quarta-feira, junho 17, 2020

diz que é uma espécie de história

Quem gosta de história como eu, cedo percebe que os principais registos sobre os chamados Descobrimentos (pelo menos os mais entusiasmantes), ali pelos séculos XV e XVI, são sempre registados por não portugueses.

Os maiores elogios em torno do que foi feito e como foi feito diferente face ao que acontecia na Europa (e no mundo) naquela altura foram sempre de observadores estrangeiros - podemos ver isso em torno de figuras como os Corte-Real, Pero da Covilhã, Afonso de Albuquerque, Jorge Álvares, padre Sebastião Vieira, padre Tomás Pereira, Rui Faleiro, Fernão de Magalhães, Cristóvão de Mendonça, Manuel Godinho de Heredia, Pedro Fernandes de Queirós, Fernão Pires de Andrade, Duarte Barbosa, Caramuru, e reis como D. João II, D. Manuel ou D. João III.

Há várias explicações para isso, mas a principal é que Portugal enveredou na altura por manter quase tudo o que era feito de mais destemido um segredo de Estado (só revelava feitos marítimos quando dava jeito e era estrategicamente vantajoso) e os registos que podiam existir foram sendo destruídos pelo passar dos anos e pelos donos disto tudo (incluindo os castelhanos no período que governaram).
Há muitos anos que se vive em Portugal sob os louros desse suposto legado dos Descobrimentos. Exagera-se em muita coisa, dependendo do que se quer servir, mas acima de tudo conta-se muitas vezes a história pela metade, incluindo nos livros escolares - omite-se também o pior e mais abjeto dessa mesma história que não consistiu apenas nos milhões de africanos escravos que foram 'traficados' para a América (bem antes dos portugueses chegarem aquelas partes da costa africana já milhões de africanos eram há muito escravos de uma elite muçulmana).

Se há coisa que os tugas aparentemente fizeram bem naquela altura antes, durante e (a espaços) depois do reinado de D. João II foi reunir os melhores de várias áreas e investir na ciência e em pessoas vindas de várias partes da Europa (não era ciência portuguesa, era ciência europeia) para a epopeia dos mares nunca antes navegados (ou raramente, vá). A ciência marítima evoluiu muito com a ajuda do que pessoas de nacionalidades várias fizeram em Portugal.

Pessoalmente, mais do que ver a história sob a perspectiva de "os portugueses já foram espectaculares", gosto de conhecer as histórias daqueles tempos e das figuras que por lá viveram (sim, pela perspectiva dos portugueses e do seu tempo, que é a que conhecemos melhor, mas não só). E é bem mais fácil ficar encantado com nomes que poucos conhecem do que com qualquer Vasco da Gama ou outros que têm estátuas e nomes de rua por todo o lado.

Só como exemplo, Fernão de Magalhães tinha um escravo que tinha adquirido em Malaca em 1511 a que deu o nome de Henrique. Ler os registos do veneziano Antonio Pigafeta (outra personagem incrível) sobre este malaio intérprete e guerreiro torna-o tão cativante quanto misterioso e a relação dele com Magalhães também é bem complexa, repleta de companheirismo, confiança cega e amizade. Assim que Magalhães foi morto nas Moluscas, Henrique não ficou lá para ser comandado pelos que ficaram, foi-se embora e parece certo que foi o primeiro ser humano a cumprir a viagem de circum-navegação.

Uma história que fiquei a conhecer mais recentemente foi a de João de Sá Panasco (nome cristão, claro). Um africano negro nascido no Congo e que, não se sabe de que forma, foi feito escravo (provavelmente pelas elites muçulmanas que alimentavam o tráfego português de escravos no litoral oeste de África) que serviu, a meio do século XVI, na corte de D. João III. Foi o que chamavam na altura “criado de moço em Portugal”, como escravo do nobre D. João de Lencastre, que o terá comprado. Mais tarde foi levado e acarinhado na corte do Reino como uma espécie de animador (ou bobo, não é certo) pela inteligência das suas piadas sarcásticas, “de cujos ditos e motes o rei D. João III de Portugal muito o apreciava ao ponto de o fazer seu moço-fidalgo após 1526”. Mas mais interessante é perceber que a confiança neste escravo inteligente era tanta que foi um dos estrategas numa vitória dos portugueses em Tunis, na Tunísia sobre o Império Otomano da altura no verão de 1535 e, depois disso, ganhou o estatuto oficial de nobre, pertencente à importante Ordem de Santiago e era um dos confidentes do rei.

