sexta-feira, Outubro 24, 2014

reportagem spielberg :: cavalo de guerra

Reportagem em janeiro de 2012 para o jornal Destak.


REPORTAGEM
O génio de Spielberg na primeira pessoa
Estivemos em Londres para falar com Steven Spielberg sobre o seu novo filme ‘Cavalo de Guerra’, uma «história de amor» entre um rapaz e o seu cavalo, em plena 1.ª Grande Guerra, onde morreram milhões de pessoas e cavalos. Ouvimos o mestre do cinema sonhador Steven Spielberg sobre tudo: carreira, vida, cinema e... cavalos.

João Tomé

É um dos homens que, através dos seus filmes, mais pessoas influenciou e “tocou” desde que o cinema é a 7ª Arte. Determinado, sonhador, criativo e de uma humildade e dedicação surpreendente, foi assim que vimos e ouvimos o único Steven Spielberg, no início de Janeiro, em Londres, numa conferência de imprensa a falar sobre o seu novo “rebento”: Cavalo de Guerra.

Habituado a nos fazer sonhar, o realizador e produtor norte-americano por trás de pérolas do cinema como ET, Tubarão, Indiana Jones, A Lista de Schindler, também tem a sua quota parte em filmes de guerra.

Mas esta é uma «história de amor» que se passa numa guerra, a 1ª Grande Guerra, por isso «é universal e para todas as idades, dos 8 aos 80».

Spielberg fala com paixão dos seus filmes, das suas histórias. Foi a produtora de sempre, Kathleen Kennedy (com quem também falámos) que ficou cativada com a peça de teatro sobre o jovem que vai para a guerra para recuperar o seu cavalo, Joey. Depois de contar a Spielberg, ele sobe logo que a queria realizar, mesmo antes de ver a peça e ler o livro de Michael Porpugo, com quem também falámos.

Isto porque a filha, Destry, 15 anos, «é cavaleira de competição» e mal soube da história disse: «Tens de fazer o Cavalo de Guerra! Tens de o fazer para mim!». Após ver a peça, Spielberg admite que «fez-me chorar e gostei mesmo muito».

O cavalo que une pessoas
«O Joey tem uma forma de unir as pessoas, especialmente pessoas dos dois lados da guerra», explicou Spielberg, que na pesquisa ficou surpreendido com um facto que desconhecia: «morreram quase tantos cavalos quanto pessoas [15 milhões]».

«Foi o fim do cavalo como instrumento de guerra, o início da era da máquina – o tanque, o avião –, tudo convergiu na Primeira Grande Guerra, que todos diziam que ia ser a ‘guerra para acabar com todas as guerras’», explicou entusiasmado este «amante de história», que se diz mais «europeu do ponto de vista histórico» e admite mesmo: «era a única disciplina em que era bom aluno».

O realizador de 65 anos, lembrou a sua proximidade com a guerra. «O meu pai, que faz 95 este mês, combateu na II Grande Guerra. Cresci a ouvir histórias de guerra e os meus primeiros filmes de 8mm eram na maioria filmes de guerra!» Até porque «não há melhor maneira de testar uma pessoa, do que atirá-la no meio de uma guerra».

Não filmar é morrer
Spielberg, para quem «querer realizar algo é uma sensação inegável», «bem diferente de produzir». E admite realizar para além dos 100 anos, como Manoel de Oliveira? «Não quero parar. Sempre disse que só páro quando o meu amigo Clint Eastwood quiser desistir. Como isso não vai acontecer...».

Tempo ainda para explicar que nem todos os realizadores de Hollywood se regem por números e dinheiro, até porque é um «processo colaborativo» e «nós só queremos ir e contar as nossas histórias. É uma tortura que adoramos e pela qual os nossos antepassados passaram, na era dourada de Hollywood. O objectivo é o mesmo».

Spielberg é Spielberg e isso significa que, desde Tubarão, faz o que quer. Por isso aumentou o orçamento de Cavalo de Guerra só para poder filmar em Devon, localidade onde se passa o filme e poder ter, sem efeitos especiais, «o céu incrível de Devon», numa homenagem a realizadores como John Ford e Howard Hawks.

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CENAS DIFÍCEIS COM CAVALOS
O mais difícil de filme foi mesmo uma altura em que o cavalo Joey fica literalmente preso no meio da batalha entre britânicos e alemães, em arame farpado, num dos momentos mais belos do filme de Spielberg. «Tivemos alguns segundos de cada vez para gravar porque o cavalo queria sempre levantar-se», diz Spielberg que garante: o arame nunca magoou o cava-lo.

Não faltaram cavalos na rodagem e só para fazer todos os movimentos de Joey foram mais de 10, cada um com o seu tratador «de Espanha, Austrália, América e Reino Unido». Mas só dois deram mesma a “cara” e mesmo «improvisação»: Abraham e Finder (que já tinha estado em Seabiscuit).

TUBARÃO, O PONTO CHAVE
«O ponte chave na minha carreira foi Tubarão». Diz Spielberg, que admite que antes era «realizador por encomenda, depois podia fazer o que quisesse, que havia quem passa-se o cheque. Por isso pude fazer um filme que antes foi recusado e ridicularizado: Encontros Imediatos do 3.º Grau».

GERIR TEMPO DISPONÍVEL
«Os pontos baixos da minha carreira são relacionados com a gestão do tempo. Sentir que não tenho tempo suficiente para família e amigos. Tenho sete crianças, tenho de equilibrar tudo». O que não o afecta são as críticas e a bilheteira. Spielberg homenageou ainda o ‘seu’ compositor desde há 40 anos, John Williams, o colaborador mais importante.

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Michael Morpurgo inspirou-se em veteranos
O escritor Michael Morpurgo inspirou o seu livro de 1982 nas histórias que três ex-combatentes da I Grande Guerra, de Devon, lhe contaram sobre a importância dos cavalos na guerra. Em 1914, 10% das tropas britânicas montavam a cavalo, em 1917 eram só 2%.

Nomeação de ‘Cavalo de Guerra’ para os Óscares
Estar na lista para Melhor Filme é algo que Spielberg não esperava por este filme familiar. Desde 2006 (’Munique’) que um filme seu não era nomeado e o último Óscar (tem três) foi em 1999 (’O Resgate do Soldado Ryan’).

entrevistas homem de ferro 3

Abril de 2013. Entrevistas do filme Homem de Ferro 3 para o jornal Destak e Record Online.


Reportagem
«Menos espetáculo» mais Downey Jr. em Homem de Ferro 3
25 | 04 | 2013   19.55H
Estivemos em Londres à conversa com o elenco do surpreendente Homem de Ferro 3 e participámos na conferência de imprensa liderada pelo inimitável Robert Downey Jr. O ator não confirmou se continua como Tony Stark no futuro e aborda o desafio que foi interpretar uma história diferente das outras, com um Homem de Ferro mais humano do que nunca e que sente o peso da ansiedade.



Quando Robert Downey Jr. entra, a sala fica ‘elétrica’. Ouvem-se palmas e o norte-americano extrovertido responde com acenos de estrela (está no seu habitat natural).

Entre piadas, provocações (levou uma pequena chapada de Gwyneth Paltrow) e a certeza que Homem de Ferro 3, bem mais próximo do 1º filme da saga, «tem tudo para triunfar», foi uma conferência de imprensa divertida onde Downey Jr. era a estrela apesar da presença de Don Cheadle, Paltrow, Sir Ben Kingsley e Rebecca Hall (ambos estreiam-se na saga, tal como Shane Black, o realizador de Kiss Kiss Bang Bang e guionista de Arma Mortífera).

O ator norte-americano que deu a cara em 2008 por Homem de Ferro – iniciando uma sequência de sucesso de filmes de super-heróis para a Marvel – recebeu 50 milhões de dólares (um recorde) com o último capítulo da saga, Vingadores (2012) e, agora, cumprido o contrato com a Marvel deixou no ar se continua ou não ligado à saga que terá, já está confirmado, em 2014, Vingadores 2.

«Depois de Vingadores, nós sabíamos que não era possível ir tanto pelo lado do espetáculo neste filme» até porque este é o 4º filme com o Homem de Ferro, apesar de ser apenas o 3º com Tony Stark a solo e «queríamos mais profundidade» e «mais semelhanças com o primeiro filme».

Depois de perguntas «parvas» que Downey Jr. ignorou, o ator convidou uma jornalista só com elogios para um jantar a dois e admitiu que «só em Homem de Ferro 17 é que vou estar em melhor forma do que Don Cheadle».

De uma assentada, Downey resumiu assim a experiência no novo filme da saga:

«só sei que estamos a fazer algo bem. As reações têm sido incríveis e repetir tudo isto com o Don [Cheadle] e a Gwyneth [Paltrow] é um prazer, mas ter agora Sir Ben [Kingsley] a levar-nos para outra dimensão com um dos maus mais incríveis da história dos super-heróis e a super talentosa Rebecca Hall a dar classe à tasca, fez desta uma experiência deliciosa».

Sobre o realizador e guionista Shane Black, amigo de Downey e que apostou nele no seu regresso ao cinema em Kiss Kiss Bang Bang (de 2005) disse ainda: «criou um guião que é a razão de estarmos todos sentados aqui e da maioria de vocês [jornalistas] não dizerem que o filme não presta.»

Paltrow e a chapada a Downey Jr.
Sir Ben Kingsley (um mau da fita muito peculiar chamado Mandarim, neste filme cheio de surpresas) explicou que a receção que teve na «família Homem de Ferro foi excelente e generosa» e «adorou o guião e a sua personagem» - colocaremos no site nos próximos dias a entrevista que fizemos ao ator britânico.

