quarta-feira, Agosto 27, 2014

entrevista entre o médio oriente e tarantino

Entrevista a Ziad Doueiri.

“Para os árabes não se pode dar voz aos judeus”


‘Rejeitou’ Quentin Tarantino, que o chamou para Kill Bill, porque queria ser realizador e o seu terceiro filme, O Atentado, chegou em abril a Portugal.


OAtentado é escrito e realizado pelo libanês, durante muitos anos cameraman de Quentin Tarantino, Ziad Doueiri. Falámos com ele sobre a sua carreira e o filme que acompanha um médico israelo-palestianino em conflito pessoal depois de descobrir que a mulher é bombista.

Como é que foi ter aos EUA a trabalhar para talentos como Tarantino?
Nunca planeei. Deixei Beirute com 19 e fui estudar cinema na Califórnia. Depois comecei à procura de trabalho na cidade e comecei a ganhar experiência como técnico, na câmara, na grua, nas luzes. Nunca tive intenção de realizar. O meu primeiro filme era do Roger Corman [conhecido produtor] e chamava-se Munchie (1992) – uma versão barata, série B, dos Gremlins. Ganhei muita experiência e aprendi muito nessa altura mesmo a trabalhar em filmes chamados ‘trashy’. O panorama independente em LA nos anos 80 foi muito interessante.

E como é que começou a trabalhar com o Tarantino?  
Tive uma entrevista com o director de fotografia, já tinha algum experiência em filmes B e consegui o trabalho. Desde aí continuámos sempre a trabalhar juntos. Depois de fazermos o Cães Danados (1992), o Tarantino continuou a utilizar a mesma equipa e fizemos o Pulp Fiction e outros. Se eu continuasse a fazer trabalho de câmara ainda estaria a trabalhar com ele. Ele pediu-me para participar no Kill Bill mas eu decidi que não queria continuar a trabalhar como câmara. Estava numa altura da minha vida em que queria fazer outras coisas. Mas ele manteve a lealdade com a equipa técnica é praticamente toda a mesma. A maioria dos realizadores usa a mesma equipa, o Scorsese faz o mesmo. Quando encontram a equipa certa mantém-na. 

Quando estava a fazer esses filmes, Reservoir Dogs, Pulp Fiction, o Tarantino não era tão conhecido como é hoje. Tinham noção que estavam a criar algo tão importante que se iria tornar um clássico?
Simplesmente não sabíamos. Nunca sabemos. Quando fizemos o Reservoir Dogs, olhei para o guião e não sabia se era bom ou mau. Nunca sabemos se é magnífico ou uma merda, só depois, porque era tão estranho e tão diferente. O Reservoir Dogs foi uma das minhas experiência preferidas num filme. 



Porquê?
Há dois anos vi algumas fotografias dessa altura, tiradas na rodagem e trouxe-me de volta aqueles tempos. Foi uma boa experiência. Compreendo que as pessoas queiram fazer um grande alarido do Tarantino porque ele é um realizador tão fantástico e é tão popular e de culto, por isso as pessoas pensam que a experiência de trabalhar com ele foi tão incrível e única quanto ele é como realizador. Foi, mas não mais do que noutros filmes, porque a rodagem é um ambiente técnico. O que é único em trabalhar com ele é que ele é muito entusiasta sobre o que faz. Ele simplesmente adora o seu trabalho, ele está-se a borrifar para política, para o amor, tem tudo a ver com a história em si. Ele é como uma criança numa rodagem e isso afecta-nos porque ele tem uma mente incrível, a forma como trabalha e tem uma memória de elefante, na forma como se lembra de tantos filmes. Todas as semanas ele faz um visionamento na sua casa de um filme projectado em 35 mm, porque ele tem uma coleção enorme de filmes. Ele é tão dedicado à profissão de fazer filmes, que o seu foco principal é sempre como transformar algo em filme. Tem uma mente tão eléctrica e cria personagens muito interessantes.


Depois decidiu realizar...
Sim, mas não foi pensado foi progressivo ao longo dos anos. Percebi que aprendi a arte o suficiente e a comandar o cenário – fazer filmes é uma arte artesenal – e queria contar as minhas histórias. Comecei a sentir-me nostálgico – estive 15 anos sem voltar a Beirute – e escrevi em LA o West Beyrouth [filme político que lhe valeu vários prémios] e o Entre as Pernas de Lila.



Ainda estava em Los Angeles na altura em que escreveu o guião para o filme West Beirute (1998), que lhe valeu prémios em Cannes e Toronto?
Sim, sem dúvida. Escrevi lá esse, o Entre as Pernas de Lila (que estreou em 2004) e o guião do Man in the Middle, para o qual estou a tentar financiamento, todos escritos em LA. LA é um local muito criativo, bizarro mas criativo.

Mas voltou nesse período para Beirute, não foi?
Voltei para Beirute depois do 11 de Setembro (de 2001), porque conheci uma rapariga... conheci alguém e senti que como realizador não precisava de estar em Los Angeles, por isso deixei LA e mudei-me primeiro para o México, por uma mulher. Fui para Bordéus por uma mulher (risos). Parece-me que saio sempre de países porque conheço alguém. Mas primeiro voltei a Beirute porque conheci em LA uma rapariga que era de Beirute, apaixonei-me por ela e fiquei lá com ela. Agora resido em Paris, devido a um problema que prefiro não falar.
 

Em O Atentado volta ao contexto político israelo-palestiniano. Como chegou a esta história?
Embora seja uma história mais geral do que isso. Fui convidado em 2006 para realizar e adaptar o livro com o mesmo nome pela Focus Features e aceitei com condições. Eles queriam que fosse falado em inglês e prometiam, assim, o Tom Hanks. Com ele a bordo ia ganhar mais mas preferi que fosse em árabe e hebraico. Em inglês não fazia sentido. Pelo meio começou a guerra do Hezbollah quando estava a viver em Beirute e o projeto acabou por ficar na gaveta e voltámos a ele em 2011.

O protagonista, Ali Suliman, tal como a personagem, é israelo-palestiniano. Foi importante ter alguém com as duas culturas?
Ele percebe a confusão os iraelo-árabes sentem. É árabe mas é israelita e percebe que está numa situação difícil a nível pessoal. Cresceu em Israel, aprendeu hebraico, misturou-se com os israelitas judeus mas ainda tem a sua identidade árabe, tal como o protagonista. Quando leu o guião disse-me que sentia o mesmo que a personagem.




O filme teve críticas ferozes da parte árabe. Como foi a recepção?
Não fazia ideia como seriam as reações de judeus e árabes. Estava curioso mas não estava preocupado com isso. Assim que o filme estreou na América teve um grande sucesso junto da comunidade judaica, embora não seja nem a favor nem contra nenhuma das partes, tem muitas nuances. A comunidade árabe não reagiu tão bem, porque a mentalidade judaica permite questionar as suas próprias crenças, enquanto para os árabes não podemos dar voz aos judeus sobre nenhum pretexto. Não podemos, são maus da fita. Para o público judeu o facto de ter mostrado os dois lados foi bom, para os árabes foi mau, porque como é que podemos mostrar o ponto de vista judeu, eles não têm um ponto de vista, não merecem um ponto de vista. E agora é moda boicotar-se Israel e o facto de ter filmado em Tel Avic com técnicos israelitas e atores judeus foi mal visto e houve uma campanha contra o filme. Mas o que se pode fazer?
 

