visão de conforto sobre a morte. Lembro-me que ao lê-lo não pude deixar de conter as lágrimas, porque a história emociona, só faço filmes que me emocionem. Também não queríamos fazer um filme sobre um assassinato, e esse é um dos motivos pelos quais não mostramos o momento da morte da Susie Salmon no ecrã, porque iria desequilibrar o filme. Tornar-se-ia conhecido como um filme que partia de um assassinato e eu não queria isso. Um assassinato brutal não é aquilo que eu quero ver num filme que também é uma forma de entretenimento. Queria fazer um filme intenso e que sabe cativar, sobre a Susie que tem de se habituar à sua realidade alternativa [uma espécie de Céu], ela já não está no seu corpo. Sobreviveu, é imortal, é uma das mensagens de esperança do filme, mas está num estado de consciência diferente.

Existe muito suspense, muitos movimentos de câmara intensos e de cortar a respiração, muito ao estilo de Alfred Hitchcock. Ele foi uma influência?
Tenho a certeza que o Hitchcock é uma influência, não necessariamente de forma consciente. Mas como realizador, simplesmente penso que sou o resultado de todos os filmes que já vi (risos). Não podemos evitar ser influenciados por tudo e adorei filmar as cenas de suspense. Foi uma área que não explorei propriamente no Senhor dos Anéis ou no King Kong, esse suspense puro e duro. E adorei fazer isso aqui, foi divertido e de facto dá ares a Hitchcock.



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«A Saiorse é incrível»
Apesar de Mark Wahlberg, Rachel Weisz ou Susan Sarandon estarem no filme, a protagonista é a jovem irlandesa Saoirse Ronan. «Estávamos a ter dificuldades para encontrar a Susie, pensámos que seria preciso 400 audições nos Estados Unidos, quando recebemos um DVD no correio», explica Jackson. A gravação no quintal da casa da irlandesa Saoirse «convenceu-nos de imediato, ela é incrível, tem um naturalismo que é um dom» e nem o facto de ter sotaque foi impeditivo.


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CONVERSA RÁPIDA COM... Saoirse Ronan

Nomeada para um Óscar pelo filme «Expiação» aos 13 anos, aos 15 a irlandesa volta a surpreender num grande papel.


Como definiria a personagem da Susie?
Isso foi o que tentei fazer durante muito tempo e tive muitas dúvidas sobre se estava a pensar na Susie de forma correcta, se a estaria a criar da melhor forma. E embora tivesse os outros actores a ajudar-me, como actriz precisava de interiorizar a personagem. A Susie é daquelas personagens que vamos percebendo. E à medida que estava a atravessar esta "viagem", que íamos filmando, ia percebendo-a mais. Portanto, demorou um pouco, até porque ela muda muito no decorrer do filme e nós temos de mudar e aprender ao mesmo tempo.

Peter Jackson deu-lhe muita independência para adaptar e criar Susie?
Sim, ele quis sempre sugestões dos actores e até de outras pessoas como o meu pai. Tudo que pudesse melhorar a personagem e tornar a Susie tal como ela é no livro. Por isso senti que tinha liberdade. Ajudava-me muito quando as pessoas falavam para mim durante as cenas. Nunca ensaiámos em demasia, íamos para lá e íamos limando a performance entre as cenas.

A nível profissional, o seu pai, que é actor, ajudou-a?
Sim. O facto de ele ser actor ajudou, sem dúvida. Inicialmente porque disse ao agente irlandês dele para me tentar arranjar algumas coisas, isto antes de ser actriz, e ele conseguiu. Fiz um pequeno papel numa série dramática irlandesa de baixo orçamento, que agora é bastante bem sucedida, curiosamente. O pai foi descoberto como actor quando estava em Nova Iorque e isso também ajudou depois a ter trabalhos nos Estados Unidos.

Já esteve nomeada para os Óscares, já pensou a quem agradeceria se vencesse?
Não, mas se algum dia vencer, obviamente que teria de agradecer ao meu pai e à minha mãe, à Academia por votar em mim, acho (risos), a agentes e basicamente às pessoas que me ajudaram no filme.

entrevista robin williams

Dezembro de 2009. Breve entrevista para a SIC Notícias (programa 35mm) em versão publicada no jornal Destak.


