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terça-feira, junho 16, 2009

em roma... recicla

A história tem momentos curiosos. Um deles é o seguinte: na Roma antiga já existia uma cultura avançada de reciclagem e reutilização. Desde o início do Império, que os romanos depositavam o lixo fora das cidades. A ler mais no El País.


quinta-feira, abril 09, 2009

eu gostava de ser europeu

De acordo com o site Treehugger, os americanos deveriam seguir os europeus. Os europeus que produzem localmente os produtos naturais e os vendem em mercados muito concorridos, os europeus que vivem perto desses mercados e vão a andar a pé até eles, os europeus que têm uma construção a pensar nas bicicletas e respeitam muito esse modo de deslocação, têm leis favoráveis à reciclagem, seis semanas de férias, uma política de energia progressiva...


7 Things We'd Like to Bring Over From Europe


quarta-feira, abril 08, 2009

em busca do pólo norte

Incrível ter consciência de que o Pólo Norte só foi descoberto há 100 anos. Tão pouco tempo de descoberta e em tão pouco tempo que a humanidade está perto de o destruir (a luta pela sua posse, entre Rússia, Estados Unidos, e afins já começou e vai ser aguerrida).


http://www.nightskynation.com/pics/earth-at-night-north-pole.jpg


A idade do degelo: Pólo Norte foi descoberto há 100 anos
Em 2008 foi dado o alerta: o Pólo Norte corria o risco de ficar sem gelo no Verão. As previsões não se materializaram, mas os cientistas acreditam que o prazo de validade da paisagem branca do Árctico está prestes a expirar. No dia em que se comemoram 100 anos sobre a descoberta do ponto mais setentrional do planeta, o PÚBLICO falou com dois portugueses que já estiveram na “Terra do Pai Natal”.
Das duas semanas que passou entre os esquimós Inuit na Baía de Hudson, a norte do Quebec, João Canário, investigador da Unidade de Ambiente Aquático e Biodiversidade do Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (Ipimar), trouxe consigo a inquietação não só com a conjuntura delicada da natureza, mas também com a situação das comunidades que vivem no Círculo Polar Árctico. “Eles já estão a sofrer com o desaparecimento do gelo. São caçadores e pescadores, necessitam do gelo. Já não vêem os animais que costumavam ver e agora vêem outros que nunca viram… é preocupante”, contou o investigador.



"There is no higher, purer field of international rivalry than the struggle for the North Pole."
— Commander Robert E. Peary, "National Geographic," October 1904. --- in Bowdoin



A CORRIDA AO PÓLO NORTE
Russia plans military force to patrol Arctic as 'cold rush' intensifies 28 Mar 2009

Oliver Burkeman on the battle for natural resources in the Arctic
Abril 2008

Russia: Race To The North Pole - Radio Free Europe / Radio Liberty

Denmark joins race to claim North Pole - Telegraph

segunda-feira, março 23, 2009

[andorinhas.jpg]


Há andorinhas no Casal do Lavradio, Caldas da Rainha. E não são poucas.

by seremot

sexta-feira, março 20, 2009

más notícias nossas lá fora

É pena que depois de termos sido elogiados por algo inovador, o projecto caia por terra...


Portugal's Pelamis Wave Power Project Dead In the Water
TreeHugger has touted how cool the Pelamis wave power device on a number of occasions, as well its implementation in the €9 million Aguçadoura project in Portugal. Well, that 2.5 MW adventure has come to an end. Citing technical and financial setbacks, what would have been the world's current largest commercial wave power project has been taken offline indefinitely

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

modos de vida arrojados

Há um belga de 48 anos chamado Steve Vromman que se lembrou de viver sem gastar electricidade. Pelos vistos é possível.


domingo, setembro 28, 2008

cuidado, atenção...

O perigo aproxima-se e é real!