E quais os próximos projetos?
Estou a trabalhar com a Arte, a televisão francesa e alemã e a terminar um guião menos político e menos trágico que também se passa no Médio Oriente e chama-se Affaires étran-gères, que terá Gérard Depardieu. É baseado num acidente que tive. Vamos gravar em setembro.

sou um pinhão de um pinhal

Lembro-me de noites destas em casa, na casa onde cresci, no meio de um pinhal, de um campo. Eram noites diferentes, sem as luzes nem o barulho da cidade. Lembro-me de não dar particular importância à beleza a noite, da Lua, das estrelas, do grigri dos grilos e de tantos outros animais que por ali andavam. Nasci no meio de tudo aquilo, era o que eu conhecia. Era a única forma de acordar a meia da noite ou de manhã. 

Pensava mais na insónia, em si, no presente, no passado ou num momento lixado. Imaginava mundos e histórias, inventava canções e respectivas letras que me parecia geniais mas se desvaneciam pela manhã. 

A tv também andava por ali, mas recordo-me melhor das noites de Verão em que abria a porta de casa, entrava e abraçava a semi-escuridão da noite. Os pirilampos  a piscar fascinavam-me sempre. Nunca me cansava. Era delicioso... Perseguia-os. Capturava-os. Tentava perceber porque piscavam, se piscavam dentro de casa, com luz artificial por perto, e depois soltava-os novamente nas suas casas. 

Pensando bem era bom não ter computador naquela altura. Ou melhor, até cheguei a ter cedo mas não o usava todos os dias nem era importante como é hoje para comunicar, partilhar, recolher informação e procrastinar. 

Adorava ficar deitado pela noite no pinhal, a minha rua, o meu bairro. Adorava fugir, correr mesmo, estrada fora, com medo do que se escondia no escuro do pinhal, fossem lobos, monstros ou outro tipo de males - a imaginação era fértil. 

Não há maior liberdade do que sair da porta fora e estarmos totalmente à vontade, só nós e a natureza. A possibilidade de dar um berro ou cantar toda uma canção antes de deitar ou ao acordar no meio da 'rua', fora da porta de casa, em cuecas, sem constrangimentos, é das maiores liberdades que se pode ter. Eu sei porque sempre tomei isso por adquirido, mais de 18 anos da minha vida. Anos em que fiz parte de um pequeno pinhal. Isolado. Meu. Onde sonhei, imaginei, brinquei, marquei golos, explorei, vivi aventuras, cantei, discuti, ralhei, chorei e amei. 

Por isso e por muito mais serei sempre um tipo do campo, daquele pinhal, daquele céu e daquela liberdade, mesmo que nunca me tivesse identificado com alguma da 'típica' malta do campo que não ligava a filmes nem a música, nem a tipos como eu. 

Boa noite. E bons sonhos. 

quarta-feira, Agosto 20, 2014

metáfora para a vida? nãaaaa

"Maçãs de amor
casamento

Se uma macieira produzir pouco, é sem dúvida porque lhe falta uma variedade para a fecundar. Plante perto dela uma macieira decorativa do tipo 'Everest' (de pequenos frutos amarelos, muito bonitos) e que serve, além disso, para fecundar muitas variedades."


in 1001 Segredos de Jardinagem

terça-feira, Agosto 19, 2014

um, dó, li, tá

Como grande fã dos vários filmes incríveis em que Robin Williams participou, o facto dele se ter suicidado não é muito relevante. O importante e o que fica é a memória dos filmes e aquilo que aprendi e senti com esses pedaços de cinema, personagens inesquecíveis e boas histórias.
Ainda assim, sinto curiosidade pelas circunstâncias em que ele morreu. Mas como já se previa, chovem hipóteses, opiniões diversas de pseudo amigos e amigos. Aqui ficam algumas das várias hipóteses que têm surgido:


  •  uma depressão severa
  •  problemas financeiros por ter duas ex-mulheres e muitas despesas que o obrigaram a aceitar papéis que não queria e o regresso à TV
  •  início de Parkinson e depressão 
  • Parkinson tem tendência para piorar as depressões e tomava comprimidos cujos efeitos secundários referidos incluem suicídio
  • o flop e o cancelamento da série de TV em que aceitou participar tiveram um efeito devastador, agravaram a depressão e esse foi o motivo para ter sido internado uns meses antes
  • um dia antes de se suicidar estava a fazer planos para novos projectos e a trabalhar neles, portanto deduz-se que o suicídio foi espontâneo, não terá sido premeditado. 

Teorias. Nem todas podem estar certas mas as verdadeiras razões podem ser um misto de várias. Certo é que, como é habitual, as certezas de ontem não são as certezas de amanhã. Os jornais/tablóides e sites vão dando informação/entretenimento com certezas a mais e vão vendendo dia após dia numa espécie de novela que gostam sempre de alimentar. 

terça-feira, Agosto 12, 2014

Oh Captain My Captain

São tantos os momentos e filmes memoráveis que Robin Williams nos deixa. Ele deu tanto a tantas histórias e personagens que me marcaram... Fiquei fã logo com o Bom Dia Vietnam (e lembro-me dele no Popeye!). Era perito na comédia física e desenfreada mas tinha uma solidão e sensibilidade nele muito grande. Foi isso que o tornou um dos grandes no cinema, a capacidade do drama. Dava entrevistas loucas, atirava os foguetes e apanhava as canas sozinho. Era de um talento humorístico natural impressionante, um mestre do improviso. Mas a espaços dava para perceber como usava o humor louco como subterfúgio para esconder o seu 'eu' mais só e complexo. 

Nunca o vi como Mork, a personagem da tv americana que o celebrizou por lá. Mas nunca o vou esquecer por filmes tão diversos como...
- Bom Dia, Vietnam!!! 
- O Clube dos Poetas Mortos (um filme que mudou a minha vida, e Keating foi o melhor professor que tive)
- Despertares (o médico dos malucos com um coração gigante)
- O Rei Pescador (o maluco de NY com capacidade de nos fazer sonhar)
- Hook (o Peter Pan (im)perfeito)
- Toys - O Fabricante de Sonhos (o homem-criança no seu habitat, uma fábrica de brinquedos) - o filme é fraquinho
- Papá Para Sempre (Mrs. Doubtfire só podia ser interpretada por Williams... O pai que eu quero ser)
- Gente como Nós - até um filme fraquito como este teve bons momentos
- Jumanji
- Jack (Williams criança preso no corpo de um adulto, perfeito para ele)
- O Bom Rebelde (ele e Matt Damon fazem o filme... Psicólogo com sensibilidade e bom senso)
- O Homem Bicentenário 
- Câmara Indiscreta
- Insónia
- House of D 
- O Melhor Pai do Mundo (quando achamos que Williams já não nos podia surpreender, ele volta a superar-se)

RIP

sexta-feira, Agosto 01, 2014

um canto cheio de estrangeiros

Portugal pode estar numa extremidade da Europa, um canto nem sempre valorizado mas as auto-estradas portuguesas enchem-se nesta altura do ano de belgas, suíços e especialmente franceses e espanhóis. Mas mais junto ao Algarve também se vêem muitos carros ingleses e holandeses. Claro que carros suíços e franceses são na grande maioria de portugueses emigrantes. Também tenho reparado em muitos carros alugados. Uns estão identificados como tal (a Goldcar está na moda) e outros nem tanto.




quarta-feira, Julho 02, 2014

life

Days when your headphones are your only friends

quinta-feira, Junho 19, 2014

regra dos 20 minutos

"Twenty Minutes Rule.
Now, the moment I get home, I force myself to do at least twenty minutes of one of the following — write an article, read a book, practice chess, learn another language with DuoLingo (I try to do this on my phone rather than my laptop to minimize the risk of distraction), practice guitar, meditate, work on a computer programming language, or improve flexibility with stretching. Customize the activities to suit your interests, but this should generally not involve any computers. "

Read more: Quora.com/Lifestyle/What-small-lifestyle-changes-have-the-biggest-impact/

terça-feira, Junho 17, 2014

humanos observam david

(escrito sentado num banco da Academia de Arte de Florença, a descansar os cansados pés).