Entrevista Robin Williams
«Os miúdos suportam-me»

Robin Williams mostra que é um homem de comédia - o motivo da conversa foi o novo filme 2 Amas de Gravata - mas também de muita melancolia. No fundo, é o retrato dos filmes tão díspares que já fez: Popeye e Clube dos Poetas Mortos, Bom Dia Vietnam e o Rei Pescador, Hook e Hamlet, Papá Para Sempre e Jack, Flubber e O Bom Rebelde.



Bryan Adams fez a banda sonora do filme e já tinha feito noutro seu, Jack. Está a persegui-lo?
Quem é Bryan Adams? A sério, não faço ideia. Ele não me está a perseguir de modo algum, porque tenho total falta de conhecimento sobre ele (risos). Neste momento vou ter de me chicotear porque não conheço o nome. (Risos)

Vamos então partir para a sua relação com John Travolta. Acha que ambos se complementam?
Acho que sim. Somos um bom ying e yang. Complementamo-nos. [Começa a cantar] Tu completas-me, de uma forma que mesmo assim não conheces o Bryan Adams. Cala-te Robin, deixa estar [em voz fina]. Sim, sem dúvida, o John é um homem tão generoso e carinhoso e já disse isto uma vez antes, na verdade quatro vezes... ele é o equivalente humano de um panda. Apetece chamá-lo "vem cá!". É destemido, divertido, mas também é um excelente actor.

A comédia dele é um pouco diferente da sua, não é?
Não é tão azul [triste]. Tenho tendência a ir um pouco abaixo e ele diz-me sempre "fica aqui na luz, fica comigo não te vás abaixo". Isso ajuda, porque traz-me de volta e digo [voz tristonha e infantil] "tens razão, não temos de ficar azuis, mas seria divertido". É tão simpático e generoso que fez vir ao de cima o meu lado bom. Está sempre a cativar-nos para experimentarmos coisas novas.

Neste filme não tem jeito nenhum para crianças... muito diferente de si, não?
Eu sou OK com os miúdos. Os miúdos pequenos suportam-me desde que… Uma vez estava a ler uma história à minha filha e ela disse "não faças as vozes, lê apenas a história". Fiquei surpreendido, mas a verdade é que com miúdos pequenos não podemos exagerar. Se fizermos algo muito louco eles não gostam. Por isso é que os miúdos não gostam de palhaços. Primeiro, parecem alcoólicos mortos. Segundo, aparecem assim [grita projectando a cara com sorriso forçado] "ei, eu vou divertir-me contigo". E os miúdos dizem [voz fina e infantil]: "tu assustas-me, tu és um pedófilo com grandes sapatos". O que funciona é divertirmo-nos com eles. Se começarmos de forma simples, podemos ir subindo e ir fazendo vozes. Eles exigem que sejamos muito honestos com eles. E estarmos concentrados, estarmos mesmo lá com eles, e não inventar coisas como: "tenho de atender esta chamada"; [voz final infantil] Não, não tens, os teus negócios estão na falência. Estás a investir no Google" - "Sim"; - "Não o faças".

Tem inveja do Seth Green por causa da longa cena dele com um gorila gigante?
De modo algum. Por acaso já tive um verdadeiro encontro. Conheci Coco, a gorila que faz linguagem gestual. Primeiro apertou-me os mamilos, o que… [risos] não é nada mau, deixe-me que lhe diga. Se tiver um gorila que lhe aperta os mamilos, aí está uma história para um bar. O tipo vai e diz "Sabem, uma vez estava com um anão". E vou eu e digo, "Ah é? A mim um gorila apertou-me os mamilos e foi bom". Dão-nos logo outra rodada [risos]. E a Coco tentou levar-me para o quarto dos fundos, o que foi um pouco o que acontece com o Seth no filme. O treinador estava a fazer sinais à Coco, a dizer [faz linguagem gestual]: "Coco, não, nada de truca truca Coco". Ele depois ainda me diz, que se ela me levar para o quarto dos fundos não me podia ajudar - ficaria descontrolada. Ouvia-se apenas: "Nãaaaooooo" e "Uh-uh-uh". Não fiquei ciumento. Disse apenas ao Seth… "já estive aí, vaca".

