Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

colhe o dia, porque és ele - carpe diem versão Pessoa


Colhe o Dia, porque És Ele
Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.



Ricardo Reis, in "Odes"

domingo, junho 08, 2014

fisherman goes to bay


pescador de almas

pescador de sentidos

pescador de latidos

pescador de subentendidos

pescador de ruídos

pescador de imbutidos

pescador de criancices

pescador de memórias

pescador de 'reza a história'

pescador de ideias

pescador de cadeias

pescador sem limites

pronto para respirar e ser livre

quinta-feira, março 13, 2014

que rico moço


A rica tem nome fino
A pobre tem nome grosso
A rica teve um menino
A pobre pariu um moço

António Aleixo

mandar não é privilégio é responsabilidade



Há tantos burros mandando 
Em homens de inteligência 
Que às vezes fico pensando 
Que a burrice é uma ciência.

António Aleixo

quarta-feira, dezembro 18, 2013

herr brecht für alles


Todas as artes contribuem 
para a maior 
de todas as artes, a arte de viver.


Bertold Brecht

terça-feira, setembro 24, 2013

perturbado pela noite.
derrubado pelo fado.
tudo cai quando sou lixado.
uma onda sem aviso
uma névoa sem passado
caio e levanto enviesado
ela olha e tudo pára
eu respondo. sou um diabo.
lucifer deixa-me ser apaixonado.

sábado, setembro 10, 2011

mar salgado

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Fernando Pessoa



Carlos Tê usou este poema na canção Praia das Lágrimas, para o álbum Auto da Pimenta, de Rui Veloso:

sexta-feira, setembro 02, 2011

o momento

"há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares! 
é tempo de travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos..." 

fernando pessoa

via a.m.

sábado, junho 18, 2011

filho

Sou filho da noite, mas não saio de casa
Sou filho da puta, mas não faço mal a uma mosca
Sou filho do rock, mas não sei rockar
Rebelde, rebelde, rebelde, rebelde
O lado negro do rock chama por ti
Entra na roda viva, entra e gira, gira, gira, gira
Morro amanhã, morro amanhã, morro amanhã

filosofias 'socráticas', o verdadeiro...

A vida é uma carruagem
que está sempre em andamento
e nos deixa duas escolhas,
ou subimos a bordo
e percorremos caminhos e experiências,
ou ficamos em terra e quietos... eternamente.
Não fiques parado.

terça-feira, outubro 12, 2010

quem somos nós e o que fazemos aqui?

Há alturas do dia (é mais pela noite) em que me questiono: Onde é que nós virámos na curva errada?

Nunca percebi bem o saudosismo exagerado. Mas começo a perceber melhor porque ele surge com facilidade.

Já ouviram falar do Windows 2.0, 2.1, 3.0, 3.1, 95, 98, Me, NT, XP, Vista e 7? Do iPhone 1, 3, 4?
Já ouviram falar da 6.ª geração do Golf ou do restyling do Citroën C4 Picasso?
Já ouviram falar dos políticos profissionais 2.0 cheios de argumentos e marketing a nos venderem o seu produto, eles próprios?
Já ouviram falar nas novíssimas botas de couro mostarda cano baixo e abertura na frente do Marc Jacobs?

Perseguimos bens, empregos e uma vida que nos é vendida e promovida, mas que é irreal e muitas vezes vazia. E o preço dessa vida, muitas vezes, significa que nos vendemos e nos perdemos (a nossa essência).

Algures pelo caminho, numa das várias curvas do destino, chega a parecer que nos perdemos num excesso de capitalismo (ganância absoluta e premiada: «o dinheiro nunca dorme») e de cultura das vendas, da novidade constante e da respiração ao ritmo do marketing. Não que não tenham havido benefícios, vantagens e melhorias. Houve. Mas, nestes dias de crise financeira profunda e de falhanço óbvio das instituições que nos governam, dá vontade de questionar tudo. Incluindo as curvas que os nossos antepassados, ou os seus governantes, curvaram por nós, escolheram por nós.


Daí que citar esse grande poeta dos tempos modernos (nascido, eternizado e desaparecido nos anos 1990), Tyler Durden, nos dias que correm faça todo o sentido:

"You're not your job. You're not how much money you have in the bank. You're not the car you drive. You're not the contents of your wallet. You're not your fucking khakis. You're the all-singing, all-dancing crap of the world."


"God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off."

domingo, abril 04, 2010

goodnight, caldas

As ruas das Caldas estão cheias de esquinas.
As ruas das Caldas estão cheias de memórias.
Estão cheias de estórias, olhares e imaginação.
Cheias de emoções e desilusões escondidas.
De conversas longas, observações peculiares,
frases feitas e clichés nada originais.

As ruas das Caldas são feitas de esquinas.
Ruas feitas de descobertas a cada virar de rua.
Feitas de caras outrora conhecidas e caras novas.
São ruas de descobertas e de imaginações antigas.

