Um pequeno vídeo tolo fez-me lembrar como foi bom crescer nessa bela localidade que é as Caldas da Rainha (onde incluo ainda o Oeste de Portugal).
Aqui ficam memórias caldenses.
Sair da escola e passear pela rua das Montras, ver as babes, ir à Praça da Fruta, passar pelo Parque (onde se jogava ping pong ou se apanhava molha em passeios de barco agitados no Verão).0
Iir à Upacal e comer um salame, ou passar pelas lojas do Parque, levar uns deliciosos Beijinhos. Ou, no Verão, ir experimentar os sabores novos na gelataria Puzzle (e ainda ver as novas figuras com pénis XXL prontos a sair de fora ao mero puxar de um cordel).
No Verão, a malta ia quase todos os dias de bicicleta até à praia: o Alto do Nobre era a subida de montanha da viagem; a fonte dos Namorados era o ponto de paragem obrigatório para esperar pelos lentos e beber água, no caminho até à Foz do Arelho - 15 quilómetros para cada lado que envolviam uma corrida diária entre os presentes, claro.
Nesses mesmos verões, sempre que queríamos fazer mais uns quilómetros de bicla, metíamo-nos pelo verde Nadadouro, com vista para a Lagoa de Óbidos, ou pelos caminhos menos conhecidos (de subidas complicadas) até ao meio da Estrada Atlântica (entre São Martinho do Porto e a Foz).
Certos dias íamos no autocarro saltitante estilo "mar alto" das Caldas até à Foz, onde havia sempre gente conhecida e o Ricardão não perdia oportunidade de assustar alguma miúda com o seu olhar fixo pseudo-sensual.
Na Foz - onde o ponto de encontro era sempre "junto à Bandeira" - jogava-se à bola umas horas, via-se as babes, dava-se mergulhos criativos (por vezes dolorosos) na Lagoa e combatia-se as ondas rebeldes durante horas no 'mar'. Muitas vezes (já sem o Lipinho na praia) só saíamos com o pôr do sol - lembras-te, Robert Charruadas?
Aos fins-de-semana podíamos ir de carro até Peniche, apanhar o barco até às Berlengas (fiz isso vezes a menos!).
Mais frequente foi: ir em famelga e de farta merenda na carrinha do meu Tio Zé almoçar no pinhal do Outro Lado da Foz. Depois do almoço que envolvia frisbees, cartas e afins, a tarde era passada na gigante Praia Del Rei, onde haviam nudistas lá ao fundo e o areal (com riachos com ligação ao mar pelo meio) parecia não ter fim. Por lá lembro-me de jogar aos Gladiadores Americanos ou aos penáltis com o Nuno Vinhais, de jogar raquetes até cair para o lado com o primão André Ramalho ou o daddy e de ficar vermelho, estilo Índio, como um pimento.
Quando havia vontade de fazer mais do que 20 quilómetros e ir para a confusão, íamos ao Baleal aproveitar aquele mar perfeito (entre o calmo e o ondulado o suficiente para o surf) e areal delicioso.
Mais tarde, já andava na faculdade em Lisboa, comecei a frequentar com a malta aos fins-de-semana ou nas férias Supertubos. Passou a ser a praia de eleição no Oeste, mais calma, com boas ondas e relativamente perto.
Voltando atrás, aos tempos de Secundário: em Agosto, nos verões em que não ia aprender a trabalhar com o meu Tio Júlio, ou descansava na loja do meu avô a fazer descontos a clientes, a ler as edições desde 1970 da TV Guia ou os desportivos sobre os milhares de reforços do Benfas, ou em alternativa juntava-me à (fictícia) Associação Sindical do Apanhadores de Pêra Rocha Universitários do Oeste.
Na Pêra, em plena aldeia da Sobrena, os dias começavam pelas 8h em ponto - a viagem começava pelas 7h20 a partir das Caldas, no Fiesta preto do Sérgio, com tudo ensonado.
Depois de boas histórias partilhadas, muita pêra comida, apanhada e atirada violentamente para os vários jovens camaradas da Pêra, o dia chegava ao fim com arranhões nos braços e pernas - a malta era acrobata nas Pereiras - e bronze à pedreiro (ao almoço havia um 'endireita' disponível).
A viagem de regresso de Fiesta pela mítica Nacional 1 era mais animada: envolvia corridas de carros, rabos à mostra para quem ia de mota (o Ruben era a vítima), buzinadelas para os velhotes que iam junto à estrada (cumprimentavam-nos sempre!) e conversa na língua russoviesky, onde o grande Cardozo era especialista doutorado.
'Olhando' para trás, penso:Jim Morrison é que tinha razão: «Carry me, Caravan, take me away
Take me to Portugal...» «The West is the Best».
E para mim confirma-se: o Oeste é melhor, pelo menos para mim foi.
quarta-feira, maio 21, 2014
o futebol (também) é isto
Tiago, emocionado, dedica, num vídeo de bastidores do Atlético Madrid campeão em pleno Camp Nou, o título espanhol aos seus tios (parece ter havido uma morte na família e o seu tio ter-lhe-à dito que ia ser campeão esta época). Emotivo! Grande Tiago! (aos 2m)
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terça-feira, maio 20, 2014
os primeiros a partilhar conhecimento
Enheduana, a primeira a escrever e assinar o que escreveu.
Gilgamesh. Herói antigo. O primeiro. Imortalidade por histórias.
No Uruk (actual Iraque). Primeiro local onde se escreveu.
via Cosmos
Gilgamesh. Herói antigo. O primeiro. Imortalidade por histórias.
No Uruk (actual Iraque). Primeiro local onde se escreveu.
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sortido de memórias
Ando constipado. Dor de garganta, tosse, um pouco de febre, the works. Nestas alturas lembro-me sempre dos remédios milagrosos e naturais da minha mãe que havia lá por casa. Chupar metade de uma fatia de limão com açúcar ajudava à dor de garganta. A calda da cenoura embebida em açúcar ajudava à tosse e até saboroso era.
Para a dor de dentes, bochechar com aguardente ou whiskey ajudava. Saudades.
Fora de doenças, Sopinhas de Leite, Gemadas e um mix de gemada com farinha (massa se bolo) eram presenças gastronómicas à noite ou de madrugada.
Para a dor de dentes, bochechar com aguardente ou whiskey ajudava. Saudades.
Fora de doenças, Sopinhas de Leite, Gemadas e um mix de gemada com farinha (massa se bolo) eram presenças gastronómicas à noite ou de madrugada.