Já Gwyneth Paltrow admitiu que só ouviu falar da mítica personagem da Marvel Homem de Ferro quando foi convidada para participar no filme, «mas fazer parte desta saga tem sido incrível». A atriz ficou feliz por «ver Pepper Potts evoluir tanto nestes seis anos» e admite que ficou «surpreendida por ter gostado tanto de ver este último filme», que a sua família «também adorou» - Downey Jr. brincou, chamando a atriz considerada esta semana a mais bonita do mundo para a revista People de «snob». A reação de Gwyneth? Uma chapada.

Genética humana no centro do filme
A alteração genética humana é um tema importante no filme, tal como a crise de ansiedade e depressão de Tony Stark, amedrontado com tanta ação sobrenatural que se viu o ano passado em Vingadores.

Homem de Ferro 3 vale por si só, mesmo para quem não viu os outros filmes, até porque mais do que nunca Tony Stark terá de mostrar o seu valor sem a sua armadura (ao estilo McGyver) e aprender tudo de novo, ficando a certa altura perdido numa pequena cidade americana onde conhece um rapaz que o vai ajudar.

Para Downey Jr. o objetivo do filme que reserva surpresas pouco usuais neste tipo de sagas é que as pessoas «saiam do filme a questionar-se e falar sobre o que viram», «desde as cenas de ação até aos traumas em Tony Stark».

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CONSELHO: Espere pelos créditos finais do filme, há uma pequena grande surpresa mesmo no fim.


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ENTREVISTA A SCARLETT JOHANSSON NO RECORD ONLINE

Scarlett Johansson explica-nos a importância de ser sexy

Bem vestida, de saltos altos, simpática e com a já famosa voz rouca, entrevistámos uma bem disposta Scarlett Johansson em Londres a propósito do filme Os Vingadores. Depois de participar em Homem de Ferro 2, Scarlett volta a ser a espiã russa mortífera Viúva Negra no filme da Marvel que junta alguns dos super-heróis mais poderosos: Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Hulk (Mark Ruffalo), Thor (Chris Hemsworth) e o Capitão América (Chris Evans). O filme estreia em Portugal e no resto do mundo a 25 de Abril.

João Tomé

Era fã da Marvel quando era pequena?
Não era muito fã de banda desenhada, mas acabou por não ser mau porque assim não ia com ideias pré-concebidas sobre a minha personagem, Viúva Negra.

Participar em tantas cenas de acção foi um grande desafio?
Foi difícil porque eram muitas. Eu tive alguma sorte porque já tinha feito o Homem de Ferro 2 e o estilo da Viúva Negra é o mesmo, por isso já tinha aprendido alguns movimentos de luta. Quando fiz o Homem de Ferro 2 nunca tinha tido nenhum tipo de treino de luta, só treinos com armas, por isso foi um mundo novo para mim perceber como lutar com alguém de uma forma rápida, limpa e credível. Agora aprendi mais depressa por ter experiência e foi bom porque tinha muitos combates para fazer.

Mas gostou de se tornar mais física para Os Vingadores?
Sim, até consigo gostar. Só temos de nos mentalizar que durante cinco meses da nossa vida vamos estar constantemente com dores e com nódoas negras, primeiros dos treinos e depois das filmagens. Só temos de aceitar isso e quando aceitamos fica mais fácil, como muitas coisas na vida.

Sentiu-se num cenário surrealista quando olhava à volta nas filmagens?
A maior parte de nós teve sorte, porque toda a gente tinha os seus fatos cheios de estilo e andávamos por ali a sentirmo-nos bem connosco próprios, com elevada auto-estima, mas coitado do Mark Ruffalo [Hulk]. Tinha de andar numa espécie de pijama quando fazia de Hulk, com cara estranha e em cima de uma plataforma. Ele faz mesmo o Hulk, através do motion capture, que regista os movimentos dele, mas por isso sofreu bem mais. Ninguém podia olhar para ele porque desatávamos a rir em cena. Por isso ficávamos sempre de costas para ele. Coitado!

MÚSICA NOS TEMPOS LIVRES

Se a sua carreira musical crescesse e tivesse de escolher, preferia ser actriz ou cantora?
Adoro música, gosto de cantar, sozinha ou outras pessoas, mas preferia continuar como actriz que é onde tenho o coração. Quando muito podia cantar num filme.

Nunca imaginou ser uma actriz de acção?
Nem por isso, mas também nunca pensei que o Mark Ruffalo pudesse ser o Hulk, aquele gigante e raivoso mutante, mas agora é o Hulk e resulta mais do que alguma vez poderia ter imaginado.

Tinha algum herói de acção quando era mais nova?
Nem por isso. Eu era mais do estilo dos Tartarugas Ninja, nunca fui muito de gostar de super-heróis, gostava mais de mutantes verdes. As Tartarugas Ninja eram populares quando era miúda e o Michaelangelo adorava pizza, era hilariante.

O seu fato é muito justo. Preferia ter tido algo mais solto?
Quando treinamos assim tanto para lutar e para ter força, o resultado é que cabemos bem num fato de cabedal justo, isso é bom porque não temos de pensar muito em dietas. Se tivesse de usar um fato justo dentro de 10 dias, ficaria preocupada. Mas depois de meses de treino sentimo-nos mais confiantes. E o fato também não era muito revelador (risos).

SER SEXY
Foi cansativo tentar lutar e parecer sexy ao mesmo tempo sem perder o controlo?
Eu perco muitas vezes o controlo. Há muitos momentos em que não pareço calma quando luto, felizmente mexia-me depressa. Quando vemos um grupo de duplos gigantes de 2 metros a correr na nossa direção com bastões, só nos apetece gritar. Tive de me tentar enganar a mim mesma. Mas sobre ser sexy concretamente, nunca penso nisso. É tão foleiro num filme de acção, uma mulher andar a fazer poses sexys enquanto luta (risos), mexer no cabelo.

Já se imaginou a interpretar uma mulher pouco atrativa, como uma professora do Harry Potter?
Sim, claro, porque não. Não procuro ativamente papéis sexys, não é um requisito que a minha personagem seja bonita e oca. Nunca penso nas minhas personagens como sendo sexys, a não ser que esteja escrito que estou a tentar atrair alguém.

Há géneros que ainda não fez que gostava de fazer?
Eu quero fazer um western (risos), porque não.

Viaja muito. Quando está por casa o que gosta de fazer para se entreter?

Gosto de ficar por Nova Iorque, onde vivo, e aproveitar tudo o que a cidade tem para oferecer. Gosto de ir ao Central Park, ir ao teatro, a bons restaurantes, ouvir música ao vivo e encontrar-me com os amigos. Adoro ficar em Nova Iorque no meu tempo livre.

entrevista peter jackson

Fevereiro de 2010. Breve entrevista a Peter Jackson sobre o filme Visto do Céu e à jovem actriz Saoirse Ronan para a SIC Notícias (programa 35mm) e publicada no Destak.


Entrevista a Peter Jackson
«O livro tal como o filme dá uma visão de conforto sobre a morte»
Cinco minutos de entrevista em Madrid, esticados até aos seis, graças à simpatia de Peter Jackson (os responsáveis espanhóis estavam determinados em acabar cedo) deram para fazer algumas perguntas sobre o filme e o pós-Senhor dos Anéis a um dos realizadores mais importantes dos últimos anos. 

João Tomé

Foi muito diferente criar um mundo épico como o «Senhor dos Anéis» e mostrar um mundo simples, de metáfora emocional, em «Visto do Céu»?
A principal diferença vem na fase de escrita do argumento, porque eu sou sempre co-escritor dos argumentos que fazemos [Peter escreve sempre com a mulher Fran Walsh]. Para mim é uma parte muito importante do processo, porque significa que estou a par das razões porque tudo aquilo que está no filme lá está, de todas as decisões que foram feitas no argumento. E é interessante, porque, como realizador, o nosso trabalho é literalmente pegar no guião e imaginá-lo com vida. Já quando estamos no local de filmagem, estamos a dirigir os ângulos da câmara e o design. Por isso, sei que pode parecer estranho, mas não há grande diferença quando estou a realizar, quer seja buracos de Hobbits, na Terra Média, ou no Pennsylvania [em Visto do Céu], continuo apenas a pensar na forma de contar a história com a câmara, a lente e os actores. A grande diferença está na escrita do guião, porque aí estamos com a cabeça totalmente imersa num tema muito diferente, no caso deste filme. Em vez da luta para destruir o Anel e o monte Doom, agora lidamos com o pós-vida de uma jovem de 14 anos que foi assassinada e que quer resolver o seu crime a partir deste estranho estado psicológico de sonho em que se encontra. Por isso, sim, é completamente diferente, e manifesta-se especialmente na fase do argumento.

O que o cativou mais no livro que inspira o filme, já que esta é uma história de uma morte, mas que mostra o valor da vida…
É isso mesmo, é uma visão positiva. É o valor da vida, é o valor do amor. Eu pelo menos vejo-o mais como uma história de amor. O livro, tal como o filme, dá uma visão de conforto sobre a morte. Lembro-me que ao lê-lo não pude deixar de conter as lágrimas, porque a história emociona, só faço filmes que me emocionem. Também não queríamos fazer um filme sobre um assassinato, e esse é um dos motivos pelos quais não mostramos o momento da morte da Susie Salmon no ecrã, porque iria desequilibrar o filme. Tornar-se-ia conhecido como um filme que partia de um assassinato e eu não queria isso. Um assassinato brutal não é aquilo que eu quero ver num filme que também é uma forma de entretenimento. Queria fazer um filme intenso e que sabe cativar, sobre a Susie que tem de se habituar à sua realidade alternativa [uma espécie de Céu], ela já não está no seu corpo. Sobreviveu, é imortal, é uma das mensagens de esperança do filme, mas está num estado de consciência diferente.