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David, a minha pila. 
Ora aí estão milhares de turistinis a olhar para as formas de um rapaz novo com alguns músculos, os clássicos, sem exageros, e a pilota de fora a dar a dar (mentira, que a picolina não mexe por nada deste mundo, e do outro).
Diz a lenda que David matou o gigante Golias numa tarde de sol. Ora, o David é gigante visto daqui (escrevo isto sentado a uns bons metros dos ‘turistinis’, a ver o espectáculo com distância). 
O David tem umas mãozarras patudas – dizem que é pela perspectiva do público, que observa a estátua de David cá de baixo –, tem a fisga que mal se vê e faz pose amaricada, como quem está desinteressado em tudo mas tenta parecer estiloso e cagão. É claramente italiano ou romano para Michaelangelo, mas não era 'para' a lenda. O David da lenda dificilmente seria tão torneado e musculado ou com linhas de cara tão direitas. 

Mas este é o homem perfeito. Jovem. Com saúde. Musculado qb. Com estilo. Convencido e idolatrado. Mariquices dos antepassados italianos (não é uma referência à preferência sexual por pessoas do mesmo sexo). 


Certo é que passam por aqui miúdas holandesas, americanas, inglesas. Embonecadas, observam com atenção e prolongadamente o David, tal como os homens e as idosas, mas nada acontece. Nada. A pila do jovem rapaz será eternamente assim. Picolina e sem tusa. 

domingo, Junho 08, 2014

olha que coisa mais linda...



Automóveis como este Aston Martin V8 Vantage 430 são pequenas lembranças de que os veículos com quatro rodas também podem ser peças de arte. Quando o conduzir vou sentir o rosnar de arte nas minhas mãos e na ponta do meu pé 'acelerador' direito!

fisherman goes to bay


pescador de almas

pescador de sentidos

pescador de latidos

pescador de subentendidos

pescador de ruídos

pescador de imbutidos

pescador de criancices

pescador de memórias

pescador de 'reza a história'

pescador de ideias

pescador de cadeias

pescador sem limites

pronto para respirar e ser livre

sexta-feira, Junho 06, 2014

i can see clearly now the rain is gone

I can see clearly now the rain is gone.
I can see all obstacles in my way.
Gone are the dark clouds that had me blind. 
It's gonna be a bright (bright)
bright (bright) sunshiny day.

I Can See Clearly Now, Johnny Nash


Os carros não têm só uma utilidade prática de nos levar de um sítio para o outro. Mesmo parados são também casulos que nos colocam no meio da realidade, menos visíveis e mais contemplativos.
Se estivermos a ouvir música no rádio ainda melhor para esta reflexão tão humana e tão moderna. Podemos estar no meio da cidade a olhar para os outros carros a passar a velocidade ou apenas a observar pessoas a fazerem a sua vida. Malta de pijama a levar o lixo à rua, idosas a passear, mães a levarem os filhos para o infantário ou jovens a irem de mochila para mais um dia recreio e escola.

Esta contemplação quase voyeur é melhor dentro de um carro. Temos a música a acompanhar o pensamento (ou vice versa). Estamos sentados e protegidos de vento, chuva ou de outros elementos e podemos meramente pensar e observar. O efeito reflexivo é semelhante se formos para uma falésia ou para o campo observar o mar ou a natureza no horizonte. Provavelmente a olhar a beleza da natureza vamos pensar mais em nós e no que fazemos aqui, já que com a natureza não temos o elemento humano a distrair-nos de nós próprios. A certa altura apetece-nos abrir a porta e entrar de novo no mundo, sentir o vento na cara e olhar sem casulos.


Tudo isto faz-me lembrar este anúncio aqui por baixo da Nescafé, com esta música maravilhosa de Johnny Nash. Desde que era miúdo que me lembro de ver este anúncio. Parava tudo o que estava a fazer para ver aquela miúda gira no carro a olhar o horizonte. Estava-se a passar alguma coisa especial ali. Não era um mero anúncio. Para mim nunca foi.
A música tocava enquanto ela estava no carro e, de repente, parava. Ela procurava algo na parte de trás do carro e encontrava a lata de café. Sem se ver pormenores, ouvia-se o a abrir da tampa, o ferver do café e o servir para a chávena. Maravilhoso. Depois ela saia do carro de chávena em punho e usufruía do café, da vista e da brisa do mar, la la la. Perfeito. Poucos anúncios acertavam tanto de forma tão simples. Delicioso momento humano. 

--
PS: Ter auscultadores e ouvir música (no iPhone, iPod e afins) pelo meio da multidão ou da natureza cria efeitos semelhantes. Mas de carro estamos mais protegidos de tudo, num perfeito casulo só nosso. E podemos ser mais observadores passivos, de outros humanos ou da natureza.


quarta-feira, Maio 21, 2014

a love letter to my portuguese West

Um pequeno vídeo tolo fez-me lembrar como foi bom crescer nessa bela localidade que é as Caldas da Rainha (onde incluo ainda o Oeste de Portugal).

Aqui ficam memórias caldenses. 

Sair da escola e passear pela rua das Montras, ver as babes, ir à Praça da Fruta, passar pelo Parque (onde se jogava ping pong ou se apanhava molha em passeios de barco agitados no Verão).0
Iir à Upacal e comer um salame, ou passar pelas lojas do Parque, levar uns deliciosos Beijinhos. Ou, no Verão, ir experimentar os sabores novos na gelataria Puzzle (e ainda ver as novas figuras com pénis XXL prontos a sair de fora ao mero puxar de um cordel).

No Verão, a malta ia quase todos os dias de bicicleta até à praia: o Alto do Nobre era a subida de montanha da viagem; a fonte dos Namorados era o ponto de paragem obrigatório para esperar pelos lentos e beber água, no caminho até à Foz do Arelho - 15 quilómetros para cada lado que envolviam uma corrida diária entre os presentes, claro.

Nesses mesmos verões, sempre que queríamos fazer mais uns quilómetros de bicla, metíamo-nos pelo verde Nadadouro, com vista para a Lagoa de Óbidos, ou pelos caminhos menos conhecidos (de subidas complicadas) até ao meio da Estrada Atlântica (entre São Martinho do Porto e a Foz).
Certos dias íamos no autocarro saltitante estilo "mar alto" das Caldas até à Foz, onde havia sempre gente conhecida e o Ricardão não perdia oportunidade de assustar alguma miúda com o seu olhar fixo pseudo-sensual.
Na Foz - onde o ponto de encontro era sempre "junto à Bandeira" - jogava-se à bola umas horas, via-se as babes, dava-se mergulhos criativos (por vezes dolorosos) na Lagoa e combatia-se as ondas rebeldes durante horas no 'mar'. Muitas vezes (já sem o Lipinho na praia) só saíamos com o pôr do sol - lembras-te, Robert Charruadas?