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domingo, abril 13, 2014
o destino através dos filmes
Mr. Destiny foi um dos filmes que mais me entusiasmou no princípio da adolescência, tal como Regresso ao Futuro, Indiana Jones, ET, Guerra das Estrelas, O Feitiço do Tempo, uns quantos com o Tom Hanks (de Big, a Um Dia a Casa Vem Abaixo ou A Fogueira das Vaidades), Clube dos Poetas Mortos, O Rei dos Gazeteiros, O Tubarão, O Padrinho, SOS Fantasmas, Caça Fantasmas, Tootsie, O Que Se Passa com Bob? (estes últimos com Bill Murray), Esquecer Paris, Os Caça Policias (não estou a incluir o belo ano de 1994) etc.
É uma comédia peculiar e imaginativa com uma mensagem sobre a vida e as decisões que tomamos muito poderosa, que teve impacto em mim quando tinha 10 anos e achava que ser rico ia tornar a minha vida bem melhor. James Belushi era o homem amargurado com a sua vida que (graças a Michael Caine) tem direito a poder experimentar uma vida alternativa de sucesso financeiro e profissional. Essa é a vida que ele podia ter tido se, numa jogada de beisebol quando era miúdo, tem acertado na bola e dado o campeonato à sua equipa.
Se vir o filme hoje vou ficar preso à qualidade mediana de efeitos e alguns pormenores mas na altura aquela história significava tanto que nunca mais a esqueci, só me esqueci mesmo do nome do filme (nunca foi popular, só o vi porque era um junkie do clube de vídeo) e do nome dos protagonistas - redescobri tudo isso há uns anos. No fundo é um filme com uma mensagem filosófica sobre os caminhos que a vida toma e a forma como isso pode influenciar a nossa personalidade e felicidade. E depois tem a perspectiva de como o facto de não conseguirmos aquilo que sonhamos não ser necessariamente mau, porque nem sempre os desejos de grandeza e riqueza que temos nos fazem mais felizes do que uma vida menos glamorosa e simples. Pode parecer uma lição simples, mas para um puto de 10 anos ficou gravado. Boa noite, e bons filmes.
É uma comédia peculiar e imaginativa com uma mensagem sobre a vida e as decisões que tomamos muito poderosa, que teve impacto em mim quando tinha 10 anos e achava que ser rico ia tornar a minha vida bem melhor. James Belushi era o homem amargurado com a sua vida que (graças a Michael Caine) tem direito a poder experimentar uma vida alternativa de sucesso financeiro e profissional. Essa é a vida que ele podia ter tido se, numa jogada de beisebol quando era miúdo, tem acertado na bola e dado o campeonato à sua equipa.
Se vir o filme hoje vou ficar preso à qualidade mediana de efeitos e alguns pormenores mas na altura aquela história significava tanto que nunca mais a esqueci, só me esqueci mesmo do nome do filme (nunca foi popular, só o vi porque era um junkie do clube de vídeo) e do nome dos protagonistas - redescobri tudo isso há uns anos. No fundo é um filme com uma mensagem filosófica sobre os caminhos que a vida toma e a forma como isso pode influenciar a nossa personalidade e felicidade. E depois tem a perspectiva de como o facto de não conseguirmos aquilo que sonhamos não ser necessariamente mau, porque nem sempre os desejos de grandeza e riqueza que temos nos fazem mais felizes do que uma vida menos glamorosa e simples. Pode parecer uma lição simples, mas para um puto de 10 anos ficou gravado. Boa noite, e bons filmes.
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terça-feira, abril 08, 2014
o teu próprio cosmos
"Se te queres conhecer, observa a conduta dos outros; se queres conhecer os outros, olha para o teu próprio coração."
Bom 8 de Abril.
-- Friedrich Schiller (um tipo alemão)
Bom 8 de Abril.
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evite quedas
É oficial, está aberta a época dos espalhos. Segunda senhora que ajudo a levantar do chão depois de um tralho e a reunir os pertences em menos de uma hora. Confirma-se, os tugas são solidários. Não fui o único a ajudar e a preocupar-me.
Gente, cuidado com os degraus, buracos e milhares de obras e desníveis da cidade.
Gente, cuidado com os degraus, buracos e milhares de obras e desníveis da cidade.
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lisboa
confiar no criador... ou nos teus instintos
estou indeciso. não sei se detestei ou se fiquei meramente desiludido com o filme Noah (Noé, para os amigos portugueses). é a história e a ligação (empatia) pela personagem principal que me perturba. e acho que Russell Crowe até está bem, tal como Aronofsky na realização. já a história e a forma como está construída em certos momentos (e enquadrada) foi o que me estragou a experiência (e lá pelo meio até tem momentos interessantes e algumas boas decisões na hora de contar esta história). não tenho dúvida nenhuma é sobre Emma Watson: está perfeita (e, ela sim, tem a personagem mais interessante do filme).
no fim de contas, a mensagem acabou por ser: "crescei e multiplicai-vos".
(ou, mais a sério: nem tudo o que o criador te diz para fazer é para fazeres, e se não fizeres talvez ela até tenha querido que não fizesses... bla bla bla).
não há deus, há um criador.
Aranofsky, felizmente, afastou-se (e bem) do lado meramente religioso da história. por isto mesmo, tinha esperança que fosse um filmaço - e escreve-vos isto o ser humano que apreciou Cloud Atlas. para mim, não é. tem demasiadas histórias mal contadas, situações inverosímeis (não é por serem sobrenaturais, mas por não colarem bem com a forma como o contexto do filme é criado, lá está, não parece credível), lengas-lengas (ou como eu gosto de chamar, mambo djambo) que me distraem e afastam-me de sentir empatia e compreensão para com as personagens. Noé (Crowe) tem bons momentos, tem outros que me afastam dele (e da história) e me perturbam a forma como poderia apreciar o filme que, no fim de contas, tem efeitos e realização de grande nível, boas actuações e um ritmo certo que nunca nos aborrece (é a história, tristemente, que o faz).
desejos de bons pedaços de cinema; histórias bem contadas que nos façam imaginar, sonhar, sentir inspirados ou meramente aconchegados.
no fim de contas, a mensagem acabou por ser: "crescei e multiplicai-vos".
(ou, mais a sério: nem tudo o que o criador te diz para fazer é para fazeres, e se não fizeres talvez ela até tenha querido que não fizesses... bla bla bla).
não há deus, há um criador.
Aranofsky, felizmente, afastou-se (e bem) do lado meramente religioso da história. por isto mesmo, tinha esperança que fosse um filmaço - e escreve-vos isto o ser humano que apreciou Cloud Atlas. para mim, não é. tem demasiadas histórias mal contadas, situações inverosímeis (não é por serem sobrenaturais, mas por não colarem bem com a forma como o contexto do filme é criado, lá está, não parece credível), lengas-lengas (ou como eu gosto de chamar, mambo djambo) que me distraem e afastam-me de sentir empatia e compreensão para com as personagens. Noé (Crowe) tem bons momentos, tem outros que me afastam dele (e da história) e me perturbam a forma como poderia apreciar o filme que, no fim de contas, tem efeitos e realização de grande nível, boas actuações e um ritmo certo que nunca nos aborrece (é a história, tristemente, que o faz).
desejos de bons pedaços de cinema; histórias bem contadas que nos façam imaginar, sonhar, sentir inspirados ou meramente aconchegados.