Existe muito suspense, muitos movimentos de câmara intensos e de cortar a respiração, muito ao estilo de Alfred Hitchcock. Ele foi uma influência?
Tenho a certeza que o Hitchcock é uma influência, não necessariamente de forma consciente. Mas como realizador, simplesmente penso que sou o resultado de todos os filmes que já vi (risos). Não podemos evitar ser influenciados por tudo e adorei filmar as cenas de suspense. Foi uma área que não explorei propriamente no Senhor dos Anéis ou no King Kong, esse suspense puro e duro. E adorei fazer isso aqui, foi divertido e de facto dá ares a Hitchcock.



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«A Saiorse é incrível»
Apesar de Mark Wahlberg, Rachel Weisz ou Susan Sarandon estarem no filme, a protagonista é a jovem irlandesa Saoirse Ronan. «Estávamos a ter dificuldades para encontrar a Susie, pensámos que seria preciso 400 audições nos Estados Unidos, quando recebemos um DVD no correio», explica Jackson. A gravação no quintal da casa da irlandesa Saoirse «convenceu-nos de imediato, ela é incrível, tem um naturalismo que é um dom» e nem o facto de ter sotaque foi impeditivo.


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CONVERSA RÁPIDA COM... Saoirse Ronan

Nomeada para um Óscar pelo filme «Expiação» aos 13 anos, aos 15 a irlandesa volta a surpreender num grande papel.


Como definiria a personagem da Susie?
Isso foi o que tentei fazer durante muito tempo e tive muitas dúvidas sobre se estava a pensar na Susie de forma correcta, se a estaria a criar da melhor forma. E embora tivesse os outros actores a ajudar-me, como actriz precisava de interiorizar a personagem. A Susie é daquelas personagens que vamos percebendo. E à medida que estava a atravessar esta "viagem", que íamos filmando, ia percebendo-a mais. Portanto, demorou um pouco, até porque ela muda muito no decorrer do filme e nós temos de mudar e aprender ao mesmo tempo.

Peter Jackson deu-lhe muita independência para adaptar e criar Susie?
Sim, ele quis sempre sugestões dos actores e até de outras pessoas como o meu pai. Tudo que pudesse melhorar a personagem e tornar a Susie tal como ela é no livro. Por isso senti que tinha liberdade. Ajudava-me muito quando as pessoas falavam para mim durante as cenas. Nunca ensaiámos em demasia, íamos para lá e íamos limando a performance entre as cenas.

A nível profissional, o seu pai, que é actor, ajudou-a?
Sim. O facto de ele ser actor ajudou, sem dúvida. Inicialmente porque disse ao agente irlandês dele para me tentar arranjar algumas coisas, isto antes de ser actriz, e ele conseguiu. Fiz um pequeno papel numa série dramática irlandesa de baixo orçamento, que agora é bastante bem sucedida, curiosamente. O pai foi descoberto como actor quando estava em Nova Iorque e isso também ajudou depois a ter trabalhos nos Estados Unidos.

Já esteve nomeada para os Óscares, já pensou a quem agradeceria se vencesse?
Não, mas se algum dia vencer, obviamente que teria de agradecer ao meu pai e à minha mãe, à Academia por votar em mim, acho (risos), a agentes e basicamente às pessoas que me ajudaram no filme.

entrevista robin williams

Dezembro de 2009. Breve entrevista para a SIC Notícias (programa 35mm) em versão publicada no jornal Destak.


Entrevista Robin Williams
«Os miúdos suportam-me»

Robin Williams mostra que é um homem de comédia - o motivo da conversa foi o novo filme 2 Amas de Gravata - mas também de muita melancolia. No fundo, é o retrato dos filmes tão díspares que já fez: Popeye e Clube dos Poetas Mortos, Bom Dia Vietnam e o Rei Pescador, Hook e Hamlet, Papá Para Sempre e Jack, Flubber e O Bom Rebelde.



Bryan Adams fez a banda sonora do filme e já tinha feito noutro seu, Jack. Está a persegui-lo?
Quem é Bryan Adams? A sério, não faço ideia. Ele não me está a perseguir de modo algum, porque tenho total falta de conhecimento sobre ele (risos). Neste momento vou ter de me chicotear porque não conheço o nome. (Risos)

Vamos então partir para a sua relação com John Travolta. Acha que ambos se complementam?
Acho que sim. Somos um bom ying e yang. Complementamo-nos. [Começa a cantar] Tu completas-me, de uma forma que mesmo assim não conheces o Bryan Adams. Cala-te Robin, deixa estar [em voz fina]. Sim, sem dúvida, o John é um homem tão generoso e carinhoso e já disse isto uma vez antes, na verdade quatro vezes... ele é o equivalente humano de um panda. Apetece chamá-lo "vem cá!". É destemido, divertido, mas também é um excelente actor.

A comédia dele é um pouco diferente da sua, não é?
Não é tão azul [triste]. Tenho tendência a ir um pouco abaixo e ele diz-me sempre "fica aqui na luz, fica comigo não te vás abaixo". Isso ajuda, porque traz-me de volta e digo [voz tristonha e infantil] "tens razão, não temos de ficar azuis, mas seria divertido". É tão simpático e generoso que fez vir ao de cima o meu lado bom. Está sempre a cativar-nos para experimentarmos coisas novas.

Neste filme não tem jeito nenhum para crianças... muito diferente de si, não?
Eu sou OK com os miúdos. Os miúdos pequenos suportam-me desde que… Uma vez estava a ler uma história à minha filha e ela disse "não faças as vozes, lê apenas a história". Fiquei surpreendido, mas a verdade é que com miúdos pequenos não podemos exagerar. Se fizermos algo muito louco eles não gostam. Por isso é que os miúdos não gostam de palhaços. Primeiro, parecem alcoólicos mortos. Segundo, aparecem assim [grita projectando a cara com sorriso forçado] "ei, eu vou divertir-me contigo". E os miúdos dizem [voz fina e infantil]: "tu assustas-me, tu és um pedófilo com grandes sapatos". O que funciona é divertirmo-nos com eles. Se começarmos de forma simples, podemos ir subindo e ir fazendo vozes. Eles exigem que sejamos muito honestos com eles. E estarmos concentrados, estarmos mesmo lá com eles, e não inventar coisas como: "tenho de atender esta chamada"; [voz final infantil] Não, não tens, os teus negócios estão na falência. Estás a investir no Google" - "Sim"; - "Não o faças".

Tem inveja do Seth Green por causa da longa cena dele com um gorila gigante?
De modo algum. Por acaso já tive um verdadeiro encontro. Conheci Coco, a gorila que faz linguagem gestual. Primeiro apertou-me os mamilos, o que… [risos] não é nada mau, deixe-me que lhe diga. Se tiver um gorila que lhe aperta os mamilos, aí está uma história para um bar. O tipo vai e diz "Sabem, uma vez estava com um anão". E vou eu e digo, "Ah é? A mim um gorila apertou-me os mamilos e foi bom". Dão-nos logo outra rodada [risos]. E a Coco tentou levar-me para o quarto dos fundos, o que foi um pouco o que acontece com o Seth no filme. O treinador estava a fazer sinais à Coco, a dizer [faz linguagem gestual]: "Coco, não, nada de truca truca Coco". Ele depois ainda me diz, que se ela me levar para o quarto dos fundos não me podia ajudar - ficaria descontrolada. Ouvia-se apenas: "Nãaaaooooo" e "Uh-uh-uh". Não fiquei ciumento. Disse apenas ao Seth… "já estive aí, vaca".

Para terminar, sabe imitar um português?
Conheço a língua, mas normalmente dou um toque brasileiro. Há uns anos tivemos um babysitter brasileiro, um homem chamado Alfredo Pedroto. E dizia sempre [fala em português]: "Robbie, tudo bem? Obrigado, boa noite". É mais brasileiro, sei disso. E aprendi a palavra [diz em português] "bom tempo". Em brasileiro tudo o que dizemos tem um tom do tipo "bom tempo". Perguntamos [em português] "o que vais fazer?"; "shiu, bom tempo, tudo bem Robbie, obrigado. Como vai você? Tudo bem". Vou lá ao Brasil para os Jogos Olímpicos. Sabes para quê? Para o espectáculo de depilação [faz barulho de depilação a cera e simula depilar as pernas com as mãos]. Boa sorte.

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Clube dos Poetas Mortos
Já fez filmes tão diferentes uns dos outros. Ainda se sente às vezes Captain, My Captain [referência à personagem John Keating, do filme Clube dos Poetas Mortos]?
Totalmente. Quer dizer, sinto-me tão orgulhoso desse filme em termos do que é e do que significa para mim. Mas também como um filme que pode mudar a vida das pessoas, como alguém uma vez disse. Foi a primeira vez que eu fiz um filme em que houve pessoas a chegarem-se a mim e a dizer que se tornaram professores por causa daquela personagem. E eu fiquei sem palavras… é uma escolha corajosa, especialmente na América onde não lhes pagam. Por isso… é mesmo um grande orgulho. Obrigado.


VERSÃO EM ÁUDIO:

quarta-feira, Agosto 27, 2014

entrevista entre o médio oriente e tarantino

Entrevista a Ziad Doueiri.

“Para os árabes não se pode dar voz aos judeus”


‘Rejeitou’ Quentin Tarantino, que o chamou para Kill Bill, porque queria ser realizador e o seu terceiro filme, O Atentado, chegou em abril a Portugal.

João Tomé

O Atentado é escrito e realizado pelo libanês, durante muitos anos cameraman de Quentin Tarantino, Ziad Doueiri. Falámos com ele sobre a sua carreira e o filme que acompanha um médico israelo-palestianino em conflito pessoal depois de descobrir que a mulher é bombista.