Verão será de seis meses daqui a 50 anos - especialistas
Os amantes do bom tempo vão bater palmas, mas as consequências não são de aplaudir. A Primavera em Portugal já tem mais dez dias e o Verão prepara-se para durar cinco ou seis meses daqui por 50 anos. O período legal de época balnear, que começa a 1 de Junho e termina terça-feira, pode ser forçado a uma revisão por causa do aumento da temperatura e da diminuição da chuva, que atraem cada vez mais banhistas à costa portuguesa fora das épocas tradicionais. "Com o aumento da temperatura média, o que nós chamamos o tempo de Verão vai prolongar-se. Daqui a 50 anos, em vez de dois ou três meses de Verão, vamos ter cinco ou seis", afirma o especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos, em declarações à Lusa. Em Portugal, o calor está a chegar antes do Verão e permanece depois da estação acabar: "A temperatura de conforto para ir à praia, que é de 21 ou 22 graus, está a registar-se em mais dias do ano", diz o coordenador científico dos centros de investigação do Instituto de Meteorologia, Pedro Viterbo. As estatísticas dos últimos 20 anos indicam que o aumento de temperatura é da ordem dos 0,47 graus por década e que a temperatura máxima tem subido durante o Verão (21 de Junho a 21 de Setembro). Recuando até 1931, verifica-se que os seis anos mais quentes até 2000 ocorreram nos últimos 12 anos do século XX, sendo 1997 o que registou mais calor. A subida dos termómetros chega assim cada vez mais cedo. Começa a ser em Maio, e já não em Junho, que os veraneantes visitam a praia pela primeira vez no ano.

terça-feira, agosto 19, 2008

a paixão automóvel

O mundo dos automóveis fascina muita gente por todo o mundo. Se Jeremy Clarkson é o líder do brilhante programa Top Gear, da BBC e tem lugar cativo no Times, publicando as suas críticas divertidas, existem personalidades que estão muito ligadas à paixão automóvel e que também fazem questão de partilhar isso mesmo. Caso disso é Jay Leno, o apresentador norte-americano do famoso Tonight Show.

Jay Leno with the BMW 7 Series Hydrogen car

A garagem de Leno: www.jaylenosgarage.com
O artigo de Leno no Times sobre o BMW Hydrogen 7
As críticas de Jeremy Clarkson a automóveis de eleição




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O futuro dos combustíveis
Objectivo de J. Craig Venter: mudar a maneira como o mundo funciona do ponto de vista na energia. Em vez de procurar alternativas ao petróleo para reduzir as emissões de CO2, o que Venter pretende é "inventar" geneticamente um organismo capaz de se alimentar de CO2 (reduzindo assim a respectiva quantidade na atmosfera) e emitir metano ou outra forma de energia que possamos utilizar no nosso dia-a-dia.

sábado, agosto 16, 2008

a senda das scooters pelas pequenas cidades

Até na minha terra (Caldas da Rainha) já existem motos eléctricas (ainda não as vi na rua este Verão)! Curioso como em Lisboa não vi nada disto: apoio da Cruz Vermelha das Caldas da Rainha, em conjunto com uma loja popular (a Surfoz) e uma oficina para dar apoio técnico, a Jomoto.



Lançamento de scooters eléctricas nas Caldas
Produtos amigos do ambiente, perfeitas para as áreas citadinas, são as Scooters Eléctricas da marca EcoGlady, que foram lançadas nas Caldas da Rainha na passada quarta-feira.EcoGlady é uma marca pioneira no segmento das scooters eléctricas em Portugal. Não são poluentes e nível de ruído e sem emissões de CO2, não necessitam de revisões, são fáceis de conduzir e não dependem do petróleo. Consomem apenas quarenta cêntimos por cada 100 Km. Atingem a velocidade máxima de 45 Km/h e têm uma autonomia de 65 Km. O tempo de carga da bateria é de 4 a 8 horas.Os preços variam consoante o modelo, O mais barato (eco Spider) tem o custo de 1375,00 Euros e o modelo mais caro (eco Racer) tem o preço de 1875,00 Euros. Para mais informações pode enviar um E-mail para o agente na Região Oeste: ecoglady.oeste@gmail.com.


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Aqui descreve-se como legalizar uma scooter eléctrica Bereco, que é das mais capazes actualmente no mercado e está homologada pela UE:
"A marca BERECO é uma marca nacional pertencente à ecoMotores.com. O “motor” da marca pertence à empresa Espanhola “Vehiculos con Ingénio” (http://www.vehiculosconingenio.com/).
O custo de legalização da scooter é de 58 Euros.