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terça-feira, abril 01, 2014
os duelos dos opostos
Os opostos defrontam-se
Costuma
dizer-se: os opostos
atraem-se. A lei da física (chamada de Coulomb e que descreve a interacção
electrostática entre partículas electricamente carregadas - e esta, hein!) que
deu origem ao ditado retrata, neste caso, o duplo duelo com que começam hoje os quartos-de-final da Champions.
Na parte ibérica da Europa, mais precisamente no maior estádio europeu (capaz de receber 99 mil adeptos), Camp Nou, há embate espanhol (entre madrilenos a catalães). Um Barcelona ainda a ‘bailar’ ao ritmo remoto de Guardiola - agora sob a batuta do argentino Tata ‘tango’ Martino - é conhecido pelo futebol de ataque e pela nota artística. Este Barça enfrenta um At. Madrid conhecido pela força mental e física com que conseguiu chegar à liderança da Liga espanhola actual (os catalães estão a um ponto), muito graças às danças tribais coordenadas pelo também argentino (mas bem mais experiente nas andanças europeias do que Tata) Diego Simeone.
Fora da Europa continental, numa ilha a que dão o nome de Grã-Bretanha, o duelo é anglo-germânico. De um lado estará o pior Man. United das últimas décadas na Liga inglesa – orientado desde Julho por David Moyes – defronta o melhor Bayern Munique de sempre na Bundesliga e principal favorito em revalidar o título na Champions – do catalão Pep Guardiola.
Opostos à
parte, o único jogo onde se espera uma tempestade
humilhante para uma das
equipas é no Teatro dos Sonhos, Old Trafford (Manchester). Os registos do
campeão da Champions e da Bundesliga a ‘bailar’ agora ao ‘som’ do tiki-taka de
Guardiola têm tudo para esmagar os pobres resultados do campeão inglês (a época
passada), com dificuldades para interpretar o novo ‘sapateado’ de David Moyes
desde que o veterano maestro Sir Alex Ferguson abandonou a orquestra do United
a época passada.
O Bayern de Pep é o grande favorito à vitória final da
Champions. As casas de apostas
online assim o indicam, ao
cotar com praticamente o dobro do favoritismo do segundo mais cotado, o Real
Madrid. O Chelsea está atrás de Barça e PSG na lista dos favoritos. O último é
o Dortmund, que consegue estar pior neste domínio de cotações do que o próprio
Manchester United - a demonstrar que este Dortmund não é o mesmo que eliminou à
tangente a época passada o Real Madrid.
Os registos são como o algodão, não costumam
mentir. O catalão Pep Guardiola é, provavelmente, o treinador com melhores
registos em menos tempo da história. A ajudá-lo tem a melhor geração de sempre
do Barça e o Bayern mais demolidor (ainda antes da sua chegada). Ironia das
ironias: é preciso recuar cinco anos (num total de 229 jogos, desde
2009) para Guardiola acumular 14 derrotas; já Moyes herdou um United
campeão de Inglaterra mas perdeu 13 jogos em 47 disputados só esta época!
Mas
esqueçamos Moyes, um escocês com um registo bem razoável ao longo de uma década
num Everton, mas que andou sempre longe das luzes do topo do futebol mundial.
Pep Guardiola tem apenas 23 derrotas em toda a carreira e impressionantes 17 títulos. Vejamos:
290 jogos
217
vitórias
50
empates
23
derrotas
17
títulos
3
títulos no Mundial de Clubes
2 Ligas dos Campeões
3 La Liga
1 Bundesliga
Ganhou 14
títulos em 19 possíveis (só perdeu cinco) nos primeiros quatro anos de carreira
com uma equipa principal (o Barça).
A
vitória mais volumosa preferida é a mítica 'manita': o 5-0 (19 triunfos!)
Do qual
foram vítimas equipas como Sevilha, Real Madrid (o primeiro clássico de
Mourinho pelos madrilenos), Villarreal, Atlético de Madrid, Basileia, o
Panathinaikos ou o BATE Borisov.
O Barça
de Pep goleou por 5-0 em 15 jogos e o Bayern de Pep conseguiu o 5-0 esta época
em quatro = 19 jogos em 290.
Com o
Bayern em 2013/14 existem ainda três goleadas por 4-0; quatro por 3-0; uma 7-0; uma por 5-1; uma 6-1
Aliás, o 4-0 é outra predilecção. Só em
2011/12, época em que o Real Madrid de Mourinho 'roubou' a primeira La Liga a
Guardiola (à segunda tentativa) o Barça ganhou nove jogos por 4-0 e cinco por
5-0, contando-se pelo meio goleadas por 7-0, 8-0 e 9-0. Ainda assim perdeu a La
Liga para o Real Madrid, não conseguiu vencer (como até ali) o rival na maioria
dos jogos, foi eliminado por um Chelsea ultra sortudo nas meias-finais da
Champions. E Guardiola saiu, conquistando 'apenas' o Mundial de Clubes, a
Supertaça Europeia, a Supertaça e a Taça do Rei.
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futebol
terça-feira, março 25, 2014
o futebol e o resto
Há uma linha, por vezes muito ténue, que balança entre respondermos a alguém ou deixar passar (não responder) por menos razão que achemos que a pessoa tem. Quando ficamos surpreendidos com uma opinião sobre nós que achamos estar tão fora da realidade e que nos define de forma tão leviana, reduzida e degradante parece que ficamos sem argumentos (ou sem vontade de os expor).
Os assuntos que mais paixão motivam hoje em dia no Portugal de 2014 são futebol e política. Infelizmente são os dois demasiado parecidos no fervor com que as pessoas defendem as suas cores (e quando digo cores falo em clube/partidos e não propriamente em ideias ou ideais - na verdade a política devia reger-se por princípios diferentes dos da paixão por um clube de futebol).
No campo do (e não de) futebol a pessoa mais racional deixa-se levar pela emoção, pelo amor a um clube. Acontece todos os dias à maioria dos apaixonados pelo desporto-rei, com um clube do "coração". Nas velhinhas tascas, nos modernos cafés ou pastelarias da moda, nas redes sociais (onde o Twitter é rei neste domínio de conhecer opiniões vindas de todo o lado), o futebol discute-se ao pormenor e a polémica, os erros do árbitro, as opiniões diferentes sobre o mesmo lance, as faltas, os fait-divers (apertos de mão de treinadores, danças, matreirices, faltas de classe, etc) são um dos temas preferidos dos comentários e nas discussões, exactamente porque são os temas que motivam mais discórdia. É da génese humana, na verdade. Uns mais, outros menos. Mas se se envolvem no futebol vão lá parar.