Como é que foi ter aos EUA a trabalhar para talentos como Tarantino?
Nunca planeei. Deixei Beirute com 19 e fui estudar cinema na Califórnia. Depois comecei à procura de trabalho na cidade e comecei a ganhar experiência como técnico, na câmara, na grua, nas luzes. Nunca tive intenção de realizar. O meu primeiro filme era do Roger Corman [conhecido produtor] e chamava-se Munchie (1992) – uma versão barata, série B, dos Gremlins. Ganhei muita experiência e aprendi muito nessa altura mesmo a trabalhar em filmes chamados ‘trashy’. O panorama independente em LA nos anos 80 foi muito interessante.

E como é que começou a trabalhar com o Tarantino?  
Tive uma entrevista com o director de fotografia, já tinha algum experiência em filmes B e consegui o trabalho. Desde aí continuámos sempre a trabalhar juntos. Depois de fazermos o Cães Danados (1992), o Tarantino continuou a utilizar a mesma equipa e fizemos o Pulp Fiction e outros. Se eu continuasse a fazer trabalho de câmara ainda estaria a trabalhar com ele. Ele pediu-me para participar no Kill Bill mas eu decidi que não queria continuar a trabalhar como câmara. Estava numa altura da minha vida em que queria fazer outras coisas. Mas ele manteve a lealdade com a equipa técnica é praticamente toda a mesma. A maioria dos realizadores usa a mesma equipa, o Scorsese faz o mesmo. Quando encontram a equipa certa mantém-na. 

Quando estava a fazer esses filmes, Reservoir Dogs, Pulp Fiction, o Tarantino não era tão conhecido como é hoje. Tinham noção que estavam a criar algo tão importante que se iria tornar um clássico?
Simplesmente não sabíamos. Nunca sabemos. Quando fizemos o Reservoir Dogs, olhei para o guião e não sabia se era bom ou mau. Nunca sabemos se é magnífico ou uma merda, só depois, porque era tão estranho e tão diferente. O Reservoir Dogs foi uma das minhas experiência preferidas num filme. 


Porquê?
Há dois anos vi algumas fotografias dessa altura, tiradas na rodagem e trouxe-me de volta aqueles tempos. Foi uma boa experiência. Compreendo que as pessoas queiram fazer um grande alarido do Tarantino porque ele é um realizador tão fantástico e é tão popular e de culto, por isso as pessoas pensam que a experiência de trabalhar com ele foi tão incrível e única quanto ele é como realizador. Foi, mas não mais do que noutros filmes, porque a rodagem é um ambiente técnico. O que é único em trabalhar com ele é que ele é muito entusiasta sobre o que faz. Ele simplesmente adora o seu trabalho, ele está-se a borrifar para política, para o amor, tem tudo a ver com a história em si. Ele é como uma criança numa rodagem e isso afecta-nos porque ele tem uma mente incrível, a forma como trabalha e tem uma memória de elefante, na forma como se lembra de tantos filmes. Todas as semanas ele faz um visionamento na sua casa de um filme projectado em 35 mm, porque ele tem uma coleção enorme de filmes. Ele é tão dedicado à profissão de fazer filmes, que o seu foco principal é sempre como transformar algo em filme. Tem uma mente tão eléctrica e cria personagens muito interessantes.

Depois decidiu realizar...
Sim, mas não foi pensado foi progressivo ao longo dos anos. Percebi que aprendi a arte o suficiente e a comandar o cenário – fazer filmes é uma arte artesenal – e queria contar as minhas histórias. Comecei a sentir-me nostálgico – estive 15 anos sem voltar a Beirute – e escrevi em LA o West Beyrouth [filme político que lhe valeu vários prémios] e o Entre as Pernas de Lila.

Ainda estava em Los Angeles na altura em que escreveu o guião para o filme West Beirute (1998), que lhe valeu prémios em Cannes e Toronto?
Sim, sem dúvida. Escrevi lá esse, o Entre as Pernas de Lila (que estreou em 2004) e o guião do Man in the Middle, para o qual estou a tentar financiamento, todos escritos em LA. LA é um local muito criativo, bizarro mas criativo.

Mas voltou nesse período para Beirute, não foi?
Voltei para Beirute depois do 11 de Setembro (de 2001), porque conheci uma rapariga... conheci alguém e senti que como realizador não precisava de estar em Los Angeles, por isso deixei LA e mudei-me primeiro para o México, por uma mulher. Fui para Bordéus por uma mulher (risos). Parece-me que saio sempre de países porque conheço alguém. Mas primeiro voltei a Beirute porque conheci em LA uma rapariga que era de Beirute, apaixonei-me por ela e fiquei lá com ela. Agora resido em Paris, devido a um problema que prefiro não falar.

Em O Atentado volta ao contexto político israelo-palestiniano. Como chegou a esta história?
Embora seja uma história mais geral do que isso. Fui convidado em 2006 para realizar e adaptar o livro com o mesmo nome pela Focus Features e aceitei com condições. Eles queriam que fosse falado em inglês e prometiam, assim, o Tom Hanks. Com ele a bordo ia ganhar mais mas preferi que fosse em árabe e hebraico. Em inglês não fazia sentido. Pelo meio começou a guerra do Hezbollah quando estava a viver em Beirute e o projeto acabou por ficar na gaveta e voltámos a ele em 2011.

O protagonista, Ali Suliman, tal como a personagem, é israelo-palestiniano. Foi importante ter alguém com as duas culturas?
Ele percebe a confusão os iraelo-árabes sentem. É árabe mas é israelita e percebe que está numa situação difícil a nível pessoal. Cresceu em Israel, aprendeu hebraico, misturou-se com os israelitas judeus mas ainda tem a sua identidade árabe, tal como o protagonista. Quando leu o guião disse-me que sentia o mesmo que a personagem.


O filme teve críticas ferozes da parte árabe. Como foi a recepção?
Não fazia ideia como seriam as reações de judeus e árabes. Estava curioso mas não estava preocupado com isso. Assim que o filme estreou na América teve um grande sucesso junto da comunidade judaica, embora não seja nem a favor nem contra nenhuma das partes, tem muitas nuances. A comunidade árabe não reagiu tão bem, porque a mentalidade judaica permite questionar as suas próprias crenças, enquanto para os árabes não podemos dar voz aos judeus sobre nenhum pretexto. Não podemos, são maus da fita. Para o público judeu o facto de ter mostrado os dois lados foi bom, para os árabes foi mau, porque como é que podemos mostrar o ponto de vista judeu, eles não têm um ponto de vista, não merecem um ponto de vista. E agora é moda boicotar-se Israel e o facto de ter filmado em Tel Avic com técnicos israelitas e atores judeus foi mal visto e houve uma campanha contra o filme. Mas o que se pode fazer?
 
E quais os próximos projetos?
Estou a trabalhar com a Arte, a televisão francesa e alemã e a terminar um guião menos político e menos trágico que também se passa no Médio Oriente e chama-se Affaires étran-gères, que terá Gérard Depardieu. É baseado num acidente que tive. Vamos gravar em setembro.

sou um pinhão de um pinhal

Lembro-me de noites destas em casa, na casa onde cresci, no meio de um pinhal, de um campo. Eram noites diferentes, sem as luzes nem o barulho da cidade. Lembro-me de não dar particular importância à beleza a noite, da Lua, das estrelas, do grigri dos grilos e de tantos outros animais que por ali andavam. Nasci no meio de tudo aquilo, era o que eu conhecia. Era a única forma de acordar a meia da noite ou de manhã. 

Pensava mais na insónia, em si, no presente, no passado ou num momento lixado. Imaginava mundos e histórias, inventava canções e respectivas letras que me parecia geniais mas se desvaneciam pela manhã. 

A tv também andava por ali, mas recordo-me melhor das noites de Verão em que abria a porta de casa, entrava e abraçava a semi-escuridão da noite. Os pirilampos  a piscar fascinavam-me sempre. Nunca me cansava. Era delicioso... Perseguia-os. Capturava-os. Tentava perceber porque piscavam, se piscavam dentro de casa, com luz artificial por perto, e depois soltava-os novamente nas suas casas. 

Pensando bem era bom não ter computador naquela altura. Ou melhor, até cheguei a ter cedo mas não o usava todos os dias nem era importante como é hoje para comunicar, partilhar, recolher informação e procrastinar. 

Adorava ficar deitado pela noite no pinhal, a minha rua, o meu bairro. Adorava fugir, correr mesmo, estrada fora, com medo do que se escondia no escuro do pinhal, fossem lobos, monstros ou outro tipo de males - a imaginação era fértil. 

Não há maior liberdade do que sair da porta fora e estarmos totalmente à vontade, só nós e a natureza. A possibilidade de dar um berro ou cantar toda uma canção antes de deitar ou ao acordar no meio da 'rua', fora da porta de casa, em cuecas, sem constrangimentos, é das maiores liberdades que se pode ter. Eu sei porque sempre tomei isso por adquirido, mais de 18 anos da minha vida. Anos em que fiz parte de um pequeno pinhal. Isolado. Meu. Onde sonhei, imaginei, brinquei, marquei golos, explorei, vivi aventuras, cantei, discuti, ralhei, chorei e amei. 

Por isso e por muito mais serei sempre um tipo do campo, daquele pinhal, daquele céu e daquela liberdade, mesmo que nunca me tivesse identificado com alguma da 'típica' malta do campo que não ligava a filmes nem a música, nem a tipos como eu. 