João de Sá tornou-se famoso até mais recentemente por ser protagonista num incrível quadro de um autor da Flandres que retrata com pormenor a Lisboa (neste caso é Alfama) multicultural e multicores do século XVI, denominado Chafariz d´el Rei.

Numa análise do investigador britânico Stefan Halikowski Smith podemos ler sobre o quadro de autor anónimo do norte da Europa: “Chafariz d´el Rei has also been of interest because of its depiction of so many black and white figures together, from all social strata and walks of life and in many (often water-related) trades in a public square. It very obviously suggests that black residents of Lisbon at that time, if originating from the trade in slaves, had been able to make their way as freedmen and women into Portuguese society.”

Este mesmo autor escreveu um livro peculiar sobre uma população de portugueses misturados com locais - a famosa miscigenação portuguesa - no sudeste asiático, atual Tailândia: “This book provides an original study of the sizeable Portuguese community in Ayutthaya, the chief river-state in Siam, during a period of apparent decline (1640-1720). Portuguese populations were displaced from their chief settlements like Melaka and Makassar, and attracted to the river-states of mainland South-East Asia by a protective model of kingship, hopes of international trade and the opportunity to harvest souls. A variety of sources will be used to shed light on the fortunes and make-up of this displaced, mixed-race 'tribe', which was largely independent of the matrices of Portuguese colonial power, and fared poorly alongside other foreign communities in this remarkably open, dynamic environment. “

Outro exemplo: para mim gostar de história é ir a Malaca, na Malásia, e estar junto de dezenas de malaios (um chama-se Francisco de Xavier) emocionados por verem 'um português de Portugal', e ainda me dizerem que se sentem portugueses e falarem comigo num português arcaico do século XVI - cantaram-me até uma canção de embalar dessa altura. E é também curioso ouvi-los explicar porque é que existe o bairro português em Malaca, com malaios descendentes do casamento de portugueses com nativos, mas não existe um bairro semelhante com holandeses ou britânicos (que ocuparam Malaca bem depois - e mais tempo - do que os tugas).

É bem interessante perceber o que alimentava a sociedade naquela época e isso permite conhecer boas histórias e tirar ilações sobre o ser humano e o seu processo de evolução - poucos navegadores portugueses morreram sem ser de mortes violentas. Na verdade as várias fases mais relevantes da história trouxeram-nos (por virtuosismo, boas, más e assim assim intenções, ou força bruta e violência) até à era tecnológica e digital de hoje e para uma sociedade melhor (ainda com muito por melhorar, é certo). A religião a um nível fanático (cruel, violento, absoluto e como desculpa para tudo), o comércio como motor das nações (incluindo o comércio de escravos, de pessoas, seres humanos), a conquista de terra (no caso dos portugueses, sempre em menor número, poucas vezes foi a prioridade - o comércio a todo o custo era rei e senhor). A altura das "Descobertas" nunca foram vistas como tal pelos portugueses na altura. Era navegar por mares nunca dantes navegados para poder conseguir o comércio certo que permitisse ter força negocial na Europa e prosperar (para o que era prosperar na altura).

E também é bem interessante conhecer o lado pior dessa mesmo história que incluía traições, injustiças várias, pobres tratados como lixo e um comércio de escravos execrável focado em África mas que ia do Brazil ao Japão. O sociedade esclavagista em que se vivia na altura está muito bem explicada aqui (en.wikipedia.org/wiki/Slavery_in_Portugal) neste caso só focada em Portugal.

Dito isto, custa-me ver tornarem a história e as suas figuras em algo simples e bidimensional, preto ou branco, sem cinzento, ainda para mais num povo repleto de misturas raciais e com pessoas de tons de pele bem diferentes (e sim, existe racismo e xenofobia, embora acredito que cada vez menos e por ignorância pura).