As noites das Caldas são circulares.
Por mais que andemos voltamos sempre ao mesmo sítio.
As noites das Caldas são frias.
Por mais que trememos, estamos sempre dispostos a ficar.
As noites das Caldas são distantes.
Por mais que nos lembremos, nunca mais serão as mesmas.
Boa noite, Caldas.

sexta-feira, março 26, 2010

não parar e continuar a mudar

Muito obrigado i por me teres mostrado isto:



Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda 

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

oh me, oh life... by keating

in dead poets i trust


Keating: No matter what anybody tells you, words and ideas can change the world.



Keating: To quote from Whitman, "O me! O life!... of the questions of these recurring; of the endless trains of the faithless--of cities filled with the foolish; what good amid these, O me, O life? Answer. That you are here - that life exists, and identity; that the powerful play goes on and you may contribute a verse." That the powerful play goes on and you may contribute a verse. What will your verse be?



Keating: Now I'd like you to step forward over here. They're not that different from you, are they? Same haircuts. Full of hormones, just like you. Invincible, just like you feel. The world is their oyster. They believe they're destined for great things, just like many of you, their eyes are full of hope, just like you. Did they wait until it was too late to make from their lives even one iota of what they were capable? Because, you see gentlemen, these boys are now fertilizing daffodils. But if you listen real close, you can hear them whisper their legacy to you. Go on, lean in. Listen, you hear it? --- Carpe --- hear it? --- Carpe, carpe diem, seize the day boys, make your lives extraordinary.



Keating: O Captain, my Captain. Who knows where that comes from? Anybody? Not a clue? It's from a poem by Walt Whitman about Mr. Abraham Lincoln. Now in this class you can either call me Mr. Keating, or if you're slightly more daring, O Captain my Captain.



McAllister: Free thinkers at seventeen?

Keating: Funny, I never pegged you as a cynic.

McAllister: Not a cynic, a realist. Show me the heart unfettered by foolish dreams and I'll show you a happy man.

Keating: But only in their dreams can men be truly free. T'was always thus and always thus will be.

McAllister: Tennyson?

Keating: No, Keating.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

frost and the roads

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Robert Frost


segunda-feira, janeiro 04, 2010

quem? onde? quando? o quê? porquê?

2010 está a começar
e tu podes contribuir com um verso
2010 floresce e traz esperança
e nós podemos contribuir com um berço

craddle of hope

sexta-feira, junho 19, 2009

could it be

Could it be
the most annoying person in the world?
Could it be
Stings to see, you're the reason that God made the gun...



terça-feira, junho 16, 2009

bom dia noite

Custa tanto acostumar o corpo a deitar mais cedo depois de um período a deitar tarde...


Um xanax, um murro no nariz... haja sono. Vou para o round 2, eu contra a minha imaginação que não pára de perturbar o adormecer necessário. Assim que me deito na cama não paro de pensar no futuro, no presente, no passado ou num momento lixado. A cabeça dá voltas e voltas, tem as ideias mais brilhantes do universo, lembra-se de tudo o que ficou por fazer, do que poderia ter ficado bem melhor e de tudo aquilo que me falta fazer. Claro que assim que me levanto da cama para registar as ideias mais geniais da galáxia, esqueço-me de 98% delas, ou então percebo que são um bocado estúpidas. Manias.


Sono, onde andas tu? E já que a noite muito quente (tropical, mesmo) propícia William Blake, aqui jaz...



A Cradle Song By William Blake

Sweet dreams, form a shade
O’er my lovely infant’s head;
Sweet dreams of pleasant streams
By happy, silent, moony beams.

Sweet sleep, with soft down
Weave thy brows an infant crown.
Sweep sleep, Angel mild,
Hover o’er my happy child.

Sweet smiles, in the night
Hover over my delight;
Sweet smiles, Mother’s smiles,
All the livelong night beguiles.

Sweet moans, dovelike sighs,
Chase not slumber from thy eyes.
Sweet moans, sweeter smiles,
All the dovelike moans beguiles.

Sleep, sleep, happy child,
All creation slept and smil’d;
Sleep, sleep, happy sleep,
While o’er thee thy mother weep.

Sweet babe, in thy face
Holy image I can trace.
Sweet babe, once like thee,
Thy maker lay and wept for me,

Wept for me, for thee, for all,
When he was an infant small
Thou his image ever see,
Heavenly face that smiles on thee,

Smiles on thee, on me, on all;
Who became an infant small.
Infant smiles are his own smiles;
Heaven & earth to peace beguiles.




the intent

"A Truth that's told with bad intent
Beats all the Lies you can invent"

William Blake


quarta-feira, maio 06, 2009

tudo vale a pena se a alma não é....

O meu irmão pediu-me que lhe sugerisse poemas para um trabalho da escola. Entre vários que lhe enviei estava este:



Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Fernando Pessoa, in Mensagem