Boa noite. E bons sonhos. 

quarta-feira, Agosto 20, 2014

metáfora para a vida? nãaaaa

"Maçãs de amor
casamento

Se uma macieira produzir pouco, é sem dúvida porque lhe falta uma variedade para a fecundar. Plante perto dela uma macieira decorativa do tipo 'Everest' (de pequenos frutos amarelos, muito bonitos) e que serve, além disso, para fecundar muitas variedades."


in 1001 Segredos de Jardinagem

terça-feira, Agosto 19, 2014

um, dó, li, tá

Como grande fã dos vários filmes incríveis em que Robin Williams participou, o facto dele se ter suicidado não é muito relevante. O importante e o que fica é a memória dos filmes e aquilo que aprendi e senti com esses pedaços de cinema, personagens inesquecíveis e boas histórias.
Ainda assim, sinto curiosidade pelas circunstâncias em que ele morreu. Mas como já se previa, chovem hipóteses, opiniões diversas de pseudo amigos e amigos. Aqui ficam algumas das várias hipóteses que têm surgido:


  •  uma depressão severa
  •  problemas financeiros por ter duas ex-mulheres e muitas despesas que o obrigaram a aceitar papéis que não queria e o regresso à TV
  •  início de Parkinson e depressão 
  • Parkinson tem tendência para piorar as depressões e tomava comprimidos cujos efeitos secundários referidos incluem suicídio
  • o flop e o cancelamento da série de TV em que aceitou participar tiveram um efeito devastador, agravaram a depressão e esse foi o motivo para ter sido internado uns meses antes
  • um dia antes de se suicidar estava a fazer planos para novos projectos e a trabalhar neles, portanto deduz-se que o suicídio foi espontâneo, não terá sido premeditado. 

Teorias. Nem todas podem estar certas mas as verdadeiras razões podem ser um misto de várias. Certo é que, como é habitual, as certezas de ontem não são as certezas de amanhã. Os jornais/tablóides e sites vão dando informação/entretenimento com certezas a mais e vão vendendo dia após dia numa espécie de novela que gostam sempre de alimentar. 

terça-feira, Agosto 12, 2014

Oh Captain My Captain

São tantos os momentos e filmes memoráveis que Robin Williams nos deixa. Ele deu tanto a tantas histórias e personagens que me marcaram... Fiquei fã logo com o Bom Dia Vietnam (e lembro-me dele no Popeye!). Era perito na comédia física e desenfreada mas tinha uma solidão e sensibilidade nele muito grande. Foi isso que o tornou um dos grandes no cinema, a capacidade do drama. Dava entrevistas loucas, atirava os foguetes e apanhava as canas sozinho. Era de um talento humorístico natural impressionante, um mestre do improviso. Mas a espaços dava para perceber como usava o humor louco como subterfúgio para esconder o seu 'eu' mais só e complexo. 

Nunca o vi como Mork, a personagem da tv americana que o celebrizou por lá. Mas nunca o vou esquecer por filmes tão diversos como...
- Bom Dia, Vietnam!!! 
- O Clube dos Poetas Mortos (um filme que mudou a minha vida, e Keating foi o melhor professor que tive)
- Despertares (o médico dos malucos com um coração gigante)
- O Rei Pescador (o maluco de NY com capacidade de nos fazer sonhar)
- Hook (o Peter Pan (im)perfeito)
- Toys - O Fabricante de Sonhos (o homem-criança no seu habitat, uma fábrica de brinquedos) - o filme é fraquinho
- Papá Para Sempre (Mrs. Doubtfire só podia ser interpretada por Williams... O pai que eu quero ser)
- Gente como Nós - até um filme fraquito como este teve bons momentos
- Jumanji
- Jack (Williams criança preso no corpo de um adulto, perfeito para ele)
- O Bom Rebelde (ele e Matt Damon fazem o filme... Psicólogo com sensibilidade e bom senso)
- O Homem Bicentenário 
- Câmara Indiscreta
- Insónia
- House of D 
- O Melhor Pai do Mundo (quando achamos que Williams já não nos podia surpreender, ele volta a superar-se)

RIP

sexta-feira, Agosto 01, 2014

um canto cheio de estrangeiros

Portugal pode estar numa extremidade da Europa, um canto nem sempre valorizado mas as auto-estradas portuguesas enchem-se nesta altura do ano de belgas, suíços e especialmente franceses e espanhóis. Mas mais junto ao Algarve também se vêem muitos carros ingleses e holandeses. Claro que carros suíços e franceses são na grande maioria de portugueses emigrantes. Também tenho reparado em muitos carros alugados. Uns estão identificados como tal (a Goldcar está na moda) e outros nem tanto.




quarta-feira, Julho 02, 2014

life

Days when your headphones are your only friends

quinta-feira, Junho 19, 2014

regra dos 20 minutos

"Twenty Minutes Rule.
Now, the moment I get home, I force myself to do at least twenty minutes of one of the following — write an article, read a book, practice chess, learn another language with DuoLingo (I try to do this on my phone rather than my laptop to minimize the risk of distraction), practice guitar, meditate, work on a computer programming language, or improve flexibility with stretching. Customize the activities to suit your interests, but this should generally not involve any computers. "

Read more: Quora.com/Lifestyle/What-small-lifestyle-changes-have-the-biggest-impact/

terça-feira, Junho 17, 2014

humanos observam david

(escrito sentado num banco da Academia de Arte de Florença, a descansar os cansados pés).


--
David, a minha pila. 
Ora aí estão milhares de turistinis a olhar para as formas de um rapaz novo com alguns músculos, os clássicos, sem exageros, e a pilota de fora a dar a dar (mentira, que a picolina não mexe por nada deste mundo, e do outro).
Diz a lenda que David matou o gigante Golias numa tarde de sol. Ora, o David é gigante visto daqui (escrevo isto sentado a uns bons metros dos ‘turistinis’, a ver o espectáculo com distância). 
O David tem umas mãozarras patudas – dizem que é pela perspectiva do público, que observa a estátua de David cá de baixo –, tem a fisga que mal se vê e faz pose amaricada, como quem está desinteressado em tudo mas tenta parecer estiloso e cagão. É claramente italiano ou romano para Michaelangelo, mas não era 'para' a lenda. O David da lenda dificilmente seria tão torneado e musculado ou com linhas de cara tão direitas. 

Mas este é o homem perfeito. Jovem. Com saúde. Musculado qb. Com estilo. Convencido e idolatrado. Mariquices dos antepassados italianos (não é uma referência à preferência sexual por pessoas do mesmo sexo). 


Certo é que passam por aqui miúdas holandesas, americanas, inglesas. Embonecadas, observam com atenção e prolongadamente o David, tal como os homens e as idosas, mas nada acontece. Nada. A pila do jovem rapaz será eternamente assim. Picolina e sem tusa. 

domingo, Junho 08, 2014

olha que coisa mais linda...



Automóveis como este Aston Martin V8 Vantage 430 são pequenas lembranças de que os veículos com quatro rodas também podem ser peças de arte. Quando o conduzir vou sentir o rosnar de arte nas minhas mãos e na ponta do meu pé 'acelerador' direito!

fisherman goes to bay


pescador de almas

pescador de sentidos

pescador de latidos

pescador de subentendidos

pescador de ruídos

pescador de imbutidos

pescador de criancices

pescador de memórias

pescador de 'reza a história'

pescador de ideias

pescador de cadeias

pescador sem limites

pronto para respirar e ser livre

sexta-feira, Junho 06, 2014

i can see clearly now the rain is gone

I can see clearly now the rain is gone.
I can see all obstacles in my way.
Gone are the dark clouds that had me blind. 
It's gonna be a bright (bright)
bright (bright) sunshiny day.

I Can See Clearly Now, Johnny Nash


Os carros não têm só uma utilidade prática de nos levar de um sítio para o outro. Mesmo parados são também casulos que nos colocam no meio da realidade, menos visíveis e mais contemplativos.
Se estivermos a ouvir música no rádio ainda melhor para esta reflexão tão humana e tão moderna. Podemos estar no meio da cidade a olhar para os outros carros a passar a velocidade ou apenas a observar pessoas a fazerem a sua vida. Malta de pijama a levar o lixo à rua, idosas a passear, mães a levarem os filhos para o infantário ou jovens a irem de mochila para mais um dia recreio e escola.

Esta contemplação quase voyeur é melhor dentro de um carro. Temos a música a acompanhar o pensamento (ou vice versa). Estamos sentados e protegidos de vento, chuva ou de outros elementos e podemos meramente pensar e observar. O efeito reflexivo é semelhante se formos para uma falésia ou para o campo observar o mar ou a natureza no horizonte. Provavelmente a olhar a beleza da natureza vamos pensar mais em nós e no que fazemos aqui, já que com a natureza não temos o elemento humano a distrair-nos de nós próprios. A certa altura apetece-nos abrir a porta e entrar de novo no mundo, sentir o vento na cara e olhar sem casulos.


Tudo isto faz-me lembrar este anúncio aqui por baixo da Nescafé, com esta música maravilhosa de Johnny Nash. Desde que era miúdo que me lembro de ver este anúncio. Parava tudo o que estava a fazer para ver aquela miúda gira no carro a olhar o horizonte. Estava-se a passar alguma coisa especial ali. Não era um mero anúncio. Para mim nunca foi.
A música tocava enquanto ela estava no carro e, de repente, parava. Ela procurava algo na parte de trás do carro e encontrava a lata de café. Sem se ver pormenores, ouvia-se o a abrir da tampa, o ferver do café e o servir para a chávena. Maravilhoso. Depois ela saia do carro de chávena em punho e usufruía do café, da vista e da brisa do mar, la la la. Perfeito. Poucos anúncios acertavam tanto de forma tão simples. Delicioso momento humano. 

--
PS: Ter auscultadores e ouvir música (no iPhone, iPod e afins) pelo meio da multidão ou da natureza cria efeitos semelhantes. Mas de carro estamos mais protegidos de tudo, num perfeito casulo só nosso. E podemos ser mais observadores passivos, de outros humanos ou da natureza.


quarta-feira, Maio 21, 2014

a love letter to my portuguese West

Um pequeno vídeo tolo fez-me lembrar como foi bom crescer nessa bela localidade que é as Caldas da Rainha (onde incluo ainda o Oeste de Portugal).