Mais do que o padre António Vieira, a recente polémica em torno do navegador Gaspar Corte-Real é peculiar e, pelos vistos, está toda centrada na forma ligeira e várias vezes incorrecta como um português, Gilberto Fernandes, especialista em etnicidade e raça tem contado a história a propósito de uma estátua no Canadá. O pai do tal navegador visado e que tem estátua na Terra Nova, João Corte-Real, terá sido o primeiro europeu na América a meio do século XIV. Gaspar, 'acusado' agora de trazer nativos da Terra Nova para Portugal, na verdade nunca voltou a Portugal nessa mesma viagem em 1501... nunca se soube o que aconteceu à sua nau, se ele naufragou ou ficou preso em terra.

O seu irmão, Miguel, voltou à Terra Nova para tentar encontrar o irmão e também nunca voltou a Portugal. Pelos vistos julga-se existirem vestígios que terá vivido na Terra Nova no meio de índios (provavelmente sem nau para voltar a casa) pelo menos até 1511 (há uma pedra que pode - ou não, não há certezas - ter palavras escritas por si). Imaginar um navegador português a ser obrigado a viver no ano da (alegada) graça de 1501, numa terra (um Continente, na verdade) desconhecida no meio de nativos e a sobreviver e eventualmente entender-se com eles é simplesmente maravilhoso.

(ESTE link remete para um investigador canadiano sem qualquer ligação a Portugal que foi quem associou pela primeira vez uns arabescos numa rocha na Terra Nova, no Canadá, ao navegador Miguel Corte-Real, possivelmente o primeiro europeu da Idade Média a viver e morrer no Continente africano)

Henrique de Malaca

domingo, março 29, 2020

The Social Network

Um tipo que conheço e foi meu colega (não tem/usa o Fb) estava focado há uns tempos em fazer um artigo sobre a possibilidade de vivemos numa simulação - tipo Matrix, isso mesmo. O tema é fascinante e permite várias abordagens. Essa possibilidade fascina-me desde 1999. Ano, precisamente, onde duas pérolas notáveis do cinema nos fizeram pensar por uns minutos que, de facto, vivemos de alguma forma numa simulação - ou, quisermos, que podemos estar a viver uma vida que não é bem real. E se pensar bem no tema, até acrescento um terceiro filme desse mesmo ano de 99 que toca em algo semelhante, com um belo twist explosivo no final. Não vou dizer os nomes, se chegaram até aqui adivinhem porra - e se não adivinharem, o que é que interessa isso na espuma dos dias (cliché ✅).

Serve isto para dizer que... já me perdi um pouco... Por um lado que tenho algumas saudades das conversas filosóficas e também antagónicas de quem tem experiências diferentes de mundo. Por outro que o tema da simulação me fascina não tanto por achar que vivemos mesmo numa simulação mas que o nosso tempo na Terra é tão curto quanto longo, tão bizarro e aparentemente fruto de tantos acasos naturais quando divinal, poético ou mágico. Nós somos uma espécie de anomalia no sistema (de planetas, estrelas e afins), tal como a anomalia no Matrix que permitia a alguns perceber toda a simulação. Estamos muito sozinhos neste mundo de uma certa consciência, numa certa dimensão de espaço e tempo a que chamamos universo atual.

O tema de ‘vivemos numa simulação’ fica muito próximo, para mim, do tema ‘quem somos, quem nos meteu cá, para onde vamos’ e quão insignificantes somos num oceano de vidas e de níveis de pensamento e inteligência diferentes. Ainda não se descobriu vida por aí fora, quando mais vida inteligente. Como é que a vida extra-terrestre parece ser ainda uma miragem tão grande. Depois de tanto tempo na adolescência fascinado com as teorias de extra terrestres a andarem entre nós, começo a perder a esperança de ver vida fora da anomalia que é a Terra (a ausência de parágrafos é intencional, para dificultar a leitura). Já a possibilidade de vivermos numa simulação ou de sermos uma experiência de extra-terrestre de qualquer espécie - com conceitos de espaço e de tempo diferentes do nosso - pode bem manter-se real, à espreita. Contraditório? Talvez. Quem diz que os pensamentos/devaneios (adoro a palavra) noturnos pseudo-filosóficos de um quase quarentão de metro e meio, careca, lontra e felpudo têm de ser coerentes.