Aos fins-de-semana podíamos ir de carro até Peniche, apanhar o barco até às Berlengas (fiz isso vezes a menos!).
Mais frequente foi: ir em famelga e de farta merenda na carrinha do meu Tio Zé almoçar no pinhal do Outro Lado da Foz. Depois do almoço que envolvia frisbees, cartas e afins, a tarde era passada na gigante Praia Del Rei, onde haviam nudistas lá ao fundo e o areal (com riachos com ligação ao mar pelo meio) parecia não ter fim. Por lá lembro-me de jogar aos Gladiadores Americanos ou aos penáltis com o Nuno Vinhais, de jogar raquetes até cair para o lado com o primão André Ramalho ou o daddy e de ficar vermelho, estilo Índio, como um pimento.
Quando havia vontade de fazer mais do que 20 quilómetros e ir para a confusão, íamos ao Baleal aproveitar aquele mar perfeito (entre o calmo e o ondulado o suficiente para o surf) e areal delicioso.
Mais tarde, já andava na faculdade em Lisboa, comecei a frequentar com a malta aos fins-de-semana ou nas férias Supertubos. Passou a ser a praia de eleição no Oeste, mais calma, com boas ondas e relativamente perto.

Voltando atrás, aos tempos de Secundário: em Agosto, nos verões em que não ia aprender a trabalhar com o meu Tio Júlio, ou descansava na loja do meu avô a fazer descontos a clientes, a ler as edições desde 1970 da TV Guia ou os desportivos sobre os milhares de reforços do Benfas, ou em alternativa juntava-me à (fictícia) Associação Sindical do Apanhadores de Pêra Rocha Universitários do Oeste.
Na Pêra, em plena aldeia da Sobrena, os dias começavam pelas 8h em ponto - a viagem começava pelas 7h20 a partir das Caldas, no Fiesta preto do Sérgio, com tudo ensonado.
Depois de boas histórias partilhadas, muita pêra comida, apanhada e atirada violentamente para os vários jovens camaradas da Pêra, o dia chegava ao fim com arranhões nos braços e pernas - a malta era acrobata nas Pereiras - e bronze à pedreiro (ao almoço havia um 'endireita' disponível).
A viagem de regresso de Fiesta pela mítica Nacional 1 era mais animada: envolvia corridas de carros, rabos à mostra para quem ia de mota (o Ruben era a vítima), buzinadelas para os velhotes que iam junto à estrada (cumprimentavam-nos sempre!) e conversa na língua russoviesky, onde o grande Cardozo era especialista doutorado.

'Olhando' para trás, penso:Jim Morrison é que tinha razão: «Carry me, Caravan, take me away
Take me to Portugal...»    «The West is the Best». 

E para mim confirma-se: o Oeste é melhor, pelo menos para mim foi. 

o futebol (também) é isto




Tiago, emocionado, dedica, num vídeo de bastidores do Atlético Madrid campeão em pleno Camp Nou, o título espanhol aos seus tios (parece ter havido uma morte na família e o seu tio ter-lhe-à dito que ia ser campeão esta época). Emotivo! Grande Tiago! (aos 2m)

terça-feira, Maio 20, 2014

os primeiros a partilhar conhecimento

Enheduana, a primeira a escrever e assinar o que escreveu.

Gilgamesh. Herói antigo. O primeiro. Imortalidade por histórias.
No Uruk (actual Iraque). Primeiro local onde se escreveu.

via Cosmos

sortido de memórias

Ando constipado. Dor de garganta, tosse, um pouco de febre, the works. Nestas alturas lembro-me sempre dos remédios milagrosos e naturais da minha mãe que havia lá por casa. Chupar metade de uma fatia de limão com açúcar ajudava à dor de garganta. A calda da cenoura embebida em açúcar ajudava à tosse e até saboroso era.
Para a dor de dentes, bochechar com aguardente ou whiskey ajudava. Saudades.
Fora de doenças, Sopinhas de Leite, Gemadas e um mix de gemada com farinha (massa se bolo) eram presenças gastronómicas à noite ou de madrugada.

domingo, Abril 13, 2014

o destino através dos filmes

Mr. Destiny foi um dos filmes que mais me entusiasmou no princípio da adolescência, tal como Regresso ao Futuro, Indiana Jones, ET, Guerra das Estrelas, O Feitiço do Tempo, uns quantos com o Tom Hanks (de Big, a Um Dia a Casa Vem Abaixo ou A Fogueira das Vaidades), Clube dos Poetas Mortos, O Rei dos Gazeteiros, O Tubarão, O Padrinho, SOS Fantasmas, Caça Fantasmas, Tootsie, O Que Se Passa com Bob? (estes últimos com Bill Murray), Esquecer Paris, Os Caça Policias (não estou a incluir o belo ano de 1994) etc.

É uma comédia peculiar e imaginativa com uma mensagem sobre a vida e as decisões que tomamos muito poderosa, que teve impacto em mim quando tinha 10 anos e achava que ser rico ia tornar a minha vida bem melhor. James Belushi era o homem amargurado com a sua vida que (graças a Michael Caine) tem direito a poder experimentar uma vida alternativa de sucesso financeiro e profissional. Essa é a vida que ele podia ter tido se, numa jogada de beisebol quando era miúdo, tem acertado na bola e dado o campeonato à sua equipa.

Se vir o filme hoje vou ficar preso à qualidade mediana de efeitos e alguns pormenores mas na altura aquela história significava tanto que nunca mais a esqueci, só me esqueci mesmo do nome do filme (nunca foi popular, só o vi porque era um junkie do clube de vídeo) e do nome dos protagonistas - redescobri tudo isso há uns anos. No fundo é um filme com uma mensagem filosófica sobre os caminhos que a vida toma e a forma como isso pode influenciar a nossa personalidade e felicidade. E depois tem a perspectiva de como o facto de não conseguirmos aquilo que sonhamos não ser necessariamente mau, porque nem sempre os desejos de grandeza e riqueza que temos nos fazem mais felizes do que uma vida menos glamorosa e simples. Pode parecer uma lição simples, mas para um puto de 10 anos ficou gravado. Boa noite, e bons filmes. 









terça-feira, Abril 08, 2014

o teu próprio cosmos

"Se te queres conhecer, observa a conduta dos outros; se queres conhecer os outros, olha para o teu próprio coração." 

-- Friedrich Schiller (um tipo alemão) 



 Bom 8 de Abril.

evite quedas

É oficial, está aberta a época dos espalhos. Segunda senhora que ajudo a levantar do chão depois de um tralho e a reunir os pertences em menos de uma hora. Confirma-se, os tugas são solidários. Não fui o único a ajudar e a preocupar-me.