Aqui ficam memórias caldenses. 

Sair da escola e passear pela rua das Montras, ver as babes, ir à Praça da Fruta, passar pelo Parque (onde se jogava ping pong ou se apanhava molha em passeios de barco agitados no Verão).0
Iir à Upacal e comer um salame, ou passar pelas lojas do Parque, levar uns deliciosos Beijinhos. Ou, no Verão, ir experimentar os sabores novos na gelataria Puzzle (e ainda ver as novas figuras com pénis XXL prontos a sair de fora ao mero puxar de um cordel).

No Verão, a malta ia quase todos os dias de bicicleta até à praia: o Alto do Nobre era a subida de montanha da viagem; a fonte dos Namorados era o ponto de paragem obrigatório para esperar pelos lentos e beber água, no caminho até à Foz do Arelho - 15 quilómetros para cada lado que envolviam uma corrida diária entre os presentes, claro.

Nesses mesmos verões, sempre que queríamos fazer mais uns quilómetros de bicla, metíamo-nos pelo verde Nadadouro, com vista para a Lagoa de Óbidos, ou pelos caminhos menos conhecidos (de subidas complicadas) até ao meio da Estrada Atlântica (entre São Martinho do Porto e a Foz).
Certos dias íamos no autocarro saltitante estilo "mar alto" das Caldas até à Foz, onde havia sempre gente conhecida e o Ricardão não perdia oportunidade de assustar alguma miúda com o seu olhar fixo pseudo-sensual.
Na Foz - onde o ponto de encontro era sempre "junto à Bandeira" - jogava-se à bola umas horas, via-se as babes, dava-se mergulhos criativos (por vezes dolorosos) na Lagoa e combatia-se as ondas rebeldes durante horas no 'mar'. Muitas vezes (já sem o Lipinho na praia) só saíamos com o pôr do sol - lembras-te, Robert Charruadas?

Aos fins-de-semana podíamos ir de carro até Peniche, apanhar o barco até às Berlengas (fiz isso vezes a menos!).
Mais frequente foi: ir em famelga e de farta merenda na carrinha do meu Tio Zé almoçar no pinhal do Outro Lado da Foz. Depois do almoço que envolvia frisbees, cartas e afins, a tarde era passada na gigante Praia Del Rei, onde haviam nudistas lá ao fundo e o areal (com riachos com ligação ao mar pelo meio) parecia não ter fim. Por lá lembro-me de jogar aos Gladiadores Americanos ou aos penáltis com o Nuno Vinhais, de jogar raquetes até cair para o lado com o primão André Ramalho ou o daddy e de ficar vermelho, estilo Índio, como um pimento.
Quando havia vontade de fazer mais do que 20 quilómetros e ir para a confusão, íamos ao Baleal aproveitar aquele mar perfeito (entre o calmo e o ondulado o suficiente para o surf) e areal delicioso.
Mais tarde, já andava na faculdade em Lisboa, comecei a frequentar com a malta aos fins-de-semana ou nas férias Supertubos. Passou a ser a praia de eleição no Oeste, mais calma, com boas ondas e relativamente perto.

Voltando atrás, aos tempos de Secundário: em Agosto, nos verões em que não ia aprender a trabalhar com o meu Tio Júlio, ou descansava na loja do meu avô a fazer descontos a clientes, a ler as edições desde 1970 da TV Guia ou os desportivos sobre os milhares de reforços do Benfas, ou em alternativa juntava-me à (fictícia) Associação Sindical do Apanhadores de Pêra Rocha Universitários do Oeste.
Na Pêra, em plena aldeia da Sobrena, os dias começavam pelas 8h em ponto - a viagem começava pelas 7h20 a partir das Caldas, no Fiesta preto do Sérgio, com tudo ensonado.
Depois de boas histórias partilhadas, muita pêra comida, apanhada e atirada violentamente para os vários jovens camaradas da Pêra, o dia chegava ao fim com arranhões nos braços e pernas - a malta era acrobata nas Pereiras - e bronze à pedreiro (ao almoço havia um 'endireita' disponível).
A viagem de regresso de Fiesta pela mítica Nacional 1 era mais animada: envolvia corridas de carros, rabos à mostra para quem ia de mota (o Ruben era a vítima), buzinadelas para os velhotes que iam junto à estrada (cumprimentavam-nos sempre!) e conversa na língua russoviesky, onde o grande Cardozo era especialista doutorado.

'Olhando' para trás, penso:Jim Morrison é que tinha razão: «Carry me, Caravan, take me away
Take me to Portugal...»    «The West is the Best». 

E para mim confirma-se: o Oeste é melhor, pelo menos para mim foi. 

o futebol (também) é isto




Tiago, emocionado, dedica, num vídeo de bastidores do Atlético Madrid campeão em pleno Camp Nou, o título espanhol aos seus tios (parece ter havido uma morte na família e o seu tio ter-lhe-à dito que ia ser campeão esta época). Emotivo! Grande Tiago! (aos 2m)

terça-feira, Maio 20, 2014

os primeiros a partilhar conhecimento

Enheduana, a primeira a escrever e assinar o que escreveu.

Gilgamesh. Herói antigo. O primeiro. Imortalidade por histórias.
No Uruk (actual Iraque). Primeiro local onde se escreveu.

via Cosmos

sortido de memórias

Ando constipado. Dor de garganta, tosse, um pouco de febre, the works. Nestas alturas lembro-me sempre dos remédios milagrosos e naturais da minha mãe que havia lá por casa. Chupar metade de uma fatia de limão com açúcar ajudava à dor de garganta. A calda da cenoura embebida em açúcar ajudava à tosse e até saboroso era.
Para a dor de dentes, bochechar com aguardente ou whiskey ajudava. Saudades.
Fora de doenças, Sopinhas de Leite, Gemadas e um mix de gemada com farinha (massa se bolo) eram presenças gastronómicas à noite ou de madrugada.

domingo, Abril 13, 2014

o destino através dos filmes

Mr. Destiny foi um dos filmes que mais me entusiasmou no princípio da adolescência, tal como Regresso ao Futuro, Indiana Jones, ET, Guerra das Estrelas, O Feitiço do Tempo, uns quantos com o Tom Hanks (de Big, a Um Dia a Casa Vem Abaixo ou A Fogueira das Vaidades), Clube dos Poetas Mortos, O Rei dos Gazeteiros, O Tubarão, O Padrinho, SOS Fantasmas, Caça Fantasmas, Tootsie, O Que Se Passa com Bob? (estes últimos com Bill Murray), Esquecer Paris, Os Caça Policias (não estou a incluir o belo ano de 1994) etc.

É uma comédia peculiar e imaginativa com uma mensagem sobre a vida e as decisões que tomamos muito poderosa, que teve impacto em mim quando tinha 10 anos e achava que ser rico ia tornar a minha vida bem melhor. James Belushi era o homem amargurado com a sua vida que (graças a Michael Caine) tem direito a poder experimentar uma vida alternativa de sucesso financeiro e profissional. Essa é a vida que ele podia ter tido se, numa jogada de beisebol quando era miúdo, tem acertado na bola e dado o campeonato à sua equipa.

Se vir o filme hoje vou ficar preso à qualidade mediana de efeitos e alguns pormenores mas na altura aquela história significava tanto que nunca mais a esqueci, só me esqueci mesmo do nome do filme (nunca foi popular, só o vi porque era um junkie do clube de vídeo) e do nome dos protagonistas - redescobri tudo isso há uns anos. No fundo é um filme com uma mensagem filosófica sobre os caminhos que a vida toma e a forma como isso pode influenciar a nossa personalidade e felicidade. E depois tem a perspectiva de como o facto de não conseguirmos aquilo que sonhamos não ser necessariamente mau, porque nem sempre os desejos de grandeza e riqueza que temos nos fazem mais felizes do que uma vida menos glamorosa e simples. Pode parecer uma lição simples, mas para um puto de 10 anos ficou gravado. Boa noite, e bons filmes. 









terça-feira, Abril 08, 2014

o teu próprio cosmos

"Se te queres conhecer, observa a conduta dos outros; se queres conhecer os outros, olha para o teu próprio coração." 

-- Friedrich Schiller (um tipo alemão) 



 Bom 8 de Abril.

evite quedas

É oficial, está aberta a época dos espalhos. Segunda senhora que ajudo a levantar do chão depois de um tralho e a reunir os pertences em menos de uma hora. Confirma-se, os tugas são solidários. Não fui o único a ajudar e a preocupar-me.