We’re only human (primeiro estrangeirismo, desculpem). Ou melhor, porra, somos humanos e pensamos tanto que se torna mais fácil de especular e conjecturar e, claroooooo, errrrrrraaaaarrrrrrr (desculpem novamente, desta vez por um joacismo inadvertido inicialmente, diga-se). Há mais de uma década (quase duas décadas, na verdade) tinha um espaço online no tempo dos blogues ocasionais que eram visto por meia dúzia de pessoas, que era só de devaneios e pensamentos avulso sobre a ahrte e dificuldade de ser humano e pensar na vida, no passado, num momento lixado (usei esta rima durante anos). Não era assinado, o que nos tempos atuais é a melhor forma de escrever. Ainda está on-line (não vale sequer a pena tentar descobrir - não, não sou eu o Pipi do Meu Pipi, porra (não era sexual), toda a gente sabe que é o RAP. Saudades desses tempos em que me obrigava a escrever devaneios (et voilá) que passavam pela tola, em que vivia mais (dentro de mim) e tinha mais vezes pensamentos deste tipo que precisava de escrever para tirar algum sentido das coisas - e até me libertar um pouco deles.

A noite é companheira dos pensamentos. Estima-os mais porque o horizonte está escuro e focamo-nos mais ainda em nós mesmos. Mesmo percebendo que quando olhamos o céu estrelado noturno - bem mais do que o que acontece com a beleza do céu azul, do sol incandescente, do mar infinito - somos um grão na areia que é o universo. A noite deixa-nos, por isso, mais vulneráveis, mais sozinhos no universo, mais frios e menos protegidos pela intensidade solar (a vários níveis). A noite despe. Dito isto, estas palavras ficam aqui só uns momentos esta noite, depois passam a ser só para o meu futuro eu, aquele para o qual sempre escrevi muitas das tretas pseudo filosóficas noturnas ao longo dos anos - e escrevi em tempos muitas, acreditem (até poemas pseudo filosóficos). E ficam aqui de forma limitada porque, tal como a minha mãe sempre me disse sobre os meus pensamentos, devias guardá-los para ti, são estranhos. Tem toda a razão a minha mãe. Uma fofa. Sempre teve. Daí que sempre foram coisas que ficaram melhor anónimas. Sem nome. Perdidas no universo cibernético que criámos para substituir o universo em que em que o nosso corpo vive. Daí que filmes mais recentes como Her, Chappie ou Interstellar - junto também Inception e Cloud Atlas (procurem, vejam, bandalhos) - nos mostrem formas diferentes de vivemos mesmo numa espécie de simulação de qualquer espécie, ou pelo menos estarmos a criar uma para nós. Fazer download da mente, viver nessa rede que é a cloud/internet é em tudo semelhante ao imaginado em Matrix pelos bizarros irmãos Wachowski - inspirados, decerto, por tipos escritores bizarros anteriores a eles como Philip K Dick, Aldous Huxley, Lewis Carroll, Jean Baudrillard (fui à Wiki para este).

Eu acho que 1999 queria-nos dizer alguma coisa, mas não ouvimos (ou ouvimos como quem vê um filme e segue a sua vida como se nada fosse) e seguimos para os 2000 e para a era da internet de folha estranhamente branca. Acho que tivemos outros avisos mais recentes como The Social Network, outro do Fincher, que não quisemos ouvir verdadeiramente. Foi um aviso de 2010, este. Tenho de admitir que The Social Network é muito mais forte como título do que A Rede Social. Acho que termino o devaneio - ok, isto já é abusar da palavra - por aqui. Vemo-nos por aí, ou talvez não, com tanto isolamento um tipo perde-se (fisicamente e online). Recordo (para mim) apenas duas conversas curiosas sobre temas semelhantes com um padre doutorado em ciências da computação e com o CTO da CloudFlare - empresa relevante no mundo da cloud, a base do que vemos na internet. Ambas feitas em ambientes que nos apressam muito - Building The Future e Web Summit - mas com muita calma e alguma instrospeção. Boa noite e, (vocês sabem(soubessem) o resto
Outros filme de 99 importantes para mim: Being John Malkovich e Magnolia - também tão bizarros quanto introspectivos e cativantes.
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quinta-feira, março 26, 2020

Tempos de Covid na era Trump. Ou tempos de Trump na era Covid

O mundo está um lugar estranho e completamente diferente do que era em dezembro, por estes dias.