Entrando agora num domínio mais pessoal, eu já tive aproximações ao desporto-rei diferentes. Sempre fui apaixonado pelo jogo mas houve alturas (breves) da minha vida, em fases diferentes, em que deixei de ter paciência para acompanhar as notícias, seguir as polémicas ou mesmo ver jogos de forma regular - concentrava-me mais nos clássicos. Já há muitos anos que sigo de forma frequente o futebol e as notícias em torno dele, até por motivos profissionais e sempre me considerei um tipo com preferências muito marcadas por jogadores (alguns não são fenómenos como Messi ou Ronaldo), treinadores e clubes (para além do clube de sempre) e que nunca se concentrou muito nas discussões ao pormenor das polémicas - aliás, fico sempre chateado comigo próprio quando perco tempo a discutir com malta "do contra" e que só sabe ser negativista e dizer mal sem parar (andam em círculos repetitivos no que dizem, mesmo).
Na verdade tal como vejo a política (eu gosto/detesto de pessoas, independentemente do partido), sempre consegui apreciar e torcer por jogadores, treinadores e clubes que não o meu. Torcer por clubes portugueses nas competições europeias, mesmo que não seja o clube do "coração" - sempre tive simpatia por uns ou antipatia por outros, para lá o clube do coração.
E sempre me vi como um apreciador do futebol, do talento puro de agir por instinto, mais rápido do que todos os outros, das tácticas onde um grupo de homens funciona como uma máquina oleada a funcionar quase como um só "corpo", da intensidade dentro do relvado, da imprevisibilidade do jogo, da forma como o futebol também nos ensina tanto - especialmente o inglês -, na forma como o campeão de hoje é o derrotado de amanhã, a sorte de hoje é o azar de amanhã, o campeão tem direito a aplausos do adversário como sinal de respeito e os maiores adversários dentro de campo podem trocar de camisola depois de se "picarem" como cães raivosos nos 90 minutos.
Até José Mourinho aparecer devo confessar que ligava pouco a conferências de imprensa. Como jornalista e apreciador de futebol, ver uma conferência de imprensa de Mourinho costuma ser aliciante porque há ali uma competição peculiar entre um jornalismo desportivo que precisa das manchetes, da frase "picante" muitas vezes adulterada face ao que foi dito (a biografia de Alex Ferguson fala bem disso) e uma "raposa" portuguesa a quem cabe o papel de responder às perguntas e que não tem problemas em parecer o mau da fita (quando acha que o tem de fazer).
Uma conferência com JM é ouvir alguém que sabe como poucos do jogo de futebol e pode-nos dar uma lição sobre o que se vai passar num jogo ou sobre o que se passou; ou então pode chamar os bois pelos nomes, reagir de forma divertida, perfeita, brusca ou exagerada (tem de tudo) a uma provocação; ou ainda deixar questões no ar com mensagens para o seu balneário ou para os adversários. Certo é que, normalmente, é interessante ouvir o que ele tem para dizer e a forma como não se deixa manipular pela matilha (mais em Espanha e menos em Inglaterra) que tem à frente e ainda consegue deixar os adversários em sentido. E os duelos de Mourinho com Guardiola (Ronaldo com Messi) dentro de campo (e também fora) nos tempos do Inter e do Real foram fenomenais e únicos. Vividos com uma intensidade incrível, apesar das palavras mais duras entre os dois (que até foram bem próximos anos antes - podiam ser amigos e confidentes) e das polémicas que até deram algum colorido.
A verdade é que vejo cada vez mais o futebol como um jogo de talentos incríveis (cuja forma e a motivação nem sempre é a mesma)
como Yaya Touré, Andrés Iniesta, David Silva, Matic, William Carvalho, Lisandro López (lembro-me de o ver na Luz, como fotógrafo, a escassos metros da acção e me sentir embasbacado pela rapidez com que ele criava perigo do nada, sem segundos), Luis Suárez, Rooney, Zlatan Ibrahimovic, Tony Kroos, Lucas, Hazard, Henrik Larsson, Zidade, Figo, Cruiff, Van Basten, Coluna, Eusébio, Figo, Cristiano Ronaldo, Messi, Maradona, Maldini, Varane, Ronaldinho, Ronaldo, Deco, Rui Costa, João Vieira Pinto, Jardel, Thern,
onde o treinador é o maestro que orquestra uma equipa de forma a ser uma máquina na forma como defende, ataca, responde às adversidades ou aos benefícios. É esse maestro que prepara aqueles putos que trocam a bola para todas as incidências do jogo, esperando que eles saibam incorporar os ensinamentos e possam explodir ao superar-se ou apenas evidenciar o talento incrível que alguns têm. Jogadores como Ibrahimovic, Cristiano Ronaldo ou Maradona têm, para além do talento, personalidades megalómanas incríveis que os fazem mudar uma equipa por si só.
O futebol é muitas coisas diferentes, para mim e para outros que tais.
Os assuntos que mais paixão motivam hoje em dia no Portugal de 2014 são futebol e política. Infelizmente são os dois demasiado parecidos no fervor com que as pessoas defendem as suas cores (e quando digo cores falo em clube/partidos e não propriamente em ideias ou ideais - na verdade a política devia reger-se por princípios diferentes dos da paixão por um clube de futebol).
No campo do (e não de) futebol a pessoa mais racional deixa-se levar pela emoção, pelo amor a um clube. Acontece todos os dias à maioria dos apaixonados pelo desporto-rei, com um clube do "coração". Nas velhinhas tascas, nos modernos cafés ou pastelarias da moda, nas redes sociais (onde o Twitter é rei neste domínio de conhecer opiniões vindas de todo o lado), o futebol discute-se ao pormenor e a polémica, os erros do árbitro, as opiniões diferentes sobre o mesmo lance, as faltas, os fait-divers (apertos de mão de treinadores, danças, matreirices, faltas de classe, etc) são um dos temas preferidos dos comentários e nas discussões, exactamente porque são os temas que motivam mais discórdia. É da génese humana, na verdade. Uns mais, outros menos. Mas se se envolvem no futebol vão lá parar.
Entrando agora num domínio mais pessoal, eu já tive aproximações ao desporto-rei diferentes. Sempre fui apaixonado pelo jogo mas houve alturas (breves) da minha vida, em fases diferentes, em que deixei de ter paciência para acompanhar as notícias, seguir as polémicas ou mesmo ver jogos de forma regular - concentrava-me mais nos clássicos. Já há muitos anos que sigo de forma frequente o futebol e as notícias em torno dele, até por motivos profissionais e sempre me considerei um tipo com preferências muito marcadas por jogadores (alguns não são fenómenos como Messi ou Ronaldo), treinadores e clubes (para além do clube de sempre) e que nunca se concentrou muito nas discussões ao pormenor das polémicas - aliás, fico sempre chateado comigo próprio quando perco tempo a discutir com malta "do contra" e que só sabe ser negativista e dizer mal sem parar (andam em círculos repetitivos no que dizem, mesmo).