Gente, cuidado com os degraus, buracos e milhares de obras e desníveis da cidade.

confiar no criador... ou nos teus instintos

estou indeciso. não sei se detestei ou se fiquei meramente desiludido com o filme Noah (Noé, para os amigos portugueses). é a história e a ligação (empatia) pela personagem principal que me perturba. e acho que Russell Crowe até está bem, tal como Aronofsky na realização. já a história e a forma como está construída em certos momentos (e enquadrada) foi o que me estragou a experiência (e lá pelo meio até tem momentos interessantes e algumas boas decisões na hora de contar esta história). não tenho dúvida nenhuma é sobre Emma Watson: está perfeita (e, ela sim, tem a personagem mais interessante do filme).
no fim de contas, a mensagem acabou por ser: "crescei e multiplicai-vos".
(ou, mais a sério: nem tudo o que o criador te diz para fazer é para fazeres, e se não fizeres talvez ela até tenha querido que não fizesses... bla bla bla).

não há deus, há um criador.
Aranofsky, felizmente, afastou-se (e bem) do lado meramente religioso da história. por isto mesmo, tinha esperança que fosse um filmaço - e escreve-vos isto o ser humano que apreciou Cloud Atlas. para mim, não é. tem demasiadas histórias mal contadas, situações inverosímeis (não é por serem sobrenaturais, mas por não colarem bem com a forma como o contexto do filme é criado, lá está, não parece credível), lengas-lengas (ou como eu gosto de chamar, mambo djambo) que me distraem e afastam-me de sentir empatia e compreensão para com as personagens. Noé (Crowe) tem bons momentos, tem outros que me afastam dele (e da história) e me perturbam a forma como poderia apreciar o filme que, no fim de contas, tem efeitos e realização de grande nível, boas actuações e um ritmo certo que nunca nos aborrece (é a história, tristemente, que o faz).

desejos de bons pedaços de cinema; histórias bem contadas que nos façam imaginar, sonhar, sentir inspirados ou meramente aconchegados.





terça-feira, Abril 01, 2014

os duelos dos opostos

Os opostos defrontam-se

Costuma dizer-se: os opostos atraem-se. A lei da física (chamada de Coulomb e que descreve a interacção electrostática entre partículas electricamente carregadas - e esta, hein!) que deu origem ao ditado retrata, neste caso, o duplo duelo com que começam hoje os quartos-de-final da Champions.

Na parte ibérica da Europa
, mais precisamente no maior estádio europeu (capaz de receber 99 mil adeptos), Camp Nou, há embate espanhol (entre madrilenos a catalães). Um Barcelona ainda a ‘bailar’ ao ritmo remoto de Guardiola - agora sob a batuta do argentino Tata ‘tango’ Martino - é conhecido pelo futebol de ataque e pela nota artística. Este Barça enfrenta um At. Madrid conhecido pela força mental e física com que conseguiu chegar à liderança da Liga espanhola actual  (os catalães estão a um ponto), muito graças às danças tribais coordenadas pelo também argentino (mas bem mais experiente nas andanças europeias do que Tata) Diego Simeone.

Fora da Europa continental,
 numa ilha a que dão o nome de Grã-Bretanha, o duelo é anglo-germânico. De um lado estará o pior Man. United das últimas décadas na Liga inglesa – orientado desde Julho por David Moyes – defronta o melhor Bayern Munique de sempre na Bundesliga e principal favorito em revalidar o título na Champions – do catalão Pep Guardiola.
Opostos à parte, o único jogo onde se espera uma tempestade humilhante para uma das equipas é no Teatro dos Sonhos, Old Trafford (Manchester). Os registos do campeão da Champions e da Bundesliga a ‘bailar’ agora ao ‘som’ do tiki-taka de Guardiola têm tudo para esmagar os pobres resultados do campeão inglês (a época passada), com dificuldades para interpretar o novo ‘sapateado’ de David Moyes desde que o veterano maestro Sir Alex Ferguson abandonou a orquestra do United a época passada.

O Bayern de Pep é o grande favorito à vitória final da Champions. As casas de apostas online assim o indicam, ao cotar com praticamente o dobro do favoritismo do segundo mais cotado, o Real Madrid. O Chelsea está atrás de Barça e PSG na lista dos favoritos. O último é o Dortmund, que consegue estar pior neste domínio de cotações do que o próprio Manchester United - a demonstrar que este Dortmund não é o mesmo que eliminou à tangente a época passada o Real Madrid.

Os registos são como o algodão, não costumam mentir. O catalão Pep Guardiola é, provavelmente, o treinador com melhores registos em menos tempo da história. A ajudá-lo tem a melhor geração de sempre do Barça e o Bayern mais demolidor (ainda antes da sua chegada). Ironia das ironias: é preciso recuar cinco anos (num total de 229 jogos, desde 2009) para Guardiola acumular 14 derrotas; já Moyes herdou um United campeão de Inglaterra mas perdeu 13 jogos em 47 disputados só esta época!


Mas esqueçamos Moyes, um escocês com um registo bem razoável ao longo de uma década num Everton, mas que andou sempre longe das luzes do topo do futebol mundial.

Pep Guardiola tem apenas 23 derrotas em toda a carreira e impressionantes 17 títulos. Vejamos:

290 jogos
217 vitórias
50 empates
23 derrotas
17 títulos
3 títulos no Mundial de Clubes
2 Ligas dos Campeões
3 La Liga
1 Bundesliga

Ganhou 14 títulos em 19 possíveis (só perdeu cinco) nos primeiros quatro anos de carreira com uma equipa principal (o Barça). 

A vitória mais volumosa preferida é a mítica 'manita': o 5-0  (19 triunfos!)
Do qual foram vítimas equipas como Sevilha, Real Madrid (o primeiro clássico de Mourinho pelos madrilenos), Villarreal, Atlético de Madrid, Basileia, o Panathinaikos ou o BATE Borisov. 
O Barça de Pep goleou por 5-0 em 15 jogos e o Bayern de Pep conseguiu o 5-0 esta época em quatro = 19 jogos em 290.
Com o Bayern em 2013/14 existem ainda três goleadas por 4-0; quatro por 3-0; uma 7-0; uma por 5-1; uma 6-1

Aliás, o 4-0 é outra predilecção. Só em 2011/12, época em que o Real Madrid de Mourinho 'roubou' a primeira La Liga a Guardiola (à segunda tentativa) o Barça ganhou nove jogos por 4-0 e cinco por 5-0, contando-se pelo meio goleadas por 7-0, 8-0 e 9-0. Ainda assim perdeu a La Liga para o Real Madrid, não conseguiu vencer (como até ali) o rival na maioria dos jogos, foi eliminado por um Chelsea ultra sortudo nas meias-finais da Champions. E Guardiola saiu, conquistando 'apenas' o Mundial de Clubes, a Supertaça Europeia, a Supertaça e a Taça do Rei.


terça-feira, Março 25, 2014

hoje soube-me a tanto, ou portanto, hoje soube-me a pouco

sérgio godinho

o futebol e o resto

Há uma linha, por vezes muito ténue, que balança entre respondermos a alguém ou deixar passar (não responder) por menos razão que achemos que a pessoa tem. Quando ficamos surpreendidos com uma opinião sobre nós que achamos estar tão fora da realidade e que nos define de forma tão leviana, reduzida e degradante parece que ficamos sem argumentos (ou sem vontade de os expor).
Os assuntos que mais paixão motivam hoje em dia no Portugal de 2014 são futebol e política. Infelizmente são os dois demasiado parecidos no fervor com que as pessoas defendem as suas cores (e quando digo cores falo em clube/partidos e não propriamente em ideias ou ideais - na verdade a política devia reger-se por princípios diferentes dos da paixão por um clube de futebol).


No campo do (e não de) futebol a pessoa mais racional deixa-se levar pela emoção, pelo amor a um clube. Acontece todos os dias à maioria dos apaixonados pelo desporto-rei, com um clube do "coração". Nas velhinhas tascas, nos modernos cafés ou pastelarias da moda, nas redes sociais (onde o Twitter é rei neste domínio de conhecer opiniões vindas de todo o lado), o futebol discute-se ao pormenor e a polémica, os erros do árbitro, as opiniões diferentes sobre o mesmo lance, as faltas, os fait-divers (apertos de mão de treinadores, danças, matreirices, faltas de classe, etc) são um dos temas preferidos dos comentários e nas discussões, exactamente porque são os temas que motivam mais discórdia. É da génese humana, na verdade. Uns mais, outros menos. Mas se se envolvem no futebol vão lá parar.