23 março 2020
As conferências de imprensa diárias (boletins diários) de final de dia nos EUA são uma pequena preciosidade peculiar e sociologicamente cativante - ao estilo reality crisis show - no meu dia de isolamento.

Começaram há umas 2 semanas, com um surpreendentemente estadista, esclarecido e cativante Mike Pence a liderar e partilhar boa parte do tempo com médicos, cientistas e militares - Pence referia era, de 2 em 2 frases a importância do presidente Trump em cada medida e ação......... .
Pence, a liderar a task force Covid-19 já que Trump achava que ia ser um vírus passageiro, foi elogiado e, Trump, claro, ficou com ciúmes. Desde quinta ou sexta-feira que passou a ser ele mesmo a liderar as conferências de imprensa - até porque ficou sem os seus comícios de campanha.

Curioso ver como Trump também consegue mudar de estilo e de opinião sobre países de dia para dia, entre o agressivo contra a China (começou por fazer questão de chamar o vírus da China). Depois devem-lhe ter dito que precisam de dados e estão a receber apoio vário da China, convém ele não criar mais uma crise diplomática. Segunda-feira (que até foi o dia em que comecei a ver as conferencias de forma mais regular) já ele era todo meloso para a “afável China”.

Há muito para ver nestas conferências. Numa sala pequena, jornalistas espalhados para manterem a distância fazem perguntas ao presidente e aos especialistas.
Segunda-feira Trump não quis contar com o médico e cientista especialista em doenças infeciosas que o tem desmentido quase em tempo real, Anthony Fauci (79 anos de homem da ciência, pequeno junto ao gigante Trump, mas que não se deixa intimidar). A imprensa e as redes sociais ficaram em pânico...

Terça lá voltou Fauci à conferência. Desde segunda-feira - numa conferência de imprensa que durou 2h - que Trump repete a mesma coisa, com pequenas variações: quer que a economia do país esteja a operar normalmente a partir de 12 de abril (mesmo deixando algum poder aos governadores para gerir os seus estados); o melhor país do mundo a gerir o Covid-19 é os EUA, é tudo GREAT e HUGE, desde as máscaras, aos testes e tudo o que estão a fazer IS REALLY WORKING LIKE NOONE IN THE WORLD HAS SEEN;

E depois vai dizendo barbaridades várias (por entre alguns números que lhe puseram num papel em letras grandes); ontem disse umas contra a China e os jornalistas pediram a Fauci, logo de seguida para o desmentir... o cientista de 79 anos teve de dizer que a China tem ajudado com dados importantes e, muito atrapalhado..., de dizer que coisas políticas não comenta. Tudo é espetáculo e show para Trump. Mesmo quando são os outros que estão a falar, a sua postura física é de estar na dianteira, a tapar todos os que pode e a tentar ser visto (não sabe estar quieto e não ser o centro das atenções). As conferências tornaram-se mais curtas, felizmente, mas mesmo apanhar 5min delas dá sempre para tirar algum entretenimento, alguns pensamentos sociológicos (e também alguma informação útil sobre os EUA) em época de pandemia. Keep safe @home, make the world GREAT again.

https://m.youtube.com/watch?v=98-B16TGXqk

Será o coronavírus o empurrão que a China precisava para bater economicamente os EUA na liderança mundial (à medida que a economia chinesa está a voltar ao trabalho e as restantes estão a parar...) ? Países como Portugal podem ficar ainda mais dependentes da China (e não só em testes e máscaras contra o Covid)? Como quem sai melhor da crise pandémica pode reinar e ser o rei do crescimento este ano - daí que Trump não queira fechar o país a todo o custo...

(E como a postura anti China de Trump pode ter custos numa união mundial contra a pandemia... )

domingo, janeiro 13, 2019

tudo aquilo que os Sopranos foram e são...