BERECO EVO

Bereco Evo



Actualmente a Bereco disponibiliza os seguintes modelos:
* BERECO 2500W
* BERECO EVO
* BERECO Voltio
* BERECO Amper
* BERECO Cable-S
* BERECO Cable-L

Potência: 2.500 a 4.000W
Autonomia: 40 a 90 Km
Velocidade máxima: 55 a 85 Km/h
Preço: 1.973 a 3.800€

Site:
http://www.bereco.pt "

in Scooters Eléctricas
Este site já vende a Berecco por cá.



Outra marca de scooters eléctricas entusiasmantes a nível de performances é esta (aparentemente estas motos ainda não chegaram cá): www.e-max-ltd.com/
Anunciam uma scooter com características semelhantes às de 125 cc, ou seja velocidades dos 80 aos 100 km /h (graças à bateria de lítio), a e-max 190L:



quinta-feira, maio 25, 2006

guerra & paz

[Anda tudo em pulgas com a suposta proibição da Sport TV. O Frescas e Boas explica: calma! Primeiro, os jogos podem ser transmitidos em bares e restaurantes. A preocupação da Sport TV é, essencialmente, que existam empresas a patrocinar eventos de transmissão de jogos ao ar livre e a terem beneficios disso. Por isso, quem, como as autarquias, irá montar áreas para se ver os jogos, pode pedir à Sport TV autorização que, caso não existam esses patrocinios, eles não autorizam sem qualquer pagamento... pelo que percebi existe um site para esse pedido.]

Sport TV em guerra com autarquias
Todos contra a proibição de emissões públicas do Mundial
Vários municípios vão exibir jogos da selecção em ecrãs gigantes - mesmo que isso seja ilegal
A ordem de proibição de exibição dos jogos do Mundial de futebol em locais públicos, como praças e jardins, dada pela Sport TV, detentora dos direitos de exibição televisiva e pública da prova para Portugal, está a cair em saco roto. Os municípios estão determinados em manter os seus planos de apoio à selecção, instalando ecrãs gigantes em locais públicos e a associação que os representa repudiou ontem formalmente a atitude da Sport TV.

mais in Publico

quarta-feira, setembro 15, 2004

sinais ecológicos



Branqueamento de corais, migrações intempestivas e florestas mortas são alguns dos muitos efeitos do aquecimento à escala planetária.

A ilha Biscoe é uma pequeno afloramento de rocha e gelo perdido no meio da épica paisagem da região ocidental da península Antárctica. Sobre a ilha ergue-se o enorme glaciar Marr Ice Piedmont, ligado ao monte Français de 2.760m de altura. As águas azuis do mar de Bellingshausen encontram-se salpicadas de icebergues e raiadas de gelo marinho. Num dia límpido de Verão, toda a paisagem – água, gelo e rocha – refulge, cintilante. Em 23 dos últimos 30 anos, o ecologista Bill Fraser visitou a península Antárctica – um dedo de terra com 1.300 km que se prolonga na direcção da América do Sul. Fraser garante que a única coisa inalterada é a paisagem esplendorosa. Terra, mar, seres vivos, tudo o que existe neste canto da Antárctida está a mudar devido a um dos mais rápidos aquecimentos da Terra: ao longo dos últimos 30 anos, as temperaturas médias de Inverno subiram quase 5,5° C nesta região.

A mais perceptível alteração tem sido o recuo do glaciar Marr. No entanto, aquilo que mais preocupa Fraser – que veio para a Antárctida em busca de aventura e solidão e para preparar um doutoramento em aves polares – é o efeito do aquecimento sobre os pinguins-de-adélia, objecto de trabalho da sua vida. Num dia de Janeiro, no pico do Verão antárctico, eu e Fraser trepámos a um promontório da ilha Biscoe para recensear uma colónia vizinha de pinguins, uma extensão de ninhos de seixos manchados de cor de tijolo avermelhada devido ao guano. Os pinguins entravam e saíam do oceano numa única fila, transportando krill (semelhante a camarões) para alimentar as centenas de curiosas crias pubescentes que tinham permanecido em terra.
ver mais em National Geo (Pt)

sábado, julho 31, 2004

Fogos na Amazónia alteram clima no Mundo


Ardem anualmente mais de 20 mil quilómetros quadrados na região

Os fogos florestais provocados pelo Homem, na Amazónia, podem vir a criar problemas energéticos no Brasil e até mesmo alterar as condições climatéricas noutras regiões do planeta. A conclusão foi divulgada na 3ª Conferência da Atmosfera da Amazónia, a decorrer em Brasília.