Para terminar, sabe imitar um português?
Conheço a língua, mas normalmente dou um toque brasileiro. Há uns anos tivemos um babysitter brasileiro, um homem chamado Alfredo Pedroto. E dizia sempre [fala em português]: "Robbie, tudo bem? Obrigado, boa noite". É mais brasileiro, sei disso. E aprendi a palavra [diz em português] "bom tempo". Em brasileiro tudo o que dizemos tem um tom do tipo "bom tempo". Perguntamos [em português] "o que vais fazer?"; "shiu, bom tempo, tudo bem Robbie, obrigado. Como vai você? Tudo bem". Vou lá ao Brasil para os Jogos Olímpicos. Sabes para quê? Para o espectáculo de depilação [faz barulho de depilação a cera e simula depilar as pernas com as mãos]. Boa sorte.

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Clube dos Poetas Mortos
Já fez filmes tão diferentes uns dos outros. Ainda se sente às vezes Captain, My Captain [referência à personagem John Keating, do filme Clube dos Poetas Mortos]?
Totalmente. Quer dizer, sinto-me tão orgulhoso desse filme em termos do que é e do que significa para mim. Mas também como um filme que pode mudar a vida das pessoas, como alguém uma vez disse. Foi a primeira vez que eu fiz um filme em que houve pessoas a chegarem-se a mim e a dizer que se tornaram professores por causa daquela personagem. E eu fiquei sem palavras… é uma escolha corajosa, especialmente na América onde não lhes pagam. Por isso… é mesmo um grande orgulho. Obrigado.


VERSÃO EM ÁUDIO:

quarta-feira, agosto 27, 2014

entrevista entre o médio oriente e tarantino

Entrevista a Ziad Doueiri.

“Para os árabes não se pode dar voz aos judeus”


‘Rejeitou’ Quentin Tarantino, que o chamou para Kill Bill, porque queria ser realizador e o seu terceiro filme, O Atentado, chegou em abril a Portugal.

João Tomé

O Atentado é escrito e realizado pelo libanês, durante muitos anos cameraman de Quentin Tarantino, Ziad Doueiri. Falámos com ele sobre a sua carreira e o filme que acompanha um médico israelo-palestianino em conflito pessoal depois de descobrir que a mulher é bombista.

Como é que foi ter aos EUA a trabalhar para talentos como Tarantino?
Nunca planeei. Deixei Beirute com 19 e fui estudar cinema na Califórnia. Depois comecei à procura de trabalho na cidade e comecei a ganhar experiência como técnico, na câmara, na grua, nas luzes. Nunca tive intenção de realizar. O meu primeiro filme era do Roger Corman [conhecido produtor] e chamava-se Munchie (1992) – uma versão barata, série B, dos Gremlins. Ganhei muita experiência e aprendi muito nessa altura mesmo a trabalhar em filmes chamados ‘trashy’. O panorama independente em LA nos anos 80 foi muito interessante.

E como é que começou a trabalhar com o Tarantino?  
Tive uma entrevista com o director de fotografia, já tinha algum experiência em filmes B e consegui o trabalho. Desde aí continuámos sempre a trabalhar juntos. Depois de fazermos o Cães Danados (1992), o Tarantino continuou a utilizar a mesma equipa e fizemos o Pulp Fiction e outros. Se eu continuasse a fazer trabalho de câmara ainda estaria a trabalhar com ele. Ele pediu-me para participar no Kill Bill mas eu decidi que não queria continuar a trabalhar como câmara. Estava numa altura da minha vida em que queria fazer outras coisas. Mas ele manteve a lealdade com a equipa técnica é praticamente toda a mesma. A maioria dos realizadores usa a mesma equipa, o Scorsese faz o mesmo. Quando encontram a equipa certa mantém-na. 

Quando estava a fazer esses filmes, Reservoir Dogs, Pulp Fiction, o Tarantino não era tão conhecido como é hoje. Tinham noção que estavam a criar algo tão importante que se iria tornar um clássico?
Simplesmente não sabíamos. Nunca sabemos. Quando fizemos o Reservoir Dogs, olhei para o guião e não sabia se era bom ou mau. Nunca sabemos se é magnífico ou uma merda, só depois, porque era tão estranho e tão diferente. O Reservoir Dogs foi uma das minhas experiência preferidas num filme. 