Gente, cuidado com os degraus, buracos e milhares de obras e desníveis da cidade.

confiar no criador... ou nos teus instintos

estou indeciso. não sei se detestei ou se fiquei meramente desiludido com o filme Noah (Noé, para os amigos portugueses). é a história e a ligação (empatia) pela personagem principal que me perturba. e acho que Russell Crowe até está bem, tal como Aronofsky na realização. já a história e a forma como está construída em certos momentos (e enquadrada) foi o que me estragou a experiência (e lá pelo meio até tem momentos interessantes e algumas boas decisões na hora de contar esta história). não tenho dúvida nenhuma é sobre Emma Watson: está perfeita (e, ela sim, tem a personagem mais interessante do filme).
no fim de contas, a mensagem acabou por ser: "crescei e multiplicai-vos".
(ou, mais a sério: nem tudo o que o criador te diz para fazer é para fazeres, e se não fizeres talvez ela até tenha querido que não fizesses... bla bla bla).

não há deus, há um criador.
Aranofsky, felizmente, afastou-se (e bem) do lado meramente religioso da história. por isto mesmo, tinha esperança que fosse um filmaço - e escreve-vos isto o ser humano que apreciou Cloud Atlas. para mim, não é. tem demasiadas histórias mal contadas, situações inverosímeis (não é por serem sobrenaturais, mas por não colarem bem com a forma como o contexto do filme é criado, lá está, não parece credível), lengas-lengas (ou como eu gosto de chamar, mambo djambo) que me distraem e afastam-me de sentir empatia e compreensão para com as personagens. Noé (Crowe) tem bons momentos, tem outros que me afastam dele (e da história) e me perturbam a forma como poderia apreciar o filme que, no fim de contas, tem efeitos e realização de grande nível, boas actuações e um ritmo certo que nunca nos aborrece (é a história, tristemente, que o faz).

desejos de bons pedaços de cinema; histórias bem contadas que nos façam imaginar, sonhar, sentir inspirados ou meramente aconchegados.





terça-feira, Abril 01, 2014

os duelos dos opostos

Os opostos defrontam-se

Costuma dizer-se: os opostos atraem-se. A lei da física (chamada de Coulomb e que descreve a interacção electrostática entre partículas electricamente carregadas - e esta, hein!) que deu origem ao ditado retrata, neste caso, o duplo duelo com que começam hoje os quartos-de-final da Champions.

Na parte ibérica da Europa
, mais precisamente no maior estádio europeu (capaz de receber 99 mil adeptos), Camp Nou, há embate espanhol (entre madrilenos a catalães). Um Barcelona ainda a ‘bailar’ ao ritmo remoto de Guardiola - agora sob a batuta do argentino Tata ‘tango’ Martino - é conhecido pelo futebol de ataque e pela nota artística. Este Barça enfrenta um At. Madrid conhecido pela força mental e física com que conseguiu chegar à liderança da Liga espanhola actual  (os catalães estão a um ponto), muito graças às danças tribais coordenadas pelo também argentino (mas bem mais experiente nas andanças europeias do que Tata) Diego Simeone.

Fora da Europa continental,
 numa ilha a que dão o nome de Grã-Bretanha, o duelo é anglo-germânico. De um lado estará o pior Man. United das últimas décadas na Liga inglesa – orientado desde Julho por David Moyes – defronta o melhor Bayern Munique de sempre na Bundesliga e principal favorito em revalidar o título na Champions – do catalão Pep Guardiola.
Opostos à parte, o único jogo onde se espera uma tempestade humilhante para uma das equipas é no Teatro dos Sonhos, Old Trafford (Manchester). Os registos do campeão da Champions e da Bundesliga a ‘bailar’ agora ao ‘som’ do tiki-taka de Guardiola têm tudo para esmagar os pobres resultados do campeão inglês (a época passada), com dificuldades para interpretar o novo ‘sapateado’ de David Moyes desde que o veterano maestro Sir Alex Ferguson abandonou a orquestra do United a época passada.

O Bayern de Pep é o grande favorito à vitória final da Champions. As casas de apostas online assim o indicam, ao cotar com praticamente o dobro do favoritismo do segundo mais cotado, o Real Madrid. O Chelsea está atrás de Barça e PSG na lista dos favoritos. O último é o Dortmund, que consegue estar pior neste domínio de cotações do que o próprio Manchester United - a demonstrar que este Dortmund não é o mesmo que eliminou à tangente a época passada o Real Madrid.

Os registos são como o algodão, não costumam mentir. O catalão Pep Guardiola é, provavelmente, o treinador com melhores registos em menos tempo da história. A ajudá-lo tem a melhor geração de sempre do Barça e o Bayern mais demolidor (ainda antes da sua chegada). Ironia das ironias: é preciso recuar cinco anos (num total de 229 jogos, desde 2009) para Guardiola acumular 14 derrotas; já Moyes herdou um United campeão de Inglaterra mas perdeu 13 jogos em 47 disputados só esta época!


Mas esqueçamos Moyes, um escocês com um registo bem razoável ao longo de uma década num Everton, mas que andou sempre longe das luzes do topo do futebol mundial.

Pep Guardiola tem apenas 23 derrotas em toda a carreira e impressionantes 17 títulos. Vejamos:

290 jogos
217 vitórias
50 empates
23 derrotas
17 títulos
3 títulos no Mundial de Clubes
2 Ligas dos Campeões
3 La Liga
1 Bundesliga

Ganhou 14 títulos em 19 possíveis (só perdeu cinco) nos primeiros quatro anos de carreira com uma equipa principal (o Barça). 

A vitória mais volumosa preferida é a mítica 'manita': o 5-0  (19 triunfos!)
Do qual foram vítimas equipas como Sevilha, Real Madrid (o primeiro clássico de Mourinho pelos madrilenos), Villarreal, Atlético de Madrid, Basileia, o Panathinaikos ou o BATE Borisov. 
O Barça de Pep goleou por 5-0 em 15 jogos e o Bayern de Pep conseguiu o 5-0 esta época em quatro = 19 jogos em 290.
Com o Bayern em 2013/14 existem ainda três goleadas por 4-0; quatro por 3-0; uma 7-0; uma por 5-1; uma 6-1

Aliás, o 4-0 é outra predilecção. Só em 2011/12, época em que o Real Madrid de Mourinho 'roubou' a primeira La Liga a Guardiola (à segunda tentativa) o Barça ganhou nove jogos por 4-0 e cinco por 5-0, contando-se pelo meio goleadas por 7-0, 8-0 e 9-0. Ainda assim perdeu a La Liga para o Real Madrid, não conseguiu vencer (como até ali) o rival na maioria dos jogos, foi eliminado por um Chelsea ultra sortudo nas meias-finais da Champions. E Guardiola saiu, conquistando 'apenas' o Mundial de Clubes, a Supertaça Europeia, a Supertaça e a Taça do Rei.


terça-feira, Março 25, 2014

hoje soube-me a tanto, ou portanto, hoje soube-me a pouco

sérgio godinho

o futebol e o resto

Há uma linha, por vezes muito ténue, que balança entre respondermos a alguém ou deixar passar (não responder) por menos razão que achemos que a pessoa tem. Quando ficamos surpreendidos com uma opinião sobre nós que achamos estar tão fora da realidade e que nos define de forma tão leviana, reduzida e degradante parece que ficamos sem argumentos (ou sem vontade de os expor).
Os assuntos que mais paixão motivam hoje em dia no Portugal de 2014 são futebol e política. Infelizmente são os dois demasiado parecidos no fervor com que as pessoas defendem as suas cores (e quando digo cores falo em clube/partidos e não propriamente em ideias ou ideais - na verdade a política devia reger-se por princípios diferentes dos da paixão por um clube de futebol).


No campo do (e não de) futebol a pessoa mais racional deixa-se levar pela emoção, pelo amor a um clube. Acontece todos os dias à maioria dos apaixonados pelo desporto-rei, com um clube do "coração". Nas velhinhas tascas, nos modernos cafés ou pastelarias da moda, nas redes sociais (onde o Twitter é rei neste domínio de conhecer opiniões vindas de todo o lado), o futebol discute-se ao pormenor e a polémica, os erros do árbitro, as opiniões diferentes sobre o mesmo lance, as faltas, os fait-divers (apertos de mão de treinadores, danças, matreirices, faltas de classe, etc) são um dos temas preferidos dos comentários e nas discussões, exactamente porque são os temas que motivam mais discórdia. É da génese humana, na verdade. Uns mais, outros menos. Mas se se envolvem no futebol vão lá parar.


Entrando agora num domínio mais pessoal, eu já tive aproximações ao desporto-rei diferentes. Sempre fui apaixonado pelo jogo mas houve alturas (breves) da minha vida, em fases diferentes, em que deixei de ter paciência para acompanhar as notícias, seguir as polémicas ou mesmo ver jogos de forma regular - concentrava-me mais nos clássicos. Já há muitos anos que sigo de forma frequente o futebol e as notícias em torno dele, até por motivos profissionais e sempre me considerei um tipo com preferências muito marcadas por jogadores (alguns não são fenómenos como Messi ou Ronaldo), treinadores e clubes (para além do clube de sempre) e que nunca se concentrou muito nas discussões ao pormenor das polémicas - aliás, fico sempre chateado comigo próprio quando perco tempo a discutir com malta "do contra" e que só sabe ser negativista e dizer mal sem parar (andam em círculos repetitivos no que dizem, mesmo).

Na verdade tal como vejo a política (eu gosto/detesto de pessoas, independentemente do partido), sempre consegui apreciar e torcer por jogadores, treinadores e clubes que não o meu. Torcer por clubes portugueses nas competições europeias, mesmo que não seja o clube do "coração" - sempre tive simpatia por uns ou antipatia por outros, para lá o clube do coração.
E sempre me vi como um apreciador do futebol, do talento puro de agir por instinto, mais rápido do que todos os outros, das tácticas onde um grupo de homens funciona como uma máquina oleada a funcionar quase como um só "corpo", da intensidade dentro do relvado, da imprevisibilidade do jogo, da forma como o futebol também nos ensina tanto - especialmente o inglês -, na forma como o campeão de hoje é o derrotado de amanhã, a sorte de hoje é o azar de amanhã, o campeão tem direito a aplausos do adversário como sinal de respeito e os maiores adversários dentro de campo podem trocar de camisola depois de se "picarem" como cães raivosos nos 90 minutos.

