Nobel da Literatura de 2005 atribuído a Harold Pinter
O Prémio Nobel da Literatura 2005 foi hoje atribuído ao dramaturgo inglês Harold Pinter.
A academia sueca descreveu Pinter como um escritor "que, nas suas peças, descobre o precipício sob a conversa fútil do dia-a-dia e força a entrada nas salas fechadas da opressão".
Harold Pinter "devolveu o teatro aos seus elementos básicos: um espaço fechado e diálogos imprevisíveis onde as pessoas estão à mercê umas das outras e em que o presente se desmorona".
O dramaturgo, que recebe o Prémio Nobel aos 75 anos de idade, assinou peças como "The Room", "The Birthday Party", "The Dumb Waiter" e "The Caretaker", todos traduzidos para português pela editora Relógio de Água. Muitos dos seus textos foram representados em Portugal pela companhia lisboeta Artistas Unidos.
Nascido em Londres em 10 de Outubro de 1930, Pinter, que começou a sua carreira como actor e escreveu a sua primeira peça em 1957, é "geralmente considerado como o maior representante do teatro dramático inglês da segunda metade do século XX", sublinha a academia.
Um dos factos mais marcantes da sua vida ocorreu quando tinha apenas 9 anos de idade e foi obrigado a sair de Londres por causa dos bombardeamentos da II Guerra Mundial. Só regressou três anos depois. A experiência da fuga debaixo dos bombardeamentos nunca o abandonou, confessaria mais tarde.
Uma das suas primeiras peças, "The Birthday party" (Festa de Aniversário, 1957), foi um fiasco no início, mas com o tempo tornou-se numa das suas obras mais emblemáticas. "A sua postura peculiar, ao mesmo tempo clássica e moderna, é ilustrada pela criação de um adjectivo, a partir do seu nome, que descreve uma atmosfera e um meio particulares nas peças de teatro: 'pinteresco'".
Ainda de acordo com a academia, "numa típica peça de Pinter, encontramos seres que se defendem contra intrusões estrangeiras ou contra as suas próprias pulsões, escondendo-se numa existência reduzida e controlada". "Outro dos temas principais é o carácter fugaz e inatingível do passado". Desde 1973, Pinter revelou-se também como um dedicado defensor dos direitos do homem.
Escreveu peças radiofónicas e guiões para cinema e televisão. Os seus filmes mais conhecidos são “The Servant” (1963), “The Accident” (1967), “The Go-Between” (1971) e "La Femme du Lieutenant Français" (1981).
in Publico.pt
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