Porquê?
Há dois anos vi algumas fotografias dessa altura, tiradas na rodagem e trouxe-me de volta aqueles tempos. Foi uma boa experiência. Compreendo que as pessoas queiram fazer um grande alarido do Tarantino porque ele é um realizador tão fantástico e é tão popular e de culto, por isso as pessoas pensam que a experiência de trabalhar com ele foi tão incrível e única quanto ele é como realizador. Foi, mas não mais do que noutros filmes, porque a rodagem é um ambiente técnico. O que é único em trabalhar com ele é que ele é muito entusiasta sobre o que faz. Ele simplesmente adora o seu trabalho, ele está-se a borrifar para política, para o amor, tem tudo a ver com a história em si. Ele é como uma criança numa rodagem e isso afecta-nos porque ele tem uma mente incrível, a forma como trabalha e tem uma memória de elefante, na forma como se lembra de tantos filmes. Todas as semanas ele faz um visionamento na sua casa de um filme projectado em 35 mm, porque ele tem uma coleção enorme de filmes. Ele é tão dedicado à profissão de fazer filmes, que o seu foco principal é sempre como transformar algo em filme. Tem uma mente tão eléctrica e cria personagens muito interessantes.

Depois decidiu realizar...
Sim, mas não foi pensado foi progressivo ao longo dos anos. Percebi que aprendi a arte o suficiente e a comandar o cenário – fazer filmes é uma arte artesenal – e queria contar as minhas histórias. Comecei a sentir-me nostálgico – estive 15 anos sem voltar a Beirute – e escrevi em LA o West Beyrouth [filme político que lhe valeu vários prémios] e o Entre as Pernas de Lila.

Ainda estava em Los Angeles na altura em que escreveu o guião para o filme West Beirute (1998), que lhe valeu prémios em Cannes e Toronto?
Sim, sem dúvida. Escrevi lá esse, o Entre as Pernas de Lila (que estreou em 2004) e o guião do Man in the Middle, para o qual estou a tentar financiamento, todos escritos em LA. LA é um local muito criativo, bizarro mas criativo.

Mas voltou nesse período para Beirute, não foi?
Voltei para Beirute depois do 11 de Setembro (de 2001), porque conheci uma rapariga... conheci alguém e senti que como realizador não precisava de estar em Los Angeles, por isso deixei LA e mudei-me primeiro para o México, por uma mulher. Fui para Bordéus por uma mulher (risos). Parece-me que saio sempre de países porque conheço alguém. Mas primeiro voltei a Beirute porque conheci em LA uma rapariga que era de Beirute, apaixonei-me por ela e fiquei lá com ela. Agora resido em Paris, devido a um problema que prefiro não falar.

Em O Atentado volta ao contexto político israelo-palestiniano. Como chegou a esta história?
Embora seja uma história mais geral do que isso. Fui convidado em 2006 para realizar e adaptar o livro com o mesmo nome pela Focus Features e aceitei com condições. Eles queriam que fosse falado em inglês e prometiam, assim, o Tom Hanks. Com ele a bordo ia ganhar mais mas preferi que fosse em árabe e hebraico. Em inglês não fazia sentido. Pelo meio começou a guerra do Hezbollah quando estava a viver em Beirute e o projeto acabou por ficar na gaveta e voltámos a ele em 2011.

O protagonista, Ali Suliman, tal como a personagem, é israelo-palestiniano. Foi importante ter alguém com as duas culturas?
Ele percebe a confusão os iraelo-árabes sentem. É árabe mas é israelita e percebe que está numa situação difícil a nível pessoal. Cresceu em Israel, aprendeu hebraico, misturou-se com os israelitas judeus mas ainda tem a sua identidade árabe, tal como o protagonista. Quando leu o guião disse-me que sentia o mesmo que a personagem.


O filme teve críticas ferozes da parte árabe. Como foi a recepção?
Não fazia ideia como seriam as reações de judeus e árabes. Estava curioso mas não estava preocupado com isso. Assim que o filme estreou na América teve um grande sucesso junto da comunidade judaica, embora não seja nem a favor nem contra nenhuma das partes, tem muitas nuances. A comunidade árabe não reagiu tão bem, porque a mentalidade judaica permite questionar as suas próprias crenças, enquanto para os árabes não podemos dar voz aos judeus sobre nenhum pretexto. Não podemos, são maus da fita. Para o público judeu o facto de ter mostrado os dois lados foi bom, para os árabes foi mau, porque como é que podemos mostrar o ponto de vista judeu, eles não têm um ponto de vista, não merecem um ponto de vista. E agora é moda boicotar-se Israel e o facto de ter filmado em Tel Avic com técnicos israelitas e atores judeus foi mal visto e houve uma campanha contra o filme. Mas o que se pode fazer?
 
