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sábado, fevereiro 21, 2015

os filmes dos óscars

Os filmes candidatos a Melhor Filme dos Óscares, por mim:

boyhood, 12 anos de vida num filme notável

 

birdman, um homem passáro a voar de emoção em emoção

 

patriota e nem por isso anti-guerra
American Sniper

 

génio à força
whiplash

 

me stephen, you jane. a vida dos Hawking com e sem ELA
A Teoria de Tudo. A Theory of Everything. 

 

The Imitation Game – O Jogo da Imitação –
Uma história impressionante e bem contada, muitíssimo bem interpretada mas que podia ser mais arrebatadora na forma como é realizada e na forma como a história se desenvolve e como nos aproxima das personagens. 

a Selma de Martin Luther King

 

Grand Hotel Budapest
Um filme tão cómico, com as típicas personagens cativantes, divertidas e interessantes do seu realizador, quanto sério e intenso. Wes Anderson consegue um belo equilíbrio numa boa história sobre o concierge lendário de um hotel numa república ficcional e as suas aventuras, sempre com o seu fiel paquete a seu lado, passado entre a primeira e segunda guerra mundial. Um vasto, peculiar e bem conseguido elenco alimenta um filme que nos faz rir, sorrir e nos chega a emocionar. Wes Anderson ao seu melhor. 

boyhood, 12 anos de vida num filme notável

Linklater filmou ao longo de 12 anos Ellar Coltrane a tornar-se adolescente e Ethan Hawke e Patricia Arquette como pais num filme único e notável: Boyhood: Momentos de Uma Vida.

Imagine um drama onde acompanhamos uma criança (Ellar Coltrane) a crescer, dos 6 aos 18. Pelo meio assistimos às vicissitudes da vida dos pais, divorciados, da mãe a tentar encontrar um rumo, da irmã (filha de Linklater) desde os tempos em que lhe faz a vida negra à maioridade.
Já houve muitos (e bons) filmes com esta temática. Nunca houve um como Boyhood: Momentos de Uma Vida, de Richard Linklater.

O que o realizador de Antes do Amanhecer concretiza é uma experiência de vida a ocorrer à frente dos olhos do espectador da forma mais real e natural possível numa espécie de cápsula do tempo.

O filme foi gravado ao longo de 12 anos de vida real dos atores – vemos as crianças a crescer de uma forma inédita. Todos os anos o realizador filmava cerca de uma semana com os atores.
O resultado desses 12 anos somados em filme é algo muito mais natural e sociologicamente relevante do que qualquer filme até agora conseguiu. O que Linklater consegue é uma vivência íntima, emocionante e tocante (sem ser lamechas) num filme único e notável.

Os anos passam de cena em cena, de uma forma tão natural quanto bem conseguida. Linklater abre-nos janelas para a vida desta família, a fazer lembrar a saga de filmes Antes do Amanhecer/Anoitecer/da Meia Noite.

E nesses momentos de vida destas personagens intensas brilham os atores: Ellar Coltrane (que vemos atuar como criança e adolescente), Patricia Arquette, Ethan Hawke e Lorelei Linklater (a filha do realizador e que é irmã mais velha do jovem protagonista).

birdman, um homem passáro a voar de emoção em emoção


A comédia negra Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância, o filme de Alejandro González Iñárritu, com Edward Norton e Michael Keaton ao melhor nível de sempre é, com justiça, um dos favoritos aos Óscares - é um dos mais nomeados: melhor filme, ator (Michael Keaton), actor secundário (Edward Norton), actriz (Emma Stone), realizador, argumento original, cinematografia, mistura de som e edição de som. Aqui fica a crítica.

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O intricado, emocional, egocêntrico e perturbado mundo de um ator acabado que vive há décadas à sombra de um blockbuster de super-herói da década de 80 (Birdman) é exposto de uma forma intensa, emotiva e, diga-se, brilhante em Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância (um belo título).

O filme do mexicano Alejandro González Iñárritu, um dos favoritos aos Óscares e nomeado para sete Globos de Ouro, mostra sem medo de arriscar a preparação para uma peça de teatro que é nada mais nada menos do que a tentativa desesperada de Riggen Thomson, interpretado na perfeição por um revigorado Michael Keaton, de mostrar que ainda é alguém, que é capaz de surpreender. A decadência e caos parece estar a um pequeno passo do brilhantismo e do sucesso no mundo dos artistas atores.

À sua frente tem vários desafios: o ‘fantasma’ do super-herói da trilogia que interpretou, Birdman, que lhe segreda ao ouvido (ao estilo alter-ego) que ele é bom demais para o teatro e devia era voltar a tentar o sucesso com novo filme de Birdman; o agente preocupado e que tenta manter tudo sob controlo (Zach Galifianakis); a filha problemática com problemas de droga (a sarcástica Emma Stone) que é sua assistente; o genial no palco e extremamente problemático e instável fora dele ator de teatro Mike (Edward Norton); a sua namorada atriz na peça; a estreante na Broadway e namorada do instável Mike (Naomi Watts); uma crítica de teatro do New York Times anti-atores de Hollywood capaz de erguer ou destruir uma peça com uma crítica.