Esta semana a série Sopranos cumpre 20 anos desde a sua estreia. Marcou uma era de ouro para as séries de televisão (que depois se tornaram apenas séries que podem ser vistas em qualquer plataforma). Quando chegou era arrojada, politicamente incorreta, com personagens ao estilo cinema, que tanto podíamos odiar como amar. Um protagonista gordo, careca e enorme hoje não seria pouco comum, mas não era nisso que Tony Soprano - interpretado com a indiferença, brutalidade, violência, crueza, assombro, sentimentalidade (fui ver, existe mesmo) e coração aberto exigidas pelo malogrado James Gandolfini - era brilhante e diferente. O grande Tony distinguia-se, isso sim, precisamente por ser um assassino sem escrupúlos com problemas reais que os quais o comum dos mortais também de pode, em parte, identificar. E só por isso ficavamos naquele conflito entre amá-lo ou detestá-lo, dependendo das circunstâncias. Essa mesma qualidade, nada pacífica nem aceitável nos tempos atuais, dos paradoxos humanos de figuras (neste caso ficcionais) nada consensuais, também se viu em Frank Underwood e em House of Carfs, provavelmente o último dos moicanos a ter um público vasto e sem ter medo do politicamente incorreto.
Sinto falta de Tony Soprano, era uma personagem tão diferente de um Seinfeld, dos protagonistas de Friends ou do Todos Gostam do Raymond, mas por quem tínhamos um carinho igualmente especial, mesmo que lhe desejassemos mal em certas circunstâncias.

Big Tony, em citações:
"I can't find Pussy anywhere."

Tony: "Uncle June, how was Boca?"
Junior: "Wonderful. I don't go down enough."
Carmela: "That's not what I heard."

"Hey, I don't even let anyone wag their finger in my face."

"You don't s**t where you eat. And you really don't s**t where I eat."

“Those who want respect, give respect.”

“Log off. That ‘cookies’ sh-t makes me nervous.”

“You got any idea what my life would be worth if certain people found out I checked into a laughing academy?”

“All due respect, you got no f—in’ idea what it’s like to be Number One. Every decision you make affects every facet of every other f—in’ thing. It’s too much to deal with almost. And in the end you’re completely alone with it all.”

“A wrong decision is better than indecision.”

“It’s good to be in something from the ground floor. I came too late for that and I know. But lately, I’m getting the feeling that I came in at the end. The best is over.”

"They say every day’s a gift, but why does it have to be a pair of socks?”

“When you’re married, you’ll understand the importance of fresh produce.”

“This is gonna sound stupid, but I saw at one point that our mothers are … bus drivers. No, they are the bus. See, they’re the vehicle that gets us here. They drop us off and go on their way. They continue on their journey. And the problem is that we keep tryin’ to get back on the bus, instead of just lettin’ it go.”

You know when I was depressed I said I didn’t want to live? Well, I’ll tell you something — I didn’t want to die

I’m like King Midas in reverse here. Everything I touch turns to shit.

“I find I have to be the sad clown: laughing on the outside, crying on the inside.”

“If you can quote the rules, then you can obey them.”

There’s an old Italian saying: you f–k up once, you lose two teeth.”

“What kind of person can I be, where his own mother wants him dead?”



domingo, janeiro 06, 2019

imagina

  • Author and political commentator, Frank Luntz, called the word imagine the most powerful word in the English language.
  • John Lennon used it as the title of his 1971 album, Imagine, and the lead track from the record.
  • Walt Disney famously said, "Laughter is timeless, imagination has no age, dreams are forever."
  • Nelson Mandela's words echoed the importance of the term. "Those who can't imaginechange reveal the deficits of their imaginations, not the difficulty of change."
in The Surprisingly Powerful Word You Should Use More Often in 2019

segunda-feira, dezembro 31, 2018

e algumas das histórias que contei em 2018 foram...