E quais os próximos projetos?
Estou a trabalhar com a Arte, a televisão francesa e alemã e a terminar um guião menos político e menos trágico que também se passa no Médio Oriente e chama-se Affaires étran-gères, que terá Gérard Depardieu. É baseado num acidente que tive. Vamos gravar em setembro.

sábado, dezembro 28, 2013

rap & tj



Ricardo Araújo Pereira e Terry Jones (dos Monty Python), no São Luiz, a meu convite ;)


segunda-feira, julho 12, 2010

interviewing

Há sempre algum nervosismo antes de uma entrevista, mas mais quando temos de esperar que o telefone toque para começarmos.

sexta-feira, maio 07, 2010

hard headed woman

Se eu fosse um actor bem sucedido, provavelmente acharia irritante que me analisassem por estar comigo numa sala durante uns minutos. No entanto...

Sir Ben Kingsley. É uma pessoa muito calma, parece um praticante frequente de meditação, porque é muito paciente, ouve quem está a falar com atenção e sem pressa de responder. Tem uma cabeça grande para o corpo muito magro, um nariz gigante e uma careca estranha. Tal como eu suspeitava, é uma pessoa muito sensível, e é-o desde criança, um actor com muita experiência de teatro e com uma preocupação impressionante em ensinar o melhor possível as novas gerações de actores. É alguém muito dedicado à profissão. Quando se solta é capaz de rir-se com facilidade e adora reflectir sobre os assuntos e dar-lhe uma perspectiva mais poética e inspirada.
Adora cuidar do seu jardim e de cozinhar para a sua mulher. Dá-se bem com a vida pacata sem a agitação do que envolve a indústria do cinema, mas faz parte da indústria à tanto tempo que já não lhe faz confusão a parte mais agitada.
Adora arte, especialmente pintura, e pessoas que o inspirem, os pintores estão no topo dos seus artistas favoritos, na sua dedicação imensa e até esgotante em transmitir algo de especial numa tela. É realmente um típico Sir, muito cavalheiresco mas com uma sensibilidade enquanto ser humano muito acima da média.

Gemma Arterton. Sim, é lindíssima, tem mais curvas do que a maioria das modelos e nota-se que não se importa nada com isso, tem uma cara pequena mas de uma beleza rara e antiga, como se fosse uma pedra preciosa. Um nariz pequeno, uns olhos um pouco rasgados e uns lábios lisos e grossos, talvez mais bonitos que os da Julia Roberts. Tem uns braços um pouco cheios para uma actriz, mas esbeltos q.b., tem o tique de se ir coçando quando está calor o que irrita um pouco a pele, nada que a incomode. Apesar de tudo isto, passados uns segundos de entrar na sala, é apenas uma jovem rapariga com quem dá gosto falar, sorridente, energética, faladora, despachada, que tem um à vontade impressionante, um humor de óptimo nível e um sorriso cândido de quem não tem nada a perder e tudo a ganhar. Não tem papas na língua nem problemas em dizer que vem de origens humildes, das classes operárias britânicas e em falar da família. Nota-se que sempre foi o que temos ali à nossa frente, fosse com os amigos num bairro pobre ou com as grandes estrelas.
E apesar de já ter sido Bond Girl, de ter protagonizado dois grandes blockbusters e feito filmes independentes incríveis como o que vi hoje (The Disappearence of Alice Creed - Lusomundo, se me estás a ouvir, tens de estrear isto nas salas portuguesas!), ainda tem aquele deslumbramento (que admite com histeria divertida), ou por ir trabalhar com estrelas que admira ou por ver num bar um artista que adora - contou que viu no outro dia um dos membros dos Sigur Rós (é fanática por música nórdica, ao estilo Bjork) e ia ficando histérica, só não o abordou porque sabe que ele é muito tímido e ia assustá-lo.
É uma daquelas hard headed woman, muito prática e um pouco maria rapaz na forma de agir, e que não se leva absolutamente nada a sério. Uma diversão, portanto. O que é fantástico quando ainda por cima é uma excelente actriz.
[E só para que fique registado, eu cá já encontrei a minha Hard Headed Woman, como cantava o Cat Stevens -
"I'm looking for a hard headed woman, 
One who will make me do my best, 
And if I find my hard headed woman 
I know the rest of my life will be blessed"]