Entrando agora num domínio mais pessoal, eu já tive aproximações ao desporto-rei diferentes. Sempre fui apaixonado pelo jogo mas houve alturas (breves) da minha vida, em fases diferentes, em que deixei de ter paciência para acompanhar as notícias, seguir as polémicas ou mesmo ver jogos de forma regular - concentrava-me mais nos clássicos. Já há muitos anos que sigo de forma frequente o futebol e as notícias em torno dele, até por motivos profissionais e sempre me considerei um tipo com preferências muito marcadas por jogadores (alguns não são fenómenos como Messi ou Ronaldo), treinadores e clubes (para além do clube de sempre) e que nunca se concentrou muito nas discussões ao pormenor das polémicas - aliás, fico sempre chateado comigo próprio quando perco tempo a discutir com malta "do contra" e que só sabe ser negativista e dizer mal sem parar (andam em círculos repetitivos no que dizem, mesmo).

Na verdade tal como vejo a política (eu gosto/detesto de pessoas, independentemente do partido), sempre consegui apreciar e torcer por jogadores, treinadores e clubes que não o meu. Torcer por clubes portugueses nas competições europeias, mesmo que não seja o clube do "coração" - sempre tive simpatia por uns ou antipatia por outros, para lá o clube do coração.
E sempre me vi como um apreciador do futebol, do talento puro de agir por instinto, mais rápido do que todos os outros, das tácticas onde um grupo de homens funciona como uma máquina oleada a funcionar quase como um só "corpo", da intensidade dentro do relvado, da imprevisibilidade do jogo, da forma como o futebol também nos ensina tanto - especialmente o inglês -, na forma como o campeão de hoje é o derrotado de amanhã, a sorte de hoje é o azar de amanhã, o campeão tem direito a aplausos do adversário como sinal de respeito e os maiores adversários dentro de campo podem trocar de camisola depois de se "picarem" como cães raivosos nos 90 minutos.

Até José Mourinho aparecer devo confessar que ligava pouco a conferências de imprensa. Como jornalista e apreciador de futebol, ver uma conferência de imprensa de Mourinho costuma ser aliciante porque há ali uma competição peculiar entre um jornalismo desportivo que precisa das manchetes, da frase "picante" muitas vezes adulterada face ao que foi dito (a biografia de Alex Ferguson fala bem disso) e uma "raposa" portuguesa a quem cabe o papel de responder às perguntas e que não tem problemas em parecer o mau da fita (quando acha que o tem de fazer).
Uma conferência com JM é ouvir alguém que sabe como poucos do jogo de futebol e pode-nos dar uma lição sobre o que se vai passar num jogo ou sobre o que se passou; ou então pode chamar os bois pelos nomes, reagir de forma divertida, perfeita, brusca ou exagerada (tem de tudo) a uma provocação; ou ainda deixar questões no ar com mensagens para o seu balneário ou para os adversários. Certo é que, normalmente, é interessante ouvir o que ele tem para dizer e a forma como não se deixa manipular pela matilha (mais em Espanha e menos em Inglaterra) que tem à frente e ainda consegue deixar os adversários em sentido. E os duelos de Mourinho com Guardiola (Ronaldo com Messi) dentro de campo (e também fora) nos tempos do Inter e do Real foram fenomenais e únicos. Vividos com uma intensidade incrível, apesar das palavras mais duras entre os dois (que até foram bem próximos anos antes - podiam ser amigos e confidentes) e das polémicas que até deram algum colorido.

A verdade é que vejo cada vez mais o futebol como um jogo de talentos incríveis (cuja forma e a motivação nem sempre é a mesma)
como Yaya Touré, Andrés Iniesta, David Silva, Matic, William Carvalho, Lisandro López (lembro-me de o ver na Luz, como fotógrafo, a escassos metros da acção e me sentir embasbacado pela rapidez com que ele criava perigo do nada, sem segundos), Luis Suárez, Rooney, Zlatan Ibrahimovic, Tony Kroos, Lucas, Hazard, Henrik Larsson, Zidade, Figo, Cruiff, Van Basten, Coluna, Eusébio, Figo, Cristiano Ronaldo, Messi, Maradona, Maldini, Varane, Ronaldinho, Ronaldo, Deco, Rui Costa, João Vieira Pinto, Jardel, Thern,
onde o treinador é o maestro que orquestra uma equipa de forma a ser uma máquina na forma como defende, ataca, responde às adversidades ou aos benefícios. É esse maestro que prepara aqueles putos que trocam a bola para todas as incidências do jogo, esperando que eles saibam incorporar os ensinamentos e possam explodir ao superar-se ou apenas evidenciar o talento incrível que alguns têm. Jogadores como Ibrahimovic, Cristiano Ronaldo ou Maradona têm, para além do talento, personalidades megalómanas incríveis que os fazem mudar uma equipa por si só.

O futebol é muitas coisas diferentes, para mim e para outros que tais.

quinta-feira, Março 13, 2014

que rico moço


A rica tem nome fino
A pobre tem nome grosso
A rica teve um menino
A pobre pariu um moço

António Aleixo

mandar não é privilégio é responsabilidade



Há tantos burros mandando 
Em homens de inteligência 
Que às vezes fico pensando 
Que a burrice é uma ciência.

António Aleixo

beckenbauer, sem papas na língua

Ainda se vai arrepender, ou não. Mas são palavras fortes de Franz Beckenbauer sobre o novo estilo de jogo do Bayern Munique de Pep Guardiola, que tem goleado com facilidade jogo após jogo na Bundesliga. É peculiar ver como o presidente honorário do Bayern não tem problemas em criticar o estilo da sua própria equipa.

Certo é que Guardiola vai ter de ficar caladinho. Se fosse Mourinho a dizer o mesmo lá se ouviria o queixume de que o tuga é: "Él es el puto jefe y el puto amo en esta sala".


- "Se continuarmos a jogar como até agora, corremos o risco de sermos como o Barça: um dia ninguém nos quererá ver" 

- "Estes jogadores vão passar a bola até à linha de golo. Tenho outra perspectiva do futebol. Qual? Se tiver oportunidade de rematar à baliza, especialmente frente a defesas muito fechadas, faço-o."


Gostava de Guardiola como jogador. Ele e o Figo tinham uma cumplicidade em campo (e aparentemente fora dele) peculiar. Guardiola, o treinador, é um vencedor determinado e destemido com uma ideia muito específica e dogmática de como a sua equipa deve jogar.

No Barcelona o seu estilo - inspirado em Johan Cruyff (e no mentor deste, Rinus Michels) e ainda mais aperfeiçoado - fazia todo o sentido. A equipa foi feita a pensar nesse estilo e mesmo os miúdos que chegavam da cantera aprenderam aquela forma de jogar desde tenra idade. E o modo de jogo do Barcelona de Guardiola é incrível a vários níveis mas tem os seus defeitos. Para já só é possível concretizar aquelas ideias com alguns dos melhores jogadores do mundo a nível do talento - ele teria sucesso com aquele estilo, parece-me, com muito poucas equipas no mundo. Depois é um estilo que se torna demasiado maçudo e usurpador, o que aconteceu mais nos últimos anos dele no Barça. Fazendo uso de ter jogadores com uma capacidade de controlo e colocação da bola especial, era possível passar 5 ou 10 minutos a ver a bola a passar de pé em pé lá atrás de forma a adormecer o adversário.