O Brasil emite 200 milhões de toneladas de CO2 por ano, cerca de 3 por cento das emissões de gás carbónico do planeta.

Os cerca de 800 cientistas reunidos em Brasília na 3ª Conferência do Projecto de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazónia procuram, entre outras coisas, definir até que ponto os fogos na Amazónia podem alterar as condições de vida na região e noutras zonas do globo, através dos ventos, das nuvens e da precipitação.

Só em 2002, foram registados 160 mil focos de incêndio na Amazónia. Todos os anos, os fogos destroem entre 20 a 25 mil quilómetros quadrados da floresta amazónica.

"O fogo pode diminuir a condensação das nuvens, por efeito aerosol. O ar da Amazónia é mais puro, mas com os incêndios o ar fica semelhante ao da Europa", explicou Yavinker Malhi, professor de climatologia da Universidade de Oxford.
in Sic Online

domingo, novembro 14, 1999

Entrevista | Gonçalo Ribeiro Telles


Imagem da National Geographic portuguesa



«O problema é mais grave do que se pensa»
A poluição urbana é um problema das cidades modernas e que vai condicionar a vida das gerações futuras. Com 81 anos, o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeito Telles já foi secretário de Estado, ministro, vereador e deputado e é um acérrimo defensor do ambiente. O autor da principal legislação ambiental do país, explicou ao Destak que a maior parte das medidas que estão a ser tomadas pelas autoridades são erradas e que para uma melhor qualidade de vida e ambiente à-que apostar numa política de reorganização urbana, evitando a entrada de carros nas grandes cidades. É o nosso futuro que está em causa quando se prejudica o ambiente.

por João Tomé
[publicado no jornal
Destak, em Setembro 2004 - versão aumentada]


As cidades portuguesas estão cheias de carros e o aumento de combustíveis este ano chegou mesmo a aumentar 3% no primeiro semestre. Para si, a que se deve este aumento no uso de combustíveis mesmo depois dos preços terem aumentado 12,4%?
Tudo isso é uma consequência da forma como as cidades crescem, e do modelo de crescimento urbano que aplicamos. A cidades estão com tantos carros e isso só aumento também devido ao grande apoio e incentivo que o transporte privado tem tido pelos responsáveis das câmaras e do país. No Algarve, por exemplo, todas as vias entre os lotes de aldeias turísticas de construção não tem sequer espaço para a circulação de peões e bicicletas. São faixas de asfalto com seis metros de largura e 65 centímetros de passeios de cada lado. Isto incentiva a que se ande só de automóvel, ninguém anda nem passeia a pé ou de bicicleta, enfim, numa zona turística.
Lisboa, por exemplo, enquanto não incentivar uma política de corredores verdes e circulação de bicicletas e de peões na cidade não tem solução em termos, nem de qualidade de vida nem de recreio.

Que doenças ou dificuldades de saúde pode criar a poluição urbana?
Pode atacar as vias respiratórias, que é muito grave, e ainda existe outro problema que é a secura estival. É provocada pelo excesso de temperatura, nos meses quentes nas cidades porque não há um regulador indispensável na cidade que é a vegetação. Quando estamos a ter uma política de fazer parques de estacionamento dentro dos zonas interiores da cidade, dentro dos quintais, em todo o lado, estamos a prejudicar muito o problema de saúde na cidade.