Jake Gyllenhaal. Tem umas mãos grandes, muito grandes. Tem um ar de menino perfeito, cuidado, com óptima preparação física (ou não adorasse correr e fazer ciclismo), mas um outro brilho acima disso, que lhe dá um certo ar de Cary Grant, até porque tem estilo e um óptimo sentido de humor. Mas o que salta, literalmente à vista são os olhos, são gigantes e mais azuis do que o azul do céu. Parecem uns faróis, até porque gosta de mantê-los bem abertos. Depois é um tipo muito cool, descontraído, que não se leva demasiado a sério (vem de uma família de actores) muito menos a sua fama e que, embora tenha um físico muito desenvolvido, é um tipo com uma sensibilidade para a profissão acima da média. Tem um talento natural mas também se esforça por tirar o melhor de si e perceber o melhor dos outros. É alto e ainda guarda um certo olhar de Donnie Darko. 

Mike Newell. Este típico inglês gigante, largo de ombros, mãos gigantes e um ar simpático é um realizador exímio e com um talento para o timing cómico incrível. Quatro Casamentos e Um Funeral lançou-o na alta roda mundial, ao mesmo tempo que lançou Hugh Grant, e ainda bem. Newell adora Grant, apesar de não trabalhar com ele há algum tempo. "Não há ninguém a fazer comédia com tanto estilo quanto ele, é único e é sempre excelente fazer um filme com ele", um elogio muito honesto e sentido (e raro). É um tipo inteligente, preocupado com o que faz e sem problemas em assumir as suas opiniões: "num filme como Prince of Persia eu sou quase um Chefe de Divisão inteira, onde me dão coisas para decidir. Prefiro muito mais fazer um filme como Quatro Casamentos e um Funeral, com menos efeitos e mais diálogo entre os protagonistas". Faz sentido, porque vem do teatro e da televisão britânica e até nos filmes grandes que realizou como um dos Harry Potter e este Prince of Persia, conseguiu colocar esse humor delicioso entre personagens sem estragar a outra linha mais dramática do filme.



Jake Gyllenhaal em Londres, estou meio torto porque estava a aproveitar para falar um pouco no Donnie Darko, coisa que não deu para fazer na entrevista (ou só ligeiramente).

segunda-feira, novembro 30, 2009

mr. peter jackson

É um dos tipos mais poderosos no meio desde há uns anos, em que realizou umas coisinhas chamadas Senhor dos Anéis. É argumentista, produtor, realizador, operador de câmara, perito em efeitos especiais e se for preciso actor. Chama-se Peter Jackson e vou agora ali a Madrid para falar com ele amanhã de manhã. Durante seis minutos tenho-o só para mim. Alguém tem perguntas?



sexta-feira, julho 03, 2009

um puto português em alta




Gonçalo Brandão revelou-se esta semana um surpreendente entrevistado. Não é habitual conhecer/entrevistar um jovem jogador com tanta experiência e jeito para a partilhar em palavras.
Aos 22 anos, o defesa do Siena contou-me como foi a sua estreia pela Selecção e revelou que a aprendizagem de dois anos com Jorge Jesus foi fulcral para se adaptar a Itália. Jesus é, aliás, motivo de rasgados elogios, como um técnico perfeccionista na táctica defensiva que não admite falhas e "uma excelente contratação para o Benfica" (até eu fiquei convencido).

Gonçalo Brandão admite ainda que as suas estreias a titular pelo Belenenses, pelo Charlton e pelo Siena foram sempre frente às equipas de José Mourinho. O próprio Mourinho lembrou-o disso mesmo no intervalo do último Inter-Siena.

O central que também joga nas laterais revela ainda qual o jogador mais difícil de marcar na Serie A (não foi Ibrahimovic nem Kaká!), no sonho de jogar num grande europeu e de experimentar o futebol espanhol.
A entrevista anda por aqui, num formato longo.