Na verdade tal como vejo a política (eu gosto/detesto de pessoas, independentemente do partido), sempre consegui apreciar e torcer por jogadores, treinadores e clubes que não o meu. Torcer por clubes portugueses nas competições europeias, mesmo que não seja o clube do "coração" - sempre tive simpatia por uns ou antipatia por outros, para lá o clube do coração.
E sempre me vi como um apreciador do futebol, do talento puro de agir por instinto, mais rápido do que todos os outros, das tácticas onde um grupo de homens funciona como uma máquina oleada a funcionar quase como um só "corpo", da intensidade dentro do relvado, da imprevisibilidade do jogo, da forma como o futebol também nos ensina tanto - especialmente o inglês -, na forma como o campeão de hoje é o derrotado de amanhã, a sorte de hoje é o azar de amanhã, o campeão tem direito a aplausos do adversário como sinal de respeito e os maiores adversários dentro de campo podem trocar de camisola depois de se "picarem" como cães raivosos nos 90 minutos.
Até José Mourinho aparecer devo confessar que ligava pouco a conferências de imprensa. Como jornalista e apreciador de futebol, ver uma conferência de imprensa de Mourinho costuma ser aliciante porque há ali uma competição peculiar entre um jornalismo desportivo que precisa das manchetes, da frase "picante" muitas vezes adulterada face ao que foi dito (a biografia de Alex Ferguson fala bem disso) e uma "raposa" portuguesa a quem cabe o papel de responder às perguntas e que não tem problemas em parecer o mau da fita (quando acha que o tem de fazer).
Uma conferência com JM é ouvir alguém que sabe como poucos do jogo de futebol e pode-nos dar uma lição sobre o que se vai passar num jogo ou sobre o que se passou; ou então pode chamar os bois pelos nomes, reagir de forma divertida, perfeita, brusca ou exagerada (tem de tudo) a uma provocação; ou ainda deixar questões no ar com mensagens para o seu balneário ou para os adversários. Certo é que, normalmente, é interessante ouvir o que ele tem para dizer e a forma como não se deixa manipular pela matilha (mais em Espanha e menos em Inglaterra) que tem à frente e ainda consegue deixar os adversários em sentido. E os duelos de Mourinho com Guardiola (Ronaldo com Messi) dentro de campo (e também fora) nos tempos do Inter e do Real foram fenomenais e únicos. Vividos com uma intensidade incrível, apesar das palavras mais duras entre os dois (que até foram bem próximos anos antes - podiam ser amigos e confidentes) e das polémicas que até deram algum colorido.
A verdade é que vejo cada vez mais o futebol como um jogo de talentos incríveis (cuja forma e a motivação nem sempre é a mesma)
como Yaya Touré, Andrés Iniesta, David Silva, Matic, William Carvalho, Lisandro López (lembro-me de o ver na Luz, como fotógrafo, a escassos metros da acção e me sentir embasbacado pela rapidez com que ele criava perigo do nada, sem segundos), Luis Suárez, Rooney, Zlatan Ibrahimovic, Tony Kroos, Lucas, Hazard, Henrik Larsson, Zidade, Figo, Cruiff, Van Basten, Coluna, Eusébio, Figo, Cristiano Ronaldo, Messi, Maradona, Maldini, Varane, Ronaldinho, Ronaldo, Deco, Rui Costa, João Vieira Pinto, Jardel, Thern,
onde o treinador é o maestro que orquestra uma equipa de forma a ser uma máquina na forma como defende, ataca, responde às adversidades ou aos benefícios. É esse maestro que prepara aqueles putos que trocam a bola para todas as incidências do jogo, esperando que eles saibam incorporar os ensinamentos e possam explodir ao superar-se ou apenas evidenciar o talento incrível que alguns têm. Jogadores como Ibrahimovic, Cristiano Ronaldo ou Maradona têm, para além do talento, personalidades megalómanas incríveis que os fazem mudar uma equipa por si só.
O futebol é muitas coisas diferentes, para mim e para outros que tais.
quinta-feira, março 13, 2014
que rico moço
A rica tem nome fino
A pobre tem nome grosso
A rica teve um menino
A pobre pariu um moço
António Aleixo
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poesia
mandar não é privilégio é responsabilidade
Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência.
António Aleixo
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beckenbauer, sem papas na língua
Ainda se vai arrepender, ou não. Mas são palavras fortes de Franz Beckenbauer sobre o novo estilo de jogo do Bayern Munique de Pep Guardiola, que tem goleado com facilidade jogo após jogo na Bundesliga. É peculiar ver como o presidente honorário do Bayern não tem problemas em criticar o estilo da sua própria equipa.
Certo é que Guardiola vai ter de ficar caladinho. Se fosse Mourinho a dizer o mesmo lá se ouviria o queixume de que o tuga é: "Él es el puto jefe y el puto amo en esta sala".
- "Se continuarmos a jogar como até agora, corremos o risco de sermos como o Barça: um dia ninguém nos quererá ver"
- "Estes jogadores vão passar a bola até à linha de golo. Tenho outra perspectiva do futebol. Qual? Se tiver oportunidade de rematar à baliza, especialmente frente a defesas muito fechadas, faço-o."
Gostava de Guardiola como jogador. Ele e o Figo tinham uma cumplicidade em campo (e aparentemente fora dele) peculiar. Guardiola, o treinador, é um vencedor determinado e destemido com uma ideia muito específica e dogmática de como a sua equipa deve jogar.
No Barcelona o seu estilo - inspirado em Johan Cruyff (e no mentor deste, Rinus Michels) e ainda mais aperfeiçoado - fazia todo o sentido. A equipa foi feita a pensar nesse estilo e mesmo os miúdos que chegavam da cantera aprenderam aquela forma de jogar desde tenra idade. E o modo de jogo do Barcelona de Guardiola é incrível a vários níveis mas tem os seus defeitos. Para já só é possível concretizar aquelas ideias com alguns dos melhores jogadores do mundo a nível do talento - ele teria sucesso com aquele estilo, parece-me, com muito poucas equipas no mundo. Depois é um estilo que se torna demasiado maçudo e usurpador, o que aconteceu mais nos últimos anos dele no Barça. Fazendo uso de ter jogadores com uma capacidade de controlo e colocação da bola especial, era possível passar 5 ou 10 minutos a ver a bola a passar de pé em pé lá atrás de forma a adormecer o adversário.
Certo é que Guardiola é um talento incrível como treinador, capaz de ler o jogo, motivar uma equipa e obrigá-los a respeitar na integra um estilo que tem como cerne a posse de bola, sempre, sem excepções, o que permite controlar melhor os timings em que atacam para ferir o adversário. Depois do período em que os adormeceram infinitamente, atacam com todo o talento e agilidade e têm na frente (no caso do Bayern, força física impressionante que o Barça não tinha).