Até José Mourinho aparecer devo confessar que ligava pouco a conferências de imprensa. Como jornalista e apreciador de futebol, ver uma conferência de imprensa de Mourinho costuma ser aliciante porque há ali uma competição peculiar entre um jornalismo desportivo que precisa das manchetes, da frase "picante" muitas vezes adulterada face ao que foi dito (a biografia de Alex Ferguson fala bem disso) e uma "raposa" portuguesa a quem cabe o papel de responder às perguntas e que não tem problemas em parecer o mau da fita (quando acha que o tem de fazer).
Uma conferência com JM é ouvir alguém que sabe como poucos do jogo de futebol e pode-nos dar uma lição sobre o que se vai passar num jogo ou sobre o que se passou; ou então pode chamar os bois pelos nomes, reagir de forma divertida, perfeita, brusca ou exagerada (tem de tudo) a uma provocação; ou ainda deixar questões no ar com mensagens para o seu balneário ou para os adversários. Certo é que, normalmente, é interessante ouvir o que ele tem para dizer e a forma como não se deixa manipular pela matilha (mais em Espanha e menos em Inglaterra) que tem à frente e ainda consegue deixar os adversários em sentido. E os duelos de Mourinho com Guardiola (Ronaldo com Messi) dentro de campo (e também fora) nos tempos do Inter e do Real foram fenomenais e únicos. Vividos com uma intensidade incrível, apesar das palavras mais duras entre os dois (que até foram bem próximos anos antes - podiam ser amigos e confidentes) e das polémicas que até deram algum colorido.

A verdade é que vejo cada vez mais o futebol como um jogo de talentos incríveis (cuja forma e a motivação nem sempre é a mesma)
como Yaya Touré, Andrés Iniesta, David Silva, Matic, William Carvalho, Lisandro López (lembro-me de o ver na Luz, como fotógrafo, a escassos metros da acção e me sentir embasbacado pela rapidez com que ele criava perigo do nada, sem segundos), Luis Suárez, Rooney, Zlatan Ibrahimovic, Tony Kroos, Lucas, Hazard, Henrik Larsson, Zidade, Figo, Cruiff, Van Basten, Coluna, Eusébio, Figo, Cristiano Ronaldo, Messi, Maradona, Maldini, Varane, Ronaldinho, Ronaldo, Deco, Rui Costa, João Vieira Pinto, Jardel, Thern,
onde o treinador é o maestro que orquestra uma equipa de forma a ser uma máquina na forma como defende, ataca, responde às adversidades ou aos benefícios. É esse maestro que prepara aqueles putos que trocam a bola para todas as incidências do jogo, esperando que eles saibam incorporar os ensinamentos e possam explodir ao superar-se ou apenas evidenciar o talento incrível que alguns têm. Jogadores como Ibrahimovic, Cristiano Ronaldo ou Maradona têm, para além do talento, personalidades megalómanas incríveis que os fazem mudar uma equipa por si só.

O futebol é muitas coisas diferentes, para mim e para outros que tais.

quinta-feira, Março 13, 2014

que rico moço


A rica tem nome fino
A pobre tem nome grosso
A rica teve um menino
A pobre pariu um moço

António Aleixo

mandar não é privilégio é responsabilidade



Há tantos burros mandando 
Em homens de inteligência 
Que às vezes fico pensando 
Que a burrice é uma ciência.

António Aleixo

beckenbauer, sem papas na língua

Ainda se vai arrepender, ou não. Mas são palavras fortes de Franz Beckenbauer sobre o novo estilo de jogo do Bayern Munique de Pep Guardiola, que tem goleado com facilidade jogo após jogo na Bundesliga. É peculiar ver como o presidente honorário do Bayern não tem problemas em criticar o estilo da sua própria equipa.

Certo é que Guardiola vai ter de ficar caladinho. Se fosse Mourinho a dizer o mesmo lá se ouviria o queixume de que o tuga é: "Él es el puto jefe y el puto amo en esta sala".


- "Se continuarmos a jogar como até agora, corremos o risco de sermos como o Barça: um dia ninguém nos quererá ver" 

- "Estes jogadores vão passar a bola até à linha de golo. Tenho outra perspectiva do futebol. Qual? Se tiver oportunidade de rematar à baliza, especialmente frente a defesas muito fechadas, faço-o."


Gostava de Guardiola como jogador. Ele e o Figo tinham uma cumplicidade em campo (e aparentemente fora dele) peculiar. Guardiola, o treinador, é um vencedor determinado e destemido com uma ideia muito específica e dogmática de como a sua equipa deve jogar.

No Barcelona o seu estilo - inspirado em Johan Cruyff (e no mentor deste, Rinus Michels) e ainda mais aperfeiçoado - fazia todo o sentido. A equipa foi feita a pensar nesse estilo e mesmo os miúdos que chegavam da cantera aprenderam aquela forma de jogar desde tenra idade. E o modo de jogo do Barcelona de Guardiola é incrível a vários níveis mas tem os seus defeitos. Para já só é possível concretizar aquelas ideias com alguns dos melhores jogadores do mundo a nível do talento - ele teria sucesso com aquele estilo, parece-me, com muito poucas equipas no mundo. Depois é um estilo que se torna demasiado maçudo e usurpador, o que aconteceu mais nos últimos anos dele no Barça. Fazendo uso de ter jogadores com uma capacidade de controlo e colocação da bola especial, era possível passar 5 ou 10 minutos a ver a bola a passar de pé em pé lá atrás de forma a adormecer o adversário.

Certo é que Guardiola é um talento incrível como treinador, capaz de ler o jogo, motivar uma equipa e obrigá-los a respeitar na integra um estilo que tem como cerne a posse de bola, sempre, sem excepções, o que permite controlar melhor os timings em que atacam para ferir o adversário. Depois do período em que os adormeceram infinitamente, atacam com todo o talento e agilidade e têm na frente (no caso do Bayern, força física impressionante que o Barça não tinha).

Sempre que a sua equipa não tem a bola Guardiola fica impaciente. Vê-se isso hoje em dia com o Bayern. E esse mérito, em excesso, que se pode tornar num defeito para o jogo de futebol e para a sua própria equipa. A última época de Guardiola no Barcelona já foi a perder ou empatar consecutivamente com um Real Madrid que descobriu a receita.

O talento dele como treinador vê-se nos treinos, na exigência com os jogadores (nesse aspecto, e noutros também, é bem parecido com Mourinho). Vi alguns períodos de treinos dele no Bayern, ainda a ensinar os jogadores o seu estilo e era muito energético. Queria pressão, sempre. Qualidade de passe, sempre. Coloca a barra bem alta para todos. A mim quer-me parecer é que é exagerado na forma dogmática como quer impor aquele estilo e não se importa de adormecer um jogo só para ficar com a bola eternamente. Gostava de ver este Bayern contra o Real Madrid ou mesmo o Chelsea, novamente. O Chelsea de Mourinho fez frente a este Bayern, que esteve a perder 120 minutos na Supertaça Europeia e só empatou (e depois ganhou nos penáltis) aos 122 (dois minutos depois do tempo previsto).

No meio de tudo isto há algo em que Guardiola não é tão bom como é treinador: a vitimização e o discurso de falsa modéstia e humildade não cola comigo e irrita-me. Viu-se muito isso em Barcelona, os outros eram uns diabos de calções e os dele (e ele próprio) eram uns anjinhos incapazes de fazer mal a uma mosca.

PS: Tenho quase a certeza que não foi para Inglaterra, nomeadamente para o Man. City, só para evitar o Mourinho. Já para não falar que o Bayern com aquela equipa sólida, um plantel incrível, juventude, experiência europeia e história lhe dava mais garantias.


sábado, Março 08, 2014

o sol saiu à rua num sábado assim

Um tipo entra na Mango da Baixa por dever conjugal e entre bifas e tugas só ouve expressões como:


que giro; 
é lindo; 
o XS fica-me apertado; 
este fica mais comprido; 
o outro fica melhor; 
é giríssimo; 
aqui fica muito folgado; 
este fica mais curto mas é transparente; 
estás mais magra; 
estou a precisar de ir ao ginásio; 
the pants are weird but the jacket is supernice; 
oh, is lovely; 
ah tão giras; 
adoro; 
vou experimentar o S; 
esta não quero; 
aqui nos braços está curto e eu não gosto dos meus braços; 
o rabo fica bem?; 
should I try it again?; 
nas mamas fica bem?
não sei onde estão os sapatos da montra; 
a diferença para o XS não é muita; 
vou vestir a outra, já não sei de nada; 


Pelo meio uns homens com cara infeliz atrás das respectivas entre a algazarra e outros homens excessivamente eufóricos, com amigos respectivamente felizes por andar nas compras.
PS: a Baixa está a abarrotar de gente.

sexta-feira, Março 07, 2014

a semana numa espécie de notícias

nas notícias, esta semana, uns meninos russos marotos invadiram a Crimeia e assobiaram para o lado - negam tudo, claro (há boatos que tudo está a ser orquestrado por Francis Underwood, a trabalhar para os russos e para os ucranianos).

também nas notícias, uma selfie encomendada pela Samsung fez furor nas redes sociais - a Samsung nega a encomenda, claro.

ainda nos assuntos que mexem o mundo, uns rapazes brincaram ao polícia em serviço e polícia em manif com empurrões e suor à mistura - ficou tudo na mesma, claro, e acabou tudo aos abraços.

outro dos assuntos no planeta, o Papa Chico vai ter a sua própria revista com tendências da moda e dos valores morais que valem entrada no céu - ao estilo Oprah e não, não é só para católicos, é para o mundo!

noutros domínios noticiosos, a estrela 'poop' reformada Justin Bieber fez beicinho em tribunal e Miley Cyrus apresentou ao mundo no seu Twitter uma mão 'dildo' - muito macabro, diga-se. e assim vai o mundo daquilo que verdadeiramente interessa.

PS: torçam por mim no Euromilhões desta noite. se ganhar, hand-shaped fisting dildo's da Miley Cyrus para todos (andei a aprender com a Oprah e a Ellen)!