PS: Sabiam que os jogadores de futebol estão proibidos, por contrato, de andar de mota seja a conduzir ou a ser conduzidos? Eu fiquei a saber esta semana.




reynolds, o invejado

Factos descobertos no dia de hoje (graças a perguntas feitas): o actor canadiano Ryan Reynolds, o actual marido da voluptuosa Scarlet Johansson, passou de férias pelo Porto em pleno período de confusão do Euro 2004, numa viagem de mochila que fez pela Europa.



segunda-feira, junho 08, 2009

entrevista improvável a john lennon



In 1969, a 14-year-old Beatle fanatic named Jerry Levitan snuck into John Lennon's hotel room in Toronto and convinced him to do an interview. 38 years later, Levitan, director Josh Raskin and illustrator James Braithwaite have collaborated to create an animated short film using the original interview recording as the soundtrack. A spellbinding vessel for Lennon's boundless wit and timeless message, I Met the Walrus was nominated for the 2008 Academy Award for Animated Short.

terça-feira, maio 19, 2009

goodnight irene

Nuno Lopes protagonizou o melhor momento da noite de Globos tugas (aka Globos de Ouro) de ontem. Motivo suficiente para recordar uma entrevista a ele e ao realizador do filme que lhe valeu o Globo, o belo Goodnight Irene (Lopes teve ao lado outro belo actor, Robert Pugh).






sábado, abril 04, 2009

emot doma the rock... mais ou menos



Como se vê na foto, o The Rock, que agora gosta mais do nome Dwayne Johnson, é mais baixo do que eu. Sim, eu tenho mais de 1m93... mais ou menos...
Este é daqueles momentos para irmão de 13 anos ver.

by seremot

sábado, fevereiro 14, 2009

twitter works in misterious ways ii

Ashton Kutcher (@aplusk ) está a entrevistar o ex-marido da sua mulher, Bruce Willis, pelo Twitter, com as perguntas dos seus followers. Muito curioso. Ainda o tentou converter ao Twitter...


Perguntas e Respostas:
janke731
is Bruce ever going to do a movie with you Ashton?

yes we did an episode of That 70's together

SaraJBenincasa
How many strangers say to him, in an average year, "Yipi kay yay yay motherfucker?
5000. more women than guys

favorite movie
dr. strangelove, raging bull


jessphotos
Can u ask Bruce what is his biggest goal for this year?

learn gooder french

LaceePants
http://twitpic.com/1h8wo - Craziest on set moment??

finding a voodoo doll in his trailer during moonlightling

Bruce willis is taking questions for the next 5 min http://twitpic.com/1h8wo





Demi Moore vai passar o Dia de São Valentim com o marido, o ex-marido (Bruce Willis) e a namorado do ex, Emma (e Ashton Kutcher acha bem):
aplusk Hubby happy!
mrskutcher: On a romantic getaway with my adorable hubby the ex and his great gal emma!




sábado, fevereiro 07, 2009

walker entrevista rourke

Colocar um actor a entrevistar outro actor é uma bela ideia. Mais ainda quando se trata de Christopher Walker a entrevistar o seu amigo Mickey Rourke. Faz-me lembrar quando pus o 'Gato' Ricardo Araújo Pereira, a entrevistar o 'Python' Terry Jones, há coisa de um ano e pouco.





Mickey Rourke, by Christopher Walken
In Bob Dylan's memoir, Chronicles, Volume One, he recalls a trip to the movies he took in 1988 while recording his album Oh Mercy, when he went to see Mickey Rourke in Homeboy, a film about a small-time boxer whose passion and petulance prove self-destructive. Dylan offers this account of Rourke's performance in the film, which the actor, a former boxer himself, also had a hand in writing: "He could break your heart with a look. The movie traveled to the moon every time he came onto the screen. Nobody could hold a candle to him. He was just there, didn't have to say hello or goodbye."
Christopher Walken, who has known Rourke since their days at the Actors Studio in the mid-'70s, recently caught up with him in New York.



terça-feira, janeiro 20, 2009

descobertas profundas

Descobri esta preciosidade de 55 minutos sobre o filme O Estranho Caso de Benjamin Button (entrevista única a Fincher e Pitt, uma espécie de tertúlia sobre o filme):




domingo, janeiro 04, 2009

pitanguy fala com anabela




"A mulher é o animal mais bonito que Deus concebeu; apreciar a sua graça, sua beleza, é uma coisa que aprendi, e até hoje aprecio.