Sempre que a sua equipa não tem a bola Guardiola fica impaciente. Vê-se isso hoje em dia com o Bayern. E esse mérito, em excesso, que se pode tornar num defeito para o jogo de futebol e para a sua própria equipa. A última época de Guardiola no Barcelona já foi a perder ou empatar consecutivamente com um Real Madrid que descobriu a receita.
O talento dele como treinador vê-se nos treinos, na exigência com os jogadores (nesse aspecto, e noutros também, é bem parecido com Mourinho). Vi alguns períodos de treinos dele no Bayern, ainda a ensinar os jogadores o seu estilo e era muito energético. Queria pressão, sempre. Qualidade de passe, sempre. Coloca a barra bem alta para todos. A mim quer-me parecer é que é exagerado na forma dogmática como quer impor aquele estilo e não se importa de adormecer um jogo só para ficar com a bola eternamente. Gostava de ver este Bayern contra o Real Madrid ou mesmo o Chelsea, novamente. O Chelsea de Mourinho fez frente a este Bayern, que esteve a perder 120 minutos na Supertaça Europeia e só empatou (e depois ganhou nos penáltis) aos 122 (dois minutos depois do tempo previsto).
No meio de tudo isto há algo em que Guardiola não é tão bom como é treinador: a vitimização e o discurso de falsa modéstia e humildade não cola comigo e irrita-me. Viu-se muito isso em Barcelona, os outros eram uns diabos de calções e os dele (e ele próprio) eram uns anjinhos incapazes de fazer mal a uma mosca.
PS: Tenho quase a certeza que não foi para Inglaterra, nomeadamente para o Man. City, só para evitar o Mourinho. Já para não falar que o Bayern com aquela equipa sólida, um plantel incrível, juventude, experiência europeia e história lhe dava mais garantias.
Certo é que Guardiola vai ter de ficar caladinho. Se fosse Mourinho a dizer o mesmo lá se ouviria o queixume de que o tuga é: "Él es el puto jefe y el puto amo en esta sala".
- "Se continuarmos a jogar como até agora, corremos o risco de sermos como o Barça: um dia ninguém nos quererá ver"
- "Estes jogadores vão passar a bola até à linha de golo. Tenho outra perspectiva do futebol. Qual? Se tiver oportunidade de rematar à baliza, especialmente frente a defesas muito fechadas, faço-o."
Gostava de Guardiola como jogador. Ele e o Figo tinham uma cumplicidade em campo (e aparentemente fora dele) peculiar. Guardiola, o treinador, é um vencedor determinado e destemido com uma ideia muito específica e dogmática de como a sua equipa deve jogar.
No Barcelona o seu estilo - inspirado em Johan Cruyff (e no mentor deste, Rinus Michels) e ainda mais aperfeiçoado - fazia todo o sentido. A equipa foi feita a pensar nesse estilo e mesmo os miúdos que chegavam da cantera aprenderam aquela forma de jogar desde tenra idade. E o modo de jogo do Barcelona de Guardiola é incrível a vários níveis mas tem os seus defeitos. Para já só é possível concretizar aquelas ideias com alguns dos melhores jogadores do mundo a nível do talento - ele teria sucesso com aquele estilo, parece-me, com muito poucas equipas no mundo. Depois é um estilo que se torna demasiado maçudo e usurpador, o que aconteceu mais nos últimos anos dele no Barça. Fazendo uso de ter jogadores com uma capacidade de controlo e colocação da bola especial, era possível passar 5 ou 10 minutos a ver a bola a passar de pé em pé lá atrás de forma a adormecer o adversário.
Certo é que Guardiola é um talento incrível como treinador, capaz de ler o jogo, motivar uma equipa e obrigá-los a respeitar na integra um estilo que tem como cerne a posse de bola, sempre, sem excepções, o que permite controlar melhor os timings em que atacam para ferir o adversário. Depois do período em que os adormeceram infinitamente, atacam com todo o talento e agilidade e têm na frente (no caso do Bayern, força física impressionante que o Barça não tinha).
Sempre que a sua equipa não tem a bola Guardiola fica impaciente. Vê-se isso hoje em dia com o Bayern. E esse mérito, em excesso, que se pode tornar num defeito para o jogo de futebol e para a sua própria equipa. A última época de Guardiola no Barcelona já foi a perder ou empatar consecutivamente com um Real Madrid que descobriu a receita.
O talento dele como treinador vê-se nos treinos, na exigência com os jogadores (nesse aspecto, e noutros também, é bem parecido com Mourinho). Vi alguns períodos de treinos dele no Bayern, ainda a ensinar os jogadores o seu estilo e era muito energético. Queria pressão, sempre. Qualidade de passe, sempre. Coloca a barra bem alta para todos. A mim quer-me parecer é que é exagerado na forma dogmática como quer impor aquele estilo e não se importa de adormecer um jogo só para ficar com a bola eternamente. Gostava de ver este Bayern contra o Real Madrid ou mesmo o Chelsea, novamente. O Chelsea de Mourinho fez frente a este Bayern, que esteve a perder 120 minutos na Supertaça Europeia e só empatou (e depois ganhou nos penáltis) aos 122 (dois minutos depois do tempo previsto).
No meio de tudo isto há algo em que Guardiola não é tão bom como é treinador: a vitimização e o discurso de falsa modéstia e humildade não cola comigo e irrita-me. Viu-se muito isso em Barcelona, os outros eram uns diabos de calções e os dele (e ele próprio) eram uns anjinhos incapazes de fazer mal a uma mosca.
PS: Tenho quase a certeza que não foi para Inglaterra, nomeadamente para o Man. City, só para evitar o Mourinho. Já para não falar que o Bayern com aquela equipa sólida, um plantel incrível, juventude, experiência europeia e história lhe dava mais garantias.
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futebol
sábado, março 08, 2014
o sol saiu à rua num sábado assim
Um tipo entra na Mango da Baixa por dever conjugal e entre bifas e tugas só ouve expressões como:
Pelo meio uns homens com cara infeliz atrás das respectivas entre a algazarra e outros homens excessivamente eufóricos, com amigos respectivamente felizes por andar nas compras.
PS: a Baixa está a abarrotar de gente.
que giro;
é lindo;
o XS fica-me apertado;
este fica mais comprido;
o outro fica melhor;
é giríssimo;
aqui fica muito folgado;
este fica mais curto mas é transparente;
estás mais magra;
estou a precisar de ir ao ginásio;
the pants are weird but the jacket is supernice;
oh, is lovely;
ah tão giras;
adoro;
vou experimentar o S;
esta não quero;
aqui nos braços está curto e eu não gosto dos meus braços;
o rabo fica bem?;
should I try it again?;
nas mamas fica bem?
não sei onde estão os sapatos da montra;
a diferença para o XS não é muita;
vou vestir a outra, já não sei de nada;
Pelo meio uns homens com cara infeliz atrás das respectivas entre a algazarra e outros homens excessivamente eufóricos, com amigos respectivamente felizes por andar nas compras.