O ano chega ao fim e nós podemos contribuir com um verso. À falta de versos, este ano contou com o contar de algumas histórias que deram algum gozo a escrever e conhecer. Umas mais especiais do que outras. Aqui ficam algumas delas. Espero que gostem (incluindo tu, futuro eu).

































































domingo, outubro 08, 2017

a importância de saborear chá

O autor C.S. Lewis descreve assim a sua rotina 'perfeita':

I would choose always to breakfast at exactly eight and to be at my desk by nine, there to read or write till one. If a cup of good tea or coffee could be brought me about eleven, so much the better.
…At one precisely lunch should be on the table; and by two at the latest I would be on the road. The return from the walk, and the arrival of tea, should be exactly coincident, and not later than a quarter past four. Tea should be taken in solitude…For eating and reading are two pleasures that combine admirably…At five a man should be at work again, and at it till seven.



via Why Tea...

sábado, julho 08, 2017

two roads diverged in a yellow wood

“Now we all have a great need for acceptance, but you must trust that your beliefs are unique, your own, even though others may think them odd or unpopular. Even though the heard may go ” That’s bad.” Robert Frost said, ” Two roads diverged in a yellow wood and I, I took the one less travelled by, and that has made all the difference.” I want you to find your own walk right now, your own way of striding, pacing: any direction, anything you want. Whether it’s proud or silly. Anything. Gentlemen, the courtyard is yours. You don’t have to perform. Just make it for yourself…”
Dead Poet Society

terça-feira, dezembro 27, 2016

gather around, friends (for life)

Faz parte do estilo de governação, diria.


"Um conjunto de mais de 30 câmaras gasta mais de 40% do seu orçamento apenas em despesas com pessoal. A maioria dessas autarquias é governada pelo PS ou pelo PCP e situa-se em zonas com pouca actividade económica, nomeadamente no Alentejo." in Negócios

sábado, novembro 12, 2016

destaques em números da Web Summit

·  53,056 people from 166 countries joined us in Lisbon for Web Summit.
·  Over 4 million views on Facebook Live
·  Those who couldn’t join us in Lisbon for Web Summit were watching our Centre Stage talks live on our Facebook page. Our stream picked up 4,207,053 views over the course of the three days.
·  97,000 Pasteis de Nata consumed. That’s a lot of pastry. What was it washed down with? Coffee. And lots of it.
·  We had 17 stages for our 21 redesigned, standalone conferences.
·  1,490 startups from across the globe
·  1,300+ of the world’s most influential tech investors from the world’s leading funds joined us.
·  677 world-class speakers
·  One iPhone smashed by two of the NFL’s greatest ever wide receivers Terrell Owens and Greg Jennings. Two of the NFL’s greatest ever wide receivers. Throwing an iPhone 40 yards. Only at Web Summit.
·  2,000 of the world’s leading media came to tell the stories coming out of Web Summit.



Gary Vaynerchuk, Dave McClure, Shailene Woodley, Luís Figo e Ronaldinho foram alguns dos oradores mais falados nas redes sociais

segunda-feira, outubro 31, 2016

Axl Rose 'rocka' no trono dos AC/DC

Os ‘deuses do Rock’ deram tréguas, a chuva parou momentos antes do concerto de ontem e os 60 mil fãs de várias nacionalidades, que tiveram de suportar chuva e lama para chegar ao Passeio Marítimo de Algés, foram brindados com um concerto tão épico quanto histórico dos AC/DC que estão, diga-se, em grande forma apesar dos membros sexagenários (Axl Rose foi o ‘jovem’, com 54 anos).

João Tomé, para o Destak



Na Fila da Frente
07 | 05 | 2016

Perante uma expetativa esmagadora, Axl Rose cumpriu na perfeição o papel de novo vocalista dos AC/DC (pelo menos para a digressão europeia), isto depois de muitas dúvidas de alguns fãs sobre o papel do ‘senhor Guns N Roses’ na banda australiana (houve quem devolvesse os bilhetes).Antes do concerto o temporal, com respetivo alerta laranja, fazia temer o pior. Num hotel perto de Passeio Marítimo de Algés e perante a fúria do vento, da chuva e do Tejo, dezenas de jornalistas – onde os portugueses estavam em minoria – aguardavam pelo momento histórico. Revistas americanas reputadas como a Rolling Stones e a Billboard marcavam presença, tal como o inglês The Guardian, entre muitos outros, de França à Alemanha, passando pela Áustria, Bélgica e Espanha. Isto para além de muitos convidados da banda.