Já foi trocado?, recusado?
Claro, todo o mundo já foi, não é? Inclusive, você já foi. A mulher tem sempre uma postura de poder recusar e cabe ao homem considerar isso normal. O homem aceita um pouco mais, mulher é mais dura, mais capaz de dizer "Não". O homem tem uma certa pena de dizer "Não"! [risos]"

entrevista de Anabela Mota Ribeiro ao cirurgião plástico brasileiro Ivo Pitanguy, in Pública



quarta-feira, dezembro 31, 2008

adams no corredor


Amy Adams e Emot (a foto foi tirada pela publicist da muito simpática e nada manienta Amy, com quem ainda tive a conversar um pouco).
A minha ida a Londres este mês foi a propósito dos filmes Bedtime Stories e Doubt. Foi devido a este último que pude entrevistar (em mesa redonda) a actriz Amy Adams, que está nomeada para os Globos de Ouro como Melhor Actriz Secundária a propósito deste espantoso filme.
Esta foto também tem história, tal como a tirada com o Adam Sandler. Nada de especial, um dia destes conto por aqui...
Não, não tenho por hábito tirar fotos com todos os actores norte-americanos que entrevisto... calhou, depois conto.

domingo, dezembro 07, 2008

os 100 anos










Manoel de Oliveira
, em entrevista a Sérgio C. Andrade para a Pública



Antes de casar, diz-se que era um dandy, um playboy. Mudou o seu comportamento depois do casamento?

Todos os jovens, normais, são playboys. Ou quase, ou muito, ou menos ou mais...


No seu caso, era menos ou mais?
Nesse tempo, as coisas eram muito diferentes do que são hoje: uma rapariga que não estivesse virgem, não havia nenhum rapaz que quisesse casar com ela. Ou, se isso acontecia, era um caso extraordinariamente raro. E os anjos salvadores das virtudes das meninas de família eram as prostitutas, às quais a juventude recorria para satisfazer os seus normais desejos sexuais.


Depois de casar, alterou o seu comportamento?
Naturalmente que sim. Quando se casa, a não ser que se case por interesses outros, que não sejam o da ligação amorosa... Mas, quando há uma ligação amorosa, há a diferença entre o homem ser solteiro, livre, e ser um homem casado, que já deixou de ter essa liberdade.

Agora está na ordem do dia o casamento homossexual. Acha que os homossexuais devem ter direito a casar-se?
O que sei é que não é normal a ligação mulher com mulher e homem com homem. Mas é tolerável. Eles que façam lá o que entenderem. É que o casamento tem um único fim:
preservar a continuidade da espécie. [ao estilo Manuela Ferreira Leite]




--

Paulo Branco, sobre Manoel de Oliveira, em entrevista a Anabela Mota Ribeiro para a Pública


Acha que o incomoda [a Manoel de Oliveira] o desdém com que por vezes é tratado em Portugal?
Há todo um reconhecimento internacional e sobretudo um reconhecimento nacional; e há
uma mágoa, que nunca desaparece, por achar que é tardio ou que não é suficiente. Eu não queria muito falar do Manoel agora. Com a idade, a memória começa a ser selectiva. E a memória do Manoel é muito selectiva. Lembra-se de coisas muito precisas, de há 30 ou 40 anos, que não correram bem… O Manoel não chegou lá sozinho, há colaboradores que está a esquecer, e isso é pena — não estou a falar da colaboração comigo. Eu tenho o meu trajecto, tenho também uma ligação forte com outros realizadores, o que provocou a certa altura...

Ciumeira?
Alguma ciumeira, penso eu.

Agustina escreveu: “Eu não creio que Manoel de Oliveira ame o sucesso (…) Ao Manoel de Oliveira agrada irritar ou decepcionar, porque disso tira uma espécie de glória íntima.”
Acho que isso não é verdade. O Manoel sempre gostou do reconhecimento, como qualquer
grande artista. E à medida que o foi tendo, cada vez gostava mais desse reconhecimento e achava que o merecia.