Certo é que Guardiola é um talento incrível como treinador, capaz de ler o jogo, motivar uma equipa e obrigá-los a respeitar na integra um estilo que tem como cerne a posse de bola, sempre, sem excepções, o que permite controlar melhor os timings em que atacam para ferir o adversário. Depois do período em que os adormeceram infinitamente, atacam com todo o talento e agilidade e têm na frente (no caso do Bayern, força física impressionante que o Barça não tinha).

Sempre que a sua equipa não tem a bola Guardiola fica impaciente. Vê-se isso hoje em dia com o Bayern. E esse mérito, em excesso, que se pode tornar num defeito para o jogo de futebol e para a sua própria equipa. A última época de Guardiola no Barcelona já foi a perder ou empatar consecutivamente com um Real Madrid que descobriu a receita.

O talento dele como treinador vê-se nos treinos, na exigência com os jogadores (nesse aspecto, e noutros também, é bem parecido com Mourinho). Vi alguns períodos de treinos dele no Bayern, ainda a ensinar os jogadores o seu estilo e era muito energético. Queria pressão, sempre. Qualidade de passe, sempre. Coloca a barra bem alta para todos. A mim quer-me parecer é que é exagerado na forma dogmática como quer impor aquele estilo e não se importa de adormecer um jogo só para ficar com a bola eternamente. Gostava de ver este Bayern contra o Real Madrid ou mesmo o Chelsea, novamente. O Chelsea de Mourinho fez frente a este Bayern, que esteve a perder 120 minutos na Supertaça Europeia e só empatou (e depois ganhou nos penáltis) aos 122 (dois minutos depois do tempo previsto).

No meio de tudo isto há algo em que Guardiola não é tão bom como é treinador: a vitimização e o discurso de falsa modéstia e humildade não cola comigo e irrita-me. Viu-se muito isso em Barcelona, os outros eram uns diabos de calções e os dele (e ele próprio) eram uns anjinhos incapazes de fazer mal a uma mosca.

PS: Tenho quase a certeza que não foi para Inglaterra, nomeadamente para o Man. City, só para evitar o Mourinho. Já para não falar que o Bayern com aquela equipa sólida, um plantel incrível, juventude, experiência europeia e história lhe dava mais garantias.


sábado, Março 08, 2014

o sol saiu à rua num sábado assim

Um tipo entra na Mango da Baixa por dever conjugal e entre bifas e tugas só ouve expressões como:


que giro; 
é lindo; 
o XS fica-me apertado; 
este fica mais comprido; 
o outro fica melhor; 
é giríssimo; 
aqui fica muito folgado; 
este fica mais curto mas é transparente; 
estás mais magra; 
estou a precisar de ir ao ginásio; 
the pants are weird but the jacket is supernice; 
oh, is lovely; 
ah tão giras; 
adoro; 
vou experimentar o S; 
esta não quero; 
aqui nos braços está curto e eu não gosto dos meus braços; 
o rabo fica bem?; 
should I try it again?; 
nas mamas fica bem?
não sei onde estão os sapatos da montra; 
a diferença para o XS não é muita; 
vou vestir a outra, já não sei de nada; 


Pelo meio uns homens com cara infeliz atrás das respectivas entre a algazarra e outros homens excessivamente eufóricos, com amigos respectivamente felizes por andar nas compras.
PS: a Baixa está a abarrotar de gente.

sexta-feira, Março 07, 2014

a semana numa espécie de notícias

nas notícias, esta semana, uns meninos russos marotos invadiram a Crimeia e assobiaram para o lado - negam tudo, claro (há boatos que tudo está a ser orquestrado por Francis Underwood, a trabalhar para os russos e para os ucranianos).

também nas notícias, uma selfie encomendada pela Samsung fez furor nas redes sociais - a Samsung nega a encomenda, claro.

ainda nos assuntos que mexem o mundo, uns rapazes brincaram ao polícia em serviço e polícia em manif com empurrões e suor à mistura - ficou tudo na mesma, claro, e acabou tudo aos abraços.

outro dos assuntos no planeta, o Papa Chico vai ter a sua própria revista com tendências da moda e dos valores morais que valem entrada no céu - ao estilo Oprah e não, não é só para católicos, é para o mundo!

noutros domínios noticiosos, a estrela 'poop' reformada Justin Bieber fez beicinho em tribunal e Miley Cyrus apresentou ao mundo no seu Twitter uma mão 'dildo' - muito macabro, diga-se. e assim vai o mundo daquilo que verdadeiramente interessa.

PS: torçam por mim no Euromilhões desta noite. se ganhar, hand-shaped fisting dildo's da Miley Cyrus para todos (andei a aprender com a Oprah e a Ellen)!

sexta-feira, Fevereiro 28, 2014

e o óscar vai (devia de ir) para... txaran!

Façam as vossas apostas, ou não. Os Óscares estão aí. É já no domingo. Este ano há muita variedade em estilos, mediatismo e géneros nos filmes nomeados. Há bastante qualidade mas não há um filme que se destaque por completo e se diga... só pode ser este a ganhar.
São nove filmes na desejada lista do Melhor Filme. Existem favoritos já definidos para as várias categorias por critérios bem diferentes, os prémios que já venceram, os estilos favoráveis aos milhares de membros da Academia... a promoção ao filme, etc, etc.
Aparentemente e até pelo trabalho técnico (que nem todos reparam) brilhante, Gravidade deve ganhar o maior número de estatuetas (o que não é propriamente relevante).

Como habitual, estou dividido. Por isso coloco por baixo os meus preferidos pessoais à vitória final e aqueles que são considerados favoritos ao Óscar.


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Melhor filme
Devia ganhar (para mim): Her (por levantar tantas questões de forma tão subtil) 
É favorito a ganhar: 12 Anos Escravo (o que até é merecido, diga-se). Gravidade é o seguinte favorito, em conjunto com Golpada Americana. Todos filmes bem diferentes. 

NOMEADOS
Capitão Phillips
O Clube de Dallas
12 Anos Escravo
Filomena
Golpada Americana
Gravidade
Her – Uma História de Amor
O Lobo de Wall Street
Nebraska


Melhor realizador
Devia ganhar (para mim): Alfonso Cuáron, Steve McQueen (por ordem) - Cuáron tem um trabalho minucioso incrível na forma como nos coloca, nas sensações, no espaço celeste. Tudo isso sente-se quando Sandra Bullock coloca os pés no chão e nos sentimos zonzos, como ela.
É favorito a ganhar: Alfonso Cuáron ou Steve McQueen (por ordem)

NOMEADOS
David O. Russell, Golpada Americana
Alfonso Cuarón, Gravidade
Alexander Payne, Nebraska
Steve McQueen, 12 Anos Escravo
Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street


Melhor actor
Devia ganhar (para mim)Matthew McConaughey, Leonardo Di Caprio (por ordem) - é um desempenho notável de McConaughhey maximizado pela transformação física incrível e por ser um 'comeback' de alguém que foi menosprezado várias vezes; Di Caprio tem mais um desempenho brilhante, como outros, e também merece levar a estátua careca, tal como Bruce Dern ou mesmo Christian Bale (que interpretações!); Tom Hanks devia estar nomeado por Capitão Philips!
É favorito a ganharMatthew McConaughey, Leonardo Di Caprio (por ordem) 