No que diz respeito à poluição urbana, quais as medidas a curto prazo e mais urgentes a adoptar?
O calor é provocado porque só existem superficies impermeáveis, que não respiram, e faltam as superficies permeáveis como a vegetação, que respiram. Portanto, a temperatura aumenta desmesuradamente, porque a radiação das paredes é muito grande e não tem o necessário contrabalançar do sistema natural e da vegetação como se faz hoje em muitas das cidades europeias. Ou seja, isto vai “morrer” sufocado no Verão e “morrer” inundado no Inverno.
Além do mais, não pode haver tantos parques de estacionamento, principalmente subterrâneos, nem a circulação intensa que hoje temos. Não temos já divisas para pagar a energia que vem de fora. O problema é muito mais grave do que se pensa e é muito grave também em termos de qualidade e de abastecimento alimentar.

Os transportes públicos em Lisboa não funcionam porque há muitos automóveis que vêm para a cidade com uma pessoa e também não vêm nos transportes públicos porque demoram muito tempo.
Lisboa tem todo um plano feito e estudado para uma circulação de bicicletas em toda a cidade, que não foi aplicado porque não interessa. Têm de ser feitos corredores especiais integrados na vegetação e isso diminui a possibilidade da construção, coisa que muitos não querem.

E a longo prazo?
É modificar o urbanismo zomado por grandes concentrações de construções e ausência de corredores, transformá-lo num urbanismo e planeamento sistémico. Por exemplo, temos de tratar do problema da circulação da água, não podemos ter espaços verdes a brincar aos parques, que já não se usam em lado nenhum. Hoje têm de ser criados nos melhores sitios para que a vegetação cresça, mas o que acontece é que são construidos com uma porcaria de arranjos exteriores e de parquesinhos que são artificiais e que custam muito dinheiro para conservar e não têm a extensão que possibilite um melhor recreio e melhor qualidade de verde.

A nível de planeamento continua a haver poucos espaços verdes, será que essa situação faz parte da mentalidade portuguesa?
Não é disso que se trata. O que se passa é que há uma lei que não é cumprida que é a número 399, de 22 de Setembro, que diz que todos os munícipios tem de ter, com base do planeamento, uma estrutura ecológica municipal. Onde é que ela está? Não existe em nenhum munícipio. Trata-se de uma estrutura ecológica que mete todas as formas do sistema natural. Desde os bosques, às agriculturas dos vales, às encostas, aos espaços mais de recreio, às circulações de peões e bicicletas, não é um somatória de jardins e parques é algo mais, que está já a ser feito na maior parte das cidades, em França, na Alemanha, na Holanda. Além disso, também há tantos automóveis privados e tantas casas vazias.

Somos pouco preocupados na generalidade com o ambiente?
Não somos nós que não somos preocupados. Isto tem a ver com as fortunas que se fazem em Portugal e que hoje são muitas, que se fazem há custa da especulação urbana. É a política global que está errada, que é da responsabilidade dos governos e das autarquias que é quem comanda o processo de desenvolvimento.

Está neste momento a realizar um projecto de recuperação dos jardins da Gulbenkian. Como se recupera um jardim, o que envolve esse processo?
Eu estou a fazer exactamente o que deve ser feito nos serviços que existem, que é recuperá-los para uma economia mais natural que implique uma situação estável da vegetação e não uma situação artificial, que é o que se está a fazer por todo o lado na Europa. Os relvados nos parques públicos não são artificiais, são prados. Toda a parte de arborização e das redes são bosques, principalmente com as árvores do local, indígenas. Para saber o que envolve o processo de uma forma prática, só mesmo lá indo ver à Gulbenkian. Um jardim daqueles é uma questão de concepção e não apenas de flores. O mais importante num jardim acaba por ser a manutenção e conservação e por isso recuperar um jardim demora a eternidade. Cá desligou-se a concepção de jardins da sua manutenção, como se fossem casas ou edificios. O sistema natural desses espaços está em permanente evolução e a manutenção tem de acompanhá-la, que é o crescimento das árvores, dos prados. A manutenção não pode procurar que aquilo tudo seja um cenário estático.
As melhores plantas a plantar não digo. Não é para amadores.

Qual a obra de que mais se orgulha?
É o que não está feito. O que foi projectado e não está realizado. E depois há algumas coisas que foram destruidas pela manutenção, pela incompreensão do que era aquilo. Outras estão meio degradadas, como algumas zonas em Lisboa: o parque de São Jerónimo em Belém. Outras estão em vias de ser degradadas como o alto do parque Eduardo VII, onde se aplicou o sistema actual de manutenção, que leva à degradação.