PS: a Baixa está a abarrotar de gente.
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divagações
sexta-feira, março 07, 2014
a semana numa espécie de notícias
nas notícias, esta semana, uns meninos russos marotos invadiram a Crimeia e assobiaram para o lado - negam tudo, claro (há boatos que tudo está a ser orquestrado por Francis Underwood, a trabalhar para os russos e para os ucranianos).
também nas notícias, uma selfie encomendada pela Samsung fez furor nas redes sociais - a Samsung nega a encomenda, claro.
ainda nos assuntos que mexem o mundo, uns rapazes brincaram ao polícia em serviço e polícia em manif com empurrões e suor à mistura - ficou tudo na mesma, claro, e acabou tudo aos abraços.
outro dos assuntos no planeta, o Papa Chico vai ter a sua própria revista com tendências da moda e dos valores morais que valem entrada no céu - ao estilo Oprah e não, não é só para católicos, é para o mundo!
noutros domínios noticiosos, a estrela 'poop' reformada Justin Bieber fez beicinho em tribunal e Miley Cyrus apresentou ao mundo no seu Twitter uma mão 'dildo' - muito macabro, diga-se. e assim vai o mundo daquilo que verdadeiramente interessa.
PS: torçam por mim no Euromilhões desta noite. se ganhar, hand-shaped fisting dildo's da Miley Cyrus para todos (andei a aprender com a Oprah e a Ellen)!
também nas notícias, uma selfie encomendada pela Samsung fez furor nas redes sociais - a Samsung nega a encomenda, claro.
ainda nos assuntos que mexem o mundo, uns rapazes brincaram ao polícia em serviço e polícia em manif com empurrões e suor à mistura - ficou tudo na mesma, claro, e acabou tudo aos abraços.
outro dos assuntos no planeta, o Papa Chico vai ter a sua própria revista com tendências da moda e dos valores morais que valem entrada no céu - ao estilo Oprah e não, não é só para católicos, é para o mundo!
noutros domínios noticiosos, a estrela 'poop' reformada Justin Bieber fez beicinho em tribunal e Miley Cyrus apresentou ao mundo no seu Twitter uma mão 'dildo' - muito macabro, diga-se. e assim vai o mundo daquilo que verdadeiramente interessa.
PS: torçam por mim no Euromilhões desta noite. se ganhar, hand-shaped fisting dildo's da Miley Cyrus para todos (andei a aprender com a Oprah e a Ellen)!
sexta-feira, fevereiro 28, 2014
e o óscar vai (devia de ir) para... txaran!
Façam as vossas apostas, ou não. Os Óscares estão aí. É já no domingo. Este ano há muita variedade em estilos, mediatismo e géneros nos filmes nomeados. Há bastante qualidade mas não há um filme que se destaque por completo e se diga... só pode ser este a ganhar.
São nove filmes na desejada lista do Melhor Filme. Existem favoritos já definidos para as várias categorias por critérios bem diferentes, os prémios que já venceram, os estilos favoráveis aos milhares de membros da Academia... a promoção ao filme, etc, etc.
Aparentemente e até pelo trabalho técnico (que nem todos reparam) brilhante, Gravidade deve ganhar o maior número de estatuetas (o que não é propriamente relevante).
Como habitual, estou dividido. Por isso coloco por baixo os meus preferidos pessoais à vitória final e aqueles que são considerados favoritos ao Óscar.
----
Melhor filme
Alone Yet Not Alone, de Bruce Broughton e Dennis Spiegel,
em Alone Yet Not AloneHappy, de Pharrell Williams em Gru - O
Maldisposto 2
São nove filmes na desejada lista do Melhor Filme. Existem favoritos já definidos para as várias categorias por critérios bem diferentes, os prémios que já venceram, os estilos favoráveis aos milhares de membros da Academia... a promoção ao filme, etc, etc.
Aparentemente e até pelo trabalho técnico (que nem todos reparam) brilhante, Gravidade deve ganhar o maior número de estatuetas (o que não é propriamente relevante).
Como habitual, estou dividido. Por isso coloco por baixo os meus preferidos pessoais à vitória final e aqueles que são considerados favoritos ao Óscar.
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Melhor filme
Devia ganhar (para mim): Her (por levantar tantas questões de forma tão subtil)
É favorito a ganhar: 12 Anos Escravo (o que até é merecido, diga-se). Gravidade é o seguinte favorito, em conjunto com Golpada Americana. Todos filmes bem
diferentes.
NOMEADOS
Capitão Phillips
O Clube de Dallas
12 Anos Escravo
Filomena
Golpada Americana
Gravidade
Her – Uma História de Amor
O Lobo de Wall Street
Nebraska
Melhor realizador
Devia ganhar (para mim): Alfonso Cuáron, Steve McQueen
(por ordem) - Cuáron tem um trabalho minucioso incrível na forma como nos
coloca, nas sensações, no espaço celeste. Tudo isso sente-se quando Sandra
Bullock coloca os pés no chão e nos sentimos zonzos, como ela.
É favorito a ganhar: Alfonso Cuáron ou Steve McQueen (por
ordem)
NOMEADOS
David O. Russell, Golpada Americana
Alfonso Cuarón, Gravidade
Alexander Payne, Nebraska
Steve McQueen, 12 Anos Escravo
Martin Scorsese, O
Lobo de Wall Street
Melhor actor
Devia ganhar (para mim): Matthew McConaughey, Leonardo Di
Caprio (por ordem) - é um desempenho notável de McConaughhey maximizado pela
transformação física incrível e por ser um 'comeback' de alguém que foi
menosprezado várias vezes; Di Caprio tem mais um desempenho brilhante, como
outros, e também merece levar a estátua careca, tal como Bruce Dern ou mesmo
Christian Bale (que interpretações!); Tom Hanks devia estar nomeado por Capitão
Philips!
É favorito a ganhar: Matthew McConaughey, Leonardo Di
Caprio (por ordem)
NOMEADOS
Christian Bale, Golpada Americana
Bruce Dern, Nebraska
Leonardo di Caprio, O Lobo de Wall Street
Chiwetel Ejiofor, 12 Anos Escravo
Matthew
McConaughey, O Clube de Dallas
Melhor actriz
Devia ganhar (para mim): Amy Adams ou Cate
Blanchett (por ordem) - Adams é uma actriz que transforma papéis interessantes
em personagens incrivelmente cativantes e profundas, como se viu em Golpada
Americana, onde faz uma dupla fabulosa com Bale, num filme que vive das
interpretações; Blanchett vale o filme de Woody Allen e mostra ser mulher para
toda a obra, numa personagem difícil e complexa, tal como Meryl Streep (faz de
mãe cruel em Um Quente Agosto).