O resultado? Iñárritu usa de forma notável a técnica plano-sequência – que dá a ilusão que todo o filme é filmado em movimento contínuo da câmara com um só plano que se move de local em local, de personagem em personagem, de emoção em emoção. A ajudá-lo, para além da fotografia brilhante de Emmanuel Lubezki, tem uma banda sonora repleta de batimentos e sons bizarros de Antonio Sanchez.

Num filme repleto de dilemas emocionais representados de forma única e visceral por atores a interpretar atores, este tipo de realização não só assenta que nem uma luva à história caótica da psique de atores inseguros que estão com os nervos à flor da pele, como dá ritmo constante ao filme, mantendo o espetador sempre alerta, de discussão emotiva em dilema pessoal. É justo dizer que o elenco é notável e há verdadeira química intensa e visceral entre todos os atores nas várias cenas emocionais que partilham.

Michael Keaton e Edward Norton têm dos melhores desempenhos das suas carreiras já de si ‘cheias’ de momentos brilhantes.

Comédia negra. Montanha russa de emoções. Fábula teatral. Desvario psicológico. Energia vibrante de acção em acção. Birdman é tudo isto e muito mais. É certo que não vai agradar e todos mas promete ser uma experiência intensa e que mantém todos na sala de cinema alerta dando uma perspetiva das emoções que um grupo de atores no limite estão a experienciar.

Não deixa de ser curioso ver como o filme retrata na perfeição, numa espécie de bailado emocional, o caos que os atores vivem instantes antes da cortina subir, e são perfeitos e coordenados – tudo faz sentido e o caos torna-se em ordem – assim que a cortina do teatro sobe e eles entram naquele espaço ‘sagrado’ e mágico que parece ser o palco. Iñárritu, que também co-assina o guião, ilustra ainda vários dilemas no mundo do espectáculo, não só a ‘luta’ entre atores de cinema e de teatro mas também o mundo da internet VS o mundo do espectáculo convencional, entre outras dicotomias.

[Alerta de SPOILER]
Só o final do filme é menos intenso, vibrante e surpreendente – contrasta com o resto do filme e é, diríamos, ‘leve’ –, mas essa parece ser uma escolha/contraste consciente dos autores que parece tirar força ao fim mas tem algum sentido na história que parece tentar entrar na psique dos atores.

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Sabe-se agora que o realizador Alejandro Gonzalez Inarritu e o co-argumentista Alexander Dinelaris tinham planeado inicialmente que o fim do filme seria com Johnny Depp, sentado no camarim sozinho, enquanto tentava desesperadamente soltar-se das amarras de Pirata das Caraíbas e da personagem do Capitão Jack Sparrow.

Inarritu já tinha admitido o mês passado que tinha alterado o fim do filme porque decidiu que era «um fim embaraçoso». Agora Dinelaris revelou que final é que era:

«A câmara iria passear-se pelos corredores do backstage, como fez todo o filme, entrávamos no camarim onde estaria Johnny Depp sentado, a olhar-se no espelho, enquanto poria a peruca de Riggan Thomson (a personagem de Michael Keaton. Atrás estaria um poster do Pirata das Caraíbas. E na voz de Jack Sparrow, iria-se ouvir: 'O que é que estás aqui a fazer, mate?' Iria ser um fim em sátira.».

A explicação foi dada por Dinelaris no podcast 'The Q&A'. Este fim iria sugerir que Depp também teria problemas em ver-se livre da personagem de Jack Sparrow, tal como Thomson, a personagem central do filme.

a Selma de Martin Luther King


Pode ter alguns clichés e abordar um tema que já foi várias vezes retratado no cinema, mas Selma coloca-nos numa das alturas mais importantes dos direitos civis norte-americanos, na perspectiva de um dos heróis mais importantes na igualdade entre seres humanos nos EUA: Martin Luther King.
Uma história sobre decência humana. Sobre os valores básicos e a forma como se pode e deve combater aqueles que os espezinham persistindo.

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Um dos oito candidatos ao Óscar de Melhor Filme é este Selma: a dura luta pelos direitos civis no Alabama em 1965. 

Os direitos civis norte-americanos já foram retratados noutros filmes de Hollywood mas Selma – sobre a histórica marcha de 1965 na pequena localidade do Alabama – oferece uma visão cativante e emotiva, sobre a dor e a crueldade de uma espécie de guerra civil no sul dos EUA tendo como protagonista Martin Luther King Jr.. A realizadora Ava DuVernay mostra-nos sem paternalismos um Luther King multidimensional com defeitos e virtudes (o sonho pela igualdade) e permite-nos refletir sobre o quanto a humanidade já evoluiu desde 1965. A ajudá-la tem uma notável interpretação do britânico David Oyelowo.

O filme produzido por personalidades como Oprah (também entra como atriz) e Brad Pitt é a história de um movimento liderado por Luther King, num ambiente tenso e complexo, pela defesa do direito ao voto da comunidade negra no Alabama. 

Depois de um primeiro protesto que acaba em violência sem limites e morte, Luther King organiza uma marcha de milhares de pessoas, vindas de todo o país, contra as autoridades locais e que acabou por obrigar o presidente norte-americano (desempenhado por Tom Wilkinson) a permitir uma das maiores vitórias dos direitos civis norte-americanos.
Uma história sobre a persistente luta pela decência humana.