Qual a obra que mais gostaria de fazer?
A obra do sistema natural do homem, principalmente nas zonas onde que ele está instalado, que é nas grandes cidades, nas áreas metropolitanas. É uma obra colectiva, não tem apenas a ver com uma pessoa, porque para continuar e manter essa obra têm de vir outras pessoas para a continuar no tempo. Exemplo disso são os jardins da Gulbenkian, que estavam a ser completamente destruidos por uma manutenção tradicional e clássica que levava a que ficasse de uma forma estática. Em bom tempo estamos a organizar para que o jardim possa ter a evolução natural, que acompanhe o desenvolvimento das árvores, dos maciços, a situação das clareiras dos relvados. Aquilo estava a ser destruído pela manutenção, como estão a ser todos os jardins de Lisboa.

Como tem visto a abordagem da câmara aos assuntos ambientais? Estão no bom caminho?
Não tem abordado coisa nenhuma! Os assuntos ambientais dizem respeito à construção da cidade e não tem sido feito nada nesse aspecto. Por exemplo, o problema de não se ter feito o corredor e a recuperação da ribeira da Alcântara – em que já está um projecto feito – é um situação ambiental gravíssima, não querem porque preferem construir na zona onde passa a ribeira. A câmara não tem contribuido para estas questões porque não as percebe.

E sobre o túnel do marquês, é necessário?
Eu acho que não era necessário para coisa nenhuma, há outras obras mais importantes, a unica utilidade que o túnel tem é ser visível.

Será prejudicial a nivel ambiental?
Tudo o que não é feito de forma organizada em termos de território é sempre prejudicial para o ambiente e gera poluição. Não traz vantagens, portanto é contrário a um bom ambiente. Gera mais carros na cidade e confusão.

E a recuperação de Monsanto? Como vê esta medida?
Monsanto não tinha solo. O principal responsável foi o engenheiro Rodrigo, que para fazer solo teve de colocar plantas pioneiras, as que haviam no país, para tentar uma recuperação do solo, porque sem solo bom não há vegetação. A recuperação foi feita e as plantas que fizeram essa recuperação e criaram matéria orgânica, hoje estão a ser destruídas pela própria vegetação natural dos carvalhos, das pistáceas, e tudo isso que está a aparecer com grande força. Está melhor do que estava, agora é preciso que deixem avançar a vegetação natural e que auxiliem as plantas pioneiras, não deixando avançar as plantas invasoras. Foi uma obra de 30 anos da própria natureza.

Quem são para si as pessoas mais capazes do ponto de vista ambiental em Portugal?
Parte das entidades responsáveis terem o bom senso suficiente e conhecimento na matéria, que não têm, para irem ao encontro daquilo que as pessoas desejam e não andar a criar embustes, a enganá-las, com esses arranjos, de rotundas, de arranjos exteriores a grandes urbanizações, isso tudo é para deitar fora. Há bastantes pessoas capazes cá, arquitectos paisagistas a trabalhar bem, só que também há muitas dificuldades.

Qual o seu sonho para Portugal de um ponto de vista ambiental?
É a recuperação da agricultura em todo o país. Não há ambiente possível sem recuperarmos por todo o país uma agricultura diversificada, de tipo mediterrânico, polivalente que integre depois os espaços urbanos. Hoje não há divisão entre espaços urbanos e espaços rurais, isso acabou, não há fronteiras. Tem de se interligar, como foi na origem, um com o outro. O planeamento tem de abranger os dois aspectos. Há que, de uma forma sábia, articular tanto o sistema natural que tem a agricultura, o recreio, as matas, como o sistema construido que tem os edifícios e os arruamentos. Hoje as cidades não estão dentro de muralhas nem respeitam limites administrativos, esses limites acabaram. É uma ocupação do território que integra o sistema de abrigo, que é o edificado, com o sistema natural (agricultura, pastagens, matas e não jardins da celeste artificiais). Se não fizermos isto estamos a arranjar um artificialismo que nos vai sair muito caro.