Certo é que os fãs foram resistindo à chuva com gabardines (estava proibida a entrada de chapéus de chuva) e, pelas 19h30, começou a tocar o rock dos Tennessee dos Tyler Bryant & The Shakedown. Esforçados, inicialmente à chuva, foram cativando o já muito público que preenchia o recinto com um rock simples e tradicional. Uma hora depois saíram de cena, já com o por do sol a invadir o recinto, e sem sinal de chuva. Mas foi preciso esperar que a produção destapasse o equipamento (já não chovia) e garantisse que os últimos detalhes da parafernália de efeitos e do som da guitarra de Angus Young cumprissem a sua missão sem falhas.

Viagem à Lua by AC/DC


Ao passar das 21h, o espectáculo começou com uma viagem espacial à Lua (projetada nos três ecrãs gigantes, um dos quais por cima do muro de colunas, atrás do palco) que introduziu a banda, a surgir entre chamas. Os primeiros acordes foram do único membro fundador na banda, o seu principal guitarrista e mentor, Angus Young. Vestido à rapaz colegial, entrou feroz com Rock or Bust. Atrás dele Axl Rose, sentado numa espécie de trono do rock, com a perna partida esticada (ainda não está totalmente recuperado) acompanhava com a voz poderosa, rouca e dedicada. Já o pé (o bom) seguia a batida. Não faltou o já habitual chapéu à cowboy de Axl, o lenço vermelho e o microfone vermelho.


Apesar de limitado pela perna partida e pelo facto de ter de estar sentado (o ‘trono’ utilizado foi uma adaptação ao que Dave Grohl lhe emprestou), foi um Axl dedicado, pronto a fazer uso da sua incrível voz para a causa dos AC/DC e sempre comunicativo com o público. Foi sempre ele que falou e quando o público gritava «Axl», ele fez questão de pedir: «gritem pelo Angus».Seguiu-se Shoot to Thrill, mas foi ao quarto tema que o público foi ao rubro. Não era motivo para menos: Back in Black, pela primeira vez com a voz de Axl Rose. Assistia-se a um momento histórico mas também épico e ‘rock and roll’ num cenário verdadeiramente diabólico, com muitos dos 60 mil fãs, alguns deles eram crianças, a ostentarem os míticos cornos vermelhos (cintilantes).

A temperatura já estava alta mas ficou a escaldar ao oitavo tema: Thunderstruck. Alta voltagem numa noite onde a banda estava a acolher na perfeição o novo, mas experiente nas lides do rock, elemento. O público correspondia aos solos de guitarra do energético Angus Young, o único a deambular de uma ponta do palco à outra e, ocasionalmente, a seguir pela passerelle que faz parte do palco AC/DC. À falta de Brian Johnson, Angus estava imparável e incansável. Seguiu-se High Voltage, Rock 'n' Roll Train e o notável Hells Bells.A noite já era épica por essa altura, mas épica continuou com o famoso You Shook Me All Night Long e com o incrivelmente explosivo (repleto de efeitos especiais dignos de um filme de Hollywood) T.N.T..


Numa cascata de sucessos bem interpretados pela banda e por Axl, seguiu-se o Whole Lotta Rosie, onde não faltou a Rosie gigante a aparecer em palco. Axl Rose já tinha feito uma cover da música em concertos dos Guns N Roses mas a versão com os próprios AC/DC superou por completo a outra versão. Seguiu-se, antes do encore, Let There Be Rock e Got Some Rock & Roll Thunder, onde Angus Young presenteou o público com um espetáculo a solo de guitarra tão longo quanto maravilhoso, que o levou por todo o palco – subiu inclusive para cima das colunas.


O encore trouxe duas pérolas com que não podia terminar a noite de AC/DC com Axl Rose: primeiro Highway to Hell e no final o hino do rock For Those About to Rock (We Salute You). Aqueles que queriam ouvir rock ‘puro’ e ao estilo AC/DC no seu melhor, foram saudados da melhor maneira por esta união com início prometedor entre os AC/DC (repletos de mudanças nos últimos anos) e o seu fã Axl Rose.