NOMEADOS
Christian Bale, Golpada Americana
Bruce Dern, Nebraska
Leonardo di Caprio, O Lobo de Wall Street
Chiwetel Ejiofor, 12 Anos Escravo
Matthew McConaughey, O Clube de Dallas


Melhor actriz
Devia ganhar (para mim)Amy Adams ou Cate Blanchett (por ordem) - Adams é uma actriz que transforma papéis interessantes em personagens incrivelmente cativantes e profundas, como se viu em Golpada Americana, onde faz uma dupla fabulosa com Bale, num filme que vive das interpretações; Blanchett vale o filme de Woody Allen e mostra ser mulher para toda a obra, numa personagem difícil e complexa, tal como Meryl Streep (faz de mãe cruel em Um Quente Agosto).
É favorito a ganharCate Blanchett  

NOMEADOS
Amy Adams, Golpada Americana
Cate Blanchett, Blue Jasmine
Sandra Bullock, Gravidade
Judi Dench, Filomena
Meryl Streep, Um Quente Agosto


Melhor actor secundário
Devia ganhar (para mim)Michael Fassbender ou Jonah Hill - Fassbender é um actor fabuloso que mostra isso mesmo em 12 Anos Escravo, interpretando um fazendeiro mau da fita cheio de incongruências e valores retorcidos; Hill tem um papel incrível e mostra, para mim, ainda mais versatilidade em O Lobo de Wall Street do que mostrou em Moneyball.
É favorito a ganharJared Leto  (a transformação física e, diga-se, a forma perfeita como interpreta este travesti devem convencer a Academia)

NOMEADOS
Barkhad Abdi, Capitão Phillips
Bradley Cooper, Golpada Americana
Michael Fassbender, 12 Anos Escravo
Jonah Hill, O Lobo de Wall Street
Jared Leto, O Clube de Dallas


Melhor actriz secundária
Devia ganhar (para mim): Julia Roberts ou Lupita Nyong'o - Lupita uma foi escrava vilipendiada em 12 Anos Escravo, num papel duro e surpreendente para uma actriz pouco conhecida; Julia Roberts é mais um 'comeback' do ano, com um papel duro como filha da cruel Meryl Streep em Um Quente Agosto.
É favorito a ganharLupita Nyong'o ou Jennifer Lawrence (por ordem) - Lawrence tem um papel peculiar e engraçado, mais não pode ganhar todos os anos por algo que não é propriamente brilhante)  

NOMEADOS
Sally Hawkins, Blue Jasmine
Jennifer Lawrence, Golpada Americana
Lupita Nyong'o, 12 Anos Escravo
Julia Roberts, Um Quente Agosto
June Squibb,Nebraska


Melhor filme estrangeiro
Devia ganhar (para mim)A Caça - duro mas brilhante.
É favorito a ganharA Grande Beleza  (Itália)

NOMEADOS
Ciclo Interrompido (Bélgica)
A Grande Beleza (Itália)
A Caça (Dinamarca)
The Missing Picture (Camboja)
Omar (Palestina)


Melhor filme de animação
Devia ganhar (para mim)Gru - O Maldisposto 2 
É favorito a ganharFrozen  (a Disney, a solo, deve ganhar pela primeira vez em muitos anos o Óscar este ano)

NOMEADOS
Os Croods
Frozen - O Reino do Gelo
Gru - O Maldisposto 2
Ernest & Celestine
The Wind Rises


Melhor argumento original
Devia ganhar (para mim)Her - é brilhante como filme e o guião ajuda, e muito, a ser dos filmes dos últimos anos que mais nos coloca a pensar sobre a humanidade, o amor e a tecnologia de forma tão fracturante e sem correr o risco de nos dar respostas ao calhas.
É favorito a ganharHer ou Golpada Americana  (como o Golpada deve falhar todos os outros prémios principais, a Academia costuma compensar o filme. Pessoalmente diria que O Clube de Dallas tem algumas hipóteses)

NOMEADOS
Golpada Americana, de Eric Warren Singer e David O. Russell
Blue Jasmine, de Woody Allen
Her - Uma História de Amor, de Spike Jonze
Nebraska, de Bob Nelson
O Clube de Dallas, de Craig Borten e Melisa Wallack


Melhor argumento adaptado
Devia ganhar (para mim)Antes da Meia Noite - do meu ponto de vista podia estar na lista de Melhor Filme e, como tal, merece aqui uma distinção de um filme tão arrojado e diferente no guião que vale pela excelência da tripla Hawke, Delpy e Linklater.
É favorito a ganhar12 Anos Escravo ou Filomena  

NOMEADOS
Antes da Meia-Noite, de Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke
Capitão Phillips, de Billy Ray
Filomena, de Steve Coogan e Jeff Pope
12 Anos Escravo, de John Ridley
O Lobo de Wall Street, de Terence Winter


Melhor curta-metragem de animação
Que ganhe o português, Daniel Sousa!

Feral, Daniel Sousa e Dan Golden
Get a Horse!, Lauren MacMullan e Dorothy McKim
Mr. Hublot, Laurent Witz e Alexandre Espigares
Possessions, de David Shuhei Morita
Room on the Broom, Max Lang e Jan Lachauer


Melhor documentário
Os favoritos são The Square e 20 Feet from Stardom

The Act of Killing, de Joshua Oppenheimer e Signe Byrge Sørensen
Cutie and the BoxerZachary Heinzerling and Lydia Dean Pilcher
Dirty Wars, Richard Rowley e Jeremy Scahill
The Square, Jehane Noujaim e Karim Amer
20 Feet from Stardom


Melhor canção original
Os favoritos são Ordinary Love (dos U2) e Let It Go 

Alone Yet Not Alone, de Bruce Broughton e Dennis Spiegel, em Alone Yet Not AloneHappy, de Pharrell Williams em Gru - O Maldisposto 2
Let It Go, Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez em Frozen - O Reino do Gelo
The Moon Song, de Karen O e Spike Jonze em Her - Uma História de Amor
Ordinary Love, de Paul Hewson, Dave Evans, Adam Clayton e
Larry Mullen em Mandela: Longo Caminho para a Liberdade



Melhor banda-sonora original
Devia ganhar (para mim)Her - os Arcade Fire ajudam tanto ao dar ambiente ao filme que deviam ganhar!
É favorito a ganharGravidade ou Filomena  

NOMEADOS
The Book Thief, John Williams
Gravidade, Steven Price
Her - Uma História de Amor, William Butler e Owen Pallett
Filomena, Alexandre Desplat
Ao Encontro de Mr. Banks, Thomas Newman


Melhor fotografia
Devia ganhar (para mim)Gravidade 
É favorito a ganharGravidade  

NOMEADOS
The Grandmaster
Gravidade
A Propósito de Llewyn Davis
Nebraska
Prisoners


Melhor montagem
Deve e irá ganhar Gravidade ou Capitão Phillips

Golpada Americana
Capitão Phillips
O Clube de Dallas
Gravidade
12 Anos Escravo


Melhores efeitos visuais
Gravidade, all the way!

Gravidade
O Hobbit - A Desolação de Smaug
Homem de Ferro 3
O Mascarilha
Além da Escuridão - Star Trek


Melhor cenografia
Deve ganhar Gravidade...

Golpada Americana
Gravidade
O Grande Gatsby
Her - Uma História de Amor
12 Anos Escravo