É favorito a ganhar: Cate Blanchett
NOMEADOS
Amy Adams, Golpada Americana
Cate Blanchett, Blue Jasmine
Sandra Bullock, Gravidade
Judi Dench, Filomena
Meryl Streep, Um
Quente Agosto
Melhor actor secundário
Devia ganhar (para mim): Michael Fassbender ou Jonah Hill - Fassbender é
um actor fabuloso que mostra isso mesmo em 12 Anos Escravo, interpretando um
fazendeiro mau da fita cheio de incongruências e valores retorcidos; Hill tem
um papel incrível e mostra, para mim, ainda mais versatilidade em O Lobo de
Wall Street do que mostrou em Moneyball.
É favorito a ganhar: Jared Leto (a
transformação física e, diga-se, a forma perfeita como interpreta este travesti
devem convencer a Academia)
NOMEADOS
Barkhad Abdi, Capitão Phillips
Bradley Cooper, Golpada Americana
Michael Fassbender, 12 Anos Escravo
Jonah Hill, O Lobo de Wall Street
Jared Leto, O
Clube de Dallas
Melhor actriz secundária
Devia ganhar (para mim): Julia Roberts ou Lupita Nyong'o - Lupita uma foi
escrava vilipendiada em 12 Anos Escravo, num papel duro e surpreendente para
uma actriz pouco conhecida; Julia Roberts é mais um 'comeback' do ano, com um
papel duro como filha da cruel Meryl Streep em Um Quente Agosto.
É favorito a ganhar: Lupita Nyong'o ou Jennifer Lawrence (por ordem) - Lawrence tem um papel peculiar e
engraçado, mais não pode ganhar todos os anos por algo que não é propriamente
brilhante)
NOMEADOS
Sally Hawkins, Blue Jasmine
Jennifer Lawrence, Golpada Americana
Lupita Nyong'o, 12 Anos Escravo
Julia Roberts, Um Quente Agosto
June Squibb,Nebraska
Melhor filme estrangeiro
Devia ganhar (para mim): A Caça - duro mas brilhante.
É favorito a ganhar: A Grande Beleza (Itália)
NOMEADOS
Ciclo Interrompido (Bélgica)
A Grande Beleza (Itália)
A Caça (Dinamarca)
The Missing Picture (Camboja)
Omar (Palestina)
Melhor filme de animação
Devia ganhar (para mim): Gru - O Maldisposto 2
É favorito a ganhar: Frozen (a Disney, a solo, deve
ganhar pela primeira vez em muitos anos o Óscar este ano)
NOMEADOS
Os Croods
Frozen - O Reino do Gelo
Gru - O Maldisposto 2
Ernest & Celestine
The Wind Rises
Gru - O Maldisposto 2
Ernest & Celestine
The Wind Rises
Melhor argumento original
Devia ganhar (para mim): Her - é brilhante como filme e o guião
ajuda, e muito, a ser dos filmes dos últimos anos que mais nos coloca a pensar
sobre a humanidade, o amor e a tecnologia de forma tão fracturante e sem correr
o risco de nos dar respostas ao calhas.
É favorito a ganhar: Her ou Golpada Americana (como o
Golpada deve falhar todos os outros prémios principais, a Academia costuma
compensar o filme. Pessoalmente diria que O Clube de Dallas tem algumas
hipóteses)
NOMEADOS
Golpada Americana, de Eric Warren Singer e David O. Russell
Blue Jasmine, de Woody Allen
Her - Uma História de Amor, de Spike Jonze
Nebraska, de Bob Nelson
O Clube de Dallas, de Craig Borten e
Melisa Wallack
Melhor argumento adaptado
Devia ganhar (para mim): Antes da Meia Noite - do meu ponto
de vista podia estar na lista de Melhor Filme e, como tal, merece aqui uma
distinção de um filme tão arrojado e diferente no guião que vale pela
excelência da tripla Hawke, Delpy e Linklater.
É favorito a ganhar: 12 Anos Escravo ou Filomena
NOMEADOS
Antes da Meia-Noite, de Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke
Capitão Phillips, de Billy Ray
Filomena, de Steve Coogan e Jeff Pope
12 Anos Escravo, de John Ridley
O Lobo de Wall Street, de Terence Winter
Melhor curta-metragem de animação
Que ganhe o português, Daniel Sousa!
Feral, Daniel Sousa e Dan Golden
Get a Horse!, Lauren MacMullan e Dorothy McKim
Mr. Hublot, Laurent Witz e Alexandre Espigares
Possessions, de David Shuhei Morita
Room on the Broom, Max Lang e Jan
Lachauer
Melhor documentário
Os favoritos são The Square e 20 Feet from Stardom
The Act of Killing, de Joshua Oppenheimer e Signe Byrge Sørensen
Cutie and the BoxerZachary Heinzerling and Lydia Dean Pilcher
Dirty Wars, Richard Rowley e Jeremy Scahill
The Square, Jehane Noujaim e Karim Amer
20 Feet from Stardom
Melhor canção original
Os favoritos são Ordinary Love (dos U2) e Let It Go
Let It Go, Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez em Frozen - O Reino do Gelo
The Moon Song, de Karen O e Spike Jonze em Her - Uma História de Amor
Ordinary Love, de Paul Hewson, Dave Evans, Adam Clayton e
Larry Mullen em
Mandela: Longo Caminho para a Liberdade
Melhor banda-sonora original
Devia ganhar (para mim): Her - os Arcade Fire ajudam tanto ao
dar ambiente ao filme que deviam ganhar!
É favorito a ganhar: Gravidade ou Filomena
NOMEADOS
The Book Thief, John Williams
Gravidade, Steven Price
Her - Uma História de Amor, William Butler e Owen Pallett
Filomena, Alexandre Desplat
Ao Encontro de Mr.
Banks, Thomas Newman
Melhor fotografia
Devia ganhar (para mim): Gravidade
É favorito a ganhar: Gravidade
NOMEADOS
The Grandmaster
Gravidade
A Propósito de Llewyn Davis
Nebraska
Prisoners
Melhor montagem
Deve e irá ganhar Gravidade ou Capitão Phillips
Golpada Americana
Capitão Phillips
O Clube de Dallas
Gravidade
12 Anos Escravo
Melhores efeitos visuais
Gravidade, all the
way!
Gravidade
O Hobbit - A Desolação de Smaug
Homem de Ferro 3
O Mascarilha
Além da Escuridão -
Star Trek
Melhor cenografia
Deve ganhar
Gravidade...
Golpada Americana
Gravidade
O Grande Gatsby
Her - Uma História de Amor
12 Anos Escravo
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